Até quando?


A morte do jovem ciclista belga, Antoine Demoitié, trás à baila novamente a questão das motas nas corridas de bicicletas. A equipa Wanty-Groupe Goubert, já veio desresponsabilizar a mota que atropelou o ciclista e este artigo não pretende condenar a pessoa que infelizmente atropelou Demoitié. Porém o que já devia ter sido discutido à muito tempo e onde a UCI deveria já ter actuado, é na limitação do número de motas nas suas corridas. Quanto mais motas, maior probabilidade que haja falha humana e maiores serão os perigos presentes na estrada. 
No ano passado os episódios com as motas e carros de apoio marcaram a temporada. Aliás no nosso artigo sobre os 10 piores momentos da temporada 2015, os episódios estavam lá, como podem ver aqui.
Até quando continuará esta situação? Não serão demasiadas motas e carros(o problema não está apenas nas motas) a povoarem as corridas de ciclismo? A formação dos motards é a adequada? 
Uma coisa é  certa, isto não pode continuar assim, quantas mais tragédias como a que vitimou o jovem Antoine Demoitié terão de acontecer, para que a UCI faça alguma coisa?
Na imagem abaixo, podem ver a quantidade de motas, que estavam a acompanhar a corrida de ontem. Mais vale uma imagem do que 1000 palavras, chega ao cúmulo de nem sequer se conseguir identificar onde estão os ciclistas.

Será que é um passeio de motas? Não, é uma prova de ciclismo, Gent-Wevelgem 2016
Para deixar bem claro, não temos nada contra as motas, elas fazem parte da prova, mas não podem fazer parte da corrida. As motas têm um papel importante na prova, não podem ser banidas, o que se pode fazer, por exemplo, é limitar o número delas, a formação de quem as conduz também é uma questão importante.
Em 2015, na Clássica de San Sebastian, Greg Van Avermaet estava bem lançado para vencer a clássica basca, mas uma mota da imprensa retirou-lhe essa hipótese, na Vuelta, Sagan e Paulinho devido às motas de apoio tiveram de abandonar.
São episódios que não se podem repetir, é lamentável uma corrida ser influenciada directamente por factores externos à mesma. As motas estão lá para garantir a segurança dos ciclistas e não para colocar os ciclistas em perigo, que é o que tem vindo a acontecer.
Já este ano, Stig Broeckx, na Kuurne-Brussels-Kuurne foi atropelado pela mota do apoio médico, que nem sequer teve a decência de parar, continuando sem olhar para trás. Isto é inadmissível.


Os carros de apoio
Os carros de apoio também têm uma longa história de problemas. Em 2015, na Volta à Flandres, o condutor do carro de apoio da Shimano decidiu elevar a fasquia da imbecilidade. A primeira vitima foi Jesse Sergent, que foi derrubado pela imprudência do condutor e o resultado foi uma clavícula partida com o consequente abandono da prova. Não satisfeito por eliminar um ciclista da prova, fez questão de bater num carro de apoio da FDJ.fr e enviar outro corredor ao chão. Um teste de alcoolémia ao condutor, talvez fosse o adequado.
Na Volta à França de 2011, Johnny Hoogerland e José Antonio Flecha foram enviados ao chão e ao arame farpado pelo carro da transmissão televisiva.


Mas o caso mais famoso, aconteceu na Volta à Flandres de 1987, quando Jesper Skibby seguia na frente e no Koppenberg é atropelado pelo carro do director da prova, que não satisfeito, fez questão de passar por cima da bicicleta do ciclista. Um dos casos mais surreais da história do ciclismo.


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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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