Subidas míticas - Passo dello Stelvio (Prato allo Stelvio)




O Passo Stelvio fica nos Alpes italianos. Situa-se 200 Km a nordeste de Milão e 350 Km a noroeste de Veneza. A cidade mais próxima é Bolzano, que fica a cerca de 75 Km a leste. O topo fica a apenas 200 m da fronteira com a Suíça. Devido à sua altitude, a estrada geralmente abre após a primeira quinzena de Maio, e mesmo após essa data, é possível que as paredes de gelo nas laterais sejam uma companhia na viagem.
O que faz desta subida uma das mais icónicas de todo o ciclismo mundial é a sua dureza e beleza, uma dicotomia que eleva o Stelvio à categoria de culto. A extensão, percentagem de inclinação média e altitude combinam na perfeição para criar este monstro.
A altitude adiciona dificuldade extra à subida, aos 2757 m há menos oxigênio e as condições atmosféricas são muito instáveis, não é raro nevar um ou outro dia no verão. Os últimos Km de subida são muito expostos e esse é outro fator que dificulta a vida dos ciclistas, já que o vento pode influenciar drasticamente a ascensão.

Stelvio no Giro d'Italia

O Stelvio apareceu pela primeira vez na corrida em 1953, por Prato. Fausto Coppi fez aqui um dos seus grandes ataques, desceu para Bormio e acabou com 4 minutos 23 segundos de avanço sobre  o seu rival direto, Hugo Koblet. Isto garantiu-lhe a vitória na etapa e na geral em Milão no dia seguinte.

O seu topo foi utilizado como final de etapa quatro vezes, em 1965, 1972, 1975 e 2012, mas o mais comum é não terminar, o Stelvio foi 7 vezes um ponto de passagem. Foram 11 visitas mas podiam ter sido mais, a ascensão foi cancelada quatro vezes devido ao mau tempo: 1967, 1984, 1988 e 2013, a organização arranjou um percurso alternativo em 3 dessas edições, sendo 1984 a exceção.
Outra das curiosidades é que o Stelvio quando está presente no percurso, é o Cima Coppi, que significa o ponto mais alto da edição desse ano do Giro. Desde 1965 quando foi introduzida esta designação a lendária subida foi Cima Coppi em 9 ocasiões.


AnoEtapaVencedor da etapa
195320Fausto Coppi
196120Charly Gaul
196520Graziano Battistini
197217Lavendera Fuente
197521Francisco Galdos
198020Jean-Rene Bernaudeau
198418 - cancelada
199415Marco Pantani
200514Ivan Parra
201220Thomas de Gendt
201416Nairo Quintana
201716Vincenzo Nibali


Vertente Prato allo Stelvio

Existem 3 vertentes por onde os ciclistas podem subir:
- Prato allo Stelvio (Este)
- Bormio (Sul)
- Santa Maria Val Müstair (Norte)

De todas as vertentes, a mais conhecida e emblemática é de Prato allo Stelvio, é também reconhecidamente a mais dura.

Perfil da subida

Local: Itália
Distância: 25.7 km
Pendente máxima: 14 %
Pendente média: 7.2 %
Altitude inicial: 919 m                Altitude final: 2757 m
Altimetria acumulada vertical: 1841 m

A subida começa em Prato com os primeiros 7 Km a serem relativamente tranquilos mas inconstantes, com zonas a 3% mas rampas também a 8%. Este inicio serve de aquecimento para a dificuldade que virá depois, mas também podem ser enganadores, já que dá a falsa sensação de que é uma ascensão suave.
Por voltas dos 7,5 Km, aparece a principal imagem de marca desta subida, os cotovelos ('tornante' em italiano), ao todo são 48 e acrescentam muita dureza, já que a inclinação nos cotovelos é maior. Todos eles têm uma placa com o número do 'tornante' (contagem regressiva conforme se sobe).

7,5 Km iniciais até ao 48º 'tornante'

A partir do 48º tornate (o 1º quando se está a subir) a dureza aumenta e muito, está-se a 1350 m de altitude e desde aí até final, as percentagens são muito constantes sempre em torno do 8 a 10%, com poucas zonas abaixo desses gradientes.
Com 15,5 Km de subida a marca dos 2000 m de altitude é atingida, o ar cada vez mais rarefeito é uma realidade e o Stelvio é impiedoso nesse aspeto. A paisagem também é mais exposta aos elementos, se por um lado há a montanha a proteger.
Até final os ciclistas sobem até aos 2757 m de altitude, isso reflete-se em mais 10 Km de subida. 

Os 48 'tornanti' até ao topo

A paisagem do Stelvio é também uma das estrelas, as imagens da subida e dos 'tornanti' são um regalo para a vista e fazem desta subida ainda mais especial.

Sugestão de vídeos sobre esta subida:





jdragon cycling team

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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