Guia Volta à França 2020 - Equipas e favoritos


Chegou aquela que é a maior prova do ciclismo mundial e um dos eventos desportivos mais importantes.
Os melhores dos melhores irão percorrer as estradas de França durante 3 semanas à procura de conquistar o Santo Graal da modalidade.

Equipas


Equipa mais homogénea: Jumbo-Visma
Mesmo sem Kruijswijk, a equipa holandesa apresenta-se neste Tour com um alinhamento de sonho. Roglic e Dumoulin irão liderar uma equipa que nas últimas provas dominou a concorrência com uma facilidade desconcertante. Jansen, Martin e Van Aert protegerão os líderes no plano e depois para a montanha há dois homens que este ano estão a voar, são eles: Kuss e Bennett. Gesink poderá ser usado tanto na montanha como no plano.

Melhor equipa para a montanha: Jumbo-Visma
Roglic, Dumoulin, Kuss e Bennett, formam um quarteto que destruiu a concorrência no Tour de l'Ain e Dauphiné. O neozelandês ainda foi a Itália ganhar o Gran Piemonte e fazer 2º na Il Lombardia.
Para as rampas iniciais ainda há Gesink. 

A desilusão: Movistar
Na última edição colocou 3 ciclistas no top-10, venceu 1 etapa e a classificação por equipas. Este ano, pelo o que mostraram até agora, não se prevê nada de bom. Mas, Soler e o Valverde lideram a armada espanhola, em 2020 nenhum dos 3 têm mostrado muito e não acreditamos que no Tour a coisa mude muito.
Este ano nem sequer a classificação preferida de Unzué, a coletiva.

Quem será a equipa surpresa: Cofidis
Viviani tem sido uma desilusão, mas por outro lado Guillaume Martin tem confirmado e até ultrapassado as expectativas. É um ciclista que pode lutar pelo top-10 e por uma classificação secundário, tipo a montanha.

Melhor comboio para o sprint: Lotto-Soudal
LTS: Ewan, De Buyst, Kluge, Frison e Degenkolb
DQT: Bennett, Morkov, Cavagna, Jungels, Declercq, Asgreen
UAE: Kristoff, Philipsen, Laengen, Marcato
COF: Viviani, Consonni, Laporte, Perrichon
BOH: Sagan, Postlberger, Oss
NTT: Nizzolo, Boasson Hagen, Walscheid, Gibbons

Apenas o comboio da Deceuninck-Quick Step é comparável ao da Lotto-Soudal. A luta pelo controlo dos últimos Km das etapas planas, será entre as 2 equipas belgas e promete muito.

Favoritos

⭐⭐⭐⭐⭐
Primoz Roglic
Esteve pletórico depois do regresso da competição. Dominou como quis o Tour de l'Ain e o Dauphiné, este último só não ganhou porque a equipa decidiu retirá-lo de prova por precaução depois de uma queda.
Tem uma grande equipa para o ajudar, ao contrário do que aconteceu no ano passado no Giro. Tem uma Vuelta no curriculo, pódio no Giro e no Tour já foi 4º em 2018, é um ciclista completo que sem dias maus será praticamente impossível de derrotar, até porque dos homens da geral, é o que tem melhor ponta final.

⭐⭐⭐⭐
Egan Bernal
Vencedor da última edição, regressou na Occitanie em grande forma, depois bateu com a realidade no Tour de l'Ain e no Dauphiné, apanhou um Roglic demasiado forte e uma Jumbo-Visma trituradora.
É no entanto o grande adversário da equipa holandesa, porque é um ciclista extraordinário na montanha e porque teoricamente conta com a equipa mais forte das restantes.

Tom Dumoulin
Ter como plano B um ciclista do gabarito de Tom Dumoulin é um luxo que mais nenhuma equipa tem. Foram mais de 400 dias sem competir depois do Giro 2019, mas voltou bem, a melhorar dia após dia.
Não será surpresa se for ele o camisola amarela em Paris.

⭐⭐⭐
Thibaut Pinot
Diz-se que Pinot tem sempre dias maus nos GT's e em parte é verdade. Mesmo assim conta com várias vitórias de etapa e até já fez pódio no Tour.
Em 2019 foi um ano duro para ele, porque depois de ser o mais forte nos Pirinéus, mais uma vez aconteceu-lhe algo, desta vez não foi um desfalecimento, mas uma lesão muscular, que até hoje pouco se sabe como aconteceu.
No Dauphiné mostrou boas pernas, mas sem equipa, não conseguiu segurar a amarela no último dia. No Tour terá uma equipa superior, Gaudu vai ser uma ajuda importante.

Tadej Pogacar
Na primeira participação num GT, o jovem prodígio esloveno fez pódio, aconteceu na última Vuelta. Este ano a equipa e ele decidiram subir a parada e apostar no Tour.
Começou o ano a voar, depois da pausa por causa da pandemia, esteve mais fraquinho, mas mesmo assim, sempre nos primeiros lugares e a melhorar dia após dia, o que é excelente sinal. É muito completo, mas tem um grande problemas, a equipa, que não é propriamente conhecida por ser coletivamente forte, é cada um por si. Aru e Formolo trabalharão para Pogacar?

⭐⭐
Nairo Quintana
Foi o ciclista em maior destaque no inicio do ano, depois apareceu a pandemia e uma queda a treinar na Colômbia fez com que a preparação de Quintana se tornasse um pesadelo.
Regressou à competição longe do que tinha mostrado nos primeiros meses, melhorou muito no Tour de l'Ain e nas primeiras etapas do Dauphiné e depois nas últimas 2 etapas regressaram as dúvidas, que resultaram no abandono da prova.
Se fizer top-5 já será um bom resultado, melhor que isso é complicado, até porque lhe falta equipa, apesar de não ser fraca, está longe das melhores.

Miguel Angel Lopez
Começou bem o ano no Algarve, onde fez pódio e venceu a etapa do Malhão. No entanto no regresso da competição, esteve bastante apagado, a boa notícia é que no Dauphiné melhorou ao longo da competição, terminou no 5º posto.
Tem uma equipa forte para o ajudar e apesar de ser um ciclista bastante irregular, termina sempre os GT's entre os primeiros. O percurso também o ajuda, já que um dos calcanhares de aquiles do Superman é o contrarrelógio e nesta edição há apenas 1 e parte dele é para trepadores.

Emanuel Buchmann
Foi 4º no ano passado e este ano quer o pódio. O alemão apareceu no Dauphiné extremamente magro e a andar muito bem. Uma queda obrigou-o a abandonar, treinou condicionado na última semana e por essa razão não leva 3 estrelas.
Tem uma excelente equipa para o ajudar, com Kamna, Grossschartner e mesmo Schachmann a serem ciclistas que podem fazer a diferença a seu favor em determinados momentos da prova.


Mikel Landa
Um ciclista que vive da fama e não de resultados. Infelizmente o basco tornou-se num meme do ciclismo. O Landismo não é mais que a descrição de um ciclista que corre contra tudo e todos, onde o resultado final não é importante, o que importa é mostrar que a estrela do dia foi Mikel Landa, apesar de não ter ganho.
Dá espectáculo, isso é indiscutível, é um trepador talentoso, também é verdade, mas até agora as grandes conquistas de Landa foram uma Vuelta a Burgos e um Giro del Trentino! Este ano não se pode queixar, vai ter uma equipa dedicada apenas a ele e também não vai poder pôr a culpa nos contrarrelógios.
Quanto a forma, foi um dos que abandonou na última etapa do Dauphiné, até aí esteve muito escondido, apesar de andar pelos primeiros lugares.

Pavel Sivakov
Tal como Bernal, esteve fortíssimo na Occitanie, esperava-se que no Dauphiné fosse a principal ajuda de Bernal, mas nada disso aconteceu, No primeiro dia a doer, ficou rapidamente atrás, triturado pelo ritmo da Jumbo-Visma.
Depois melhorou bastante nos dias seguintes, no último dia, já sem Bernal, foi um dos destaques. A Ineos vai precisar do russo ao melhor nível.

Outros ciclistas a seguir

Julian Alaphilippe
Um dos maiores nomes do ciclismo da atualidade e um dos herois franceses. Um ciclista explosivo, mas que não é um voltista. No ano passado liderou o Tour até bem perto do final, mas depois naturalmente quebrou na montanha, não fossem as etapas canceladas e encurtadas nos Alpes e não terminaria no top-10. Não acreditamos que consiga estar entre os 10 melhores, mas é ciclista para ganhar mais que uma etapa e quem sabe, lutar pela classificação da montanha (venceu em 2018).

Alejandro Valverde
Tem sido um ano péssimo para a Movistar e Valverde não escapa à miséria. Pelo que tem mostrado dificilmente estará no top-10, mas com o murciano nunca se sabe.

Thomas De Gendt
O rei das fugas.

Warren Barguil
Ciclista que estagnou na Arkea-Samsic, mas que tem um talento natural para a montanha pouco comum. Muito irregular, mas também bastante combativo e ofensivo.
Deverá ter liberdade, não acreditamos que se foque no trabalho para Quintana.

David Gaudu
Tarda a confirmar todo o potencial que tem. Pinot vai precisar muito dele e Gaudu não pode falhar desta vez.

Rigoberto Uran/Daniel Martinez/Sergio Higuita
O trio cafetero da EF, que no papel parece tremendo, mas que na realidade não deverá ambicionar mais do que um deles terminar no top-10 e vitórias de etapa. Martinez e Higuita ainda não mostraram nada em GT's, Uran é a carta mais fiável da equipa para a GC.

Adam Yates
Está de saída para a Ineos, esta será a última oportunidade de Adam Yates liderará a equipa australiana num GT. Já fez 4º em 2016, ou seja, há muito tempo, desde aí não fez mais nada de jeito em provas de 3 semanas. Muito irregular, deverá ambicionar a vitórias de etapas.

Guillaume Martin
Foi uma das sensações no Dauphiné, onde confirmou estar num momento muito bom. Quando o terreno empinar não se surpreendam se virem um Cofidis nos lugares da frente, é o filósofo,

Richie Porte/Bauke Mollema
A Trek-Segafredo ambiciona ter alguém no top-10. Porte e Mollema são ciclistas irregulares em provas de 3 semanas e que também sofrem bastante com 'azares', principalmente Porte. Temos algumas dúvidas que algum deles consiga estar nos 10 melhores.

Romain Bardet
Já lá vai o tempo que Bardet era o maior adversário da poderosa Sky. Desde aí, a carreira do francês foi sempre a descer e em 2021 irá sair da equipa. Este é o último Tour com a Ag2r e tal como a dupla da Trek-Segafredo, acreditamos que o melhor para ele seria focar-se noutra coisa que não a GC, como fez em 2019, onde venceu a classificação da montanha.

Richard Carapaz
Estava a preparar o Giro, com o nível demonstrado por Thomas e Froome a equipa decidiu chamar o equatoriano, até porque este ano a Jumbo-Visma assusta. Na Polónia caiu, regressou na Lombardia onde fez um resultado aceitável mas a muitos minutos dos da frente, foi protegido e não foi ao Giro dell'Emilia. Sinceramente não achamos que lute pela GC, porque a preparação dele é para o Giro, mas na 3ª semana pode ser muito importante para Bernal.

Sprinters

⭐⭐⭐
Caleb Ewan
Tem sido o sprinter mais consistente nos últimos 12 meses e tem um comboio competente, por isso, para nós é o homem a bater. Porém, apesar de ser o mais consistente, não tem sido dominante e isso faz com que a disputa seja muito mais aberta e não é claro que ele seja o melhor sprinter desta edição.

⭐⭐ 
Peter Sagan
Este ano vai ao Giro, mas como sempre está no Tour e certamente não para passear. Mais uma vez é o principal candidato à camisola verde e estará a disputar os sprints.
Tem realizado a pior temporada de que há memória, mas isto é o Tour e Sagan não costuma falhar aqui.

Sam Bennett
Finalmente realiza o sonho de estar no Tour. Tem um comboio muito bom, mas o irlandês tem sido pouco consistente em 2020, por essa razão não leva 3 estrelas.

Giacomo Nizzolo
Acabadinho de se sagrar campeão europeu, onde bateu o sprinter em melhor forma do pelotão. O italiano renasceu em 2020 e vai ao Tour com ambição de disputar vitórias de etapa e quem sabe a camisola verde.

 Alexander Kristoff, Cees Bol, Elia Viviani
Kristoff e Viviani têm realizado um ano péssimo, mas são sprinters que num dia bom podem disputar a vitória. Por outro lado, Cees Bol no último ano deu um salto de qualidade e é um nome a ter em conta.

Portugueses

Apenas 1 ciclista luso nesta edição.

Nélson Oliveira
É um dos melhores contrarrelogistas da atualidade, mas para azar dele a edição deste ano tem um crono e não é para as suas características. Dada a qualidade (falta) que a Movistar tem mostrado este ano, não nos surpreenderá se tiver liberdade para estar em fuga, à procura de uma vitória de etapa.

As nossas apostas

Vencedor:
CR: Roglic
BD: Roglic

Restante pódio (sem ordem)
CR: Bernal, Pinot
BD: Bernal, Dumoulin

Restante Top-10 (sem ordem)
CR: Dumoulin, Pogacar, Lopez, Quintana, Landa, Buchmann, Porte
BD: Pogacar, Buchmann, Pinot, Lopez, Quintana, Sivakov, Landa

Camisola verde
CR: P. Sagan
BD: P. Sagan

Classificação da montanha

CR: Barguil
BD: Latour

Classificação da juventude
CR: Bernal
BD: Bernal

Classificação por equipas
CR: Jumbo-Visma
BD: Jumbo-Visma


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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