Análise às primeiras três etapas do Giro d'Itália 2016

O Giro d'Itália já percorreu as suas três primeiras etapas, todas elas na Holanda.
Tudo começou com um contra-relógio de quase 10 quilómetros, ganho à milésima por um homem da casa. Tom Dumoulin saiu vencedor num dia que Fabian Cancellara (um dos principais favoritos à vitória do contra-relógio e a envergar a primeira maglia rosa do ano) desiludiu e não conseguiu ir além do oitavo lugar.
As etapas de Sábado e Domingo foram ganhas por um super Marcel Kittel que, não dando qualquer hipótese à concorrência, teve uma vitória expressiva e até demolidora. Beneficiando das bonificações, Kittel é agora o novo líder da classificação geral e amanha irá partir de rosa.

Marcel Kittel - Líder da classificação geral após a 3ª etapa do Giro d'Itália 2016
As etapas em linha na Holanda, foram sem grande história, com muito público na estrada (um ponto positivo), com boas condições meteorológicas e com poucos abandonos, apenas um. Jean-Christophe Péraud caiu de cara no no chão, numa rotunda e teve de deixar a prova, com traumatismo craniano.

Holanda, 'país das bicicletas'
A loucura vivida na Holanda durante estes dias que a caravana do Giro esteve por lá, é bem demonstrativo da paixão que os holandeses têm pelo ciclismo. Milhares e milhares pelas estradas fora a aplaudir os ciclistas e a apresentação em Apeldoorn foi um autêntico sucesso, com a cidade completamente vestida de cor-de-rosa.
Em termos competitivos, os holandeses também estiveram em destaque com Tom Dumoulin a ser o primeiro homem a envergar a maglia rosa. Outro ciclista da casa que brilhou foi Maarten Tjallingii (Team LottoNl-Jumbo), esteve nas duas fugas principais das duas etapas em linha e chega a Itália como líder da classificação da montanha, combatividade e sprints intermédios.

Kittel avassalador
As duas demonstrações de Kittel nas 2ª e 3ª etapas foram tão dominadores, que a pergunta que se deve fazer quando há uma etapa ao sprint é, quem será o 2º classificado. Mas o alemão não só impressionou no sprint, conseguiu fazer um contra-relógio muito competente na 1ª etapa que lhe permitiu sair da Holanda com a camisola rosa. Kittel provou ser o melhor sprinter da actualidade e que está de volta ao seu melhor depois de uma 2015 para esquecer.

Primoz Roglic, a surpresa
A grande surpresa do primeiro dia, foi a performance de Primoz Roglic (Team LottoNL-Jumbo). Acabou com o mesmo tempo do que Tom Dumoulin e deixou toda a gente de boca aberta. Este ex-saltador de esqui (sim, é verdade), chegou este ano ao World Tour e tem tido algumas prestações muito interessantes, uma delas na Volta ao Algarve. 
Porém na 3ª etapa, o azar bateu à porta do esloveno, que ficou envolvido numa queda, perdendo muito tempo. No entanto, o que fica é um desempenho brilhante do esloveno no contra-relógio.

Majka, Uran e Landa, um problema chamado contra-relógio
Rafal Majka até 2015 não era um mau contra-relogista, defendia-se relativamente bem nessa especialidade, no entanto, já em 2015 tinha demonstrado estar bastante longe do que já fez, por exemplo, foi 4º num contra-relógio individual longo no Giro de 2014. O polaco demonstrou na Holanda estar ainda pior, dos supostos candidatos à classificação geral, foi dos piores, perdeu por exemplo, 19 segundos em pouco menos de 10 Kms para Nibali e 38 para Dumoulin.
Quanto a Mikel Landa, já era mais que sabido ser muito fraco nesta especialidade, fez um tempo parecido com o de Majka, o que à primeira vista pode parecer uma melhoria, mas tendo em conta que o polaco parece ter regredido, não é lá grande referência. O basco passou uma parte do inverno a trabalhar esta especialidade, parece ter melhorado um pouco, mas não é suficiente. Num contra-relógio longo, irá perder muito tempo, a nossa aposta vai para entre 2 minutos e meio e 3, na 9ª etapa.
O caso mais estranho é o de Rigoberto Uran, que em 2014, andou a voar nos contra-relógios, em 2015 já mostrou estar bem pior e em 2016, consegue estar ainda pior. Perdeu 33 segundos para Dumoulin e fez mais 14 segundos que Vincenzo Nibali, o colombiano parece ter regredido e muito nesta especialidade.
No quadro abaixo, estão as diferenças entre os favoritos, no contra-relógio individual da 1ª etapa:
A doença de Fabian Cancellara
Fabian Cancellara este ano tinha vencido todos os contra-relógios individuais que fez. Chegava ao Giro, com a ambição legitima de vestir a maglia rosa, coisa que nunca aconteceu na sua brilhante carreira.
Mas um vírus estomacal, deixou o suíço de rastos, como ele chegou a dizer já na Holanda, antes da partida da prova, "passei mais tempo na casa de banho do que no quarto". Cancellara mesmo assim partiu para a 1ª etapa com esperanças que a performance não fosse afectada, mas a verdade é que o suíço esteve longe do melhor, apesar de ter feito top-10. No dia seguinte, voltou a perder tempo, ao ficar para trás nos últimos Kms da etapa. Na sua última época, o suíço de ascendência italiana, não conseguiu um dos seus objectivos, vestir a camisola rosa.

Classificação Geral (Top 10) após a 3ª etapa:
1 Marcel Kittel (Ger) Etixx - Quick-Step 9:13:10
2 Tom Dumoulin (Ned) Team Giant-Alpecin 0:00:09
3 Andrey Amador (CRc) Movistar Team 0:00:15
4 Tobias Ludvigsson (Swe) Team Giant-Alpecin 0:00:17
5 Moreno Moser (Ita) Cannondale Pro Cycling 0:00:21
6 Bob Jungels (Lux) Etixx - Quick-Step 0:00:22
7 Matthias Brandle (Aut) IAM Cycling 0:00:23
8 Roger Kluge (Ger) IAM Cycling 0:00:25
9 Chad Haga (USA) Team Giant-Alpecin 0:00:25
10 Georg Preidler (Aut) Team Giant-Alpecin 0:00:26
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91 André Cardoso (Por) Cannondale Pro Cycling 0:01:35

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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