Relatório 2018 - Movistar


País - Espanha
UCI WT  Ranking - 8º

A temporada da Movistar foi um desastre, não há outra forma de descrevê-la. Mikel Landa juntou-se a Nairo Quintana e Alejandro Valverde e a verdade é que a equipa espanhola fez um dos piores anos da última década.
Marc Soler e Richard Carapaz foram exceções, numa equipa que desde 2016 está a baixar muito o nível.

Principal Figura - Alejandro Valverde

Mais uma vez foi a principal figura da equipa espanhola. Começou o ano a vencer, arrecadou a Vuelta à Comunidad Valenciana, Abu Dhabi Tour e Volta ao Catalunha, parecia que ía dominar nas Ardenas mais uma vez, mas nada disso aconteceu. Foi batido por Alaphilippe na Flèche-Wallone e na Liège-Bastogne-Liège nem fechou no top-10.
No Tour, esteve como a sua equipa, tentou mexer a corrida mas falhou por completo. Na Vuelta as coisas já correram de outra forma, venceu duas e até à penúltima etapa estava na luta pela vitória, acabou por fraquejar nos últimos dois dias.
Mas o grande momento do ano apareceu no mundial, mas não foi com a camisola da Movistar. Finalmente conseguiu o tão desejado e sonhado título mundial, que perseguiu durante tanto tempo.

Desilusão - Nairo Quintana/Mikel Landa

Mal foi anunciada a contratação de Mikel Landa duvidas surgiram sobre a convivência que ele e Nairo Quintana teriam na equipa. O basco tinha anunciado que o objetivo era o Tour, o colombiano também e ainda havia Valverde pelo meio.
A verdade é que tudo foi muito pacifico porque nenhum dos dois fez uma boa temporada e no grande objetivo da equipa, nenhum deles esteve a um nível capaz de disputar a prova. A temporada de Landa terminou em San Sebastian devido a uma queda, enquanto que Quintana foi para a Vuelta arrastar-se, a concluir mais um ano para esquecer.

Principais resultados - Paris-Nice, Volta a Catalunha

Marc Soler teve um ano onde confirmou que pode ser um dos melhores voltistas espanhóis do futuro. A forma como venceu o Paris-Nice na última etapa é de quem tem fibra de campeão.
Valverde já tinha ganho a Volta a Catalunha em 2009 e 2017, repetiu em 2018 de forma natural. Foi o mais forte, venceu duas etapas e este intocável.

Outros resultados relevantes - 8ª etapa do Giro, 17ª etapa do Tour e 2ª e 8ª etapas da Vuelta

O grande resultado nas grandes voltas foi o de Richard Carapaz, que foi 4º no Giro, para isso venceu a 8ª etapa com um ataque nos últimos 2 Km da subida de Montevergine di Mercogliano.
No Tour foi Nairo Quintana que deu a única alegria à equipa ao vencer a 17ª etapa, no topo do Col du Portet, com um ataque de longe. 
Na Vuelta Alejandro Valverde começou a prova a dar espectáculo

Melhor momento - Última etapa do Paris-Nice

Marc Soler chegava à ultima etapa em 6º a 37 segundos de Simon Yates, o líder. O espanhol teria de atacar de longe e tentar expor o britânico da Mitchelton-Scott, foi o que fez e com sucesso, Soler não venceu a etapa, essa foi para David de la Cruz, mas conseguiu ganhar a geral individual por apenas 4 segundos.

Pior momento - O caso de Jaime Róson

Em junho foi divulgado que Jaime Roson em janeiro de 2017, quando ainda corria pela Caja Rural, teve problemas no passaporte biológico.
A equipa suspendeu o ciclista e o futuro de Róson é incerto.

Revelação - Richard Carapaz

A equipa apostou nele para o Giro e a verdade é que foi um dos poucos acertos em 2018. O equatoriano preparou da melhor forma, ganhou a Vuelta as Astúrias e chegou ao Giro sem pressão, mas com ambição e mostrou-a na 8ª etapa que ganhou. Conseguiu manter o nível durante a prova e terminou num excelente 4º lugar da geral na sua primeira grande volta como líder.

Avaliação
 
Números
A equipa espanhola está em queda desde 2016, nessa ano conseguiram 36 vitórias no total, em 2017 foram 31 e este ano apenas 26, o número mais baixo dos últimos 7 anos. Em relação a vitórias WT, não há diferenças, desde 2015 que mantém o mesmo número (12).
A quebra também está refletida nos pódios, em 2012 a equipa conseguiu 101, em 2017 foram menos 24 e este ano ainda foram menos, 64.
Alejandro Valverde foi de longe quem mais contribuiu, com 35,5% dos pontos da equipa. Nairo Quintana não chegou aos 20% e Landa ainda contribuiu com menos, 13%.
Se somarmos os pontos de Landa e Quintana, não superam Valverde.
A equipa espanhola dependeu basicamente de cinco ciclistas, os dois que faltam são: Marc Soler e Richard Carapaz que fizeram 10,5% dos pontos.

Positivo
  • A eterna juventude de Alejandro Valverde;
  • Marc Soler e Richard Carapaz.
Negativo
  • Nairo Quintana; 
  • Mikel Landa não justificou a contratação;
  • O bloco das clássicas de pavé não existiu;
Futuro

Poucas movimentações na equipa espanhola. Nas entradas Roelandts é a mais surpreendente contratação, uma aposta clara nas clássicas do paralelo. Eduard Prades é outra entrada, depois de um ano de grande nível na Euskadi-Murias. Lluis Mas também fez um ano interessante, dos poucos que se salvaram da Burgos-BH. A última contratação é da eterna promessa Carlos Verona, que nunca confirmou as expectativas que muitos depositaram nele.

Nas saídas, Nuno Bico sai para a Burgos-BH, Victor de la Parte para a CCC e Dayer Quintana para a Wilier Triestina - Selle Italia. Nenhum dos três contribuíram muito para a equipa nos últimos anos. Jaime Róson acaba por ser a perda mais importante, era um ciclista que estava a fazer um ano interessante até à suspensão.

A equipa espanhola não parece nem mais forte, nem mais fraca. A contratação de Roelandts é talvez a maior curiosidade, é um ciclista que pode fazer bons lugares em provas que a equipa espanhola tem ignorado.

Entradas:
Carlos Verona (Mitchelton-Scott, 2020)
Jürgen Roelandts (BMC Racing Team, 2019)
Lluis Mas (Caja Rural, 2019)
Eduard Prades (Euskadi-Murias, 2019)

Saídas:
Victor de la Parte (CCC)
Nuno Bico (Burgos-BH)
Jaime Róson (?)
Dayer Quintana (Wilier Triestina - Selle Italia)


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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