Volta à Flandres 2020

 


Hoje disputa-se o último monumento do ciclismo do ano, é dia da mítica Volta a Flandres. Será a 104ª edição da principal competição da região que vive o ciclismo com mais paixão, a Flandres. Esta prova é a preferida de muita gente que acompanha de perto ciclismo, porque realmente é única, com um ambiente especial e que resume bem o significado que tem o ciclismo para esta zona do globo.

Os seus inúmeros Hellingen's, que nós por cá traduzimos como subidas, colinas ou muros, com pavé à mistura e a quilometragem a rondar os 270 quilómetros (este ano mais curta) faz desta clássica uma das mais duras do calendário velocipédico mundial.

São seis os ciclistas que partilham o maior número de vitórias na prova, com três vitórias cada um temos: Achiel Buysse (1940, 1941 e 1943), Fiorenzo Magni (1949, 1950 e 1951), Eric Leman (1970, 1972 e 1973), Johan Museeuw (1993, 1995 e 1998), Tom Boonen (2005, 2006 e 2012) e Fabian Cancellara (2010, 2013 e 2014).

Em termos de ranking de vitórias por país, o grande dominador é sem grande surpresas, a Bélgica:
1.Bélgica-69
2.Itália-11
3.Holanda-10
4.Suiça-4
5.França-3
6.Alemanha-2
7.Reino Unido-1
7.Dinamarca-1
7.Noruega-1 
7.Eslováquia-1     

A partida e a chegada tem variado ao longo da história da prova, até ao anos 70, a partida tinha sido sempre realizada da cidade de Gent, 
aqui ficam a diferentes variantes utilizadas ao longo dos anos:
1913-Gent – Mariakerke
1914-Gent – Evergem
1919–1923 Gent – Gentbrugge (Arsenal)
1924–1927 Gent – Gent (pista)
1928–1941 Gent – Wetteren
1942–1944 Gent – Ghent (pista)
1945–1961 Gent – Wetteren
1962–1972 Gent – Gentbrugge
1973–1976 Gent – Meerbeke
1977–1997 Sint-Niklaas – Meerbeke
1998–2011 Brugges – Meerbeke
2012-2016 Brugges - Oudenaarde
2017-?? Antuérpia - Oudenaarde

História

Em 1913 a principal prova era a Volta à Bélgica, sendo que a Liège-Bastogne-Liège e as outras provas de um dia ainda não tinham atingido grande popularidade. A revista Sportwereld ao assistir à vitória de Odile Defraye na Volta à França de 1912, decidiu que era tempo de se criar uma grande prova na Flandres, Karel van Wijnendaele um dos fundadores da revista organizou a 1ª edição.
A Volta à Flandres desde cedo esteve fortemente ligada à identidade da Flandres, a intenção era concorrer e contrabalançar o domínio francês e da Valónia no ciclismo. Este facto, politizou a prova e fez com que uma grande parte das equipas francesas não participassem na mesma. Desta forma o pelotão não contou com os melhores corredores da época.

A primeira edição foi ganha por Paul Deman, num sprint de um grupo de cinco. No total participaram 37 corredores que iniciaram a jornada épica de 324 quilómetros, após Van Wijnendaele proferir a seguinte expressão: "Heeren, vertrekt!". Os primeiros completaram a prova em 12 horas, 3 minutos e 10 segundos.
Em 2017, Philippe Gilbert protagonizou uma das cavalgadas solitárias mais memoráveis da história da prova, ao isolar-se a mais de 50 quilómetros da meta no Oude Kwaremont e nunca mais foi apanhado.


últimos 10 vencedores
2009 Stijn Devolder (Bel) Quick Step
2010 Fabian Cancellara (Swi) Team Saxo Bank
2011  Nick Nuyens (Bel) Saxo Bank-SunGard
2012 Tom Boonen (Bel) Quick Step
2013 Fabian Cancellara (Swi) RadioShack-Leopard-Trek
2014 Fabian Cancellara (Swi) Trek Factory Racing
2015 Alexander Kristoff  (Nor) Team Katusha
2016 Peter Sagan (Svk) Tinkoff 
2017 Philippe Gilbert (Bel) Quick-Step Floors
2018 Niki Terpstra (Hol) Quick-Step Floors
2019 Alberto Bettiol (Ita) EF  

Percurso

Antuérpia - Oudenaarde (243.3 Km)
Subida acumulada: 2156 metros


O percurso deste ano tal como as últimas edições, tem como ponto crucial a combinação Oude Kwaremont e Paterberg, sendo que o primeiro muro abre as hostilidades com 100 Km percorridos. O Paterberg será transposto por duas ocasiões, a segunda será a última subida do dia, enquanto que o Oude Kwaremont será ultrapassado por três vezes. A principal seleção deverá ser na primeira passagem pela sequência, Oude Kwaremont+Paterberg, a cerca de 55 Kms do final. Depois aparece a sequência de subidas, inclui, o Koppenberg, Steenbeekdries, Taaienberg e Kruisberg, que ainda farão mais estragos, continuando a seleção.
A maior novidade nesta 101ª edição é o regresso da mítica subida ao Kapelmuur que se situa a 95 Kms da linha de meta.

A primeira parte do percurso, ou seja os primeiros 100 quilómetros não tem dificuldades, como é hábito.
Aqui ficam as características das 17 subidas (Oude Kwaremont e Paterberg repetem), destaque também a presença dos míticos Kapemuur e Koppenberg.

1. Kattenberg, 800m @ 6%
2. Oude Kwaremont, 2200m @ 4% (1500m pavé)
3. Kortekeer, 1000m @ 6,2%
4. Eikenberg, 1200m @ 5,2% (pavé)
5. Wolvenberg, 645m @ 7,9%
6. Leberg, 950m @ 4,2%
7. Berendries, 940m @ 7%
8. Valkenberg, 540m @ 8,1%
9. Kanarieberg, 1000m @ 7,7%
10. Oude Kwaremont, 2200m @ 4% (1500m pavé)
11. Paterberg, 360m @ 12,9% (pavé)
12. Koppenberg, 600m @ 11,6% (pavé)
13. Steenbeekdries, 700m @ 5,3%
14. Taaienberg, 530m @ 6,6% (500m pavé)
15. Kruisberg, 2500m @ 5% (450m pavé)
16. Oude Kwaremont, 2200m van 4% (1500m pavé)
17. Paterberg, 360m @ 12,9% (pavé)
  
Meteorologia

Possibilidade de chuva para o final da tarde.
O vento vai soprar fraco.

Startlist

Aqui

Favoritos

Deceuninck-QuickStep 
Esta é a equipa que domina este terreno e todos vão correr contra ela. Stybar, Asgreen, Alaphilippe, Senechal e Lampaert formam um quinteto diabólico.
A grande novidade é Alaphilippe, veremos como ele se adapta ao terreno flamengo, mas a força da equipa está no conjunto com várias cartas para diferentes tipos de situação de corrida.

Mathieu Van der Poel
Capaz de vencer a atacar de longe como a sprintar em grupos reduzidos. A guerra com Van Aert pode marcar profundamente o desenrolar da prova.

Wout Van Aert
É o grande favorito, tal e qual Van der Poel também pode ganhar isolado como ao sprint. É um dos ciclistas mais completos da atualidade e uma das grandes estrelas da temporada.

Alberto Bettiol
Vencedor surpresa da edição de 2019. Chega à edição deste ano sem o factor surpresa do seu lado e isso joga contra ele. Está em boa forma e em condições normais andará pelos primeiros lugares.

Trek-Segafredo
Mads Pedersen e Jasper Stuyven são as principais cartas que a equipa italo-americana poderão usar. O dinamarquês está em melhor forma, mas o belga é um dos melhores neste terreno. Os dois finalizam também muito bem.

Mathieu Van der Poel
Venceu a Le Samyn e a meio desta semana dominou o 'peixe graúdo' na Dwars door Vlaanderen. É um talento insano, capaz de atacar de longe, mais perto da meta e sprintar, tem tudo para se tornar num dos melhores neste terreno.
Contra ele tem o facto de correr basicamente sozinho, já que a sua equipa é bastante frágil.

Alexander Kristoff
Vencedor da edição de 2015, o norueguês é um ciclista que adora a prova e não se pode subestimar. Este ano a prova deverá ser mais atacada o que o prejudica, ele preferia uma corrida mais controlada e não tão agressiva.

Matteo Trentin
É um ciclista difícil de prever, tanto é capaz do melhor como desaparecer de um momento para o outro. Na Gent-Wevelgem mostrou boas pernas e a CCC não tem Van Avermaet, por isso a aposta é toda no italiano.

Oliver Naesen
Um dos melhores classicómanos da atualidade, mas que ganha muito pouco. Ciclista que não tem a melhor leitura de corrida, muitas vezes é apanhado nos cortes por estar mal posicionado. Tem também uma boa ponta final.

Sunweb
Apresentam uma das duplas mais fortes, Benoot e Soren Kragh Andersen. O dinamarquês é o que tem estado em melhor forma este ano, mas o belga corre a corrida que sonha um dia ganhar.

Stefan Kung
O suiço tem melhorado muito neste terreno e possui um dos melhores motores de todo pelotão. Não se pode dar espaço, se ele se apanha na frente é muito difícil de o apanhar.


⭐⭐⭐⭐⭐Van Aert, Van der Poel
⭐ Bettiol, Pedersen
 Naesen, Trentin, Lampaert
 Alaphilippe, Senechal, Kung
⭐ Vanmarcke, Kristoff, Degenkolb

A nossa aposta: Wout Van Aert
Joker: Stefan Kung


Eurosport 1 (a partir das 8:45, Portugal Continental)



Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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