Guia Giro d'Italia 2019 - Equipas e Favoritos


Como é tradição, a lista de participantes é de luxo. A luta entre alguns dos melhores ciclistas da atualidade promete e durante três semanas Itália será o palco dessa batalha, numa prova especial e com um carisma único.

Equipas


Equipa mais Homogénea: Astana
Tem sido uma das equipas da temporada e o alinhamento para o Giro, não desilude. Ion Izagirre, Bilbao, Hirt, Vilella, Zeits, Boaro e Cataldo vão ter como missão proteger e ajudar o líder, Miguel Angel Lopez.
É um conjunto muito completo para todos os terrenos, capaz de controlar e também de romper a corrida.

Melhor equipa para a montanha: Jumbo-Visma
Primoz Roglic não se pode queixar do conjunto que tem para a montanha. Laurens De Plus tem voado este ano, capaz de fazer a seleção do pelotão. Kuss, Tolhoek e Bouwman são três jovens com enorme talento, principalmente os dois primeiros que serão muito úteis ao esloveno quando o terreno começar a inclinar.

A desilusão: Groupama-FDJ
Equipa sem Pinot, que este ano aposta no Tour e também sem Gaudu, esteve muito forte na recente Volta à Romandia. A aposta é em Demare e toda a equipa foi construída a pensar nele, apenas Valentin Madouas, ciclista que brilhou nas clássicas, deverá ter liberdade em chegadas para puncheurs.

Quem será a equipa surpresa: EF Education First
Apesar de não terem um nome óbvio para a geral, a equipa americana tem andado bem em 2019 e apresenta uma equipa muito interessante para a montanha. Kangert, Carthy e Dombrowski são corredores que podem e devem estar nas fugas nos dias de alta-montanha e quem sabe se não sacam umas vitórias.

Favoritos

⭐⭐⭐⭐⭐
Tom Dumoulin
Vencedor da edição de 2017 e 2º em 2018, Dumoulin chega este ano com poucos dias nas pernas, o intuito é voltar a fazer Giro e Tour por essa razão compreendemos a abordagem do holandês. A favor de si tem o facto de poder ganhar ritmo nas primeiras 8 etapas.
Os 3 contrarrelógios são favoráveis ao holandês e é aí que pode fazer a diferença para a maioria dos rivais.

Primoz Roglic
Tem estado demolidor em 2019, 3 provas por etapas, 3 vitórias na geral. O esloveno está em grande forma, na Romandia a sua superioridade foi aberrante, porém, também pode significar que atingiu o pico cedo demais.
Se mantiver a forma na 3ª semana, é o grande candidato, pelo o que tem mostrado este ano e porque é um dos melhores contrarrelogistas do pelotão.

Simon Yates
Depois da deceção no ano passado, o britânico aprendeu a lição e conquistou a Vuelta. Melhorou bastante no contarrelógio e afirmou na conferência de imprensa antes da prova, que os adversários devem-no recear e vai ganhar. A confiança está nos píncaros, mas a queda também pode ser maior.
Terá de ser um Yates ao melhor nível para bater esta concorrência.

⭐⭐⭐⭐
Miguel Angel Lopez
Superman está mais preparado do que nunca. Está a realizar um ano fantástico e tem uma das melhores equipas para o ajudar a conquistar a primeira grande volta da carreira.
Deve evitar ou pelo menos minorizar os problemas crónicos que tem nas primeiras etapas das grandes voltas e também as chegadas explosivas, onde se dá muito mal.
Na 3ª semana, ele e a Astana estarão a voar pelo norte de Itália.

Vincenzo Nibali
Mostrou boas pernas no Tour dos Alps e tem como principal vantagem a sua capacidade única de renascer, principalmente no Giro. Sabe como correr uma grande volta e é um ciclista extremamente metódico na preparação e na abordagem às 3 semanas.
O problema é que Nibali já não vai para novo e tem de enfrentar uma geração nova e sedenta.

⭐⭐⭐
Mikel Landa
Ele e Carapaz exibiram-se em grande nível na subida do Santuário do Acebo na Vuelta às Asturias, com números muito bons. Já na Liège-Bastogne-Liège tinha estado bem e deu indicações positivas da forma física. O basco tem aqui a oportunidade de liderar a solo a equipa, apesar da presença de Carapaz.
Terá de minorizar as perdas na luta individual contra o cronómetro.

Ilnur Zakarin
O russo e a Katusha têm estado muito apagados em 2019, tal como aconteceu em 2018. Este ano o foco é total no Giro e um pódio já era um grande resultado para Zakarin.
Não sabemos o que esperar do russo, é imprevisível, mas que em 3 semanas é capaz de fazer boas coisas.

⭐⭐
Rafal Majka
Tal como Nibali mostrou estar no bom caminho no Tour dos Alps, uma queda acabou por o tramar. Está numa das equipas que está a andar mais em 2019 e se recuperar os melhores tempos, pode ser um fator na montanha.
Os contrarrelógios, apesar de serem duros, prejudicam-no.

Richard Carapaz
Em principio deverá trabalhar para Landa, mas o equatoriano no ano passado foi 4º e nas Astúrias mostrou estar novamente perfeito na preparação para o Giro.
A equipa espanhola tem aqui uma segunda carta de luxo, que pode ser muito útil taticamente.


Davide Formolo
Mostrou na Catalunha e na Liège-Bastogne-Liège estar no melhor momento de forma da carreira até ao dia de hoje. É um ciclista com top-10 em grandes voltas e ainda com margem de progressão.
Deverá ter liberdade e fazer a sua corrida, sem se preocupar com o líder da equipa que é Rafal Majka.

Bob Jungels
Já tem 2 top-10 no Giro e o percurso deste ano tem coisas que o beneficam, como os contrarrelógios, mas também tem uma 3ª semana demasiado cruel para o luxemburguês, que teve uma primavera muito preenchida com as clássicas.

Outros ciclistas a seguir

Thomas De Gendt
O rei das fugas, começa a epopeia de grandes voltas, imitando o colega Adam Hansen. Já declarou que o objetivo para 2019 é vencer duas etapas nas provas de 3 semanas e que o ideal era começar a contagem a já no Giro. Teremos De Gendt em muitas fugas, não é preciso ser bruxo para prever isto.

Diego Ulissi
O italiano tem uma série de etapas ideais para si na 1ª semana, destaque para as chegadas a Frascati e L'Aquila.
Mostrou boas indicações com o pódio na La Flèche Wallone.

Valentin Madouas
Foi uma das boas surpresas da primavera, com bons resultados nas clássicas. É um puncheur e que pode intrometer-se em algumas chegadas.

Ion Izagirre
Deve apoiar o seu líder, mas o basco é um ciclista de grande qualidade, que se tiver oportunidade pode tentar ganhar uma etapa. Está a realizar um excelente ano, como quase toda a Astana.

Esteban Chaves
Em tempos era visto como um futuro vencedor de grandes voltas, as coisas não correram bem e Chaves desapareceu.
É uma incógnita o que pode fazer o colombiano, seria bom voltarmos a vê-lo com boas pernas, Simon Yates certamente agradecia a ajuda.

O tridente de 'adolescentes' da Ineos: Ivan Ramiro Sosa, Pavel Sivakov e Tao Gheoghan Hart

Com o infortúnio de Bernal, a Ineos ficou entregue a estes miúdos. Veremos o que estes 3 podem fazer, se algum deles conseguir estar no top-10, já será um feito enorme.
Acreditamos que a equipa poderá sacar uma etapa.

Giulio Ciccone
O italiano da Trek-Segafredo até começou bem a temporada, mas foi perdendo gás. É um talentoso trepador, que tem na montanha o seu habitat natural.
Apesar do líder da equipa ser Mollema, acreditamos que Ciccone terá liberdade para caçar etapas.

A dupla da Androni: Fausto Masnada e Mattia Cattaneo
São dois dos melhores ciclistas do pelotão italiano. Masnada venceu duas etapas no Tour dos Alps e Cattaneo é um ciclista que também tem brilhado em 2019.
Não acreditamos que estejam nos 10 melhores na geral, mas certamente vamos vê-los nas fugas nos dias de montanha, a tentar a etapa.

Amaro Antunes 
Por último, o único português em prova é Amaro Antunes. No seu primeiro ano no World Tour  tem estado como a sua equipa, apagado e sem brilho.
Esperamos ver o Amaro em fugas e a mostrar que é um trepador de qualidade e merecedor de estar neste nível. Leva o dorsal número 1 da CCC.

Sprinters

⭐⭐⭐
Elia Viviani
Tem sido um ano menos fulgurante em relação a 2018 para Viviani. Mas esta é a 'sua' prova e tem ao dispor um poderoso comboio para o lançar. Menos de 2 vitórias em etapas será um fracasso.
A camisola dos pontos (maglia ciclamino), é também um objetivo ao alcance.

Fernando Gavíria
O colombiano tem ao seu dispor um comboio poderoso com Consonni e Molano. Sabe o que é vencer no Giro e apesar de não estar a realizar um ano brilhante, é a partir deste momento que começam as coisas sérias para ele.

Caleb Ewan
Transformou-se num sprinter mais versátil, capaz de ganhar em chegadas com subidas curtas e explosivas. Tem algumas chegadas desse tipo aqui no Giro e nesses dias é o grande favorito.

⭐⭐ 
Arnaud Demare
Ainda não venceu em 2019 e tem concorrência da pesada neste Giro. Terá de ter um dia perfeito, com uma colocação e lançamento irrepreensíveis para bater os rivais.
Tem um bom comboio à disposição.

Pascal Ackermann
Realizou um excelente ano de 2018 e em 2019 já tem algumas vitórias, a última na recente Eschborn-Frankfurt. Tem de justificar a escolha, já que um dos melhores sprinters de 2019 ficou de fora por causa dele, falamos de Sam Bennett.

Giacomo Nizzolo, Sacha Modolo, Manuel Belletti, Davide Cimolai

 As nossas apostas

Vencedor:
CR: Tom Dumoulin
BD: Primoz Roglic

Restante pódio (sem ordem)
CR: Roglic; Yates
BD: Yates; Dumoulin

Restante Top-10 (sem ordem)
CR:  Lopez, V. Nibali, Formolo, Landa, Zakarin, Carapaz, Jungels
BD:  Lopez; V. Nibali, Formolo, Landa, Carapaz, Zakarin, Sivakov

Maglia ciclamino
CR: Viviani
BD: Viviani

Classificação da montanha

CR: Masnada
BD: Ciccone

Classificação da juventude
CR: Lopez
BD: Lopez

Classificação por equipas
CR: Movistar (Unzué de certeza que adora esta previsão!)
BD: Astana

 


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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