Será Froome capaz de chegar à tripla coroa?

Chris Froome em Paris no final do Tour 2016 (Foto de Reuters)
Estarão vocês a perguntar, o que é a tripla coroa? Tradicionalmente a tripla coroa é referida quando os ciclistas vencem, Giro, Tour e campeonato do mundo no mesmo ano. Apenas dois ciclistas ao longo da história da modalidade conseguiram esse feito, foram eles: Eddy Merckx e Stephen Roche. Por ser tão difícil e raro, começaram aparecer ao longo dos anos novas definições. A mais comum é aquela que se refere apenas às grandes voltas, que basicamente é aquele ciclista que consegue ganhar as 3 grandes voltas ao longo da sua carreira.
Apenas seis ciclistas ao longo da história conseguiram fazer o tripla coroa das grandes voltas, são eles: Jacques Anquetil, Felice Gimondi, Eddy Merckx, Bernard Hinault, Alberto Contador e Vincenzo Nibali.

Giro

Com a vitória na Vuelta, que só foi conseguida após várias tentativas, a única grande volta que faltará a Froome para completar a tripla coroa, será o Giro d'Italia. E porque é que o Giro pode ser a mais complicada de conquistar para Chris Froome?
Existem alguns fatores que tornam a prova italiana particularmente difícil e dura, são eles:

1. Condições climatéricas
O clima em Itália no mês de maio é bastante instável. A região sul é a que já apresenta dias mais quentes e sem muitos dias de chuva, no entanto o Giro habitualmente faz incursões curtas pelo sul, concentrando o percurso mais a norte.
As etapas de montanha concentram-se no norte: nos Alpes, Dolomitas e Apeninos. E em maio essas zonas ainda estão a sair do inverno, com temperaturas baixas e em alguns casos a presença da neve é uma realidade.
É sabido que Chris Froome e ele não esconde, prefere o calor. Ter crescido em África pode ter a ver com esta preferência e é definitivamente um obstáculo para o britânico.

Vincenzo Nibali vence etapa no Giro 2013 sob condições climatéricas muito difíceis (Foto de Cor Vos)

2. Percurso muito duro
O percurso do Giro é reconhecidamente dificil, muitos ciclistas dizem que é mais duro que o Tour. As subidas são de uma forma geral mais inclinadas e um pouco mais curtas, do que no Tour. O Giro tem monstros como o Zoncolan, Mortirolo e o Colle delle Finestre, o Tour por outro lado tem o Mont Ventoux como a mais dura das subidas que regularmente está presente no percurso.
Outro fator muito importante são as descidas no Giro. A reputação das mesmas falam por si, são mais perigosas e com chuva e gelo, ainda se tornam mais letais. Não foram poucas as vezes que decidiram o vencedor.

3. É abordado de forma agressiva
Os ciclistas estão mais 'frescos', quem fez as clássicas da primavera habitualmente não vai ao Giro, o que significa, que a prova italiana é abordada a 'full gas', mesmo as etapas planas acabam por ser durinhas.
A dureza do percurso e a sua natureza, tornam-na mais anárquica do que o Tour e a Vuelta, isto quer dizer que é mais complicado de controlar, mesmo para uma equipa como a Sky. 

4. Não é uma prova de preparação para o Tour
A sua dureza faz com que o Giro seja a pior prova possível para quem tenha o Tour como principal objetivo. 
O último a conseguir vencer Giro e Tour no mesmo ano foi, Marco Pantani em 1998. Desde aí, que vários tentaram e falharam, entre eles: Alberto Contador e Nairo Quintana. O colombiano acabou mesmo por não vencer nenhuma das duas, enquanto que o espanhol venceu o Giro das duas vezes que tentou (2011* e 2015).
Isto quer dizer que a energia despendida no Giro é tanta, que os corredores chegam ao Tour muito desgastados e dificilmente conseguem lutar pela vitória.

O Troféu Senza Fine - Troféu Sem Fim (Foto de Bryn Lennon/Getty Images)

Conclusão

Não temos dúvidas de que Chris Froome pode vencer a prova italiana e juntar-se ao restrito grupo, isto se ele se focar no Giro como a prioridade para a temporada.
A sua equipa é muito forte, foi muito bem construída, é a única capaz de controlar a corrida durante 21 dias, uma coisa que nem a Banesto e a US Postal o faziam no passado. No entanto, Froome para ganhar a Vuelta efetuou diversas tentativas, por esta ou aquela razão falhou. Este ano mudou um pouco a preparação e só aos 32 anos de idade conseguiu a tão ambicionada vitória na prova espanhola. 
A idade também é um fator a ter em conta, se quer vencer o Giro, é bom que comece a pensar nisso, porque em 2018 já terá 33 anos.

* Vitória posteriormente retirada a Alberto Contador.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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