Guia da Volta à Flandres 2019


Hoje disputa-se o segundo monumento do ciclismo do ano, é dia da mítica Volta a Flandres. Será a 103ª edição da principal competição da região que vive o ciclismo com mais paixão, a Flandres. Esta prova é a preferida de muita gente que acompanha de perto ciclismo, porque realmente é única, com um ambiente especial e que resume bem o significado que tem o ciclismo para esta zona do globo.

Os seus inúmeros Hellingen's, que nós por cá traduzimos como subidas, colinas ou muros, com pavé à mistura e a quilometragem a rondar os 270 quilómetros faz desta clássica uma das mais duras do calendário velocipédico mundial.

São seis os ciclistas que partilham o maior número de vitórias na prova, com três vitórias cada um temos: Achiel Buysse (1940, 1941 e 1943), Fiorenzo Magni (1949, 1950 e 1951), Eric Leman (1970, 1972 e 1973), Johan Museeuw (1993, 1995 e 1998), Tom Boonen (2005, 2006 e 2012) e Fabian Cancellara (2010, 2013 e 2014).

Em termos de ranking de vitórias por país, o grande dominador é sem grande surpresas, a Bélgica:
1.Bélgica-69
2.Itália-10
3.Holanda-10
4.Suiça-4
5.França-3
6.Alemanha-2
7.Reino Unido-1
7.Dinamarca-1
7.Noruega-1 
7.Eslováquia-1     

A partida e a chegada tem variado ao longo da história da prova, até ao anos 70, a partida tinha sido sempre realizada da cidade de Gent, 
aqui ficam a diferentes variantes utilizadas ao longo dos anos:
1913-Gent – Mariakerke
1914-Gent – Evergem
1919–1923 Gent – Gentbrugge (Arsenal)
1924–1927 Gent – Gent (pista)
1928–1941 Gent – Wetteren
1942–1944 Gent – Ghent (pista)
1945–1961 Gent – Wetteren
1962–1972 Gent – Gentbrugge
1973–1976 Gent – Meerbeke
1977–1997 Sint-Niklaas – Meerbeke
1998–2011 Brugges – Meerbeke
2012-2016 Brugges - Oudenaarde
2017-?? Antuérpia - Oudenaarde

História

Em 1913 a principal prova era a Volta à Bélgica, sendo que a Liège-Bastogne-Liège e as outras provas de um dia ainda não tinham atingido grande popularidade. A revista Sportwereld ao assistir à vitória de Odile Defraye na Volta à França de 1912, decidiu que era tempo de se criar uma grande prova na Flandres, Karel van Wijnendaele um dos fundadores da revista organizou a 1ª edição.
A Volta à Flandres desde cedo esteve fortemente ligada à identidade da Flandres, a intenção era concorrer e contrabalançar o domínio francês e da Valónia no ciclismo. Este facto, politizou a prova e fez com que uma grande parte das equipas francesas não participassem na mesma. Desta forma o pelotão não contou com os melhores corredores da época.

A primeira edição foi ganha por Paul Deman, num sprint de um grupo de cinco. No total participaram 37 corredores que iniciaram a jornada épica de 324 quilómetros, após Van Wijnendaele proferir a seguinte expressão: "Heeren, vertrekt!". Os primeiros completaram a prova em 12 horas, 3 minutos e 10 segundos.

Em 2017, Philippe Gilbert protagonizou uma das cavalgadas solitárias mais memoráveis da história da prova, ao isolar-se a mais de 50 quilómetros da meta no Oude Kwaremont e nunca mais foi apanhado.


últimos 10 vencedores
2009 Stijn Devolder (Bel) Quick Step
2010 Fabian Cancellara (Swi) Team Saxo Bank
2011  Nick Nuyens (Bel) Saxo Bank-SunGard
2012 Tom Boonen (Bel) Quick Step
2013 Fabian Cancellara (Swi) RadioShack-Leopard-Trek
2014 Fabian Cancellara (Swi) Trek Factory Racing
2015 Alexander Kristoff  (Nor) Team Katusha
2016 Peter Sagan (Svk) Tinkoff 
2017 Philippe Gilbert (Bel) Quick-Step Floors
2018 Niki Terpstra (Hol) Quick-Step Floors 

Edição 2018
1    Niki Terpstra (Ned) Quick-Step Floors    6:21:25   
2    Mads Pedersen (Den) Trek-Segafredo    0:00:12   
3    Philippe Gilbert (Bel) Quick-Step Floors    0:00:17   
4    Michael Valgren (Den) Astana Pro Team    0:00:20   
5    Greg Van Avermaet (Bel) BMC Racing Team    0:00:25   
6    Peter Sagan (Svk) Bora-Hansgrohe        
7    Jasper Stuyven (Bel) Trek-Segafredo        
8    Tiesj Benoot (Bel) Lotto Soudal        
9    Wout Van Aert (Bel) Veranda's Willems Crelan        
10    Zdenek Stybar (Cze) Quick-Step Floors

Percurso

Antuérpia - Oudenaarde (270 Km)
Subida acumulada: 2156 metros


O percurso deste ano tal como as últimas duas edições, tem como ponto crucial a combinação Oude Kwaremont e Paterberg, sendo que o primeiro muro abre as hostilidades com 116 quilómetros percorridos. O Paterberg será transposto por duas ocasiões, a segunda será a última subida do dia, enquanto que o Oude Kwaremont será ultrapassado por três vezes. A principal seleção deverá ser na primeira passagem pela sequência, Oude Kwaremont+Paterberg, a cerca de 55 Kms do final. Depois aparece a sequência de subidas, inclui, o Koppenberg, Steenbeekdries, Taaienberg e Kruisberg, que ainda farão mais estragos, continuando a seleção.
A maior novidade nesta 101ª edição é o regresso da mítica subida ao Kapelmuur que se situa a 95 Kms da linha de meta.


A primeira parte do percurso, ou seja os primeiros 100 quilómetros não tem dificuldades, como é hábito.
Aqui ficam as características das 17 subidas (Oude Kwaremont e Paterberg repetem), destaque também a presença dos míticos Kapemuur e Koppenberg.

Quadro com os Hellingen's

Além dos sectores de pavé nas subidas, teremos outras secções de pavé em terreno plano, aqui ficam elas (representadas em amarelo):
Quadro com todos os setores de pavé

Zonas de abastecimento:  
- Km 110,4
- Km 193,2
  
Meteorologia

Muitas nuvens e há a possibilidade da chuva aparecer, se acontecer pode influenciar profundamente o desenrolar da prova. O vento vai soprar fraco.

Startlist

Aqui

Favoritos

Deceuninck-QuickStep
Esta é a equipa que domina este terreno e todos vão correr contra ela. Stybar, Jungels, Gilbert e Lampaert formam um quarteto diabólico.
Gilbert teve problemas estomacais na Dwars door Vlaanderen, por isso é uma dúvida a sua condição. Jungels é um dos homens para atacar de longe, a sua especialidade que tem posto em prática nesta campanha de clássicas. Lampaert este ano tem estado mais discreto, mas é um ciclista de grande qualidade e muito regular no empedrado. Stybar é o ciclista que mais se tem destacada este ano no pavé, já venceu a Omloop e a E3, falta a De Ronde para completar uma campanha na Flandres de sonho.

Peter Sagan
Campanha de clássicas para esquecer até ao momento do eslovaco. No entanto, não se pode menosprezar a capacidade de Sagan e não esquecer que já venceu a prova.
Tem uma boa equipa à sua volta, com destaque para o melhor gregário do mundo neste terreno, Daniel Oss.

Greg van Avermaet
Venceu os Jogos Olímpicos e Paris-Roubaix, já vestiu de amarelo no Tour, mas ainda não venceu aquela que ele já admitiu ser a prova que mais deseja e sonha, a Ronde van Vlaanderen.
Como bom flamengo, Greg Van Avermaet idolatra esta prova e ainda não a ter ganho é uma desilusão. A CCC não tem um conjunto forte, o belga terá de correr com inteligência.

Tiesj Benoot
Um dos ciclistas mais versateis do pelotão, capaz de lutar pela vitória no pavé e nas estradas de terra batida da Toscânia e também de estar entre os primeiros em provas de uma semana. É também um dos ciclistas mais irregulares, numa prova está entre os primeiros, na prova seguinte está longe dos melhores porque se posiciona mal ou cai.

Wout Van Aert
Depois de se apresentar ao mundo como um ciclista a ter em conta na estrada, este ano Van Aert tem mostrado que apesar da sua idade é um ciclista consistente como poucos, ora vejamos o que fez: 13º na Omloop, 3º na Strade Bianche, 6º na Milão-São Remo e 2º na E3.
Na Gent-Wevelgem foi um dos mais fortes no Kemmelberg, que indica que a subir os muros flamengos está muito forte. Tem uma equipa interessante para o apoiar.

Mathieu Van der Poel
Venceu a Le Samyn e a meio desta semana dominou o 'peixe graúdo' na Dwars door Vlaanderen. É um talento insano, capaz de atacar de longe, mais perto da meta e sprintar, tem tudo para se tornar num dos melhores neste terreno.
Contra ele tem o facto de correr basicamente sozinho, já que a sua equipa é bastante frágil.

Alexander Kristoff
Vencedor da edição de 2015, num ano muito bom para o norueguês, que não se repetiu nos três últimos anos. No entanto este ano parece que renasceu para estas clássicas e apesar de estar mais pesado, conseguiu vencer a Gent-Wevelgem ao sprint mesmo depois de ter andado ao ataque.
Em provas com quilometragem elevado é um dos melhores finalizadores.

Niki Terpstra
Vencedor da edição do ano passado e um dos melhores no pavé na última década. O holandês continua a ser um dos favoritos mas a mudança da equipa faz com que as suas chances descresçam. Para vencer tem de chegar isolado, já que possui um dos piores sprints de todo o pelotão.
Tem de fazer a diferença na sequência Oude Kwaremont e Paterberg.

Oliver Naesen
Estava a realizar uma temporada muito boa, com pódio na Milão-São Remo e na Gent-Wevelgem, até que esta semana esteve doente com bronquite.
Para se vencer um monumento, tem de se estar a 100%, por essa razão temos sérias dúvidas da sua capacidade para estar entre os melhores. Uma pena, porque em condições normais era um dos grandes favoritos.

Este ano apenas estará presente um português, Nélson Oliveira da Movistar. O ciclista luso deu boas indicações na Dwars door Vlaanderen, esteve em fuga e um furo na pior altura, impediu-o de fazer melhor. Acreditamos que tentará estar na fuga.

⭐⭐⭐⭐⭐Zdenek Stybar, Wout Van Aert, Greg Van Avermaet
⭐ Mathieu Van der Poel, Niki Terpstra, Peter Sagan, Tiesj Benoot
Matteo Trentin, Luke Rowe, Aleksander Kristoff, Bob Jungels
Jasper Stuyven, Yves Lampaert, Philippe Gilbert, Oliver Naesen
⭐ Alberto Bettiol, Sep Vanmarcke, Michael Matthews

A nossa aposta: Zdenek Stybar
Outsider: Mathieu Van der Poel




(a partir das 9:15, Portugal Continental)




Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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