Thomas Voeckler e o seu mau feitio!

Thomas Voeckler é um ciclista 'especial', mas não o é por ser um trepador extraordinário, um sprinter dominador, um contra-relogista nato, ou um 'todo-terreno' capaz de lutar por muitas vitórias. O Francês é 'especial' porque tem uma capacidade lutadora fora do vulgar, que já lhe deu muitas alegrias mas também algumas desilusões.
E é nas desilusões que demonstra uma das suas facetas, o de ser o l'enfant terrible do actual ciclismo Francês. Quem não se lembra, da 19ª etapa do Tour de 2011, envergava então a camisola amarela. Ficou para trás e em plena subida, começa aos gritos feito um doido, para um dos colegas de equipa que se encontrava à frente, esperar e o ajudar.

Pódio do Paris-Tours 2014
Mas vamos ao que interessa, ontem na clássica Paris-Tours, depois de muitos quilómetros em fuga, o grupo inicial que tinha 6 elementos, fica reduzido a 2, ele e o Belga, Jelle Wallays. Nada fazia crer que eles os 2 conseguissem chegar isolados, mas como em muitos casos, Voeckler consegue o quase impossível, a fuga tem sucesso. O último quilómetro é realizado com os habituais jogos tácticos, onde o jovem Belga se mantém impertubável atrás do Francês, até que o mesmo abre o sprint na tentativa de vencer a clássica. Wallays rapidamente responde e vence com alguma facilidade.
Até aqui tudo bem, o problema acontece quando chamam o Francês para a cerimónia do pódio, ele decide não comparecer, porque ao que tudo indica, estava chateado por ter perdido a prova.
Até se consegue perceber a frustração e a desilusão por ter estado tão perto de vencer uma clássica como Paris-Tours. No entanto, não se consegue perceber o mau perder, a falta de respeito pelos colegas de profissão, pela equipa, pelos organizadores da prova, pelo o muito público que esteve presente na estrada e na cerimónia do pódio e sobretudo a falta de respeito por ele próprio. O seu mau feitio atingiu o pico ontem. 

O resultado desta atitude, foi uma multa de 200 euros e ficou sem receber o prémio de ter sido segundo classificado, que eram 3650 euros, que normalmente são divididos com os colegas de equipa. Outro resultado, é a cada vez menor paciência que os adeptos do ciclismo têm com ele, já não era um ciclista muito amado, ontem saiu de Tours com a sua reputação ainda mais em baixo e por fim, a própria equipa não pode ficar agradada com este tipo de comportamento.

Infelizmente o que o Voeckler tem a mais na coragem e na capacidade lutadora, por vezes tem a menos noutras coisas.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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