Guia da Volta à Flandres 2018


Amanhã disputa-se o segundo monumento do ciclismo do ano, é dia da mítica Volta a Flandres. Será a 102ª edição da principal competição da região que vive o ciclismo com mais paixão, a Flandres. Esta prova é a preferida de muita gente que acompanha de perto ciclismo, porque realmente é única, com um ambiente especial e que resume bem o significado que tem o ciclismo para a Flandres.

Os seus inúmeros Hellingen's, que nós por cá traduzimos como subidas, colinas ou muros, com pavé à mistura e a quilometragem a rondar os 250 ou 260 quilómetros faz desta clássica, uma das mais duras do calendário velocipédico mundial.

São seis os ciclistas que partilham o maior número de vitórias na prova, com três vitórias cada um temos: Achiel Buysse (1940, 1941 e 1943), Fiorenzo Magni (1949, 1950 e 1951), Eric Leman (1970, 1972 e 1973), Johan Museeuw (1993, 1995 e 1998), Tom Boonen (2005, 2006 e 2012) e Fabian Cancellara (2010, 2013 e 2014).

Em termos de ranking de vitórias por país, o grande dominador é sem grande surpresas, a Bélgica:
1.Bélgica-69
2.Itália-10
3.Holanda-9
4.Suiça-4
5.França-3
6.Alemanha-2
7.Reino Unido-1
7.Dinamarca-1
7.Noruega-1 
7.Eslováquia-1     

A partida e a chegada tem variado ao longo da história da prova, até ao anos 70, a partida tinha sido sempre realizada da cidade de Gent, 
aqui ficam a diferentes variantes utilizadas ao longo dos anos:
1913-Gent – Mariakerke
1914-Gent – Evergem
1919–1923 Gent – Gentbrugge (Arsenal)
1924–1927 Gent – Gent (pista)
1928–1941 Gent – Wetteren
1942–1944 Gent – Ghent (pista)
1945–1961 Gent – Wetteren
1962–1972 Gent – Gentbrugge
1973–1976 Gent – Meerbeke
1977–1997 Sint-Niklaas – Meerbeke
1998–2011 Brugges – Meerbeke
2012-2016 Brugges - Oudenaarde
2017-?? Antuérpia - Oudenaarde

História

Em 1913 a principal prova era a Volta à Bélgica, sendo que a Liège-Bastogne-Liège e as outras provas de um dia ainda não tinham atingido grande popularidade. A revista Sportwereld ao assistir à vitória de Odile Defraye na Volta à França de 1912, decidiu que era tempo de se criar uma grande prova na Flandres, Karel van Wijnendaele um dos fundadores da revista organizou a 1ª edição.
A Volta à Flandres desde cedo esteve fortemente ligada à identidade da Flandres, a intenção era concorrer e contrabalançar o domínio francês e da Valónia no ciclismo. Este facto, politizou a prova e fez com que uma grande parte das equipas francesas não participassem na mesma. Desta forma o pelotão não contou com os melhores corredores da época.

A primeira edição foi ganha por Paul Deman, num sprint de um grupo de cinco. No total participaram 37 corredores que iniciaram a jornada épica de 324 quilómetros, após Van Wijnendaele proferir a seguinte expressão: "Heeren, vertrekt!". Os primeiros completaram a prova em 12 horas, 3 minutos e 10 segundos.

Em 2017, Philippe Gilbert protagonizou uma das cavalgadas solitárias mais memoráveis da história da prova, ao isolar-se a mais de 50 quilómetros da meta no Oude Kwaremont e nunca mais foi apanhado.


últimos 10 vencedores
2008 Stijn Devolder (Bel) Quick Step
2009 Stijn Devolder (Bel) Quick Step
2010 Fabian Cancellara (Swi) Team Saxo Bank
2011  Nick Nuyens (Bel) Saxo Bank-SunGard
2012 Tom Boonen (Bel) Quick Step
2013 Fabian Cancellara (Swi) RadioShack-Leopard-Trek
2014 Fabian Cancellara (Swi) Trek Factory Racing
2015 Alexander Kristoff  (Nor) Team Katusha
2016 Peter Sagan (Svk) Tinkoff 
2017 Philippe Gilbert (Bel) Quick-Step Floors

Edição 2017
1    Philippe Gilbert (Bel) Quick-Step Floors    6:23:45   
2    Greg Van Avermaet (Bel) BMC Racing Team    0:00:29   
3    Niki Terpstra (Ned) Quick-Step Floors        
4    Dylan Van Baarle (Ned) Cannondale-Drapac        
5    Alexander Kristoff (Nor) Katusha-Alpecin    0:00:53   
6    Sacha Modolo (Ita) Team UAE Emirates        
7    John Degenkolb (Ger) Trek-Segafredo        
8    Filippo Pozzato (Ita) Wilier Triestina        
9    Sylvain Chavanel (Fra) Direct Energie        
10    Sonny Colbrelli (Ita) Bahrain-Merida
 
Percurso

Antuérpia - Oudenaarde (266,5 Km)
Subida acumulada: 2157 metros


O percurso deste ano tal como as últimas duas edições, tem como ponto crucial a combinação Oude Kwaremont e Paterberg, sendo que o primeiro muro abre as hostilidades com 116 quilómetros percorridos. O Paterberg será transposto por duas ocasiões, a segunda será a última subida do dia, enquanto que o Oude Kwaremont será ultrapassado por três vezes. A principal seleção deverá ser na primeira passagem pela sequência, Oude Kwaremont+Paterberg, a cerca de 55 Kms do final. Depois aparece a sequência de subidas, inclui, o Koppenberg, Steenbeekdries, Taaienberg e Kruisberg, que ainda farão mais estragos, continuando a seleção.
A maior novidade nesta 101ª edição é o regresso da mítica subida ao Kapelmuur que se situa a 95 Kms da linha de meta.


A primeira parte do percurso, ou seja os primeiros 100 quilómetros não tem dificuldades, como é hábito.
Aqui ficam as características das 18 subidas (Oude Kwaremont e Paterberg repetem), destaque também a presença dos míticos Kapemuur e Koppenberg.

Quadro com os Hellingens

Além dos sectores de pavé nas subidas, teremos outras secções de pavé em terreno plano, aqui ficam elas (representadas em amarelo):
Quadro com todos os sectores de pavé

Zonas de abastecimento:  
- Km 108.5
- Km 191.2
  
Meteorologia

Espera-se um dia com algumas nuvens e chuva num ou noutro ponto do percurso. A temperatura deve chegar aos 9 ºC e o vento vai soprar fraco de norte.


Startlist

Aqui

Favoritos

Philippe Gilbert 
Autor de uma das vitórias mais impressionantes na história da prova em 2017, Gilbert volta a ser um dos principais favoritos a ganhar em 2018.
Deu sinais nas clássicas anteriores que se encontra em boa forma e preparado para enfrentar a Volta à Flandres e o Paris-Roubaix. Será a principal aposta da Quick-Step Floors, uma equipa com diversas opções para ganhar.

Peter Sagan
Venceu a Gent-Wevelgem, onde mostrou uma faceta mais táctica, não exagerou no trabalho e chegou ao sprint, fresco.
É o ciclista mais vigiado em qualquer clássica que entra e isso joga contra ele. No entanto, espera-se que o eslovaco esteja na decisão, como aconteceu nos últimos anos. Na edição de 2017, quando liderava a perseguição a Philippe Gilbert, caiu no Oude Kwaremont.

Greg van Avermaet
Antes das clássicas, era dado como o homem a bater em 2018. Mas o belga está longe do que fez em anos anteriores, até ao momento, ainda não ganhou qualquer clássica em 2018 e o pior é que o que tem mostrado é fragilidade.
De qualquer forma, é um dos candidatos e num dia bom, pode aniquilar a concorrência.

Tiesj Benoot
Apresentou-se em 2018 em grande, venceu a Strade Bianche, esteve muito forte no Tirreno-Adriático e na Dwars door Vlaanderen, atacou sem grandes ganhos, mas mostrou que está preparado para a Volta à Flandres.

Sep Vanmarcke
Outro dos eternos favoritos a vencer a Volta à Flandres e o Paris-Roubaix, mais um ano e mais uma vez não podia faltar nesta lista.
Falta-lhe sempre qualquer coisa para ganhar e também é um ciclista com a tendência para o azar, ou fura na pior altura ou cai e abandona.
Tem estado relativamente bem nesta temporada de clássicas, mas continua sem ganhar.

Alexander Kristoff
Vencedor da edição de 2015, num ano muito bom para o norueguês, que não se repetiu nos dois últimos anos. Este ano ganhou duas etapas, mas além disso, não tem estado em destaque, num ano em que mudou de equipa, isso não são bons sinais.
Teria de estar num dia extraordinário, para poder voltar ganhar.

Niki Terpstra
O holandês é um dos melhores especialistas de pavé da atualidade. Foi 3º na edição do ano passado e já tem um 2º lugar e dois 6ºs na Volta à Flandres.
Venceu a E3 Harelbeke, o que demonstra que está em boa forma. É mais uma das opções da Quick-Step Floors.

Oliver Naesen
Confirmou em 2017 ser um dos grandes especialistas do pavé. Em 2018 foi 4º na E3-Harelbeke e 6º na Gent-Wevelgem.
Na edição do ano passado, estava com Sagan e Van Avermaet na perseguição a Philippe Gilbert, quando viu-se envolvido na queda com o eslovaco no Oude Kwaremont.

Gianni Moscon
Tem sido o elemento mais forte da Sky nesta temporada de clássicas. Luke Rowe e Ian Stannard estão longe dos melhores tempos.
A equipa britânica leva à Flandres, Michal Kwiatkowski, para fortalecer a equipa, mas Moscon tem condições para estar entre os 10 melhores.

Zdenek Stybar
Mais um ciclista da Quick-Step que tem estado muito bem este ano. O checo é mais uma opção válida da equipa belga e mais uma carta que pode ser jogada no jogo tático.
É um ciclista capaz de romper uma corrida.

Michal Kwiatkowski 
Vencedor da edição deste ano do Tirreno-Adriático, o polaco ao contrário de outros anos, não fez nenhuma clássica de pavé. Por essa, razão, acreditamos que possa ser um ciclista a ter em conta, mas numa segunda linha, em relação a outros.

Vincenzo Nibali 
O tubarão está nesta lista, não porque o consideramos um dos favoritos, mas porque é uma das atrações deste ano.
Nibali estreia-se na Volta à Flandres e a curiosidade é grande para o que pode fazer o italiano no pavé flamengo. Sabemos que até se safa bem no empedrado, como aconteceu na etapa de pavé do Tour que ganhou, veremos se consegue se safar numa clássica a sério.

Irão participar três portugueses, dois da equipa Movistar, Nélson Oliveira e Nuno Bico. O primeiro, é um ciclista já com alguma experiência neste tipo de prova e com alguns resultados interessados. Em relação a Nuno Bico, estreou-se no ano passado nestas andanças da Volta à Flandres.
O terceiro elemento é José Gonçalves da Katusha-Alpecin, um corredor combativo, que costuma entrar nas fugas.

***** Peter Sagan, Philippe Gilbert
**** Greg Van Avermaet, Niki Terpstra, Sep Vanmarcke
*** Oliver Naesen, Tiesj Benoot, Zdenek Stybar
** Matteo Trentin, Aleksander Kristoff, Gianni Moscon
* Edvald Boasson Hagen, Jasper Stuyven, Michal Kwiatkowski, Yves Lampaert, Tony Martin, John Degenkolb

A nossa aposta: Philippe Gilbert
Outsider: Niki Terpstra




(a partir das 9:15, Portugal Continental)




Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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