Guia Milão-São Remo 2019


Este sábado, disputa-se o primeiro monumento da temporada. A 'clássica da primavera', que é também conhecida por Classicissima, é um dos dois monumentos que se corre em Itália, o outro curiosamente é o último da época, o Giro da Lombardia.
Como qualquer um dos cinco monumentos, é uma prova apaixonante, com muitas histórias épicas que fazem com que esta clássica lendária seja uma das mais desejadas por qualquer ciclista. É a prova mais longa do ciclismo profissional, com perto de 300 quilómetros, sendo que se acrescentarmos a distância que a corrida é neutralizada em Milão, a prova conta mesmo com os 300 quilómetros.
O final na Via Roma em São Remo já faz parte da história da modalidade, foi nesta avenida que Eddy Merckx venceu todas as sete edições que conta no currículo.
Será a 110ª edição em 111 anos de existência, Eddy Merckx é o recordista com sete vitórias, seguido das seis vitórias de Constante Girardengo, quatro de Gino Bartali e Erik Zabel e três de Fausto Coppi, de Roger de Vlaeminck e Óscar Freire.
A Itália é o país com mais triunfos, 51 no total, seguido da Bélgica com 20 e a França fecha o pódio com 13.
É a 'clássica dos sprinters' e o palmarés prova o porquê dessa alcunha, é o monumento que mais se adequa aos puro sangue da velocidade.

História

últimos 10 vencedores
2009 Mark Cavendish (GBR) Team Columbia–High Road
2010 Óscar Freire (ESP) Rabobank
2011 Matthew Goss (AUS) HTC–Highroad
2012 Simon Gerrans (AUS) GreenEDGE
2013 Gerald Ciolek (GER) MTN–Qhubeka
2014 Alexander Kristoff (NOR) Team Katusha
2015 John Degenkolb (GER) Giant–Alpecin
2016 Arnaud Dèmare (FRA) FDJ
2017 Michal Kwiatkowski (POL) Team Sky
2018 Vincenzo Nibali (ITA) Bahrain-Merida

Top-10 2018
1    Vincenzo Nibali (Ita) Bahrain-Merida    7:18:43   
2    Caleb Ewan (Aus) Mitchelton-Scott        
3    Arnaud Demare (Fra) Groupama-FDJ        
4    Alexander Kristoff (Nor) UAE Team Emirates        
5    Jurgen Roelandts (Bel) BMC Racing Team        
6    Peter Sagan (Svk) Bora-Hansgrohe        
7    Michael Matthews (Aus) Team Sunweb        
8    Magnus Cort (Den) Astana Pro Team        
9    Sonny Colbrelli (Ita) Bahrain-Merida        
10    Jasper Stuyven (Bel) Trek-Segafredo

Curiosidades em números 
7: maior número de vitórias, por Eddy Merckx.
6: o número de vitórias do segundo mais vitorioso,Costante Girardengo.
4: o número de vitórias dos terceiros mais vitoriosos, Erik Zabel e Gino Bartali
5: o número de edições vencidas por um ciclista que vestia a camisola de campeão do mundo: Alfredo Binda (1931), Eddy Merckx (1972, 1975), Felice Gimondi (1974) e Giuseppe Saronni (1983)
5.46: tempo mais rápido da subida do Poggio, por Giorgio Furlan em 1994.
9.36: tempo mais rápido da subida da Cipressa, por Francesco Casagrande em 2001.
16: é o número de estreantes que venceram na estreia – o último foi Cavendish em 2009.
20: idade do vencedor mais jovem, Ugo Agostini na edição de 1914.
23: número de curvas da descida do Poggio.
36: idade do vencedor mais velho, Andre Tchmil na edição de 1999.
45: número de corredores que venceram isolados.
45.806: velocidade média (Km/h) mais alta numa edição, por Bugno em 1990.
51: número de edições ganha por italianos (os belgas surgem em segundo com 20).
109: número de edições até 2019.
175: participantes; 25 equipas com 7 ciclistas cada uma.
300: número de quilómetros se a zona neutralizada contasse.
1907: ano da edição inaugural, o vencedor foi: Lucien Petit-Breton (France & Peugeot).
1960: ano em que a subida ao Poggio foi introduzida no percurso.
1982: ano em que a subida a Cipressa foi introduzida no percurso.
2008: ano em que um corredor venceu isolado, o autor da proeza foi Fabian Cancellara, apenas 10 anos depois Vincenzo Nibali repetia a façanha.
20 000: será o prémio em Euros, para o vencedor da prova em 2019.

Percurso

Milão - São Remo (via Roma), 291 Km


O percurso da Classicissima pouco mudou nos últimos anos, 291 quilómetros de extensão, com as dificuldades a aparecerem na parte final, com as subidas ao Cipressa e Poggio, em pano de fundo, a bela vista para o mar mediterrâneo.
A meio há o passo del Turchino, habitualmente não causa grande impacto no pelotão e este ano não será diferente. A extensão e a parte final fazem a seleção, o vencedor terá de ser um ciclista suficientemente resistente e se acabar num sprint, também terá de ter uma explosão final para bater os adversários.
As dificuldades aparecem com o 'tríptico de Capos' uma sequência de três subidas seguidas: Capo Mele (2.0 Km a 3.7%, Km 239.2), Capo Cervo (1.2 Km a 3.7%, Km 243.8) e o Capo Berta (1.7 Km a 7.0%, Km 252.3). Mas é na Cipressa onde se começa a fazer a seleção a sério, são 5,6 Kms com 4% de inclinação média, com uma rampa a 9%.


O topo do Cipressa fica a cerca de 21,5 quilómetros da meta, os ciclistas descem então e têm uma zona plana até ao inicio da subida do Poggio, que só é complicado porque encontra-se bem no final e o cansaço acumulado já pesa nas pernas. São 3,7 de comprimento a 3,7% de inclinação média, com uma rampa a 8%.
A linha de meta em São Remo, situa-se na famosa Via Roma, o posicionamento no pelotão é essencial na sequência de curvas para a esquerda e direta que dá acesso à reta.



Subidas relevantes:  
- Passo del Turchino (549 m, 2.4 Km a 5.8%, Km 141.6),
- Capo Mele (77 m, 2.0 Km a 3.7%, Km 239.2),
- Capo Cervo (58 m, 1.2 Km a 3.7%, Km 243.8), 

- Capo Berta (125 m, 1.7 Km a 7.0%, Km 252.3), 
- Cipressa (237 m, 5.6 Km a 4.1%, Km 269.4), 
- Poggio (164 m, 3.6 Km a 3.7%, Km 285.5).
 
Zonas de abastecimento: 
- Campo Ligure (365 m, Km 135.6), 
- Ceriale (4 m, Km 221.8).

Meteorologia

Não se espera chuva, a temperatura rondará os 18ºC e o vento vai soprar fraco. As condições são as ideias para uma corrida controlada pelas melhores equipas.

Startlist

Aqui

Favoritos

Peter Sagan
Mostrou estar a ganhar forma no Tirreno-Adriático e chega aqui como um dos favoritos, não podia ser de outra forma. É o único que é capaz de vencer num ataque no Poggio ou em pelotão compacto.
É estranho que ainda não tenha o Milão-São Remo no curriculo, mas o eslovaco não pode ser acusado de não tentar, já foi duas vezes 2º e o pior que fez foi um 17º lugar na estreia.
Se não correr bem a Sagan, a Bora-Hansgrohe tem Sam Bennet como plano B de luxo. O irlandês é um dos sprinters em melhor forma.

Elia Viviani
Tem a equipa mais forte para controlar a corrida e também é o velocista em melhor forma. Já leva 4 vitórias em 2019 e não deve ter problemas em passar a sequência Cipressa e Poggio, basta lembrar que Viviani sagrou-se campeão italiano num percurso com algumas dificuldades.
A grande dúvida é saber se a Deceuninck-Quick Step vai apostar em Alaphilippe ou em Viviani. Acreditamos que o francês terá oportunidade de atacar no Poggio e se for neutralizado, Viviani será a partir daí a aposta.

Caleb Ewan
Foi 2º no ano passado, provou que consegue estar entre os melhores em provas tão longas. Este ano ganhou no Hatta Dam, ou seja, Cipressa e Poggio não serão problema para ele.

Arnaud Demare
Venceu a edição de 2016, sabe o que é preciso para ganhar em São Remo. Tem uma equipa interessante para controlar a prova e neste tipo de distância é um dos melhores sprinters.
No Paris-Nice não mostrou estar mal, mas também não esteve muito forte.

Fernando Gavíria

Foi 5º em 2017 e na estreia em 2016 estava na disputa, quando a 300 metros caiu. A distância e as dificuldades finais não devem ser problemas para o colombiano. Começou o ano muito forte, mas teve problemas de saúde que o prejudicaram.
A UAE tem também Alexander Kristoff, vencedor em 2014 e tem um historial muito bom na prova.

Sonny Colbrelli
É uma das esperanças italianas. Colbrelli é um ciclista completo, que passa bem subidas como a Cipressa e o Poggio, mas também consegue disputar sprints com os homens mais rápidos.
Começou o ano relativamente bem, no Paris-Nice esteve muito discreto.

Michael Matthews
O australiano parece um ciclista diferente, perdeu potência, mas passa muito melhor as subidas, por essa razão teria de ser uma corrida muito seletiva para ele conseguir ganhar. Competiu muito pouco este ano, esteve na Omloop e abandonou logo na 1ª etapa do Paris-Nice.

John Degenkolb
Vencedor em 2015, tem passado muitas dificuldades nos últimos anos, mas continua a ser um ciclista a ter em conta para provas como esta, ou seja, longas e com um sprint.
Tem uma equipa de luxo para o acompanhar (De Kort, Stuyven, Theuns e Skuijns).

Dylan Groenewegen
Em termos de potência pura, atualmente não há nenhum velocista superior. O problema do holandês é saber se consegue passar no grupo a sequência Cipressa e Poggio, não acreditamos que consiga.

Michal Kwiatkowski, Greg Van Avermaet, Oliver Naesen, Julian Alaphilippe
Este quarteto de luxo só terá hipóteses de ganhar se atacarem a corrida na Cipressa+Poggio. Todos estão em grande forma e sprintam bem, mas todos eles terão dificuldades de baterem os sprinters numa chegada em grupo compacto.


⭐⭐⭐⭐⭐ Elia Viviani
⭐⭐⭐⭐ Fernando Gavíria, Peter Sagan, Caleb Ewan, Arnaud Demare
⭐⭐⭐ Julian Alaphilippe, Alexander Kristoff
⭐⭐ Michal Kwiatkowski, Greg Van Avermaet, John Degenkolb, Sonny Colbrelli, Oliver Naesen, Dylan Groenewegen, Sam Bennett
⭐ Magnus Cort, Michael Matthews, Giacomo Nizzolo, Philippe Gilbert, Matteo Trentin

A nossa aposta: Elia Viviani
Outsider: Julian Alaphilippe

Seguir em direto: #MilanoSanremo, #MSR, @Milano Sanremo

(a partir das 13:30)


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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