Guia do Paris-Roubaix 2019


A rainha das clássicas, a clássicas das clássicas, o inferno do norte, o infame Paris-Roubaix celebra este domingo a sua 117ª edição.
A sua grandeza e misticismo é algo único no ciclismo mundial, que apaixona ciclistas e milhões de adeptos da modalidade. O Tour é provavelmente a única prova que concorre com o Paris-Roubaix em termos de popularidade.
Desde 1896 que se corre a prova no norte de França, apesar de se chamar Paris-Roubaix, desde 1968 que a partida não sai de Paris, mas sim de uma cidade a norte da cidade Luz, Compiègne, que pertence à região de Picardie.

História

Não há prova igual a esta, é uma das mais antigas. Criada em 1986, quando Théodore Vienne e Maurice Perez, construíram o velódromo em Roubaix e propuseram ao editor da Le Vélo, Louis Minart, a realização de uma prova que começaria em Paris e terminaria nele. Minart deixou a decisão final para o director da publicação, Paul Rousseau. A abordagem foi no sentido da prova ser de preparação para o Bordéus-Paris, uma das provas mais importantes dessa altura.
Paul Rousseau mostrou-se a favor da ideia e para definir o percurso, pediu ao editor de ciclismo Victor Breyer que o fizesse. Breyer foi reconhecer o percurso e chegou imundo e completamente de rastos a Roubaix, a intenção era enviar por carta uma recomendação a Minart para desistir da ideia, porém, tal não aconteceu e Breyer concordou em dar o seu aval à realização da prova. Definindo um percurso por meio de florestas, campos agrícolas e com muito pavé à mistura.
O primeiro vencedor da prova foi o alemão, Josef Fischer.
Desde aí, a prova realiza-se até aos dias de hoje, apenas teve dois interregnos, durante a primeira e segunda grande guerra.

Em termos de vitórias, Roger de Vlaeminck e Tom Boonen são os recordistas com quatro vitórias. Aqui fica a lista dos mais vitoriosos:
4 - Roger De Vlaeminck, BEL
4 - Tom Boonen, BEL 
3 - Octave Lapize, FRA 
3 - Gaston Rebry, BEL 
3 - Rik Van Looy, BEL 
3 - Eddy Merckx, BEL
3 - Francesco Moser, ITA 
3 - Johan Museeuw, BEL 
3 - Fabian Cancellara, SUI

Roger de Vlaeminck, é conhecido por Monsieur Paris-Roubaix, nãosó pelas vitórias mas também pela quantidade de pódios, foram 9. Aqui fica a lista dos que fizeram mais pódios na prova:
9 - Roger De Vlaeminck, BEL
7 - Francesco Moser, ITA 
6 - Rik Van Looy, BEL 
6 - Johan Museeuw, BEL 
6 - Tom Boonen, BEL 
6 - Fabian Cancellara, SUI

A prova é francesa, mas é a Bélgica a grande dominadora da prova:
1 - Bélgica 56
2 - França 28
3 - Itália 13
4 - Holanda 6
5 - Suíça 4
6 - Irlanda 2
6 - Alemanha 2
7 - Luxemburgo 1
7 - Suécia 1
7 - Ucrânia 1
7 - Austrália 2

últimos 10 vencedores
2009 Tom Boonen (BEL) Quick-Step
2010 Fabian Cancellara (SUI) Team Saxo Bank
2011 Johan Vansummeren (BEL) Garmin–Cervélo
2012 Tom Boonen (BEL) Omega Pharma–Quick-Step
2013 Fabian Cancellara (SUI) RadioShack–Leopard
2014 Niki Terpstra (NED) Omega Pharma–Quick-Step
2015 John Degenkolb (GER) Giant–Alpecin
2016 Matthew Hayman (AUS) Orica-GreenEdge
2017 Greg Van Avermaet (BEL) BMC
2018 Niki Terpstra (NED) Quick-Step Floors


For some, it's only a dirt track. For us, it's the gate of hell.
Para alguns, é apenas uma percurso sujo. Para nós, é a porta do inferno.

Edição 2018

 
1    Peter Sagan (Svk) Bora-Hansgrohe    5:54:06    
2    Silvan Dillier (Swi) AG2R La Mondiale         
3    Niki Terpstra (Ned) Quick-Step Floors    0:00:57    
4    Greg Van Avermaet (Bel) BMC Racing Team    0:01:34    
5    Jasper Stuyven (Bel) Trek-Segafredo         
6    Sep Vanmarcke (Bel) EF Education First-Drapac p/b Cannondale         
7    Nils Politt (Ger) Katusha-Alpecin    0:02:31    
8    Taylor Phinney (USA) EF Education First-Drapac p/b Cannondale         
9    Zdenek Stybar (Cze) Quick-Step Floors         
10    Jens Debusschere (Bel) Lotto Soudal

Percurso

Compiègne> Roubaix (257 Km)


Paris-Roubaix é sinónimo de pavé, o primeiro sector surge aos 97,5 quilómetros de prova e depois serão mais 28 que farão a seleção e separará o trigo do joio. Todos eles são avaliados entre uma a cinco estrelas, definindo a dificuldade dos mesmos. Se o sector for de cinco estrelas isso significa que tem a dificuldade máxima e se tiver apenas uma, dificuldade mínima. A definição da dificuldade é dado pela qualidade do pavé e extensão do sector.
Entre todos os sectores, destacam-se claramente dois: a mítica floresta de Arenberg, que este ano aparece ao quilómetro 164,5 (sector 19) e o Le Carrefour de l’Arbre (sector 4), que está na corrida ao quilómetro 242,5, sendo este o sector que pode decidir a corrida, por estar tão próximo do final.
Há dois anos foi introduzido outro sector com a máxima dificuldade, é o número 11, Mons-en-Pévèle, que está situado aos 208,5 quilómetros de prova. Este setor é crucial na seleção.
Como já é habitual, o inicio da prova será nos arredores de Paris, em Compiègne e terminará num dos palcos mais míticos e importantes do ciclismo mundial, o velódromo de Roubaix. O pavé e a extensão, fazem do Paris-Roubaix um dos testes mais duros, fisicamente e mentalmente, para qualquer ciclista.


Setores de pavé
29: Troisvilles to Inchy (km 97.5 — 0.9 km) ✸✸
28: Briastre to Viesly (km 108.5 — 3 km) ✸✸✸✸
27: Viesly to Quiévy (km 101.5 — 1.8 km) ✸✸✸
26: Quiévy to Saint-Python (km 116 - 3.7 km) ✸✸✸✸
25: Saint-Python (km 118.5 — 1.5 km) ✸✸
24: Vertain to Saint-Martin-sur-Écaillon (km 127.5 — 2.3 km) ✸✸✸
23: Verchain-Maugré to Quérénaing (km 136.5 — 1.6 km) ✸✸✸
22: Quérénaing to Maing (km 140.5 — 2.5 km) ✸✸✸
21: Maing to Monchaux-sur-Ecaillon (km 142.5 — 1.6 km) ✸✸✸
20: Haveluy to Wallers (km 156.5 — 2.5 km) ✸✸✸✸
19: Trouée d'Arenberg (km 164.5 — 2.3 km) ✸✸✸✸✸
18: Wallers to Hélesmes (km 170 - 1.6 km) ✸✸✸
17: Hornaing to Wandignies (km 179 - 3.7 km) ✸✸✸✸
16: Warlaing to Brillon (km 185 - 2.4 km) ✸✸✸
15: Tilloy to Sars-et-Rosières (km 188.5 — 2.4 km) ✸✸✸✸
14: Beuvry to Orchies (km 194 — 1.4 km) ✸✸✸
13: Orchies (km 199 — 1.7 km) ✸✸✸
12: Auchy to Bersée (km 206.5 — 2.7 km) ✸✸✸✸
11: Mons-en-Pévèle (km 212 - 3 km) ✸✸✸✸✸
10: Mérignies to Avelin (km 215.5 - 0.7 km) ✸✸
9: Pont-Thibault to Ennevelin (km 220 - 1.4 km) ✸✸✸
8: Templeuve — L'Épinette (km 224 - 0.2 km) ✸
8: Templeuve — Moulin-de-Vertain (km 225 - 0.5 km) ✸✸
7: Cysoing to Bourghelles (km 232 - 1.3 km) ✸✸✸
6: Bourghelles to Wannehain (km 234.5 - 1.1 km) ✸✸✸
5: Camphin-en-Pévèle (km 239.5 - 1.8 km) ✸✸✸✸
4: Carrefour de l'Arbre (km 242.5 - 2.1 km) ✸✸✸✸✸
3: Gruson (km 244 — 1.1 km) ✸✸
2: Willems to Hem (km 251 — 1.4 km) ✸✸✸
1: Roubaix (km 256 — 0.3 km) ✸

Startlist


Condições Atmosféricas

Algumas das edições mais épicas e memoráveis foram em condições de chuva, porém não se espera chuva para este domingo no norte de França. As temperaturas vão ser baixas, à partida espera-se 0ºC, subirá ao longo do dia, até aos 9ºC de máxima.
O vento soprará moderado de Este-Nordeste.

Favoritos

O campeão
Peter Sagan
Está a realizar uma temporada muito aquém do habitual. Perdeu peso e isso é um factor que pode pesar neste terreno, mas não pode justificar tudo, o eslovaco tem chegado aos finais das provas visivelmente vazio e nem tem estado muito ativo, ao contrário de outros anos.
Claro que é um dos favoritos, mas os sinais que mostrou em 2019 são preocupantes.

Bloco da Quick-Step Floors 
Começaram muito fortes a primavera, mas desde a Gent-Wevelgem que as coisas mudaram. Philippe Gilbert e Zdenek Stybar estiveram adoentados antes da Volta à Flandres e se estiverem recuperados, a equipa pode voltar a controlar  a corrida como tão bem faz, mesmo sem Bob Jungels. Na Volta à Flandres, Kasper Asgreen foi a revelação e Yves Lampaert mostrou a consistência que tem tido este ano.
É a equipa que tem os números do seu lado, as grandes incógnitas são Stybar e Gilbert, mesmo assim, são o principal bloco em prova.

Bloco da Trek-Segafredo
Em teoria, são o segundo bloco mais forte, mas não tem sido isso que têm demonstrado na estrada. Jasper Stuyven, Mads Pedersen e Jonh Degenkolb são ciclistas feitos à medida do Roubaix, ainda contam com o apoio de luxo de Edward Theuns, Koen de Kort, Ryan Mullen e Alex Kirsch.
De todos, acreditamos que o dia pode ser de John Degenkolb, o alemão já venceu uma edição e no ano passado conquistou a etapa de empedrado do Tour. É um ciclista muito inteligente a correr neste tipo de terreno e tem uma ponta final demolidora depois de muitas horas a pedalar.

Os eternos favoritos
Alexander Kristoff
Renasceu por completo este ano, voltou ao seu melhor, curiosamente a UAE-Emirates tem muita gente a andar bem em 2019. Vencedor da Gent-Wevelgem e esteve na luta na Volta à Flandres, o norueguês tem aqui uma hipótese de acrescentar ao vasto curriculo a Rainha das clássicas. 
É o melhor sprinter em provas longas, os adversários terão de se livrar dele para evitar um sprint contra ele no velódromo de Roubaix.

Oliver Naesen
Mesmo doente, realizou uma Volta à Flandres de grande nível. Está a fazer um ano espetacular, foi 2º na Milão-São Remo, 8º na E3, 3º na Gent-Wevelgem e 7º na Volta à Flandres.
Além disso tem mostrado uma excelente ponta final, a maioria dos adversários devem evitar entrar com ele no velódromo.

Sep Vanmarcke
Um dos melhores especialistas no pavé, mas que por uma ou outra razão, raramente consegue ganhar. É um ciclista que pode partir uma corrida no empedrado, mas também é aquele que tem um furo, queda ou outro azar no pior momento possível.
Está a realizar um ano fraco devido a diversos azares, mas na Volta à Flandres foi essencial e acabou por ajudar à vitória de Bettiol.

Arnaud Démare
Foi 6º em 2017 e este ano continua a ser a principal esperança dos franceses, para verem um ciclista da casa voltar a vencer, apesar da temporada menos conseguida.
Pelo ano que está a ter, dificilmente estará na luta, mas é um nome incontornável. A Groupama-FDJ vai tentar de tudo para posicionar da melhor forma o seu líder.

A nova vaga
Wout van Aert
Com a ausência de Mathieu Van der Poel, Wout Van Aert representa aquele que já é o presente, mas sobretudo o futuro do ciclismo no empedrado. O três vezes campeão do mundo de ciclocross depois da excelente temporada de clássicas que fez em 2018, mudou de equipa e tem confirmado em 2019 que é um valor seguro neste terreno.
O problema para o jovem belga é que para vencer, terá de se livrar da maioria da concrrência, já que não possui uma ponta final tão poderosa quanto outros.

Nils Politt
Tem sido a temporada da confirmação, o gigante alemão é um nome a reter para estas provas. Foi 6º na E3, 5º na Volta à Flandres e foi 7º no inferno do norte em 2018.
A Katusha-Alpecin encontrou em Politt, um ciclista jovem (25 anos) capaz de estar na luta no pavé nos próximos anos.

Portugueses
A edição deste ano não contará com portugueses.


⭐⭐⭐⭐⭐ Greg Van Avermaet, Oliver Naesen
⭐⭐⭐⭐ Peter Sagan, Alexander Kristoff
⭐⭐⭐Yves Lampaert, John Degenkolb, Wout Van Aert, Nils Politt
⭐⭐ Jasper Stuyven, Sebastian Langeveld, Luke Rowe, Tiesj Benoot, Zdenek Stybar
⭐ Matteo Trentin, Dylan Van Baarle, Philippe Gilbert, Mads Pedersen, Sep Vanmarcke, Arnaud Demare

A nossa aposta: Oliver Naesen


(a partir das 09:55, Portugal continental)

(a partir das 09:55, Portugal continental)


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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