Relatório 2018 - Bahrain Merida



País - Bahrain
UCI WT  Ranking - 7º

Segunda temporada da equipa árabe, com uma clara evolução em relação ao ano de estreia. Apesar de continuar a ser centrada em Vincenzo Nibali, é dos conjuntos com uma distribuição mais homogênea de pontos, diversos corredores conseguiram render ao longo do ano e demonstra que apesar de terem um líder claro, há vida para além do tubarão.

Principal Figura - Vincenzo Nibali

O tubarão fez mais um ano onde deixou alguns momentos que ficam na história do ciclismo, o mais notável foi o espetacular ataque que realizou no Poggio que lhe deu a vitória na Milão-São Remo, mais um monumento para o currículo.
O Tour era o grande objetivo do ano, mas tudo ficou estragado quando foi obrigado a abandonar depois de ter caído no Alpe d'Huez quando a fita da câmera de um adepto enroscou-se na bicicleta do tubarão. A recuperação foi demorada e realizou um final de temporada em recuperação, mesmo assim foi 2º no Giro da Lombardia.

Desilusão - Niccolò Bonifazio

Outrora era um dos finalizadores italianos mais promissores, a evolução não tem sido a esperada e Bonifazio tem desiludido de ano para ano.
Mais um ano com resultados medíocres, onde brilha apenas contra concorrência frágil.

Principais conquistas - Milão-São Remo

Tem sido o monumento para os finalizadores, mas Vincenzo Nibali fez questão de mostrar que ainda é possível surpreender e ganhar de forma espetacular, aquele que para muitos é o monumento mais chato e previsível.
O ataque no Poggio foi brutal, mas o que mais impressionou foi ele ter conseguido manter a vantagem depois disso, chegou a São Remo e ainda teve tempo para festejar enquanto Caleb Ewan e os restantes velocistas lutavam pelo pódio.

Outros resultados relevantes - 10ª etapa do Giro, Binck Bank Tour

Matej Mohoric realizou um ano notável e há duas vitórias que merecem o destaque. A 10ª etapa do Giro, onde o esloveno esteve em fuga e bateu Nico Denz na meta e o Binck Bank Tour, em que Mohoric apesar de não ter ganho qualquer etapa, esteve sempre atento e acabou por vencer a prova com 5 segundos de vantagem sobre Michael Matthews.

Melhor momento - Milão-São Remo

Foi o grande momento do ano da equipa.

Pior momento - Abandono de Vincenzo Nibali no Tour

Foi um dos momentos mais controversos do Tour. Vincenzo Nibali encontrava-se no grupo de favoritos, que já era curto, quando a fita de câmera de um adepto enroscou-se na sua bicicleta e o fez cair. O italiano caiu mal, mas voltou a montar na bicicleta e acabou por perder apenas 13 segundos para o vencedor, Geraint Thomas.
No entanto, no final desse dia, foi ao hospital e descobriu que tinha uma vértebra fraturada. Teve de abandonar e por conta disso colocou o organizador do Tour em tribunal, o processo ainda decorre.

Revelação - Matej Mohoric

Foi o ano da confirmação, começou a temporada em bom nível, foi 11º no caos da Strade Bianche, venceu o GP Industria & Artigianato e na Volta a Catalunha foi top-10 em 6 das 7 etapas.
No Giro conseguiu o objetivo que propôs, ganhar uma etapa, depois foi 3º na sua prova, a Volta a Eslovénia. A sua consistência foi recompensada no Binck Bank Tour, uma prova importante do calendário, onde o esloveno ganhou a geral.

Avaliação

Números
De 2017 para 2018 houve uma clara evolução da equipa, mais que duplicaram o número de vitórias, embora tenham mantido o registo no WT e a subida do ranking foi meteórica, de 14º para 7º lugar.

Em 2017 no ano da estreia, a equipa árabe conseguiu 54 pódios, mas em 2018 a equipa conseguiu 89 lugares nos três primeiros lugares, uma subida significativa, cerca de 39%.
Uma das razões para a subida de nivel da equipa está na distribuição muito dispersa dos pontos por muitos ciclistas da equipa. Ion Izagirre foi o que mais contribuiu com 18,9%, seguido de Vincenzo Nibali com 14,1%.
Domenico Pozzovivo, Sonny Colbrelli, Gorka Izagirre, Matej Mohoric e Enrico Gasparotto também tiveram um contributo importante.
A Bahrain-Merida é uma das equipas que tem os pontos mais distribuídos.

Positivo
  • Incremento de vitórias e ranking;
  • Matej Mohoric;
  • Vincenzo Nibali na Milão-São Remo;
Negativo
  • O episódio no Alpe d'Huez e posterior caso em tribunal;
  • O bloco das clássicas do pavé;

Futuro

Muitas entradas mas também muitas saídas. Vamos começar pelas novas caras, aos quais se destacam: Rohan Dennis, Damiano Caruso e Dylan Teuns, três ciclistas de enorme qualidade oriundos da BMC. O campeão do mundo de contrarrelógio é aquele que suscita mais curiosidade, será que conseguirá evoluir nas provas por etapas?
Phil Bauhaus reforça o sprint, enquanto que Marcel Sieberg é um gregário de qualidade para terreno plano. Jan Tratnik é outro bom rolador, a equipa árabe terá um grande bloco para o contrarreógio coletivo. Stephen Williams é um jovem com talento, vai ter um ano de adaptação e Andrea Garosio é um ciclista para trabalho.

Em relação a saídas, o destaque vai obviamente para os irmãos Izagirre, Ion foi o ciclista que mais pontos arrecadou para a equipa em 2018 e Gorka também fez um ano interessante. Da estrutura saiem 4 italianos de qualidade indiscutivel: Franco Pelizotti, Manuele Boaro, Enrico Gasparotto e Giovanni Visconti, acresce isto ainda a saída de Niccolò Bonifazio e o grupo de italianos na equipa é drasticamente reduzido. Siutsou também sai depois dos problemas de doping e Navardauskas irá correr para a Delko-Marseille, as restantes saídas são de ciclistas 'menos' importantes.

As mudanças são profundas na equipa. Embora a equipa perca alguns ciclistas importantes e emblemáticos (Visconti, Pelizotti...) as contratações são de enorme qualidade (Dennis, Teuns, Caruso...) e há rejuvenescimento do plantel. Em traços gerais parece-nos que a Bahrain-Merida em 2019 pode ser uma equipa ainda mais forte.

Para finalizar, a McLaren associou-se à equipa e terá mesmo comprado uma percentagem da equipa. Ainda não se sabe o que isto significará para a equipa no futuro.

Entradas:  
Dylan Teuns (BMC Racing Team, 2020)
Stephen Williams (SEG Racing, 2020)
Marcel Sieberg (Lotto Soudal, 2020)
Phil Bauhaus (Team Sunweb, 2020)
Rohan Dennis (BMC Racing Team, 2020)
Jan Tratnik (CCC Sprandi Polkowice, 2020)
Damiano Caruso (BMC Racing Team, 2020)
Andrea Garosio (d'Amico - Utensilnord, 2019)

Saídas:
Manuele Boaro (Astana)
Ion Izagirre (Astana)
Gorka Izagirre (Astana)
Niccolò Bonifazio (Direct Energie)
Enrico Gasparotto (Dimension Data)
David Per (Adria Mobil)
Franco Pellizotti (fim de carreira)
Borut Bozic (fim de carreira)
Kanstantsin Stiutsou (?)
Ramunas Navardauskas (Delko Marseille)
Giovanni Visconti (?)



Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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