Relatório 2017 - Movistar


País - Espanha
UCI WT  Ranking - 6º

Depois de quatro anos seguidos a ser a equipa número um do mundo, o ano 2017 da Movistar não foi tão bom quanto os anteriores e o 6º lugar comprova-o.
A primeira parte da temporada, até à Volta à França, estava a ser um ano muito bom para a equipa espanhola, mas depois tudo correu mal.

Principal Figura - Alejandro Valverde

Iniciou a temporada numa forma estratosférica. Venceu a Vuelta a Murcia e despachou Alberto Contador, Chris Froome entre outros na Vuelta a Andalucia e Volta a Catalunha. Em abril esteve intratável na Vuelta ao País Basco e foi para as Ardenas como grande favorito, onde venceu a Flèche Wallone e a Liège-Bastogne-Liège, apenas não venceu a Amstel Gold.
Estava tudo a correr na perfeição, o murciano parecia estar na melhor forma da sua carreira. Chegava ao Tour como um dos candidatos, mas tudo foi por água abaixo em Dusseldorf, na 1ª etapa, um queda violenta pôs um ponto final na temporada de Valverde.

Desilusão - Nairo Quintana

Desde de Marco Pantani em 1998, que ninguém conseguiu vencer Giro e Tour no mesmo ano e foram vários aqueles que tentaram. Era esse o objetivo que se propunha o colombiano.
Acabou por ser um completo falhanço, Quintana começou por dominar no Blockhaus no Giro, mais ao longo da prova, Dumoulin foi-se aguentando e no final, o pequeno colombiano teve de se contentar com o segundo lugar. 
No Tour a coisa não começou bem e terminou ainda pior, nunca esteve perto do seu melhor, o cansaço do Giro fez-se notar e foi implacável.
Claro que a temporada de Nairo Quintana não pode ser apenas Giro e Tour, até porque venceu o Tirreno-Adriático. No entanto, um ciclista como o colombiano já não se pode contentar com um 2º lugar no Giro.

Principais resultados - Liège-Bastogne-Liège

Um monumento é um monumento, só as grandes voltas se comparam a eles. Alejandro Valverde em 2017 venceu a sua quarta Liège-Bastogne-Liège e com uma superioridade que impressiona.
A prova foi controlada pela equipa espanhola, que com um Valverde que estava num momento de forma extraordinário, esperava que o murciano ganhasse e foi o que fez, com muita facilidade.

Outros resultados relevantes - La Flèche Wallonne, 8ª e 9ª etapas do Giro

Só faltou mesmo a Amstel Gold Race para que Valverde conseguisse o Grand Slam nas Ardenas. Mais uma exibição no Mur de Huy por parte do Bala, que ganhou pela quinta vez a Flèche Wallone.
No Giro, a equipa espanhola ganhou duas etapas consecuitivas, na 8ª, Gorka Izagirre esteve na fuga certa e acabou por se superiorizar a Giovanni Visconti.No dia seguinte, no primeiro teste para os homens da geral, Nairo Quintana deu espetáculo e venceu no Blockhaus, no final desse dia parecia que o Giro ía ser um passeio para o colombiano, mas não foi.

Melhor momento - Liège-Bastogne-Liège

Em 2017, o principal objetivo da Movistar eram as grandes voltas, principalmente Giro e Tour com Nairo Quintana, mas acabou por ser um fiasco.
Alejandro Valverde trouxe aquele que foi o principal resultado do ano para a equipa espanhola, ao ganhar um dos monumentos, que é sempre extremamente importante.

Pior momento - A queda de Alejandro Valverde

Este foi o momento que tudo mudou na temporada da equipa. Alejandro Valverde chegava ao Tour como um dos candidatos ao pódio e depois da primavera que tinha feito, tudo era possível.
Em Dusseldorf na tentativa de ser o primeiri camisola amarela, o murciano arriscou e pagou por isso. Numa das curvas mais apertadas do percurso, caiu e fraturou a rótula da perna esquerda, dando por terminada a temporada.

Revelação - Ninguém

Marc Soler já se tinha revelado em 2016.

Avaliação
 
Positivo
  • A temporada até ao inicio da Volta à França;
  • Alejandro Valverde.
Negativo
  • O objetivo (Giro+Tour) completamente falhado por parte de Nairo Quintana;
  • A temporada a partir da Volta à França;
  • Continuam a não ter ninguém para lutar nas clássicas do pavé.
Veredicto

Depois de quatro anos seguidos a ser a melhor equipa do mundo, a Movistar em 2017 não conseguiu melhor do que o 6º lugar.


A grande razão para esta queda foram as prestações menos conseguidas da equipa no Tour e Vuelta e também uma temporada desastrada a partir de julho. Conforme se pode ver pelo próximo gráfico a equipa a partir do verão, foi pouco mais que medíocre. Para isso contribui um inicio de Tour que não podia ser pior, com a queda violenta de Valverde na 1ª etapa, consequente abandono e término da temporada mais cedo para o murciano.
A 18 de junho, a Movistar estava em 3º no ranking e com o Tour e Vuelta ainda por se disputar, era expectável, que no final do ano terminasse na mesma posição dos quatro anos anteriores. No entanto, tudo descarrilou e de junho a outubro, foi um desastre completo, nem na prova de casa se safaram.


Em relação ao número de vitórias, são semelhantes a outros anos, não foi por aí que a equipa perdeu lugares no ranking.

Em termos de pódios, a equipa desceu para níveis de 2012 e 2013, com uma queda significativa nos segundos lugares, ver o próximo gráfico.
 
Em conclusão, a segunda metade da temporada, ou seja, a partir de julho, foi um desastre para a equipa espanhola, que fez com que este ano, apenas tenham conseguido terminar o ano como a 6ª melhor equipa do mundo.
 
Futuro

A equipa espanhola apostou no reforço para a alta-montanha. Mikel Landa é o grande nome, um homem que se juntará a Valverde e Nairo Quintana, como líder da equipa. A grande questão é se não serão demasiados egos na mesma equipa? Os três devem estar no Tour, Eusébio Unzué anunciou isso mesmo na apresentação da equipa.
Para a montanha, Jaime Roson, Rafael Valls e mesmo Eduardo Sepulveda são nomes interessantes, que trabalharão para os líderes, tendo liberdade numa ou noutra prova.

Em relação a saídas, destaque para a fragilização a equipa em termos de contrarrelógio, Jonathan Castroviejo e Alex Dowsett deixam a equipa. Os irmãos Herrada, Gorka Izagirre e Dani Moreno também abandonam a Movistar para abraçar outros desafios, no entanto, a equipa procurou substituí-los e nesse aspecto, não ficou pior.

Entradas:
Eduardo Sepulveda (Fortuneo-Oscaro)
Jamie Roson (Caja Rural-Seguros RGA)
Mikel Landa (Team Sky)
Jaime Castrillo (Neo-Pro)
Rafael Valls (Lotto Soudal)

Saídas:
Adriano Malori (Retirou-se)
Gorka Izagirre (Bahrain-Merida)
Jonathan Castroviejo (Team Sky)
Rory Sutherland (UAE Team Emirates)
Alex Dowsett (Katusha-Alpecin)
Jesús Herrada (Cofidis)
Jose Herrada (Cofidis)
Dani Moreno (EF Education First-Drapac p/b Cannondale)

Extensões: 
Nelson Oliveira, Jorge Arcas, Antonio Pedrero, Winner Anacona, Carlos Betancur, Dayer Quintana



Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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