Análise à temporada 2016 da Movistar

País - Espanha
UCI WT  Ranking - 1º
Orçamento - +/- 15 milhões de Euros

A histórica equipa espanhola, conseguiu pela quarta vez consecutiva terminar a temporada em 1º lugar do ranking da principal divisão do ciclismo mundial. Desde 2013, que o conjunto de Pamplona domina o World Tour em termos colectivos.
É um facto impressionante, principalmente quando olhamos para o orçamento dos espanhóis, em comparação com outros. O Team Sky por exemplo, em 2016 teve à disposição, um orçamento a rondar os 35 milhões euros, ou seja, são mais 20 milhões do que a Movistar.

Principal Figura - Nairo Quintana
A Movistar tem a sorte de contar com alguns dos melhores ciclistas do pelotão internacional. Dois deles destacam-se, Nairo Quintana e Alejandro Valverde.
Quintana acabou por realizar uma temporada melhor que o Murciano, que terminou em 3º da geral e venceu uma etapa na sua estreia (!) no Giro.
O colombiano venceu a geral de 4 provas, 3 delas pertencentes ao World Tour, a outra foi a Route du Sud, que serviu de preparação para o Tour. Das 3 provas World Tour, destaque obviamente para a Vuelta a España, a segunda conquista de uma Grande Volta de Quintana. Na primavera, a colombiano já tinha ganho a Volta à Romandia e a Volta à Catalunha.
Apesar do excelente ano, a temporada de Quintana fica manchada pela pálida performance no Tour, onde esteve muito longe do seu melhor, mesmo assim, acabou por conseguir ficar no pódio.

Desilusão - Juanjo Lobato
Acabou o ano com 3 vitórias de etapa, nenhuma delas no World Tour. Venceu a geral e os pontos na Vuelta a Comunidad de Madrid. Foram estes os resultados mais importantes do espanhol da Movistar.
Esperava-se muito mais dele, para um ciclista que já fez alguns lugares interessantes em provas importantes como por exemplo na Milão-São Remo, é pouco.
2016 voltou a não ser o ano de confirmação para Lobato, que em 2017 irá correr na LottoNL-Jumbo.

Principais conquistas - Vuelta a España, Volta a Catalunha, Volta à Romandia, Flèche Wallone
O resultado mais marcante da temporada, foi a vitória da geral na Vuelta de Nairo Quintana. A equipa esteve um pouco longe do melhor no Tour, onde acabou por ganhar a classificação colectiva, mas que nunca esteve em condições de contestara a superioridade de Chris Froome e da Sky para a geral individual. Na Vuelta aconteceu o contrário, foi a equipa espanhola a dominar as operações com Quintana a ser o mais forte e ter na equipa um enorme apoio.
Num patamar mais baixo, estão as vitórias na Volta a Catalunha e Volta à Romandia, também conquistadas por Quintana, mas também foram resultados marcantes. Em relação às clássicas destaque para mais uma vitória de Valverde na Flèche Wallone, que o torna no recordista de vitória na prova.

Outros resultados relevantes - Vitória na 16ª etapa e 3º lugar na Geral do Giro d'Italia por Valverde.
A estreia de Valverde no Giro com 36 anos acabou por ser positiva, apesar do murciano não ter conseguido lutar pela vitória na geral.
O melhor momento foi a vitória na 16ª etapa e devido à sua extraordinária regularidade, acabou por ficar no lugar mais baixo do pódio. Desta forma, Valverde fez pódio nas 3 Grandes Voltas.

Melhor momento - A vitória de Nairo Quintana na Vuelta
A vitória de Quintana na Vuelta, foi sem dúvida o momento mais significativo da equipa durante 2016. A equipa também esteve em destaque, demonstrando muita força e praticamente durante toda a Vuelta esteve perfeita em termos tácticos. Dos gregários, destaque para Rúben Fernandez, Jonathan Castroviejo e Alejandro Valverde, este último apesar de ter realizado as 3 Grandes Voltas e ter um estatuto importante dentro da equipa, foi uma peça importante na ajuda a Quintana na Vuelta.

Pior momento - A impotência no Tour
O Tour era o grande objectivo da equipa e de Quintana. Mas o colombiano viu bem cedo o seu sueñoamarillo, virar um pesadelo. Nunca esteve em condições de discutir com Froome a liderança, acabou por fazer pódio, sem ter feito muito para isso. 
A Movistar, apesar de ter vencido colectivamente, também esteve longe da Sky, que controlou de forma autoritária a prova. 

Revelação - Rúben Fernandez
Realizou uma Vuelta muito boa em prol de Quintana. Chegou a liderar a prova, depois de uma exibição fantástica no Mirador de Ézaro.
Com a saída de Ion Izagirre, que irá para a Bahrain-Merida, Rúben Fernandez deverá subir na hierarquia e ser um homem importante para as provas por etapas curtas, mas também para as Grandes Voltas, conforme foi na última Vuelta.

Futuro - Já são mais de 30 anos no pelotão internacional, com nomes diferentes, mas com a estrutura a ser praticamente a mesma. Liderada por Unzué, a Movistar tem em Quintana, um ciclista fora de série para as Grandes Voltas e provas de etapas com montanha, para os próximos anos. 
Valverde renovou e ficará até aos 39 anos, enquanto que Daniel Moreno, Rúben Fernandez e Andrey Amador também continuarão em 2017, à imagem de Nélson Oliveira.
Em relação ao mercado de transferências, destaque para as saídas importantes de Ion Izagirre, Giovanni Visconti e Juanjo Lobato. Também saíram da equipa, Javier Moreno e Francisco Ventoso.
Para colmatar estas saídas, a equipa foi buscar, Danielle Benatti, Carlos Barbero, Victor de la Parte, Richard Carapaz e Héctor Carretero.

Também pode interessar:

Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

Sem comentários:

Enviar um comentário