Relatório 2018 - Michelton - Scott


País - Austrália
UCI WT  Ranking - 5º

A Mitchelton-Scott (ex-Orica-Scott) desde da sua criação que é consistentemente uma das melhores equipas do pelotão. Foi um ano em que a aposta centrou-se nas grandes voltas e compensou.
A equipa australiana acabou o ano em 5º e tem nas suas fileiras o número 1 do ranking World Tour, Simon Yates que foi do céu ao inferno no Giro e na Vuelta vingou-se.

Principal Figura - Simon Yates

Simon Yates tinha dois grandes objetivos para 2018, Giro e Vuelta. O Paris-Nice e a Volta a Catalunha eram dois barómetros para atestar a forma no caminho para o Giro.
No Paris-Nice foi 2º a 4 segundos de Marc Soler e na Volta a Catalunha foi 4º, os sinais eram positivos e encorajadores. E a verdade é que tanto ele como toda a equipa começaram o Giro a voar, Chaves venceu a 6ª etapa num dia que Simon Yates terminou ao lado do colombiano. Yates foi dominante ao vencer as 9ª, 11ª e 15ª etapas, parecia a caminho de conquistar a primeira grande volta da carreira, mas na 18ª etapa mostrou os primeiros sinais de fraqueza e depois quebrou por completo, terminou no 21º lugar da geral.
A Vuelta serviria para vingar o Giro, na preparação para a prova espanhola foi 2º na Volta a Polónia. As dúvidas que deixou no Giro seriam dissipadas na última grande volta do ano, onde conseguiu gerir muito melhor o esforço, venceu apenas uma etapa (a 14ª) e foi bem mais comedido.
Acabou o ano no mundial e no Giro dell'Emilia onde não terminou nenhuma delas.

Desilusão - Adam Yates

Ao contrário do seu irmão, Adam Yates realizou um ano desastrado, uma sombra do que já mostrou.
Não começou mal o ano, foi 4º na Valenciano e 5º no Tirreno-Adriático. Usou o Dauphinè para preparar o Tour, foi 2º e venceu uma etapa, tudo parecia bem encaminhado para o Tour. Mas não foi nada disso, terminou em 29º, nunca esteve perto dos melhores, ainda tentou entrar em fugas, mas sempre sem sucesso. Depois foi à Vuelta, onde tentou ajudar o melhor que podia o seu irmão.

Principais resultados - Vuelta

Primeira grande volta para a equipa australiana, que ao longo dos anos tem-se focado cada vez mais nas provas de 3 semanas e com bons resultados que culminaram com a vitória de Simon Yates na Vuelta 2018.
A equipa australiana já tinha demonstrado no Giro que seria para a breve a primeira grande volta para o currículo, mas foi na Vuelta que o conseguiu.

Outros resultados - Tour Down Under

É a prova de casa, têm obrigação de mostrar a camisola e de apresentarem resultados e é isso que têm feito regularmente, em 2018 não foi diferente.
Caleb Ewan não esteve tão forte como em 2017, onde venceu 4 etapas este ano apenas molhou o bico em uma, mas para compensar Daryl Impey ganhou a geral individual.

Melhor momento - A consagração em Madrid

Depois da desilusão que foi o Giro, onde parecia tudo encaminhar-se para a conquista do Giro, as últimas etapas foram um desastre. Por essa razão e por ter sido a primeira grande volta para a equipa e para Simon Yates tem um significado muito especial.

Pior momento - O quebra drástica de Simon Yates no Giro

Depois de ter demonstrado fraquezas na 18ª etapa, Simon Yates tinha de enfrentar a etapa rainha e o que aconteceu não foi agradável para ele. O britânico nas primeiras rampas do Colle delle Finestre começou a ficar para trás, completamente apeado e rodeado pelos fieis escudeiros, acabaria o dia a perder mais de 45 minutos.

Revelação - Ninguém

Avaliação
 
Números
Tem sido constantemente uma das melhores equipas e este ano não foi diferente. Conseguiram mais 5 vitórias no total e mais 4 no WT. 
A equipa australiana tem demonstrada consistência, desde de 2012, o pior lugar no ranking foi o 8º em 2015 e o melhor o 5º em 2012, 2014, 2016 e 2018.

Em relação ao número de pódios, este foi o melhor ano da equipa com 92, mais 16 do que em 2017. Uma evolução interessante da equipa neste particular.
Simon Yates domina a contribuição de pontos com 35,5%. Depois aparece Daryl Impey com 13,1%  e Adam Yates segue-se com 12,4%.

Roman Kreuziger, Caleb Ewan e Matteo Trentin já aparecem com menos de 10%. Esteban Chaves uma das principais figuras realizou um ano tão mau que teve uma contribuição residual.
Há uma clara dependência da equipa em Simon Yates e isso é preocupante.

Positivo
  • Simon Yates deu um salto competitivo;
  • Mais vitórias e pódios;
    Negativo
    • Dependência de Simon Yates;
    • Adam Yates, Esteban Chaves e Caleb Ewan desiludiram;
    • Bloco das clássicas do pavé.
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      Futuro

      Algumas mudanças importantes na equipa australiana. Das entradas o destaque vai para Brent Bookwalter, os restantes são jovens com qualidade a pensar no futuro da equipa. Nota-se que a equipa está a pensar sobretudo nas provas por etapas, deixando de lado as clássicas.

      Duas saídas destacam-se das restantes, Roman Kreuziger e o sprinter da equipa Caleb Ewan que irá para a Lotto-Soudal, para substituir André Greipel. Carlos Verona estagnou, Robert Power não é uma perda essencial, Robert Kluge e Svein Tuft eram ciclistas que trabalhavam muito para a equipa, mas que não se destacavam muito.

      Na nossa opinião, a perda de Kreuziger e de Ewan não são compensadas pelas entradas. A equipa fica sem um sprinter de topo e está com um grupo demasiado focado nas grandes voltas, muito pouco variado.
      Entradas:
      Robert Stannard (Mitchelton-BikeExchange, 2020)
      Callum Scotson (Mitchelton-BikeExchange, 2020)
      Nick Schultz (Caja Rural - Seguros RGA, 2020)
      Brent Bookwalter (BMC Racing Team, 2019)
      Edoardo Affini (SEG Racing Academy, 2020)
      Dion Smith (Wanty-Groupe Gobert, 2020)
      Tsgabu Grmay (Trek-Segafredo, 2020)

      Saídas:
      Caleb Ewan (Lotto Soudal)
      Carlos Verona (Movistar)
      Roman Kreuziger (Dimension Data)
      Roger Kluge (Lotto Soudal)
      Robert Power (Team Sunweb)
      Svein Tuft (Rally Cycling)



      Bruno Dias

      Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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