Análise à temporada 2016 da Tinkoff


País - Rússia
UCI WT  Ranking - 2º
Orçamento - +/- 25 milhões de Euros

Para a equipa russa, foi uma temporada marcada pela novela Contador/Tinkov e por Peter Sagan. Antes de começar o ano, já se sabia que este seria o último no pelotão internacional. Os principais objectivos não foram alcançados, com Contador a não conseguir nenhuma grande volta. No entanto o desempenho do espanhol não foi um fracasso total, com uma boa campanha na primavera a dar muitos pontos à equipa russa. Em relação a Peter Sagan, conseguiu finalmente o tão desejado 'monumento', além de ter ganho mais uma vez a verde no Tour e mais três etapas.
Esta equipa pode agradecer a estes dois extraordinários ciclistas o 2º lugar do ranking, porque o desempenho do resto da equipa foi banal.

Principal Figura - Peter Sagan
Foi a grande figura do ano no ciclismo e não só por ter vencido o ranking UCI, mas pelo o espectáculo permanente que oferece a quem assiste ciclismo. 
Acabou o ano com:
- 14 vitórias em etapas/provas de 1 dia;
- 4 camisolas verde, incluindo a da Volta à França, a sua 5ª)
- 11 segundos lugares em etapas/provas de 1 dia e um segundo lugar na geral do Tirreno-Adriático;
- 5 terceiros lugares em etapas/provas de 1 dia e um terceiro lugar na geral do Eneco Tour;
- os títulos Europeu e Mundial de estrada.
Peter Sagan é um fenómeno e com 26 anos o seu palmarés fala por si. É a rockstar do ciclismo, amado por praticamente todos os fãs da modalidade e faz por isso. Ele sozinho consegue revolucionar uma corrida, torná-la num espectáculo único e este ano temos vários exemplos disso, com destaque para a Gent-Wevelgem, Volta à Flandres e na Volta à França.

Desilusão - Roman Kreuziger
Foi uma temporada sem grandes resultados para Kreuziger. Conseguiu um 10º lugar no Tour, depois de ter deixado de trabalhar para Contador, que viria a abandonar. No entanto, o lugar final, não é brilhante, o checo já conseguiu melhor, inclusive quando trabalhou para Contador, em 2013 foi 5º.
De resto, os resultados de Kreuziger não foram nada de extraordinários durante todo o ano.
Alberto Contador poderia ser citado, mas o espanhol fez excelentes resultados na primavera, embora tenha falhado no Tour e Vuelta, acabou no 5º lugar do ranking UCI.

Principais conquistas - Volta à Flandres, Vuelta ao País Basco
Peter Sagan ter conseguido o seu primeiro monumento, foi a principal conquista da equipa em 2016. Era um dos sonhos do eslovaco, finalmente conseguiu e com estilo, deixando toda a gente para trás no Oude Kwaremont e Patterberg.
Outra conquista muito importante foi a Vuelta ao País Basco (Itzulia) por parte de Alberto Contador. Foi o culminar de uma primavera com resultados interessantes do espanhol, que depois acabaria por fazer um resto de temporada fraco.

Outros resultados relevantes -GP Québec, 2ª, 11ª e 16ª etapas do Tour, Gent-Wevelgem
Obviamente que as três vitórias de etapa de Peter Sagan mais a camisola verde no Tour, são resultados de relevo. O eslovaco também venceu o GP Québec e a Gent-Wevelgem, numa temporada brilhante, onde também adicionou o europeu e mundial, mas essas conquistas foram com a camisola da selecção eslovaca, não com a camisola da equipa russa.

Melhor momento - A vitória de Peter Sagan na Volta à Flandres
Este foi o momento mais importante do ano para a Tinkoff. Foi a conquista do primeiro e último monumento para a equipa, através da sua grande figura, Peter Sagan.
Nesse dia correu tudo bem ao eslovaco, com Fabian Cancellara a não responder ao ataque de Sagan, Kwiatkowski e Vanmarcke, um erro crasso. No final, o ciclista da Tinkoff e Vanmarcke deixaram para trás Kwiatkowski, no Oude Kwaremont e na subida final, o Patterberg, Sagan não deu hipóteses. Cancellara acabaria por alcançar Vanmarcke e conseguiu o 2º lugar, na sua despedida.

Pior momento -O abandono de Alberto Contador no Tour
Antes de começar a maior prova de ciclismo do mundo, o espanhol da Tinkoff era naturalmente um dos favoritos. Mas tudo foi por água abaixo logo na 1ª etapa, um queda muito feia deixou-o em mau estado. Depois ao longo dos dias, Contador foi perdendo tempo aqui e ali, até que acabou por abandonar na 9ª etapa. Nesse dia, ainda tentou atacar, mas tudo terminaria rapidamente, com o espanhol a ir para casa mais cedo.

Revelação -Erik Baska
Da equipa russa, não houve particularmente alguém que se tivesse revelado. Jay McCarthy começou bem o ano, mas depois desapareceu por completo.
A nossa escolha vai para Erik Baska, ciclista eslovaco de 22 anos, que venceu a Handzame Classic e teve alguns resultados interessantes. É um bom finalizador, que foi campeao europeu sub-23 em 2015 e que em 2017 irá acompanhar Peter Sagan para a Bora - Hansgrohe.

Futuro -A equipa será extinta, 2016 foi o último ano da Tinkoff no pelotão.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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