Guia Volta à França 2020 - Percurso



A maior e mais prestigiante prova de ciclismo e um dos maiores eventos desportivos começa no próximo dia 29 de setembro, sábado. A partida será dada em Nice, num ano que a prova esteve em risco de não se realizar, a solução foi refazer o percurso e adequá-lo ao momento que o mundo vive.

Resumo da edição deste ano:
  • Disputa-se de 29 de agosto a 20 de setembro
  • 3484 Km ao longo de 21 etapas
  • 165,9 Km é a média de cada etapa
  • 1 contra-relógio individual, 9 etapas planas, 3 etapas de média montanha ou transição, 8 etapas de montanha com 4 finais em alto (Orcières-Merlette, Puy Mary, Grand Colombier, Méribel Col de la Loze):
1-9
10-15
16-21
  • No total contará com 36,2 Km de contrarrelógio (com a meta no topo da Planches de Belles Filles)
  • 2 dias de descanso (7 e 14 de setembro).

 O percurso

Em traços gerais:
- Nice
- Alpes
- Pirenéus
- Nova-Aquitânia
- Maciço central
- Alpes
- Maciço de Jura
- Vosges
- Paris


O norte de França foi ignorado para esta edição, praticamente toda a prova realiza-se na parte setentrional do país, apenas a tradicional chegada a Paris foge à regra.

As primeiras 3 etapas realizam-se na região de Nice, com destaque para o segundo dia, que inclui muita dureza e que será um dia em que os homens com ambições para a geral têm de estar atentos. A primeira incursão pelos Alpes é discreta, destaca-se pela chegada ao Mont Aigoual, esta passagem é mais uma transição para os Pirinéus do que outra coisa qualquer. Por falar dos Pirinéus, este ano terá 2 etapas, a finalizar a primeira semana, no entanto nenhuma delas termina em alto.

A caravana muda-se para o Oeste do país (Nova-Aquitânia) onde estará 2 dias, o vento pode ser um problema para os ciclistas, com o oceano Atlântico tão perto quem não estiver atento, pode perder muito tempo. Segue-se o Maciço Central com 2 etapas, uma delas com final no Puy Mary e que fará diferenças. Para fechar a segunda semana, o Tour regressa aos Alpes para um final no Grand Colombier.

A terceira semana tem 3 dias de alta montanha seguida, nos Alpes e no Maciço de Jura, estas serão os dias mais importantes da prova, serão nestes dias que o cansaço acumulado poderá fazer vitimas. A penúltima etapa será a última batalha pela geral, com um contrarrelógio que é um misto de terreno plano e montanha, o final é na La Planche des Belles Filles.

Etapa final em Paris, para comemoração.

Montanha

Depois de em 2019 o desenho do percurso contava com 7 subidas que passavam os 2000 metros (não foram todas subidas, devido às tempestades nos Alpes), a edição deste ano conta apenas com 2, é um dos anos com menos ascensões acima desta cota dos últimos 12 anos:

Edição 2020, montanhas acima dos 2000 metros (inclusive): 
Col de la Madeleine (2000 m), Col de la Loze (2304 m)

Em relação a acumulado, apenas uma etapa passa os 5000 metros, a 18ª etapa que não termina em alto.


30 de agosto - Etapa 2 - Nice Haut Pays > Nice (186 Km)
Logo ao 2º dia, temos uma etapa dura, com 3 contagens de montanha (2 de 1ª categoria e 1 de 2ª categoria). O Col de la Colmiane e o Col de Turini Encontram-se na primeira metade da etapa, servem sobretudo para desgastar o pelotão. Será no Col d'Éze que as coisas podem começar a aquecer e começar a haver uma seleção a sério . 
A parte final conta com o Col des Quatre Chemins, que tem o topo a 9 Km da meta e tem bonificação (8, 5 e 2 segundos para os 3 primeiros).

5 de setembro - Etapa 8 - Cazères-sur-Garonne > Loudenvielle (141 Km)
Etapa curta, com apenas 141 Km de extensão, com 3 contagens de montanha, uma delas de categoria especial, o Port de Balès, que tem o topo a cerca de 36 Km da meta.
O Col de Peyresourde é a última subida do dia, o topo está a 11 Km da meta, os ataques poderão surgir aí.

6 de setembro - Etapa 9 - Pau › Laruns (153 Km)
Mais uma edição em que a prova visita Pau, desta vez como cidade de partida. Etapa dura, com 5 contagens de montanha, 2 de 1ª categoria, a última das quais é o Col de Marie Blanque, que está a 18 Km da linha de chegada.

11 de setembro - Etapa 13 - Châtel-Guyon > Puy Mary Cantal (191.5 Km)
A etapa de montanha mais longa, com 7 subidas categorizadas no menu e chegada em alto no Puy Mary, uma contagem de 1ª categoria.

13 de setembro - Etapa 15 - Lyon > Grand Colombier (174.5 Km)
Etapa dividida em 2 partes, a primeira são os 100 Km iniciais, praticamente planos. Os 75 Km finais são infernais com 3 contagens de montanha, as 2 primeiras de 1ª categoria e a final que cincide com a meta é o Grand Colombier, que é de categoria especial.

15 de setembro - Etapa 16 - La Tour-du-Pin > Villard-de-Lans (164 Km)
164 Km sem grande zonas planas. 5 contagens de montanha bem distribuídas, com um final em 3ª categoria, destaque para a penúltima ascensão, que está a 20 Km da meta e pela dureza deverá fazer uma selecção importante.

16 de setembro - Etapa 17 - Grenoble > Méribel Col de la Loze (170 Km)

Etapa marcada por 2 monstros, o Col de la Madeleine e o Col de la Loze, este ultimo coincide com a linha de chegada. São as duas únicas vezes que os ciclistas passarão os 2000 metros de altitude. 

17 de setembro - Etapa 18 - Méribel > La Roche-sur-Foron (175 Km)
Última etapa de montanha (se não contarmos o contrarrelógio final). São 175 Km  com 5 contagens de montanha (podiam ser mais, porque o Col des Fleuries podia e devia estar categorizado) no menu e mais de 5000 metros de subida acumulada. Com tanta subida e cansaço acumulado, as diferenças poderão ser bastante grandes.

Contrarrelógio

Apenas 1 contrarrelógio, que não é plano e está colocado no penúltimo dia da prova. 

19 de setembro - Etapa 20 - Lure>La Planche des Belles Filles (36.2 Km)
Percurso duro, que pode ser dividido em 3 partes. A primeira são os primeiros 15 Km, relativamente planos, a segunda parte vai até aos 30 Km, com uma subida ao Col de la Chevestraye, que não é nada demais, mas o cansaço vai-se acumulando. A última parte é a subida à La Planche des Belles Filles, 6 Km a 8,5%, terreno para trepadores. É necessário encontrar um equilíbrio, para que na subida final ainda haja energia.

Bonificações

Tal como em 2019, existirão bonificações em alguns dos topos de montanhas. Serão 8, 5 e 2 segundos para o 1º, 2º e 3º ciclistas respetivamente, a passar nesse ponto.

As subidas escolhidas foram:
 Etapa 2 | Col des Quatre Chemins
 Etapa 6 | Col de la Lusette
 Etapa 8 | Col de Peyresourde
 Etapa 9 | Col de Marie Blanque
 Etapa 12 | Suc au May
 Etapa 13 | Col de Neronne
 Etapa 16 | Montée de Saint-Nizier-du-Moucherotte
 Etapa 18 | Montée du plateau des Glières

Avaliação final

Pontos Negativos
- A disciplina de contrarrelógio tem cada vez menos peso no Tour. Não se entende;
- A primeira visita aos Alpes é um desperdício, são etapas sem grande interesse e que pouco acrescentarão à corrida. Talvez as fugas salvem a coisa;
- Não há uma etapa de alta-montanha que passe os 200 Km, uma tendência que se aprofunda ano após ano no Tour. O Giro neste ponto é cada vez mais a prova dos fundistas, ao contrário do Tour e Vuelta:

- Apenas uma etapa acima dos 5000 metros de acumulado, é pouco;
- 2 subidas acima dos 2000 metros de altitude, insuficiente.

Pontos Positivos

+ Dureza ao segundo dia de prova, para separar o trigo do joio e abrindo a possibilidade do sucesso das fugas nos dias seguintes;
+ O bloco de etapas dos Pirinéus são uma desilusão;
+ Contrarrelógio no penúltimo dia;
+ A prova realizar-se em 2020 por si só, já é um milagre.


NOTA: Todas etapas terão uma antevisão e rescaldo da anterior.



Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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