Guia do Paris-Roubaix 2018


A rainha das clássicas, a clássicas das clássicas, o inferno do norte, o infame Paris-Roubaix celebra este domingo a sua 116ª edição.
A sua grandeza e misticismo é algo único no ciclismo mundial, que apaixona ciclistas e milhões de adeptos da modalidade. O Tour é provavelmente a única prova que concorre com o Paris-Roubaix em termos de popularidade.
Desde 1896 que se corre a prova no norte de França, apesar de se chamar Paris-Roubaix, apartir de 1968 que a partida não sai de Paris, mas sim de uma cidade a norte da cidade Luz, Compiègne, que pertence à região de Picardie.

História

Não há prova igual a esta, é uma das mais antigas. Criada em 1986, quando Théodore Vienne e Maurice Perez, construíram o velódromo em Roubaix e propuseram ao editor da Le Vélo, Louis Minart, a realização de uma prova que começaria em Paris e terminaria nele. Minart deixou a decisão final para o director da publicação, Paul Rousseau. A abordagem foi no sentido da prova ser de preparação para o Bordéus-Paris, uma das provas mais importantes dessa altura.
Paul Rousseau mostrou-se a favor da ideia e para definir o percurso, pediu ao editor de ciclismo Victor Breyer que o fizesse. Breyer foi reconhecer o percurso e chegou imundo e completamente de rastos a Roubaix, a intenção era enviar por carta uma recomendação a Minart para desistir da ideia, porém, tal não aconteceu e Breyer concordou em dar o seu aval à realização da prova. Definindo um percurso por meio de florestas, campos agrícolas e com muito pavé à mistura.
O primeiro vencedor da prova foi o alemão, Josef Fischer.
Desde aí, a prova realiza-se até aos dias de hoje, apenas teve dois interregnos, durante a primeira e segunda grande guerra.

Em termos de vitórias, Roger de Vlaeminck e Tom Boonen são os recordistas com quatro vitórias. Aqui fica a lista dos mais vitoriosos:
4 - Roger De Vlaeminck, BEL
4 - Tom Boonen, BEL 
3 - Octave Lapize, FRA 
3 - Gaston Rebry, BEL 
3 - Rik Van Looy, BEL 
3 - Eddy Merckx, BEL
3 - Francesco Moser, ITA 
3 - Johan Museeuw, BEL 
3 - Fabian Cancellara, SUI

Roger de Vlaeminck, é conhecido por Monsieur Paris-Roubaix, nãosó pelas vitórias mas também pela quantidade de pódios, foram 9. Aqui fica a lista dos que fizeram mais pódios na prova:
9 - Roger De Vlaeminck, BEL
7 - Francesco Moser, ITA 
6 - Rik Van Looy, BEL 
6 - Johan Museeuw, BEL 
6 - Tom Boonen, BEL 
6 - Fabian Cancellara, SUI

A prova é francesa, mas é a Bélgica a grande dominadora da prova:
1 - Bélgica 56
2 - França 28
3 - Itália 13
4 - Holanda 5
5 - Suíça 4
6 - Irlanda 2
6 - Alemanha 2
7 - Luxemburgo 1
7 - Suécia 1
7 - Ucrânia 1
7 - Austrália 2

últimos 10 vencedores
2008 Tom Boonen (BEL) Quick-Step
2009 Tom Boonen (BEL) Quick-Step
2010 Fabian Cancellara (SUI) Team Saxo Bank
2011 Johan Vansummeren (BEL) Garmin–Cervélo
2012 Tom Boonen (BEL) Omega Pharma–Quick-Step
2013 Fabian Cancellara (SUI) RadioShack–Leopard
2014 Niki Terpstra (NED) Omega Pharma–Quick-Step
2015 John Degenkolb (GER) Giant–Alpecin
2016 Matthew Hayman (AUS) Orica-GreenEdge
2017 Greg Van Avermaet (BEL) BMC


For some, it's only a dirt track. For us, it's the gate of hell.
Para alguns, é apenas uma percurso sujo. Para nós, é a porta do inferno.

Edição 2017

Greg Van Avermaet no pódium em Roubaix (Tim de Waele)

1    Greg Van Avermaet (Bel) BMC Racing Team    5:41:07   
2    Zdenek Stybar (Cze) Quick-Step Floors        
3    Sebastian Langeveld (Ned) Cannondale-Drapac        
4    Jasper Stuyven (Bel) Trek-Segafredo        
5    Gianni Moscon (Ita) Team Sky        
6    Arnaud Demare (Fra) FDJ    0:00:12   
7    André Greipel (Ger) Lotto Soudal        
8    Edward Theuns (Bel) Trek-Segafredo        
9    Adrien Petit (Fra) Direct Energie        
10    John Degenkolb (Ger) Trek-Segafredo

Percurso

Compiègne> Roubaix (257 Km)

Paris-Roubaix é sinónimo de pavé, o primeiro sector surge aos 93,5 quilómetros de prova e depois serão mais 28 sectores. Todos eles são avaliados entre uma a cinco estrelas, definindo a dificuldade dos mesmos. Se o sector for avaliado com cinco estrelas significa que tem a dificuldade máxima e se tiver apenas uma, significa dificuldade mínima. A definição da dificuldade é dado pela qualidade do pavé e extensão do sector.
Entre todos os sectores, destacam-se claramente dois: a mítica floresta de Arenberg, que este ano aparece ao quilómetro 162, é o sector 19 e o Le Carrefour de l’Arbre (sector 4), que está na corrida ao quilómetro 240, sendo o sector que pode decidir a corrida, por estar tão próximo do final.
No ano passado foi introduzido outro sector com a máxima dificuldade, é o número 11, Mons-en-Pévèle, que está situado aos 208,5 Kms de prova.
Como já é habitual, o inicio da prova será nos arredores de Paris, em Compiègne e terminará num dos palcos mais míticos e importantes do ciclismo mundial, o velódromo de Roubaix.



Sectores de pavé


Startlist


Condições Atmosféricas

Algumas das edições mais épicas e memoráveis foram em condições de chuva. Tem chovido na última semana, porém, não se espera que a chuva apareça. As temperaturas vão variar de 14ºC a 18ºC.
O vento soprará fraco de Este e ao longo do dia, passa para Sul.

Favoritos

O campeão
Greg Van Avermaet
Vencedor da edição do ano, mas que em 2018 não tem estado ao mesmo nível. Apesar de tudo, não tem sido um desastre, foi 3º na E3 Harelbeke, 8º na Dwars door Vlaandaren e 5º na Volta à Flandres, demonstrando que continua a ser um dos melhores no empedrado.
Para o apoiar tem uma equipa forte, com destaque para Stefan Kung e Jurgen Roelandts, que devem ser os últimos homens na ajuda ao belga.

Bloco da Quick-Step Floors 
Esta é de longe, a equipa mais forte e tem-no provado nesta primavera. Apenas não conquistaram a Omloop e a Kuurne-Bruxelles-Kuurne.
Conta com três dos grandes favoritos  à vitória e ainda têm, Yves Lampaert, que pode também estar entre os primeiros. Mais nenhuma equipa tem as armas que a Quick-Step Floors possui.

Niki Terpstra
Venceu a E3 Harelbeke e a Volta à Flandres ao seu estilo, isolado. Está em grande forma, uma das melhores da sua vida desportiva e sabe como ganhar o Paris-Roubaix, já que venceu em 2014.

Philippe Gilbert
Um dos melhores ciclistas da última década, um verdadeiro fenómeno no que concerne a provas de um dia. Dominador nas Ardenas, desde que chegou no ano passado à Quick-Step Floors, passou a concentrar-se no empedrado e com resultados que falam por si. Está a viver uma nova juventude e se vencer a "Raínha das clássicas", apenas lhe faltará a Milão-São Remo, para ter no currículo todos os monumentos.

Zdenek Stybar
O checo é a terceira carta da equipa belga. Um ciclista que tem estado muito bem, mas que lhe falta sempre qualquer coisa para vencer. Este ano tem sido de uma regularidade notável, 9º na E3 Harelbeke, 8º na Gent-Wevelgem, 6º na Dwars door Vlaanderen e 10º na Volta à Flandres.

Bloco da Trek-Segafredo
Em teoria, é o segundo bloco mais forte, com destaque para Jasper Stuyven, que tem realizado uma temporada de clássicas bem positiva, ao contrário de John Degenkolb. 
Mas a sensação do momento é, Mads Pedersen, o jovem dinamrquês é uma das figuras do momento.

Jasper Stuyven
Os resultados falam por si, Stuyven tem sido uma dos ciclistas mais regulares das clássicas. Foi 4º na Omloop, 10º na Milão-São Remo, 6º na E3 Harelbeke, 9º na Gent-Wevelgem, 10º na Dwars door Vlaanderen e 7º na Volta à Flandres.
É um ciclista que venceu o Paris-Roubaix júnior, em 2010, ou seja, está no seu habitat natural e pela temporada que está a realizar, é um dos grandes candidatos.

Mads Pedersen
Tal como Stuyven, este jovem dinamarquês venceu o Paris-Roubaix junior, foi em 2013. É um dos maiores talentos neste tipo de terreno e mostrou nas últimas duas semanas.
Foi 5º na Dwars door Vlaanderen e conseguiu um brilhante 2º lugar na Volta à Flandres, onde andou muito tempo em fuga e mesmo assim, Niki Terpstra foi o único que conseguiu chegar e bater Pedersen.

John Degenkolb
Tem realizado uma temporada muito longe do que já fez. Desde o acidente que o afetou em janeiro de 2016, que nunca mais foi o mesmo.
O melhor resultado nesta primavera foi um 15º lugar na Dwars door Vlaanderen, o que diz muito do estado atual de Degenkolb. No entanto, se conseguir estar nos movimentos certos, pode ser um ciclista perigoso, devido à ponta final.

Os eternos favoritos
Peter Sagan
Nesta temporada de clássicas da primavera, leva apenas uma vitória, na Gent-Wevelgem. Mudou um pouco a forma de correr, ao não assumir tanto o controlo da corrida, para não se desgastar tanto.
Este ano tem um reforço de peso, Daniel Oss, que foi o grande apoio de Greg Van Avermaet em 2017. O melhor resultado do campeão do mundo no Paris-Roubaix, foi em 2014, onde conseguiu um 6º lugar.

Alexander Kristoff
Não tem sido a melhor das temporadas para o norueguês, que está numa nova equipa. O melhor resultado na primavera foi na Milão-São Remo, onde foi 4º, mas no pavé, o melhor que conseguiu foi um 16º lugar na Volta à Flandres.

Sep Vanmarcke
Um dos melhores especialistas no pavé, mas que por uma ou outra razão, raramente consegue ganhar. É um ciclista que pode partir uma corrida no empedrado, mas também é aquele que tem um furo, queda ou outro azar no pior momento possível.

Arnaud Démare
Foi 6º em 2017 e este ano continua a ser a principal esperança dos franceses, para verem um ciclista da casa voltar a vencer.
É um dos que tem de ser descartado, antes de Roubaix, já que a sua ponta final faz a diferença perante grande parte dos adversários.
Está em boa forma e tem uma equipa completamente comprometida com ele.

As estrelas em ascensão
Wout van Aert
O três vezes campeão do mundo de ciclocross decidiu fazer a temporada de clássicas este ano e já conta resultados interessantes. Foi 3º na Strade Bianche, 10º na Gent-Wevelgem e 9º na Volta à Flandres.
O céu é o limite para Van Aert, que continuará no ciclocross, mas que na estrada já vai apresentando um nível impressionante e confirma que é um dos maiores talentos do ciclismo mundial.

Oliver Naesen
Foi em 2017 que confirmou ser um dos grandes ciclistas belgas para as clássicas de empedrado. Tornou-se campeão belga, foi um prémio para um ano de afirmação de Naesen. Este ano tem apresentado resultados parecidos com os do ano transato, apesar de alguns azares.

Portugueses
Tal como em 2017, os dois portugueses que estarão presentes fazem parte da mesma equipa, Movistar. 
Nélson Oliveira, não tem estado tão forte como em outros anos, onde apresentava-se em melhores condições nesta altura do ano.
Nuno Bico, será a segunda participação consecutiva do jovem português. O objetivo passa por terminar, coisa que não fez na Volta à Flandres.


***** Niki Terpstra, Zdenek Stybar, Philippe Gilbert
**** Greg Van Avermaet, Peter Sagan, Jasper Stuyven
*** Sep Vanmarcke, Oliver Naesen, Arnaud Demare
** Wout Van Aert, Gianni Moscon, Matteo Trentin, Mads Pedersen, Mike Teunissen, Alexander Kristoff, Yves Lampaert
* Edvald Boasson Hagen, Jurgen Roelandts, Dylan Van Baarle, Tony Martin, Ian Stannard, John Degenkolb

A nossa aposta: Philippe Gilbert
Outsider: Jasper Stuyven


(a partir das 12:50, Portugal continental)

(a partir das 10:00, Portugal continental)


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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