Paris-Nice 2017, um hino ao ciclismo!


Domingo terminou mais uma edição do Paris-Nice e esta é daquelas para nunca mais esquecer. Teve de tudo, desde vento com o pelotão completamente destroçado em 5000 grupos pela estrada até ao ataque a 50 quilómetros da meta de Alberto Contador, passando pela desclassificação de Romain Bardet por se agarrar ao carro da equipa e pelas duas etapas extraordinárias que fizeram Porte e Alaphilippe.

Vento, chuva e frio
As três primeiras etapas ficaram marcadas pelo vento, chuva e também pelo frio. O vento causou o caos na estrada, com a Quick-Step Floors e a Lotto-Soudal no primeiro dia a romper a corrida, havendo a formação de vários grupos. Alguns dos favoritos foram apanhados no corte, entre eles: Alberto Contador, Richie Porte, Ilnur Zakarin e Romain Bardet. O francês teve outro infortúnio, caiu e para voltar ao segundo grupo, exagerou na ajuda do carro da equipa, no final foi convidado a ir para casa mais cedo.
No grupo da frente estavam corredores como Sérgio Henao, Julian Alaphilippe e Daniel Martin que tinham a oportunidade de logo no primeiro dia ganhar tempo aos restantes homens que lutavam pela geral.
O final da etapa não era plano, na frente Alaphilippe atacou, mas foi Démare o mais forte no dia. No 2º grupo, Porte, Zakarin e Bardet ganharam tempo a Contador. 
Começava bem a prova, mas no dia seguinte a coisa voltou a complicar para alguns, Contador e Porte voltaram a ficar no corte. Mas o espanhol com ajuda da equipa e de outras equipas, acabaria por recolar ao grupo da frente. O mesmo não pode dizer Richie Porte, que fez recuar toda a sua equipa, mas nunca mais veria a frente da corrida, acabou a...15 minutos do vencedor do dia. 
Para surpresa de toda a gente, o italiano Sonny Colbrelli venceu a etapa, batendo Degenkolb, Démare e companhia.
Depois de dois dias infernais, os corredores tiveram direito a um dia mais tranquilo, o vento abrandou, a chuva mal apareceu e as temperaturas subiram um pouco. Num dia sem grande história, com os principais candidatos à geral a poderem pensar descansadamente na etapa seguinte. Sam Bennett venceu a etapa ao sprint.

Julian Alaphilippe voa no contrarrelógio
A quarta etapa marcava o inicio da decisão do vencedor. E quem mostrou estar muito forte, foi Julian Alaphilippe, que voou no contrarrelógio e bateu Alberto Contador por 19 segundos. O francês da Quick-Step Floors na parte plana fez um tempo canhão e depois na subida ao Mont Brouilly, apenas perdeu 8 segundos para o espanhol. Richie Porte foi o ciclista com melhor tempo de subida, como se pode ver na imagem abaixo.
Por esta altura, Alaphilippe liderava a prova, com Henao a 1 minuto e 5 segundos e Contador a 1 minuto e 31 segundos e Daniel Martin a 1 minuto e 20 segundos. 
A quinta etapa não teve história, foi disputada ao sprint, com Greipel a ser o mais forte.
Ao sexto dia de competição, nova tirada dura, com um final ideal para os puncheurs presentes. E foi isso que aconteceu. Simon Yates atacou na penúltima subida e venceu. Sérgio Henao foi o mais forte do grupo principal e acabou em segundo da etapa, Richie Porte foi terceiro e o Julian Alaphilippe defendeu-se muito bem, sendo quarto. O grande derrotado do dia foi Alberto Contador, chegou a 32 segundos de Yates, parecida definitivamente fora da luta.

Sérgio Henao triunfa perante o renascimento de Alberto Contador
A sétima etapa era considerada a mais dura, com uma chegada ao Col de la Couillole. Richie Porte marcou este dia para ganhar a etapa e foi isso que aconteceu. O australiano foi o mais forte, também tinha mais liberdade porque estava longe na geral.
A Trek-Segafredo ainda antes da última subida decidiu endurecer a corrida. Tony Gallopin que era o 2º da geral, ficou em dificuldades e o camisola amarela também. Os dois acabariam por recolar antes da subida final. Mas no Col de la Couillole, Jarlinson Pantano rebentou com o pelotão, Gallopin foi dos primeiros a ceder e Alaphilippe ainda menorizou os estragos, conseguindo manter-se pelos primeiros lugares da geral. Mas a luta limitou-se a três homens: Alberto Contador, Sérgio Henao e Daniel Martin.
O colombiano parecia no controlo da situação, mas no último quilómetro não aguentou o ritmo de Alberto Contador e acabaria por perder tempo para o espanhol, ainda foi ultrapassado por Daniel Martin na linha de meta. 

Para a última etapa, tínhamos, Sérgio Henao com 30 segundos de vantagem sobre Daniel Martin e 31 sobre Alberto Contador. 
Antes da etapa já se sabia que o espanhol não iria ficar quieto, de certeza iria tentar alguma coisa, nem que fosse algo louco, como atacar de bem longe e...foi  mesmo isso que aconteceu. Na subida para o Côte de Peille, Pantano tal como no dia anterior decidiu estilhaçar o grupo, com um ritmo infernal. A 50 quilómetros da meta, Alberto Contador deixou Sérgio Henao e Daniel Martin para trás e tentou ser feliz. A situação tinha algumas semelhanças com aquela que se verificou em 2016, na altura o adversário era Geraint Thomas.
Mas mais uma vez o espanhol iria falhar o objetivo por segundos, este ano foram dois, no ano passado tinham sido quatro. Foi um final de prova emocionante, que se enquadra na perfeição ao que foi a edição deste ano do Paris-Nice. No final ao ser entrevistado, Alberto Contador disse que apesar de não ter ganho, estava feliz. Se era verdade ou não, só ele o sabe, mas de uma coisa temos a certeza, todos os que amam verdadeiramente esta modalidade, estavam felizes. Não porque ganhou Sérgio Henao, mas sim porque o Paris-Nice deste ano foi sublime e porque ainda há ciclistas que tornam as corridas melhores.

O inicio da temporada de ciclismo tem-nos proporcionado grandes espetáculos, mas este Paris-Nice vai ser difícil de bater.
Inesquecível. 


Foto de ©Bettiniphoto



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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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