Relatório 2017 - Dimension Data


País - África do Sul
UCI WT  Ranking -18º

Em relação à temporada passada, a equipa sul-africana tem um saldo negativo de 2 vitórias. Foram 25 as vitórias, este decréscimo está intimamente ligado aos problemas de saúde da principal figura da equipa, Mark Cavendish, que o impediu de estar em boa forma praticamente a temporada inteira.

Principal Figura - Edvald Boasson Hagen

Com os problemas de Cavendish, o norueguês foi a grande figura da equipa africana. Conseguiu 10 vitórias em 2017, mais uma do que em 2016.
Foi uma temporada ao nível das anteriores, mas no Tour sobressaiu, onde conseguiu vencer uma etapa, ficou duas vezes em 2º e três em 3º. No entanto, nas clássicas não fez nada de muito relevante e para um ciclistas de clássicas é um ponto desfavorável.
Outros resultados relevantes foram as vitórias em solo norueguês, dominou por completo o Tour des Fjords e conquistou a Volta à Noruega. Ainda fou 2º no Tour of Britain.

Desilusão - Mark Cavendish

Foi um ano para esquecer, o pior ano da carreira do sprinter britânico. Tudo devido a uma mononucleose diagnosticada em abril, que lhe afetou a temporada toda.
Apesar de tudo esteve presente no Tour, sendo obrigado a abandonar com uma clavicula fraturada, devido à queda que valeu a expulsão de Peter Sagan
Acabou o ano com uma vitória apenas, a 1ª etapa do Abu Dhabi Tour.

Principais conquistas - 11ª etapa do Giro e 19ª etapa do Tour

Das três vitórias no World Tour, as que se destacam são as duas obtidas nas grandes voltas. No Giro Omar Fraile obteve a sua primeira vitória numa grande volta, depois de tantas tentativas e tantos quilómetros em fuga. Um prémio merecido para um dos ciclistas mais combativos do pelotão internacional.
No Tour, Edvald Boaason Hagen conseguiu ganhar a 19ª etapa, depois de ter estado perto diversas vezes nesta edição. Uma vitória com ainda mais significado, depois da equipa terem visto o seu líder abandonar a prova.

Omar Fraile ganha a 11ª etapa do Giro (Imagem de EPA)

Outros resultados relevantes - Campeonato nacional da Grã-Bretanha, 1ª etapa Abu Dhabi Tour

Stephen Cummings esteve intratável nos campeonatos britânicos de ciclismo, ao conquistar as duas provas de elites, o contrarrelógio e a prova em linha.
A única vitória de Mark Cavendish na temporada aconteceu bem cedo na temporada (fevereiro), na 1ª etapa do Abu Dhabi Tour, prova World Tour ganha por Rui Costa. 

Melhor momento - 19ª etapa do Tour

Depois do que aconteceu a Cavendish na primavera e no Tour e das diversas tentativas de Boasson Hagen, numa delas, ficou a milimetros da vitória, a conquista da 19ª etapa teve uma sabor especial para os sul-africanos.



Pior momento - O abandono de Mark Cavendish do Tour

Foi o momento mais negro da equipa durante 2017. Ainda para mais depois dos problemas de saúde do sprinter britânico.
Cavendish chegava ao Tour motivado pela possibilidade de alcançar o record de vitórias de etapa, pertencente a Eddy Merckx. Mas rapidamente se percebeu que seria muito complicado e tornou-se mesmo impossível, quando foi obrigado a abandonar no final da 4ª etapa depois de uma queda muito feia, que o envolveu a ele e a Peter Sagan.

Revelação - Ryan Gibbons

Ryan Gibbons foi um dos neo-pros com melhores resultados em 2017. Dominou o Tour de Langkawi, com duas etapas e a geral individual.
Este presente no Giro, onde se estreou em grandes voltas e a sua prestação foi muito interessante, conseguiu seis top-10 em etapas. A saída de Sbaragli está também relacionada com os excelentes sinais que Gibbons mostrou em 2017. Os sul-africanos confiam muito neste jovem e o que ele mostrou este ano dá-lhes razão.

Avaliação

Positivo
  • 2 vitórias de etapas em grandes voltas, não é extraordinário, mas também não é nada mau dadas as circunstâncias;
  • 7 vitórias nos diversos campeonatos nacionais;
  • Bons resultados nas provas continentais;
  • Ryan Gibbons;
  • O inicio de temporada de Merhawi Kudus.

Negativo
  • A demasiada dependência de Cavendish;
  • Menos 7 vitórias no WT em relação a 2016;
  • Praticamente não existiram nas clássicas;
  • Tirando as duas vitórias de etapas, a equipa teve pouca relevância nas grandes voltas.

Veredicto
Foi uma temporada muito complicada para a equipa sul-africana e tal como no ano passado, terminam o ano como a pior classificada no ranking World Tour.


Em 2016 a equipa beneficiou da chegada do sprinter britânico e obteve 10 vitórias no World Tour. Este ano o número de vitórias na principal divisão do ciclismo mundial, voltou para valores aproximados de 2015, como se pode observar pelo quadro e gráfico colocados acima. O número de etapas também baixou, de 21 para 14.
A soma de etapas e geral dão 18 vitórias. De onde vêm as 7 vitórias que faltam? A resposta é simples, a Dimension Data é das equipas com maior número de campeões nacionais, tanto da prova em linha como de contrarrelógio, ou seja, 28% das vitórias foram obtidas nos diversos campeonatos nacionais.

Futuro

A equipa recebe de volta Louis Meintjes, que será a aposta para as grandes voltas. Julien Vermote e Tom-Jelte Slagter são mais duas contratações de peso e que acrescentam qualidade.
Em relação a saídas, são quatro e todos eles eram elementos importantes. Nathan Haas é a grande perda, o australiano realizou um ano muito interessante e ruma à Katusha-Alpecin. Omar Fraile, Sbaragli e Teklehaimanot eram já ciclistas históricos dentro da estrutura.

No papel a equipa está mais forte para as grandes voltas, com o regresso de Meintjes, um top-10 é perfeitamente alcançável. No entanto as perdas de Haas e Fraile, são importantes. Slagter e Vermote são bons valores e podem compensar essas saídas.
Também será interessante ver a evolução do jovem Scott Davies. 

Entradas: 
Nicholas Dlamini (Dimension Data Continental)
Louis Meintjes (UAE Team Emirates)
Julien Vermote (Quick-Step Floors)
Tom-Jelte Slagter (Cannondale-Drapac) 
Scott Davies (Team Wiggins)

Saídas: 
Omar Fraile (Astana)
Nathan Haas (Katusha-Alpecin)
Kristian Sbaragli (Israel Cycling Academy)
Daniel Teklehaimanot

Extensões: Steve Cummings, Jay Thomson, Jaco Venter, Johann van Zyl, Jacques Janse van Rensburg, Igor Anton

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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