Análise - 2ª semana da Vuelta

Joaquim Rodriguez de vermelho (na imagem)
A segunda semana da Vuelta teve mudanças de líder, abandonos, vencedores estreantes, portugueses em grande e a saga das motas continuou. Aqui ficam os principais apontamentos que fizemos sobre esta semana da Vuelta.

As principais figuras
Fabio Aru
O italiano esteve muito forte na etapa raínha, em Andorra, onde ficou de vermelho. Mas apartir daí foi consistentemente batido por Joaquim Rodriguez, que fez com que na última etapa da segunda semana perdesse a liderança para o catalão da Katusha, a diferente entre os dois é de...1 segunda.
Está na luta pela vitória da prova, que seria a conquista do seu primeiro Grand Tour, aos 25 anos de idade.

Joaquim Rodriguez
Purito é o líder da prova, conquistou-a na última etapa, na subida infame de Ermida de Alba. O catalão começou a semana num local que conhece muito bem. A etapa raínha foi desenhada por ele e o terreno é o de treino dele, mesmo assim foi incapaz de acompanhar Aru.
Porém nos dias seguintes, Rodriguez foi sempre mais forte que o italiano, acabando a semana de vermelho.
Também poderá ser a primeira vitória num Grand Tour, aos 36 anos de idade.

Nélson Oliveira
O número 13 para o Nélson, não foi de azar, já que foi na 13ª etapa da Vuelta deste ano, que conseguiu a sua primeira vitória de etapa numa grande volta. 
Ainda por cim foi conquistada de forma brilhante, colocou-se numa fuga, o grupo era bastante forte. Quando faltavam 30 quilómetros o português fugiu e nunca mais o apanharam, foram 30 quilómetros num contrarrelógio individual.

Tom Dumoulin
O que dizer deste holandês? Neste momento encontra-se numa posição excelente para amanhã acabar o dia de vermelho.
Terá um contrarrelógio individual longo, uma especialidade que tanto gosta e onde é muito forte, dos melhores do mundo. Está a menos de 2 minutos, os adversários não deverão estar muito confortáveis em saber que têm este holandês voador perto deles na classificação geral.
A verdade é que Tom Dumoulin aguentou-se na alta-montanha, não perdeu muito tempo e agora vai ser um problema para Aru, Purito e Majka.

As principais desilusões
John Degenkolb
O alemão em 2012 ganhou 5 etapas, em 2013 não esteve presente, em 2014 foram 4 e em 2015 ainda não venceu nenhuma etapa.
Já teve as suas oportunidades mas foi sempre batido por Sagan, Ewan, Sbaragli e Van Poppel. Depois de uma primavera de sonho, com dois monumentos, o alemão tem estado, por uma ou por outra razão, longe das vitórias.
Apesar de tudo a temporada que já fez é muito boa, mas não deixa de ser uma pequena desilusão não o ver a vencer numa das suas provas favoritos. Veremos se na 3ª semana consegue a tão desejada vitória.

O duo da Movistar
Quintana esteve doente durante uns dias e Valverde tem estado longe do melhor. A verdade é que o Tour está a pesar nas pernas dos corredores da equipa espanhola, os dois têm sido incapazes de lutarem com os homens da frente.
Quintana ainda se mostrou na etapa com chegada a Fuente del Chivo, mas depois no fim de semana, apesar de ter chegado perto dos da frente, pouco mais fez.

Chris Froome
Froome começava a semana com grandes expectativas, a etapa antes do descanso tinha-lhe corrido bem. Mas mal tinha começado a etapa raínha da prova, o britânico já estava no chão, numa queda que à primeira vista não tinha tido grandes consequências.
Froome recuperou e a Sky foi para a frente do pelotão até que na Collada de Gallina, a Astana acelera a corrida e o britânico ficou para trás, acabando a etapa a mais de 8 minutos do vencedor.
No final do dia soube-se que Froome tinha uma fractura no pé, que o obrigou abandonar a prova.

Mais uma vez as motas
Depois da situação de Sagan, as motas voltaram a estar em destaque quando na etapa de Andorra, fizeram com que Sérgio Paulinho tivesse de abandonar.
O ciclista português teve de ser suturado com 17 pontos, alguns deles internos. 
Mais tarde, a organização revelou o vídeo, a mota era da TV. No vídeo vê-se que Paulinho não caiu, tocou na mota, quando estava a fazer uma curva. O problema do posicionamento da mota é bem claro, estava na linha de trajectória do ciclista da Tinkoff e a uma velocidade bem baixa.
Aqui fica a situação:

A UCI entretanto já reuniu de forma a tentar melhorar a segurança dos ciclistas nas provas.


Alguns factos curiosos
- A média de velocidade da segunda semana foi de 40,08 Km/h;
- Nélson Oliveira, Kristian Sbaragli e Danny Van Poppel conseguiram a primeira vitória de etapa numa grande volta;
- Fabio Aru foi o 20º italiano a vestir de vermelho, graças a ele a Itália é o país com mais dias com a camisola de líder nas 3 grandes voltas;
- Com a vitória de Sbaragli, a MTN-Qhubeka é a equipa Pro Continental com mais vitórias em grandes voltas este ano, com duas;
- Mikel Landa é 50º basco a vencer uma etapa na Vuelta;
- Joaquim Rodriguez com a vitória em Sotres, é o corredor espanhol no activo com mais vitórias em grandes voltas;
- Dez equipas já conseguiram vencer: Astana, BMC, Giant-Alpecin, Katusha, Lampre-Merida, LottoNL-Jumbo, Movistar, Orica-GreenEdge, Tinkoff-Saxo and Trek Factory Racing;
- 15 ciclistas que abandonaram a prova durante a segunda semana;
- A Caja Rural é a equipa com mais prémios da combatividade, foram 4;
- Pela primeira vez em 18 anos, 3 holandeses ganharam uma etapa da Vuelta.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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