Destaques da 10ª até à 15ª etapa - Volta à França 2017


Aqui está o segundo dia de descanso e 29 segundos separam o camisola amarela do quarto colocado da geral, Rigoberto Uran. Tem sido uma Tour com um equilibro de forças como há muito não se via. 
Aqui ficam, aqueles que foram para nós, os destaques da 10ª à 15ª etapa.

A confirmação de Warren Barguil

O jovem francês perdeu propositadamente tempo nas primeiras etapas para ter liberdade. Os seus objetivos neste Tour, passavam por uma vitória de etapa e pela vitória da classificação da montanha. Um deles já cumpriu, ganhou uma etapa e logo do Dia da Bastilha, na chegada a Foix. O outro está no bom caminho, numa semana em que esteve muito ativo que lhe permitiu construir uma vantagem na classificação da montanha muito interessante.
Barguil depois de prometer muito, mas a não corresponder às expectativas que muitos depositavam nele. Finalmente parece ter encontrado um rumo e por este caminho, o futuro será risonho.

O 'rebelde' Mikel Landa

Na 13ª etapa, quando Alberto Contador atacou, Mikel Landa saiu na roda do ciclista da trek-Segafredo. O que ninguém esperava é que a vantagem dos dois (mais tarde seriam quatro, já Quintana e Barguil juntaram-se) fosse crescer ao ponto do basco da Sky poder ser camisola amarela. 
A Astana estava feita em pedaços e Fabio Aru o camisola amarela de então, não perseguia, coube à Ag2R e a Daniel Martin essa tarefa. Até que, Kwiatkowski que tinha ficado para trás no grupo de Quintana e Barguil, foi alcançado pelo grupo de Aru e Froome e começou a perseguir com ajuda do seu chefe de fila.
A possibilidade de Landa ser camisola amarela desvaneceu-se e a sua equipa contribuiu para isso. No final, as declarações do basco demonstravam que ele achava que podia ganhar o Tour em conjunto com o facto de na chegada do dia anterior a Peyragudes, o basco ter deixado para trás Froome nos últimos 300 metros, muitas questões se colocaram sobre o comprometimento de Landa para com Froome.
"Tenho as pernas, mas não tenho o estatuto...É ir dia a dia, mas é melhor ter duas opções do que apenas uma!" declarações de Mikel Landa no final da 13ª etapa

As fragilidades de Chris Froome

Bastaram 300 metros para que a aura de invencibilidade de Chris Froome no Tour acabasse e de forma brusca. O britânico quebrou de tal forma que nesta pequena distância, perdeu 22 segundos para Bardet e 20 para Aru e Uran.
Pior que isso, foi o facto do seu companheiro de equipa, Mikel Landa também o ter deixado apeado, fazendo lembrar o Tour de 2012, quando Froome também fez o mesmo ao seu líder de então, Bradley Wiggins.
Além disso, Froome não tem feito a diferença na montanha que já fez noutras edições. Até ao segundo dia de descanso ainda não ganhou qualquer segundo no terreno montanhoso aos principais adversários (Aru, Bardet e Uran), e recuperou a camisola amarela numa chegada para puncheurs, em que beneficiou do péssimo posicionamento de Fabio Aru.

O Fair-play levado ao extremo

A questão do fair-play nesta edição está a ser levada a um patamar nunca antes visto. O camisola amarela tem problemas mecânicos (coisa que tem acontecido em abundância) lá está o pelotão todo a quase parar para esperar por ele. Se ele sai de estrada devido a um erro dele e do companheiro da equipa, lá fica o grupo de favoritos à espera, tudo em nome do fair-play.

'Pesadilla amarilla' de Quintana e da Movistar

Os objetivos para este ano da Movistar e de Nairo Quintana, passavam por ganhar Giro e Tour. Mas não vão conseguir nem um, nem outro, numa temporada em que o colombiano venceu o Tirreno-Adriático, mas que não pode compensar o pesadelo que se transformou esta tentativa de Giro+Tour.
O pai de Nairo Quintana já veio atacar Eusébio Unzué pela decisão do filho fazer Giro e Tour no mesmo ano. No entanto, foi o próprio Nairo Quintana que no final de 2016 revelou interesse em fazer as duas provas.

Vive la France

Foi uma semana muito boa para os franceses. Viram duas vitórias de etapa, por Romain Bardet e Warren Barguil, este último venceu no dia da Bastilha, que tem um peso simbólico ainda maior.
Acresce que Romain Bardet está na luta pela camisola amarela, com reais hipóteses de a ganhar e Warren Barguil comanda a classificação da montanha.
Tem sido uma edição como há muito não se via para os franceses, além das duas vitórias desta semana, Arnaud Demare e Lilian Calmejane já tinham ganham etapas e a Ag2R La Mondiale tem realizado uma boa prova, sendo a única capaz de incomodar o controlo da Sky.

Luta pela camisola verde

Marcel Kittel já conta com cinco vitórias de etapa e uma vantagem grande sobre o segundo classificado na classificação por pontos.
Michael Matthews que é o rival mais próximo nas últimas etapas reduziu a desvantagem, com uma vitória à mistura, mas continua a estar longe do alemão. 
Kittel ainda tem mais etapas planas para se impor, o que quer dizer que dificilmente Matthews consegue chegar à camisola verde. Mas há uma forma, que é tentar que o alemão chegue fora do controlo numa das etapas de alta montanha, que são duas. Será interessante ver como a Sunweb se porta nesses dias.

Astana do céu ao inferno

Seria uma das equipas que poderia incomodar o poderio da Sky, mas o azar bateu à porta dos cazaques. Fuglsang que se mostrou fortíssimo no Mont du Chat, caiu e teve diversas fraturas, ainda tentou aguentar mas não aguentou e abandonou. Na mesma queda que vitimou o dinamarquês, esteve envolvido Dario Cataldo, que abandonou. Alexey Lutsenko também foi vítima de uma queda, que o deixou muito mal tratado, mas que o limita muito.
Fabio Aru viu desta forma uma parte da sua equipa dizimada, por exemplo fez-lhe muita falta no dia em que perdeu a camisola amarela, já que apenas Valgren o tentou ajudar. Também no dia em que Landa, Contador, Barguil e Quintana chegaram isolados, Aru não conseguiu mais do que seguir as rodas dos rivais, porque sem equipa, não consegue controlar a corrida. A Astana em relação à Sky, Ag2R e mesmo Cannondale, está muito fragilizada, o que torna a tarefa de Aru, muito complicada.

A UCI e a estranha forma como interpreta os regulamentos

Peter Sagan foi expulso por um suposto encosto, já Nacer Bouhanni dá um murro num colega de profissão em plena etapa e só é multado em 200 francos suíços (não é piada!) e retiram-lhe um minuto na geral, coisa que deve ter aborrecido muito o francês.
Na 12ª etapa, Rigoberto Uran e George Bennett foram penalizados em 20 segundos por terem recebido abastecimento nos últimos 10 quilómetros. No entanto, ainda no mesmo dia a polémica estava lançada, nas redes sociais apareceram imagens de Romain Bardet também a receber abastecimento nos últimos 10 quilómetros. E o que faz a UCI? Despenaliza Uran e Bennett.
Ora bem, porque é que eles não penalizaram Bardet? Porque é que despenalizaram Uran e Bennett, só depois de haver provas que Bardet também tinha cometido a mesma infração?
Já se tornou um clássico, a UCI não aplica os regulamentos de igual forma para todos. O problema é que as discrepâncias são tão grandes, que fica complicado acreditar na boa-fé de algumas decisões.


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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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