Rescaldo da Volta a Portugal 2016



Pela positiva:

W52-FC Porto-Porto Canal
A equipa portista foi a completa dominadora da prova. Fez uma prova em que praticamente fez o que quis e os adversários foram incapazes de contrariar tal domínio.
O Director Desportivo da equipa, Nuno Ribeiro, também é uma das figuras desta edição da Volta a Portugal, com a etapa que acabou em Macedo de Cavaleiros a ser a demonstração que é o melhor Director Desportivo do país e com alguma diferença. 
A equipa azul e branco, na etapa da Torre, pôs em prática o seu comboio serra acima, num dia em que mostrou todo o seu poderio. O bloco formado por Rafael Reis, Joaquim Silva e Samuel Caldeira, entrava ao trabalho no inicio das etapas e depois na montanha passavam ao trabalho, António Carvalho, Ricardo Mestre e Raúl Alárcon. Rui Vinhas e Gustavo Veloso estiveram sempre protegidos.
Superioridade absoluta desta equipa, que precisa de novos desafios. António Carvalho e Nuno Ribeiro, já manifestaram o desejo de subir de escalão para poder estar presente na Vuelta.

Rui Vinhas
Venceu a prova numa fuga, onde Nuno Ribeiro o lançou para que as outras equipas trabalhassem. Porém todas as equipas interessadas em anular a fuga, não quiseram trabalhar, com a Efapel apenas a perseguir no final da etapa, reduzindo a vantagem de Rui Vinhas para mais de 3 minutos e meio. Uma diferença que seria suficiente.
Apartir daí, o pequeno ciclista de Sobrado foi protegido pela equipa, com o seu colega e chefe de fila, Gustavo Veloso a reduzir a desvantagem para 2 minutos e 25. No contrarelógio individual em Lisboa, Rui Vinhas surpreendeu e fez o crono da sua vida, não perdeu mais que 1 minuto para Gustavo Veloso, vencendo de forma surpreendente a Volta a Portugal 2016.

Gustavo Veloso
Para nós foi claramente o ciclista mais forte em prova. Ganhou as 2 etapas raínhas mais o contrarelógio individual final em Lisboa. Ainda podia ter ganho o prólogo caso não tivesse um furo.
Perdeu a Volta a Portugal porque os adversários da sua equipa decidiram dar uma vantagem grande a Rui Vinhas, porque este último defendeu-se muito bem no crono final, porque a equipa decidiu proteger o pequeno ciclista de sobrado e porque Veloso demonstrou ser um bom cccompanheiro de equipa.
No final da prova, em Lisboa, não escondeu alguma frustração, que rapidamente passou.

Jóni Brandão
Foi o único que tentou quebrar a super-equipa da W52-FC Porto-Porto Canal, mas sem sucesso. Na Senhora da Graça tentou de tudo para vencer a etapa, mas Gustavo Veloso foi mais forte e na etapa da Torre, o seu ataque a mais de 85 Kms da meta, demonstra que é um ciclista cheio de coragem.
Merecia o pódio.

Daniel Mestre
Venceu duas etapas e ainda trabalhou para o seu líder. O alentejano está a ter a sua temporada de afirmação.
Na nossa opinião foi o melhor sprinter em prova, sempre na discussão das etapas ao sprint e também foi capaz de se colocar numa fuga e nesse dia ergueu os braços em Setúbal. Para completar a excelente prova, Daniel Mestre envergou a camisola amarela durante duas etapas.

Vicente de Mateos
Quando olhamos para a lista de participantes e fazemos um filtro de quem é para a geral, para os sprints e para a montanha. Colocámos sempre Vicente de Mateos na categoria dos sprinters, mas o espanhol nesta Volta foi muito mais que isso e conseguiu o impensável, foi top-10, ficando à frente do suposto chefe de fila, João Benta.

Daniel Silva
Toda a gente pensava que o líder do Boavista seria Rui Sousa, mas o ciclista de Viana desde o inicio esteve uns furos abaixo. Já no ano passado Daniel Silva tinha estado muito bem e desta vez, mostrou-se na Senhora da Graça, onde apenas Gustavo Veloso nos últimos metros lhe retirou a vitória de etapa. Depois esteve sempre com os primeiros, mas nunca perigou os homens do FC Porto.
No último crono em Lisboa, confirmou o lugar no pódio, numa prova muito bem conseguida do ciclista da Trofa.

Pela negativa:

Alejandro Marque
Já no ano passado, tinha desiludido um pouco, apesar de ter acabado no pódio. Este ano nem no top-10 acabou. 
Ainda tentou vencer uma etapa, mas a sua prova foi...zero!

Rinaldo Nocentini
Já se sabia que a Volta a Portugal seria demasiado dura para as características do italiano. Aliado a isso, a queda que sofreu logo na primeira etapa, fizeram com que Nocentini, nunca estivesse perto dos melhores. Ainda tentou na Senhora Graça, ficar com os melhores, mas não teve capacidade. 
A falta de equipa também desculpa um pouco o desastre, o 21º lugar na geral reflecte isso.

Davide Vigano
Nas últimas duas edições tinha saído com vitórias de etapa, mas este ano, regressa a casa sem qualquer triunfo de etapa e pior que isso é que nunca mostrou estar perto dos melhores sprinters.
Francesco Gavazzi acabou por salvar um pouco da pela da Androni, que foi uma equipa modesta na Volta deste ano.

Franco Pellizotti
Um dos principais nomes que estiveram em Portugal, mas simplesmente esteve desaparecido. Foi mais notícia por já perto do fim, ter dito que lhe tinham dito que na Volta a Portugal tinham corredores fortes, ele então riu-se, no entanto ao fim de tantas etapas o italiano estava espantado com o ritmo louco da prova portuguesa. Pois é caro Franco Pellizotti, cá em Portugal não se brinca! :-)

Rui Sousa
Começou mal com um prólogo relativamente fraco e depois teve o azar de cair nas primeiras etapas, que o fez mesmo pensar em abandonar. Acabaria por ficar em prova, ainda tentou atacar a corrida, mas nunca teve sucesso, acaba dentro dos 10 melhores.
Entretanto confirmou que vai correr mais um ano, com o Boavista.

Os Diretores Desportivos adversários da W52-FC Porto-Porto Canal
Inexplicável o comportamento dos DD's rivais da W52-FC Porto-Porto Canal na 3ª etapa. Deixam uma fuga com um ciclista como Rui Vinhas ganhar quase 10 minutos e ainda fazem a figura triste de mandarem farpas uns aos outros em plena corrida através da Televisão pública. Espectáculo muito triste que relevou as limitações de todos eles.
Nesse dia e durante praticamente toda a prova, Nuno Ribeiro fez o que quis e praticamente humilhou-os. Destaque para Mário Rocha, DD da LA Antarte, que já bastava a sua equipa ter estado miserável, ainda tentou desculpar o acto de desespero de Hugo Sancho que foi expulso da corrida por se amarrar a um carro. No final da Volta, Mário Rocha anunciou que o Clube de Ciclismo de Paredes não continuará no pelotão, porém a LA já veio a público dizer que pretende continuar a ter equipa.

Melhor etapa - 6ª etapa
Melhor equipa - W52-FC Porto-Porto Canla
Melhor trepador - Gustavo Veloso
Melhor sprinter - Daniel Mestre
Melhor gregário - Ricardo Mestre
Desilusão - Alejandro Marque
Revelação - Raúl Alárcon
Combativo - Wilson Diaz
Melhor momento - Ataque de Jóni Brandão a mais de 80 Kms da chegada. Acabou apanhado depois de um trabalho perfeito da W52-FC Porto-Porto Canal. Foi o momento em que Jóni Brandão mostrou grande coragem e a equipa de Nuno Ribeiro demonstrou toda a sua força.
Pior momento -  O erro no percurso na etapa que acabava na Arruda dos Vinhos.

Momento decisivo - A fuga onde estava Rui Vinhas e que as equipas adversárias recusaram trabalhar, quando a Efapel foi para a frente do pelotão, já foi tarde. Mérito para Nuno Ribeiro e demérito para os restantes directores desportivos.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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