Tirreno - Adriático (2.WT) - Antevisão


O Tirreno-Adriático, a seguir às grandes voltas, é uma das provas por etapas mais importantes, também conhecida como Corsa dei Due Mari (em Português, 'a corrida dos dois mares'), porque como indica o nome da corrida, corre-se entre dois mares (Tirreno e Adriático), ligando ao longo de 7 dias as duas costas.
A atestar a importância da mesma, é a quantidade de corredores de topo que habitualmente estão presentes na prova Italiana todos os anos, é uma parada de estrelas e este ano não vai fugir à regra.
Esta será a 52ª edição, a primeira realizou-se em 1966, e foi ganha por Dino Zandegu. A lista de vencedores é um autêntico rol de nomes gigantes da modalidade. Roger De Vlaeminck detém o recor de vitórias, com 6, mas a lista contém, Francesco Moser (2), Joop Zoetemelk (1), Tony Rominger (2), Fabian Cancellara (1), Vincenzo Nibali (2), Cadel Evans (1) e Alberto Contador (1).
Também é das poucas provas 'históricas', que não foram vencidas por Eddy Merckx. No ano passado, um compatriota de Merckx, Greg Van Avermaet, aproveitou o cancelamento da etapa raínha para vencer a prova, num ano de ouro para ele, já que mais tarde na temporada foi campeão olímpico.

História
últimos 10 vencedores
2007 Andreas Klöden (GER)
2008 Fabian Cancellara (SUI)
2009 Michele Scarponi (ITA)
2010 Stefano Garzelli (ITA)
2011 Cadel Evans (AUS)
2012 Vincenzo Nibali (ITA)
2013 Vincenzo Nibali (ITA)
2014 Alberto Contador (ESP)
2015 Nairo Quintana (COL)
2016 Greg Van Avermaet (BEL)

Edição 2016 (Top-10)
1 Greg Van Avermaet (Bel) BMC Racing Team 20:42:22
2 Peter Sagan (Svk) Tinkoff Team 0:00:01
3 Bob Jungels (Lux) Etixx - Quick-Step 0:00:23
4 Sébastien Reichenbach (Swi) FDJ 0:00:24
5 Thibaut Pinot (Fra) FDJ
6 Vincenzo Nibali (Ita) Astana Pro Team 0:00:29
7 Zdenek Stybar (Cze) Etixx - Quick-Step 0:00:33
8 Michal Kwiatkowski (Pol) Team Sky 0:00:39
9 Bauke Mollema (Ned) Trek-Segafredo 0:00:45
10 Roman Kreuziger (Cze) Tinkoff Team 0:00:48

Percurso

Etapa 1 (CRE) - 08 de março - Lido di Camaiore › Lido di Camaiore (22,7 Kms)
Etapa 2 - 09 de março - Camaiore › Pomarance (228 Kms)
Etapa 3 - 10 de março - Monterotondo Marittimo › Montalto di Castro (204 Kms)
Etapa 4 - 11 de março - Montalto di Castro › Terminillo (171 Kms)
Etapa 5 - 12 de março - Rieti › Fermo (209 Kms)
Etapa 6 - 13 de março - Ascoli Piceno › Civitanova Marche (168 Kms)
Etapa 7 - 14 de março - San Benedetto del Tront › San Benedetto del Tront (10,05 Kms)
Total: 1012,75 Kms

Apesar da presença de alguns dos melhores sprinters, a prova está longe de ter sequer uma etapa claramente para eles. Ciclistas mais versáteis como Peter Sagan, Greg Van Avermaet e Fernando Gavíria terão mais hipóteses de ganhar uma etapa, do que Caleb Ewan ou Mark Cavendish.
A prova tem uma etapa de alta montanha, com final em Terminillo e as restantes (excepto os contrarrelógios) podem-se tornar numa lotaria, entre fugas e puncheurs.

Perfis
Etapa 1 (CRE) - 08 de março - Lido di Camaiore › Lido di Camaiore (22,7 Kms)


Já começa a ser tradição a prova iniciar com a luta contra o cronómetro por equipas. Contrarrelógio por equipas, com um percurso completamente plano ao longo da Costa do Mar Tirreno.
Por se realizar ao longo da marginal de Lido di Camaiore, o vento pode desempenhar um papel fundamental.
** BMC
* Orica, Quick-Step Floors, Trek-Segafredo

Etapa 2 - 09 de março - Camaiore › Pomarance (228 Kms)


Os primeiros 115 Kms são praticamente planos, mas os restantes são um sobe e desce constantes, num percurso rompe-pernas.
Serão 3 contagens de montanha:
- Serrazzano (13.5 km, 3,0%, máx. 10%), topo aos 132,8 Kms;
- Volterra (9,85 km, 4,4%, máx. De 8%), topo aos 176,6 Kms;
- Montecatini Val di Cecina (3,4 km, 6,2%, máx. 11%), topo a 22,4 Kms da meta;

A parte final é complicada. A 8,3 Kms da meta começa a endurecer com uma rampa a 16% de inclinação. Até a meta será sempre a subir, com algumas rampas 10 e 12%, mas a maioria entre os 2 e 5%. Nos últimos 2 Kms o gradiente varia entre os 4 e 6%.
** Greg Van Avermaet, Edvald Boasson Hagen
*Peter Sagan, Fernando Gavíria, Fabio Felline, Michal Kwiatkowski

Etapa 3 - 10 de março - Monterotondo Marittimo › Montalto di Castro (204 Kms)

A 3ª etapa é mais um dia, onde o sobe e desce será uma constante. Os primeiros 70 Kms são marcados por uma primeira fase em descida e depois por terreno plano. Apartir daqui, os ciclistas ou estarão a subir ou a descer, terreno plano é coisa que não existe. A única contagem de montanha, tem o seu topo aos 92,7 Kms.
A parte final é marcada por uma ligeira descida a falta cerca de 2 Kms, mas os últimos 700 metros são em subida, com uma rampa a 7% a cerca de 400 metros.
** Peter Sagan, Fernando Gavíria
* Mark Cavendish, Caleb Ewan, Greg Van Avermaet, Sacha Modolo, Matteo Trentin, Jens Debusschere, Michal Kwiatkowski

Etapa 4 - 11 de março - Montalto di Castro › Terminillo (171 Kms)


Ao 4º dia aparece a etapa raínha da prova. O final é em alta montanha, com a subida a Terminillo a coincidir com a linha de meta.
A etapa tem duas contagens de montanha apenas, mas as duas são muito duras e uma delas como já foi referido, coincide com a meta. Contudo o terreno tal como dias anteriores, tem muito poucos troços planos, com o sobe e desce a ser uma constante.
A primeira subida, tem o seu topo aos 57,1 Kms de prova, a La Colonnetta (6,9 km, 5,5%, max. 9%). Mas a subida final, que fará diferenças importantes. Terminillo é uma subida clássica, muito longa e dura. São 16,1 Kms de extensão, a 7,3% de inclinação média, 12% de máxima. É uma subida muito constante.
** Nairo Quintana
* Fabio Aru, Vincenzo Nibali, Thibaut Pinot, Bauke Mollema, Rui Costa, Adam Yates, Mikel Landa

Etapa 5 - 12 de março - Rieti › Fermo (209 Kms)

Mais um dia em que serão poucos os metros de terreno plano que os corredores encontrarão. Os primeiros 100 Kms basicamente consiste numa longa subida, não categorizada e numa longa descida. A organização descreve esta etapa como infernal, com 7 muros seguidos antes do final.
Apesar do terreno ser marcado por constantes topos, apenas existem duas contagens categorizadas:
- Capo di Monte (9,2 km, 4,9%, máx. 10%), topo aos 113,9 Kms;
- Capodarco (2,6 km, 6.0%, max. 18%), topo aos 180,5 Kms.

A parte final em Fermo é ideal para puncheurs, a faltarem 3,5 Kms, aparece uma autêntica parede com uma rampa a 22%, são 500 metros a 14,3%. Depois o terreno suaviza, mas continua a subir, os últimos 350 metros são a 10%.
** Adam Yates, Fabio Aru
* Rui Costa, Nairo Quintana, Mikel Landa, Bauke Mollema, Thibaut Pinot, Vincenzo Nibali

Etapa 6 - 13 de março - Ascoli Piceno › Civitanova Marche (168 Kms)


A 6ª etapa é na nossa opinião, a mais fácil da prova. Mas mesmo assim, está longe de ser um percurso plano e ideal para os sprinters. 
Apenas uma subida categorizada, mas longe da meta. Na parte final, a 8 Kms da meta, estão uma rampa com 8%, que pode eliminar os sprinters.
** Peter Sagan, Fernando Gavíria
* Mark Cavendish, Caleb Ewan, Elia Viviani, Sacha Modolo, Edvald Boasson Hagen

Etapa 7 - 14 de março - San Benedetto del Tront › San Benedetto del Tront (10,05 Kms)

Para finalizar a prova, o já habitual contrarrelógio final, com o Mar Adriático em pano de fundo. Serão 10 quilómetros completamente planos, ideais para os contrarelogistas puros. O vento também terá um papel importante, com os ciclistas a partirem de San Benedetto del Tronto a irem até ao Porto D'Ascoli e a regressarem
** Tom Dumoulin
* Primoz Roglic, Rohan Dennis, Jonathan Castroviejo, Bob Jungels

Startlist
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Favoritos
Nairo Quintana é o grande favorito, até porque visitará um lugar onde foi muito feliz, Terminillo. Em 2015, o colombiano deu uma sova em toda a gente na neve no Terminillo e em 2017 a subida é o local onde termina a 4ª etapa.
Os italianos estarão com as suas duas grandes figuras da atualidade para a provas por etapas. Fabio Aru e Vincenzo Nibali. O ciclista da Astana parece-nos o que está em melhor forma, com resultados consistentes este ano e a correr em casa, certamente é um dos que estará nos primeiros lugares. Nibali não tem dado sinais de estar na melhor forma, mas sabe o que é vencer no Tirreno-Adriático, já o venceu duas vezes.
Adam Yates, acabou de vencer o GP Industria & Artigianato, com uma exibição de grande nível. O último contrarrelógio prejudica-o, mas o restante percurso é-lhe bastante favorável.
A Trek-Segafredo será liderada por Bauke Mollema, que entrou no ano a ganhar e mostrar boa forma. Não terá muita ajuda na montanha, apenas Fabio Felline, mas o holandês é naturalmente um dos homens a seguir.
No sábado dois ciclistas apesar de não vencerem, brilharam e mostraram estar num bom momentos. Tom Dumoulin e Thibaut Pinot confirmaram as boas performances do Abu Dhabi e da Andaluzia respectivamente. Dumoulin se chegar 'vivo' ao último dia, pode fazer a diferença no contrarrelógio individual.
Outro que começou o ano em grande forma foi, Rui Costa. Vencedor do Abu Dhabi Tour, tem estado a realizar um inicio de temporada espetacular. No entanto, achamos que no contarrelógio coletivo, irá perder algum tempo. O contrarrelógio individual no último dia também não o beneficia. Mas o que tem feito em 2017, merece o estatuto de uns dos favoritos.
Primoz Roglic ganhou no Algarve e também merece ser referenciado. A concorrência aqui será muito maior, principalmente na montanha. O esloveno terá de limitar as perdas na montanha, porque no contrarrelógio será um dos favoritos.
A Sky tem Mikel Landa, Geraint Thomas e Michal Kwiatkowski, dos três, achamos que Mikel Landa é o mais fiável. Até porque já se mostrou este ano, ao contrário de Geraint Thomas, que apenas esteve no Tour Down Under, onde passou incógnito. Kwiatkowski começou o ano em grande, mas a prova é demasiado dura para ele, porém é bem provável que consiga vencer etapas.
 
***** Nairo Quintana
**** Thibaut Pinot, Fabio Aru
*** Adam Yates, Bauke Mollema, Tom Dumoulin, Rui Costa
** Mikel Landa, Vincenzo Nibali, Geraint Thomas, Primoz Roglic
* Simon Spilak, Robert Gesink, Rafal Majka, Bob, Tejay van Garderen, Rohan Dennis, Rigoberto Uran

A nossa aposta: Nairo Quintana
Outsider: Thibau Pinot

Seguir em directo: Eurosport; @TirrenAdriatico, #Tirreno

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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