Guia Giro d'Italia 2017 - Visão geral das Etapas

  
Este 5 de maio marca o inicio na Sardenha, da 100ª edição do Giro d’Itália, uma das maiores e mais amadas provas de ciclismo do mundo.
No total os corredores farão 3609,1 quilómetros, divididos por 21 etapas que percorrerão as 16 das 20 regiões de Itália, até chegarem no dia 28 de maio a Milão, em frente ao Duomo. Na nossa opinião das três grandes voltas (Giro, Tour e Vuelta) é aquela que apresenta o percurso mais equilibrado. Com oportunidades para todos os tipos de corredores, com etapas ideais para os sprinters, puncheurs, trepadores, roladores, contrarrelogistas e para jogos táticos. Há cinco etapas para os sprinters, perto de 70 quilómetros de luta individual contra o cronómetro, cinco chegadas em alto, três etapas de alta montanha sem o final ser em alto e as restantes são dias em que uma fuga pode chegar ou a corrida pode ser atacada de longe pelas equipas dos favoritos, à procura de cortes no pelotão, de forma a apanhar alguns rivais desprevenidos.

Breve resumo

  • Disputa-se de 5 a 28 de maio.
  • 3609,1 Kms ao longo de 21 etapas.
  • 171,9 Kms é a média de cada etapa.
  • 2 contra-relógios, 5 etapas completamente planas, 8 etapas de média montanha ou transição, 5 etapas de alta montanha:
                      
  • No total contará com 69,1 Kms de contrarrelógio individual, não há contrarrelógio coletivo.

 O percurso


As três primeiras etapas serão na Sardenha e na teoria serão dias onde não se ganha nada mas pode-se perder tudo. O pelotão como em qualquer grande volta, estará nervoso e daí potencia o surgimento de quedas e cortes, que podem eliminar alguns favoritos logo nos primeiros dias.
Depois da Sardenha e de um dia de descanso, a prova visita outra ilha, a Sicília, com duas etapas no menu. Entre elas está o primeiro final em alto, no emblemático Monte Etna, que já deverá separar aqueles que disputarão a vitória na geral dos restantes. Enquanto que a outra termina na terra natal de Vincenzo Nibali, Messina. Por tradição a prova visita primeiro o sul do país para depois se dirigir para o norte, onde encontrarão as grandes dificuldade, este ano não será diferente. Na sexta etapa, os ciclistas entram em território continental italiano, pela ponta da bota e nos três primeiros dias, os sprinters e os homens que apostarão nas fugas, principalmente das equipas mais modestas, terão as suas oportunidades.

Ao 9º dia de competição, teremos a segunda chegada em alto, neste caso ao Blockhaus. Apesar da etapa se resumir à subida final, a mesma é tão dura, que fará diferenças. A transição para o norte de Itália, é marcada com um dia de descanso, o segundo da prova.
As paisagens da Umbria vão servir de pano de fundo, para uma das etapas mais importantes, o contrarrelógio individual de 39 quilómetros. A selecção de quem irá disputar a geral individual, por esta altura, já deverá estar feita. Quem estiver já distante dos primeiros lugares, muito dificilmente conseguirá recuperar de forma a disputar a vitória.

Os dias mais difíceis ainda estão para vir, as 11ª, 12ª e 13ª etapas não se inserem nessa categoria. A primeira desta sequência é uma das mais bem desenhadas desta edição. Percorrerá as paisagens da bela Toscânia, tem alguma montanha, mas nenhuma ascensão deverá fazer diferenças assinaláveis, no entanto, este perfil de etapa é ideal para assistirmos a um dia de ciclismo atacante. As descidas como é tradicional no Giro, também são importantes e nesse dia os candidatos à classificação geral e as respetivas equipas, terão de ter cuidado.
As duas outras etapas, têm um grau de dificuldade relativamente baixo, ideais para os velocistas brilharem. A chegada a Tortona, na 13ª etapa, marca a chegada definitiva ao norte do país transalpino.
No dia seguinte, os corredores terão uma etapa completamente plana até sensivelmente aos últimos 30 quilómetros, onde o terreno começa a inclinar um pouco, até ao verdadeiro início da subida para o Santuário de Oropa, onde se situa a linha de chegada. Não é um dia, onde se esperam muitas diferenças entre os favoritos, mas caso algum tenha uma quebra, pode deitar tudo a perder.
Para finalizar a segunda semana, os corredores chegam a Bérgamo, numa etapa que pode aquecer nos últimos 50 quilómetros, com a perspetiva de haverem ataques de longe de forma a aproveitar o terreno acidentado até à meta.

O terceiro e último dia de descanso da prova marca a entrada na decisiva terceira semana. Serão cinco etapas em linha, onde não há praticamente um metro plano e no último dia, para culminar, um contrarrelógio individual com final em Milão.
A semana começa bem, na 16ª etapa, os corredores passarão por três subidas emblemáticas, que fazem parte da história da prova. Passo del Mortirolo, Passo dello Stelvio e o Umbrail Pass (basicamente é subir o Stelvio pelo outro lado). Esta etapa não termina em alto, no entanto, é uma das mais duras e importantes desta edição. Neste dia, as descidas serão tão importantes quanto as descidas. Os últimos 20 quilómetros são a descer desde o Umbrail Pass até Bormio.
No dia a seguir os corredores encontrarão um terreno um pouco mais simpático, num perfil de etapa pouco convencional, que prepara para o que vem a seguir, que serão três dias infernais, que adicionados ao cansaço acumulado, farão a seleção final.

A 18ª etapa é aquela que tem o perfil mais intimidante, com cinco ascensões. Na ementa do dia, destaque para o Passo Pordoi e o final em Ortisei. Nas duas etapas seguintes, o final em Piancavallo e a inclusão do Monte Grappa (apesar de ainda longe da meta) no dia a seguir, podem fazer estragos, até porque são as últimas oportunidades de alguns fazerem a diferença. Na 19ª etapa, as subidas estão demasiado espaçadas.

A organização decidiu naturalmente escolher Milão como local para o final da 100ª edição. A cidade foi o local onde iniciou e terminou a 1ª edição, em 1909, ou seja, esta escolha está carregada de simbolismo. Ao contrário do que acontece muitas vezes nas grandes voltas, a última etapa neste Giro não será apenas um dia de consagração. A RCS (entidade organizadora) decidiu fechar a edição deste ano, com um contrarrelógio individual de 29,3 quilómetros, num percurso praticamente plano. Os corredores sairão do autódromo de Monza e chegarão à meta, na bela Piazza Duomo, em Milão. O ideal seria, que o vencedor ainda não estivesse decidido, deixando a decisão para o último dia.


 

Nível de dificuldade

21 etapas e a dificuldade (1 a 5 estrelas)

Subidas categorizadas

Todas as subidas categorizadas da prova (clicar na imagem para ampliar)

Perfis


5 Maio - 1ª Etapa: Alghero › Olbia (206 Kms)

6 Maio - 2ª Etapa: Olbia › Tortoli (221 Kms)

7 Maio - 3ª Etapa: Tortoli › Cagliari (148 Kms)


8 Maio - Dia de Descanso

9 Maio - 4ª Etapa: Cefalù › Etna (181 Kms)


10 Maio - 5ª Etapa: Pedara › Messina (159 Kms)


11 Maio - 6ª Etapa: Reggio Calabria › Terme Luigiane (217 Kms)


12 Maio - 7ª Etapa: Castrovillari › Alberobello (224 Kms)

13 Maio - 8ª Etapa: Molfetta › Peschici (189 Kms)


14 Maio - 9ª Etapa: Montenero di Bisaccia › Blockhaus (149Kms)

 
15 Maio - Dia de Descanso


16 Maio - 10ª Etapa (CRI): Foligno › Montefalco (39,8 Kms)


17 Maio - 11ª Etapa: Florença › Bagno di Romagna (161 Kms)



18 Maio - 12ª Etapa: Forlì › Reggio Emilia (229 Kms)


19 Maio - 13ª Etapa: Reggio Emilia › Tortona (167 Kms)

20 Maio - 14ª Etapa: Castellania › Oropa (131 Kms)

21 Maio - 15ª Etapa: Valdengo › Bergamo (199 Kms)

22 Maio - Dia de Descanso

23 Maio - 16ª Etapa: Rovett › Bormio (222 Kms)

24 Maio - 17ª Etapa: Tirano › Canazei (219 Kms)


25 Maio - 18ª Etapa: Moena › Ortisei/St. Urlich (137 Kms)


26 Maio - 19ª Etapa: San Candido/Innichen › Piancavallo (191 Kms)

27 Maio - 20ª Etapa: Pordenone › Asiago (190 Kms)


28 Maio - 21ª Etapa (CRI): Monza › Milão (29,3 Kms)



Quais são as etapas-chave?

  • Etapa 4: Primeira etapa com final em alto. Em 2011, o Monte Etna foi palco de uma das maiores exibições de Alberto Contador, este ano será o palco para a primeira luta a sério, entre os favoritos.
  • Etapa 9: É uma etapa ao estilo da Vuelta, praticamente plana, com um muro final. Neste caso o muro é o mítico Blockhaus, uma subida muito dura e longa (13.5 km a 8.5%).
  • Etapa 10: Primeiro contrarrelógio da prova. É o mais longo dos dois (39,8 Km), com um perfil que não é plano, mas também não é muito duro. Os trepadores terão tarefa complicada.
  • Etapa 16: É uma das etapas mais duras da prova, apenas batida pela 18ª, apesar de não terminar em alto. Com passagem pelo Mortirolo e duas passagens pelo Stelvio, uma delas feita pelo outro lado (Umbrailpass).
  • Etapa 18: É a etapa raínha. Cinco contagens de montanha (duas de 1ª cat., duas de 2ª cat. e uma de 3ª cat.) em pleno Dolomitas, com o final a ser em Ortisei. A última subida situa-se a 4 quilómetros da meta e é de 1ª categoria.
  • Etapa 19: A última etapa com final em alto (Piancavallo - 15.4 km a 7.3%).
  • Etapa 21: Último dia com um contrarrelógio individual de 29, 3 quilómetros. A fadiga terá um papel fundamental neste dia.

O que falta?

  • O Zoncolan, Gavia, Fedaia, Tre Cime di Lavaredo, Colle de Finestre, Madonna di Campiglio e o Passo Giau. Pelo menos duas ou três destas ascensões deveriam fazer parte da 100ª edição.
  • Uma etapa que contemplasse o Muro di Sormano.
  • A capital Roma, podia ter sido contemplada com uma chegada e nada melhor do que em frente ao Coliseu.
  • Uma etapa na Toscânia, com sectores de sterrato.

Conclusões

  • É um bom percurso, sobretudo muito equilibrado.
  • Do percurso das três grandes voltas, na nossa opinião é o melhor. O da Volta à França é o pior.
  • Este percurso favorece os ciclistas completos, que se defendem bem no contrarrelógio, sobem bem e que têm uma equipa muito homogénea, capaz de defender o líder em qualquer terreno.

NOTA: Todas etapas terão uma antevisão que será publicada na véspera da mesma.


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Lola Cycling Team

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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