Guia da Volta a Portugal 2018


A prova mais amada pelos portugueses.está prestes a começar. Nesta quart-feira começa a 80ª edição da Volta a Portugal.
A primeira edição foi à 91 anos e o vencedor foi Augusto de Carvalho, ciclista do Carcavelos, que percorreu 1965 quilómetros divididos em 18 etapas. Na altura, haviam três categorias, Forte, Fracos e Militares.
Os ciclistas portugueses dominam a lista de vencedores com 57 vitórias, mas na última década o domínio tem sido espanhol. Desde 2004, das 13 edições disputadas, 10 foram conquistadas por ciclistas do país vizinho, com destaque para as 5 vitórias de David Blanco, que faz dele o recordista de vitórias.

História

últimos 10 vencedores
2008 David Blanco (ESP) Palmeiras Resort–Tavira 
2009 David Blanco (ESP) Palmeiras Resort–Tavira
2010 David Blanco (ESP) Palmeiras Resort–Prio
2011 Ricardo Mestre (POR) Tavira–Prio
2012 David Blanco (ESP) Efapel–Glassdrive
2013 Alejandro Marque (ESP) OFM–Quinta da Lixa
2014 Gustavo Veloso (ESP) OFM–Quinta da Lixa
2015 Gustavo Veloso (ESP) W52–Quinta da Lixa
2016 Rui Vinhas (POR) W52–FC Porto
2017 Raúl Alarcón (ESP) W52-FC Porto

Edição 2017 (Top-10)
1 Raúl Alarcón (ESP) W52–FC Porto–Mestre da Cor  41:46:14
2 Amaro Antunes (POR) W52–FC Porto–Mestre da Cor  +1:23
3 Vicente de Mateos (ESP) Louletano–Hospital de Loulé +5:25
4 Rinaldo Nocentini (ITA) Sporting / Tavira +5:54
5 Alejandro Marque (ESP) Sporting / Tavira +7:10
6 António Carvalho (POR) W52–FC Porto–Mestre da Cor +7:25
7 João Benta (POR) Rádio Popular–Boavista +7:54
8 Henrique Casimiro (POR) Efapel +8:11
9 Sérgio Paulinho (POR) Efapel +8:36
10 Krists Neilands (LAT) Israel Cycling Academy +9:35

Percurso


01/ago Prólogo Setúbal Setúbal 1,8 Km
02/ago 1ª Alcácer do Sal Albufeira 191,8 Km
03/ago 2ª Beja Portalegre 195,3 Km
04/ago 3ª Sertã Oliveira do Hospital 175,9 Km
05/ago 4ª Guarda Covilhã (Penhas da Saúde) 171,4 Km
06/ago 5ª Sabugal Viseu 191,7 Km
07/ago Descanso
08/ago 6ª Sernancelhe Boticas 165,4 Km
09/ago 7ª Montalegre Viana do Castelo(Sta. Luzia) 165,5 Km
10/ago 8ª Barcelos Braga 147,6 Km
11/ago 9ª Felgueiras Mondim de Basto 155,2 Km
12/ago 10ª Fafe Fafe 17,3 Km 
Total: 1578,9 Km


Percurso muito duro e seletivo. Começa no primeiro dia de agosto com um prólogo na cidade de Bocage, onde os ciclistas mais explosivos têm uma oportunidade de vestir a camisola amarela.
A 1ª etapa irá fazer regressar a Volta ao Algarve, liga Alcácer do Sal a Albufeira, num percurso relativamente fácil que atravessa o Alentejo com temperaturas elevadas e por ser grande parte feito perto da costa, o vento pode ser um fator importante. 
A 2ª etapa será percorrida no interior alentejano e termina numa pequena colina em Portalegre, que poderá afastar os sprinters puros da disputa. São esperadas temperaturas a rondar os 40ºC para este dia e não seria de estranhar que o protocolo de tempo extremo fosse aplicado.
A 3ª etapa segue para norte e passará pelas zonas afetadas pelos incêndios de 2017. É um dia duro, com a subida à Serra de Liusã na primeira metade da etapa e com um final com duas contagens dentro dos últimos 15 quilómetros, com a última (3ª categoria) a estar situada a 7 quilómetros da meta. E para terminar o dia em grande, os últimos 500 metros são em subida também.
A 4ª etapa é uma das principais da edição deste ano, pela dureza e porque marca o regresso de um final na Serra da Estrela, não será na Torre, mas nas Penhas da saúde. A Torre será subida pela vertente de Seia a meio da etapa.
Depois do dia na alta-montanha, é a vez dos velocistas teram a sua oportunidade. A 5ª etapa não apresenta grandes obstáculos, com os corredores a percorrerem o território das Beiras e com chegada na bela cidade de Viseu, a "capital das rotundas".
A 7 de agosto chega um dos dias mais esperados pelos ciclistas, o dia de descanso.

A segunda parte da prova começa com mais um dia duro. Ao todo são quatro contagens de montanha, mas até podiam ser mais. A menos de 20 quilómetros da meta está colocado o topo de Torneiros, uma subida de 1ª categoria.
A 7ª etapa visita o Gerês e chega a Viana do Castelo, na chegada tradicional a Stª Luzia, que deverá ter uma mescla de homens da geral e de puncheurs ou mesmo sprinters a disputar a vitória.
O Minho continua a ser o pano de fundo para a 8ª etapa. A ligação entre Barcelos e Braga é mais uma etapa muito acidentada com quatro contagens de montanha e parte final é marcada por duas passagens pelo Sameiro.
A 9ª etapa tem como palco final, a mítica ascensão à Senhora da Graça. É uma etapa demolidora, ainda por cima colocado no penúltimo dia da prova, onde o cansaço impera. Os últimos 100 quilómetros a serem demolidores, a subida acumulada nesse dia ronda os 6000 metros.
Para finalizar, temos um contrarrelógio individual de 17 quilómetros em Fafe. Não é muito duro em termos de perfil. Se as diferenças forem curtas, muita coisa pode ser decidida nestes 17 quilómetros.

Perfis

01/ago Prólogo Setúbal - Setúbal 1,8 Km

02/ago 1ª Alcácer do Sal - Albufeira 191,8 Km

03/ago 2ª Beja - Portalegre 195,3 Km

04/ago 3ª Sertã - Oliveira do Hospital 175,9 Km

05/ago 4ª Guarda - Covilhã (Penhas da Saúde) 171,4 Km

06/ago 5ª Sabugal - Viseu 191,7 Km

07/ago Descanso


08/ago 6ª Sernancelhe - Boticas 165,4 Km

09/ago 7ª Montalegre - Viana do Castelo(Sta. Luzia) 165,5 Km

10/ago 8ª Barcelos - Braga 147,6 Km

11/ago 9ª Felgueiras - Mondim de Basto

12/ago 10ª Fafe-Fafe17,3 Km 

Etapas-chave

- 4ª etapa, com a chegada às Penhas da Saúde;
- 6ª etapa, chegada a Boticas depois do dia de descanso, com a subida de Torneiros a menos de 20 quilómetros da meta;
- 9ª etapa, chegada à Senhora da Graça,os últimos 100 quilómetros são demolidores;
- 10ª etapa, contrarrelógio que nem é muito longo, mas que pode originar alterações nos primeiros lugares.

Lista de participantes

Lista de participantes (@firstcycling)

Favoritos

Os favoritos para a geral individual estão entre seis equipas continentais portuguesas, aqui ficam elas:

W52-FC Porto - Tem sido a grande dominadora das últimas edições, dando-se ao luxo de colocar vários corredores nos dez primeiros. Este ano não deve ser exceção, a equipa azul e branca é  a que apresenta o melhor conjunto, com uma série de ciclistas capazes de estar primeiros lugares, o que constitui uma vantagem táctica sobre as restantes equipas.
Portanto é natural que a equipa de Nuno Ribeiro domine a lista de favoritos. Entre eles está o vencedor da edição do ano passado Raul Alarcón não teve uma temporada fácil, com lesões a alterarem os planos do espanhol. No entanto no GP Abimota e no GP Portugal N2 já mostrou estar em boa forma e pronto para repetir a vitória do ano passado.
A equipa ainda conta com António Carvalho, um dos melhores trepadores do pelotão português, que tem realizado uma temporada muito sólida. Venceu o GP JN e no GP Torres Vedras esteve nos primeiros lugares O reduzido número de quilómetros de contarrelógio também o beneficia.
Gustavo Veloso na edição do ano passado esteve muito longe do que já mostrou. Vencedor das edições de 2014 e 2015, o espanhol está atrás de Alarcón na hierarquia portista e existem dúvidas se consegue estar com os melhores num percurso tão duro como o de este ano.
Ricardo Mestre tem sido um gregário de luxo durante as últimas edições e Rui Vinhas, vencedor em 2016 voltará a trabalhar os líderes.
César Fonte esteve bastante forte no inicio de temporada e na Volta tem como função entrar ao trabalho cedo, juntamente com o jovem João Rodrigues.
Samuel Caldeira é a principal ausência, depois de ter tido um ano com algumas quedas que o deixaram no estaleiro bastante tempo.

Sporting-Tavira - Este ano contam com a sua principal esperança, Jóni Brandão. O conjunto de Vidal Fitas é forte, com Rinaldo Nocentini a ser a segunda carta para a geral.
O percurso duro beneficia um ciclista como Jóni Brandão, que tem de fazer a diferença na montanha e terá de o fazer, já que o contrarrelógio final não o beneficia.
O italiano, Nocentini, terá liberdade para fazer a sua corrida, mas a dureza da prova faz com que tenhamos sérias dúvidas se poderá lutar pelo pódio.
Frederico Figueiredo e Mario Gonzalez serão os principais apoios de Brandão na montanha. Alejandro Marque, vencedor da edição de 2013 também é uma ajuda preciosa, embora não seja um ciclista que já consiga andar com os melhores na montanha.
Aleksandr Grigorev tem sido uma das revelações do ano, excelente rolador, será útil no plano assim como Alvaro Trueba que completa a equipa.

Efapel - Apresentam uma equipa bastante forte, com gente para todo o tipo de terreno. Henrique Casimiro e Sérgio Paulinho são os homens para a geral, na edição do ano passado acabaram os dois dentro do top-10 e este ano a expectativa é a mesma. Os dois têm tido uma temporada com resultados sólidos.
Daniel Mestre e Rafael Silva são os homens para as chegadas mais rápidas. Sobretudo Mestre é um ciclista capaz de vencer num sprint puro, mas também numa chegada um pouco mais dura, tanto é sprinter como Puncheur.
Jesus Del Pino, Bruno Silva e Marcos Jurado serão os gregários, que apoiarão os líderes.

RP - Boavista - A equipa de José Santos em relação a 2017 não tem Rui Sousa mas conta com o regressado Daniel Silva.
Resta saber quem será o líder, a nossa aposta recai em João Benta. O percurso é duro e com poucos quilómetros de contrarrelógio, que em teoria lhe agrada. Tem vindo em crescendo de forma, no GP Torres Vedras mostrou estar no bom caminho.
Daniel Silva esteve muito tempo parado, regressou no GP JN e mostrou pouco. A sua condição é uma incógnita, se ficar cedo arredado dos primeiros lugares, o mais provável é ter de trabalharpara um líder.
Domingos Gonçalves é um dos ciclistas mais interessantes do atual pelotão. É um dos favoritos para o prólogo e contrarrelógio e depois tem chegadas que são boas para ele (Viana do Castelo, Portalegre e Oliveira do Hospital). Duvidamos que consiga aguentar tanta dureza e por isso não deve lutar por um lugar no top-10.
O jovem espanhol Oscar Pelegrí venceu o GP Abimota e tem mostrado algum potencial. É um ciclista que pode ser útil em qualquer terreno, assim como David Rodrigues e Luis Gomes.
Filipe Cardoso será o homem para as chegadas rápidas.

Aviludo-Louletano - A equipa algarvia teve perto de perder o seu líder, Vicente Garcia De Mateos, mas o TAD espanhol decidiu anular a suspensão do ciclista.
Assim sendo, De Mateos lidera a equipa com claras pretensões ao pódio, de lembrar que em 2017 foi 3º da classificação geral. A sua temporada não tem sido muito brilhante, ainda não obteve qualquer vitória e com os problemas que teve recentemente, será interessante ver o que ele fará.
Luis Mendonça com a mutação de De Mateos para voltista, passou a ser o sprinter da equipa e procurará lutar por etapas.
Não se pode dizer que é uma equipa muito forte, mas também não é fraca. Márcio Barbosa, Luis Fernandes, David de la Fuente e Oscar Hernandez são ciclistas competentes que podem dar uma apoio importante tanto a Mendonça nas chegadas ao sprint como a De Mateos nas etapas de montanha.

Vito-Feirense-Blackjack - Das seis equipa é aquela que consideramos mais frágil. Têm um líder claro que é, Edgar Pinto.
O ciclista tem tido uma carreira carregada de azares e também algumas opções menos felizes fizeram com que nunca tenha atingido os resultados que se esperava no inicio da carreira. Os melhores resultados na Volta, são um 4º e 5º lugares em 2013 e 2014 respetivamente.
João Matias, venceu duas etapas no recente GP Portugal N2 e é um ciclista a ter em conta em chegada rápidas.
O jovem espanhol Xuban Errazkin, com apenas 21 anos tem dado sinais de que estamos perante um ciclista de muito futuro. A sua prestação na Volta é um dos principais pontos de curiosidade nesta equipa.
Hugo Sancho, Luis Afonso, Ricardo Vale e Sofiane Haddi serão os gregários que tentarão apoiar o líder da melhor maneira.

Fora destas seis equipas destacamos os seguintes ciclistas:

Joaquim Silva - Lidera a Caja Rural, que este apresenta uma equipa bastante modesto em comparação com outros anos. O ciclista que durante dois anos esteve no comboio azul branco do Porto, este ano estará do outro lado. Tudo depende de como irá abordar a prova, no entanto, conseguir lutar pelo top-10 já seria muito bom. A Caja-Rural ainda tem Rafael Reis na equipa, que espera estar na luta no prólogo e no contrarrelógio.

Olivier Pardini - Este é um nome muito conhecido das provas belgas e francesas. É um excelente ciclista, especialista em pavé, muito potente e que por isso pode ter um desempenho interessante no prólogo e em etapas como a chegada a Portalegre, Oliveira do Hospital e Viana do Castelo.

Fernando Barcelo - É uma das jovens esperanças do ciclismo espanhol. Tem apenas 22 anos e este ano tem tido resultados interessantes.

Oscar Rodriguez - Esteve presente na edição do ano passado e foi um dos que animou a corrida, com a presença em fugas. É um jovem ciclista bastante combativo e este ano deverá seguir a mesma receita de 2017.

Maris Bogdanovics - Dada a fraca qualidade do pelotão estrangeiro que nos visita, este ciclista é dos que se destaca mais. É um bom finalizador, que pode disputar uma ou outra chegada.

Emil Dima - Uma das grandes esperanças do ciclismo romeno. Tem apenas 21 anos e será interessante ver o que pode fazer na Volta.
Esteve no GP Portugal N2 e até se portou bastante bem.

Riccardo Stacchiotti - Venceu uma das etapas do GP Portugal N2. Tal como Bogdanovics, face a esta concorrência, é um sério candidato a sacar um bom resultado numa etapa ao sprint, quem sabe uma vitória.

António Barbio - Venceu a etapa que terminou na Srª da Assunção em 2017. É um ciclista que optou por sair da Efapel para ser líder na Miranda-Mortágua. Será curioso perceber como se vai portar nesta nova função.
Este ano já venceu o Memorial Bruno Neves.

Outros destaques:

Team Coop - A equipa norueguesa estreia-se na prova portuguesa. Resta saber se eles vieram preparar a Artic Race ou se vieram com ideias de tentar vencer uma etapa ou algo mais.
São uma equipa com qualidade, ou não fossem uma das principais equipas nórdicas, juntamente com a Joker-Icopal. As altas temperaturas podem afetar mais esta equipa do que outras.

Team Ecuador - Como é habitual nestas equipas da América do Sul, deverão ter alguém com o objetivo de ganhar uma classificação secundária. 

Israel Cycling Academy - No ano passado teve um dos ciclistas que mais animaram a corrida, Kris Neilandts. Quem fará este ano de Neilandts? A nossa aposta vai para Matteo Badilatti.

Geral Individual

⭐⭐⭐⭐⭐ Raul Alarcón
⭐⭐⭐⭐ Jóni Brandão, António Carvalho
⭐⭐⭐ Gustavo Veloso, Vicente Garcia De Mateos
⭐⭐ Edgar Pinto, João Benta, Henrique Casimiro
⭐ Domingos Gonçalves, Sérgio Paulinho, Rinaldo Nocentini

A nossa aposta: Raul Alarcón
Tem a melhor equipa à disposição e os sinais que mostrou no Abimota e sobretudo no GP Portugal N2 foram excelentes, está perto do melhor.
É forte na montanha e é um dos melhores contarrrelogistas do pelotão nacional.

O nosso TOP-3
1. Raul Alarcón
2. Jóni Brandão
3. António Carvalho


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Nota: Até dia 8, haverá uma antevisão da etapa seguinte em cada dia. Depois entraremos de férias, também merecemos. 😊


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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