10 piores momentos da temporada 2016


Depois dos melhores momentos de ciclismo em 2016, aqui ficam aqueles, que para nós foram os piores:

10. Etapa do Tirreno-Adriático anulada devido ao Protocolo Climatérico
A 5ª jornada do Tirreno-Adriático era a etapa raínha da edição deste ano, mas a organização decidiu no dia anterior à realização da mesma, cancela-la, o motivo para uma decisão tão drástica e prematura, foram as previsões das condições climatéricas na chegada, ao Monte San Vicino.
Os italianos recearam que se passa-se algo semelhante à 3ª etapa do Paris-Nice, onde começou, foi neutralizada e depois mesmo cancelada, devido às condições meteorológicas miseráveis.
O grande problema na decisão da organização do Tirreno-Adriático, foi que a etapa foi cancelada no dia anterior e no dia da etapa, as condições eram aceitáveis, levando a que alguns ciclistas se queixassem, entre eles, Thibaut Pinot e Vincenzo Nibali. Este último ao ver a decisão da mesma organizadora do Giro, pôs em causa a participação na prova que haveria de ganhar em maio.
No final, o resultado foi que Greg Van Avermaet ganhou a prova e Peter Sagan foi segundo. Em condições normais, estes dois corredores, não lutariam pela vitória nesta edição. Tudo porque a organização decidiu abrir um precedente, que foi, o de anular etapas no dia anterior com base em previsões meteorológicas, que vão contra o protocolo climatérico.

9. A despedida de Cancellara do Paris-Roubaix
Esta era a última participação de Fabian Cancellara na clássica das clássicas, Paris-Roubaix. E infelizmente foi uma participação marcada pelas quedas.
Depois de ficar para trás num corte, ainda tentou recuperar até ao grupo da frente, que era controlado pela Etixx-QuickStep e Sky, com a ajuda da sua equipa e de Peter Sagan, a tarefa era complicada, mas possível. No entanto, num dos sectores de pavé, o suíço teve uma queda que o retirou por completo da luta pela vitória.
Cancellara marcou a prova na última década, venceu-a por 3 vezes (2006, 2010 e 2013) e por essa razão a sua despedida era um momento importante. Já no velódromo de Roubaix, o suíço depois de pegar na bandeira do seu país para dar uma volta de consagração, dá um trambolhão. Foi o finalizar de um dia que era especial para Cancellara, mas que acabou por ser um autêntico pesadelo.


8. As quedas de Alberto Contador no Tour e Vuelta
O espanhol chegava ao Tour depois de algumas actuações encorajadoras durante a Primavera, que o elevava a um dos principais candidatos a vencer o Grand Boucle.
Mas qualquer tipo de esperanças foram estilhaçadas logo no primeiro, quando Contador cai de forma violenta numa curva, ficando muito mal tratado. Mas o azar não o largou, no dia a seguir volta a cair e fica ainda mais marcado. O resto do Tour para ele, foi o arrastar, ainda tentou atacar, mas o destino estava traçado, abandonou a prova.


A Vuelta era a oportunidade de compensar um pouco o desastre que foi o Tour. A prova não começou bem, já que o espanhol perdeu tempo no contra-relógio colectivo e também no Mirador d'Ézaro. Na 7ª etapa, nos últimos metros, o espanhol encontrava-se bem posicionado nos primeiros lugares do pelotão, quando foi abalroado e tem mais uma queda bem feia.
Ao contrário do que se passou no Tour, Contador acabou a Vuelta, no 4º lugar da geral.

7. A queda de Sérgio Henao e Vincenzo Nibali na prova de estrada dos Jogos Olímpicos
Decorria a última volta da prova de estrada dos Jogos Olímpicos, Vincenzo Nibali, Sérgio Henao e Rafal Majka, tinham ultrapassado a última dificuldade e estavam a descer a alta velocidade, até que o italiano (um dos melhores especialistas a descer) e o colombiano, aparecem no chão. Da glória de uma medalha olímpica para a cama de um hospital, pode ser o título da história de Nibali e Henao nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Sérgio Henao, fracturou a crista ilíaca e Vincenzo Nibali a clavícula.

6. Os mundiais do Qatar
A UCI decidiu seguir o €€€ e escolheu o Qatar para a realização dos mundiais deste ano. Não era difícil de adivinhar, que seriam um fracasso e...não é que foi mesmo um fracasso gigantesco.
Desde o intenso calor, que causou problemas a vários ciclistas, que não aguentaram e colapsaram, até a uma ambulância aparecer no meio do contra-relógio sub-23, passando pelas estradas desertas de público.


Um autêntico desastre, que em nada dignificou a modalidade.

5. O 'passeio' cicloturista realizado por uma grande parte do pelotão na 15ª etapa da Vuelta
As regras são claras, todos os ciclistas devem entrar dentro do tempo limite especificado para a etapa. Caso não consigam percorrer a tirada dentro desse tempo e salvo em casos excecionais, os corredores serão eliminados. 
Durante a 15ª etapa da Vuelta, o tempo limite especificado foi o de que todos os ciclistas teriam de chegar até 31 minutos e 24 segundos após o primeiro ter cruzado a meta. No entanto, 93 (!!!) corredores, chegaram a 52 minutos e 54 segundos de Gianluca Brambilla, vencedor da etapa.
Ou seja, 93 corredores deveriam ter sido eliminados da prova e na 16ª etapa já não partiriam para a etapa. Mas a organização decidiu premiar os ciclistas (ou cicloturistas) que decidiram tirar um dia de folga na 15ª etapa.
Decisão absolutamente inacreditável e que abre um precedente grave.

4. A queda de Steven Kruijswijk na 19ª etapa d Giro
A recuperação de Nibali nas últimas duas etapas de montanha do Giro, para nós foi o melhor momento do ano. Mas para esse momento, contribuiu e muito a queda de Steven Kruijswijk na 19ª etapa.
O holandês parecia encaminhado para a vitória no Giro, tinha a corrida controlada. Na descida do Colle dell'Agnello, vai contra uma parede de neve e tudo o que podia correr mal correu. Perdeu tempo com a bicicleta, nunca mais recuperou, perdeu a maglia rosa e no final do dia ficou a saber que tinha uma fratura numa vértebra.
Da vitória ao 4º lugar no Giro e para isso bastou, o que para uns foi um erro técnico, para outros uma distração, mas para Kruijswijk foi um inferno.




3. O espetáculo deprimente na etapa do Mont Ventoux, no Tour
Aquilo que aconteceu no Mont Ventoux, foi do mais surreal que alguma vez se assistiu no ciclismo. E tudo isto aconteceu naquela que é supostamente a prova de ciclismo mais bem organizada e popular do mundo. Num dos maiores eventos desportivos, sendo mesmo o maior que se realiza anualmente.
Todo o mundo assistiu espantado a uma série de episódios na subida do Ventoux, que mais pareciam saídos de um filme de terror ou de uma comédia, escolham o tipo que preferirem.
A subida foi encurtada, devido às condições atmosféricas e qual foi o resultado? O público que estaria espalhado por toda a subida, ficou confinado a metade da mesma. A multidão estava amontoada subida acima, literalmente em cima dos ciclistas, motas e carros.
Porte, Froome (camisola amarela) e Mollema, tinham deixado os outros favoritos para trás, até que uma mota foi obrigada a travar bruscamente para não atropelar espetadores, os três corredores não conseguem evitar e batem contra a mota. Mollema, é o primeiro dos três a levantar-se e a seguir, Porte também consegue. No entanto o camisola amarela, troca de bicicleta e não fica satisfeito com a mesma, decide então correr montanha acima, numa das imagens mais surreais de ciclismo (as regras proíbem que os ciclistas percorram parte do percurso sem bicicleta). Entretanto pouco atrás, Nairo Quintana, decide que era boa ideia agarrar-se à mota (as regras obviamente também proíbem).
Froome, pára de correr e decide esperar pelo carro da sua equipa, onde finalmente arranja uma bicicleta ao seu gosto e finaliza a etapa. Mollema, Porte, Quintana e companhia, já tinham passado a linha de meta quando o camisola amarela o fez.
Pelos tempos de passagem, Froome deixava de ser o líder da prova. Mas a organização decidiu dar o mesmo tempo que...Mollema. Porquê? Só porque sim.
A palavra 'desastre' é pouco para descrever esta etapa. O ideal é apagar este dia infeliz, o ciclismo não merecia.



2. O acidente da Giant-Alpecin durante um estágio em Espanha
O ano de 2016 começou com uma notícia terrível. Uma parte da equipa Giant-Alpecin foi atropelada num treino, durante o estágio que decorria em Espanha.
Foram seis os ciclistas envolvidos: Warren Barguil (FRA), John Degenkolb (GER), Chad Haga (USA), Fredrik Ludvigsson (SWE), Ramon Sinkeldam (NED) e Max Walscheid (GER).
John Degenkolb que se preparava para as clássicas, onde iria defender a vitória no Paris-Roubaix, era um dos mais afetados. Correu o risco de lhe ser amputado um dedo e viu a sua temporada ser completamente arruinada.

O acidente deveu-se à imprudência de uma condutora britânica, que estava a conduzir um carro na faixa de rodagem errada, apanhando os ciclistas, numa zona de curvas e contra-curvas.
Felizmente, já se encontram todos recuperados, numa das notícias mais tristes do ano de 2016.

1. As motas (até quando?)
Depois dos vários episódios que ocorreram nos últimos anos, o que toda a gente temia, aconteceu. Na Gent-Wevelgem, Antoine Demoitie (Wanty-Groupe Gobert) aparentemente não evitou uma queda, a mota que seguia atrás de si, não o conseguiu evitar e atingiu-o mortalmente. 
Stig Broeckx foi mais uma das vítimas e não foi apenas uma vez, foram duas. A primeira vez, aconteceu na Kuurne-Bruxelles-Kuurne, onde a mota do apoio médico (!!!) atropelou-o e continuou sem se preocupar com o ciclista da Lotto-Soudal. Mas o pior aconteceria na Volta à Bélgica, onde numa descida, 19 corredores envolveram-se numa queda provocada por motas, um deles, era Stig Broeckx, que até há uns dias atrás estava em estado de coma.



Tal como questionamos num artigo de março deste ano, voltamos a fazer a mesma pergunta: Até quando?

Menções honrosas:
- A desilusão das clássicas das Ardenas, mais uma vez;
- A pasmaceira que foi o Tour, que teve mais polémicas do que espetáculo de ciclismo na estrada. Até se chegou ao cúmulo de ver um insuflável cair em cima de um dos manos Yates;
- As regras são para serem cumpridas. No Tour, Froome fez uma parte do percurso sem bicicleta, Quintana andou amarrado a uma mota, corredores que caiem fora dos últimos 3 Kms e foram-lhes atribuídos o mesmo tempo do vencedor e ciclistas que recebem rodas de outras equipas e não se passou nada.


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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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