Guia da Volta ao Algarve 2017 (2.HC)

A Volta ao Algarve ou como carinhosamente é tratada pelas gentes da região, Algarvia, é a prova portuguesa com maior prestígio lá fora. Apesar de não ser a mais importante e popular para os adeptos da modalidade em Portugal, para os ciclistas e equipas portuguesas, essa naturalmente é a Volta a Portugal.
Nos últimos anos, a Algarvia, tem trazido constantemente alguns dos melhores ciclistas do pelotão internacional e algumas das melhores equipas. A posição privilegiada no calendário e as condições climatéricas favoráveis, fazem com que as equipas estrangeiras escolham o Algarve para que os seus ciclistas ganhem ritmo, para enfrentarem as corridas mais importantes da época, que aparecerão mais à frente.
Em 2017, a prova comemora a sua 43ª edição. A primeira edição foi em 1960, entre 1962 e 1976 a corrida não se realizou, voltando em 1977. Nesse ano a prova foi ganha por Belmiro Silva, que curiosamente venceria por mais duas vezes, o que faz com que seja o recordista de vitórias à geral.
Os portugueses dominam a lista de vencedores, mas nos últimos 10/15 anos, com a vinda frequente dalgumas das melhores equipas, são poucos os vencedores portugueses. João Cabreira foi o último, em 2006.
Este ano, mais uma vez a lista de participantes não desilude, com destaque para a presença de um leque de luxo de velocistas e classicomanos, de fazer inveja a qualquer prova do mundo.

História
últimos 10 vencedores
2007 Alessandro Petacchi (ITA) Team Milram
2008 Stijn Devolder (BEL) Quick-Step
2009 Alberto Contador (ESP) Astana
2010 Alberto Contador (ESP) Astana
2011 Tony Martin (GER) HTC–Highroad
2012 Richie Porte (AUS) Team Sky
2013 Tony Martin (GER) Omega Pharma–Quick-Step
2014 Michał Kwiatkowski (POL) Omega Pharma–Quick-Step
2015 Geraint Thomas (GBR) Team Sky
2016 Geraint Thomas (GBR) Team Sky

Edição 2016 (Top-10)
1 Geraint Thomas (GBr) Team Sky 18:34:15
2 Jon Izaguirre Insausti (Spa) Movistar Team 0:00:19
3 Alberto Contador Velasco (Spa) Tinkoff Team 0:00:26
4 Thibaut Pinot (Fra) FDJ 0:00:32
5 Primož Roglic (Slo) Team LottoNl-Jumbo 0:00:49
6 Tony Gallopin (Fra) Lotto Soudal 0:00:50
7 Ilnur Zakarin (Rus) Team Katusha 0:01:03
8 Jarlinson Pantano Gomez (Col) IAM Cycling 0:01:04
9 Fabio Aru (Ita) Astana Pro Team 0:01:25
10 Manuel Antures Amaro (Por) La Aluminios/Antarte 0:01:27

Percurso
Etapa 1 - 15 de fevereiro - Albufeira › Lagos (180,3 km)
Etapa 2 - 16 de fevereiro - Lagoa › Fóia (189,3 km)
Etapa 3 - 17 de fevereiro (CRI) - Sagres › Sagres (18 km)
Etapa 4 - 18 de fevereiro - Almodôvar › Tavira (203,4 km)
Etapa 5 - 19 de fevereiro - Loulé › Alto do Malhão (179,2 km)
Total: 770,2 km

Perfis
Etapa 1 - 15 de fevereiro - Albufeira › Lagos (180,3 km)

Nos últimos anos, Albufeira tem sido o palco para os sprinters se exibirem na 1ª etapa da prova, em 2017 a organização decidiu variar e escolheu Lagos para a chegada. É um dia ideal para o cartel de luxo de sprinters presentes em prova discutirem a vitória.  
A faltar 1200 metros para a meta, os corredores viram à esquerda na rotunda e depois mais à frente noutra rotunda viram à direita que dá acesso à reta da meta.

** André Greipel
* Fernando Gavíria

Etapa 2 - 16 de fevereiro - Lagoa › Fóia (189,3 km)





Tal como na edição do ano passado a Fóia aparece no segundo dia, e como no ano passado esta é uma das etapas que poderá decidir a prova. Além da dureza do terreno, a extensão também impõe respeito, serão quase 190 quilómetros. Os últimos 60 quilómetros contam com 3 contagens de montanha sendo a última, a Fóia, que é de 1ª categoria, com 9,1 quilómetros de extensão a 6,2% de inclinação média.
As outras 2 contagens de montanha são:
- Eirinha 3,4 Km@7,4%;
- Alto da Pomba 3,5 km@8,6%.

** Daniel Martin
* Primoz Roglic

Etapa 3 - 17 de fevereiro (CRI) - Sagres › Sagres (18 km)


Este é outro dos dias que poderá decidir muita coisa na geral. Os grandes especialistas presentes são Tony Martin, Joanathan Castroviejo e Primoz Roglic, serão os favoritos para a etapa. A luta contra o cronómetro disputa-se na Fortaleza de Sagres, o ponto mais Sudoeste de Portugal e Europa Continental. O vento terá um papel fundamental, se estiver a soprar forte, os especialistas sairão beneficiados, enquanto os trepadores, mais leves, serão prejudicados.
A partida é dada em Sagres, os corredores irão até ao Cabo São Vicente e voltam para trás, no sentido contrário.
Serão 18 quilómetros completamente planos.

** Tony Martin
* Jonathan Castroviejo

Etapa 4 - 18 de fevereiro - Almodôvar › Tavira (203,4 km)


Depois da chegada no primeiro dia, os velocistas terão nova oportunidade, desta com chegada a uma das cidades mais tradicionais do ciclismo português, Tavira.
Neste dia, espera-se que a equipa de Tavira tente mostrar a camisola, com algum dos seus ciclistas a estar em fuga. Mas a decisão deverá ser ao sprint, com a quantidade de velocistas presentes no Algarve, irão haver demasiados interessados em que esta chegada seja em pelotão compacto. Cavendish, Groenewegen, Greipel, Bouhanni, Démare, Gavíria e Degenkolb, são os mais interessados, por essa razão a corrida deverá ser controlada pelas equipas destes corredores.
A etapa é praticamente plana, sem qualquer dificuldade de relevo, realizada pelo interior algarvio e ao longo da fronteira com Espanha até chegar a Tavira.
Na parte final, os ciclistas passarão por uma rotunda a 2700 metros para o final, viram à esquerda na rotunda que fica 1400 metros da meta e passam pela última rotunda a faltar 700 metros.

** Mark Cavendish
* John Degenkolb

Etapa 5 - 19 de fevereiro - Loulé › Alto do Malhão (179,2 km)


A derradeira etapa acaba como já é tradição no Alto do Malhão, que é a  subida mais utilizada da Algarvia. A romaria dos adeptos de ciclismo até esta subida já faz parte da história da prova. 
Serão 180 Kms, com os primeiros 80 Kms a serem completamente planos e os últimos 100 com muita montanha. Além da chegada no alto do Malhão, que é uma subida relativamente curta mas muito dura (contagem de 2ª categoria, com 2,5 quilómetros de extensão a 10%), a etapa conta com mais 4 subidas categorizadas, três delas de 3ª categoria e uma de 2ª, que tornam este dia, ainda mais duro.

** Amaro Antunes
* Daniel Martin

Startlist
Aqui

Favoritos

Principais figuras
Favoritos à geral
Este ano a quantidade de grandes nomes que habitualmente lutam pela geral das principais provas é bem menor que em outros anos. Em 2016, estiveram presentes: Alberto Contador, Thibaut Pinot, Fabio Aru, Geraint Thomas, Ion Izagirre e Ilnur Zakarin. Este ano, a lista de nomes é bem mais modesta, ao contrário dos sprinters e dos homens das clássicas, em que abunda a qualidade e enriquecem a lista de participantes.
Dos principais favoritos destacamos os seguintes:
Primoz Roglic, foi a revelação de 2016, num ano que começou a mostrar-se no Algarve e confirmou nos contra-relógios do Giro que é um nome a seguir nos próximos anos. No ano passado foi 5º e este ano, com uma lista mais modesta e com o contra-relógio, é um dos mais sérios candidatos a vencer a prova. Também mostrou estar em boa forma na Valenciana, ao estar entre os primeiros em Mas de la Costa, mas curiosamente falhou crono colectivo.
Daniel Martin, foi 5º na Valenciana e as subidas ao Malhão e à Foia são perfeitas para ele. Terá de se defender bem no contra-relógio de Sagres, para ter hipóteses de vencer a prova.
Simon Spilak, a liderança da Katusha será dividida entre ele e o Tiago Machado. O eslovaco em forma é um temível ciclista em provas por etapas curtas. Em 2016 teve uma época muito apagada.
Tony Gallopin, em 2016 foi 6º classificado, num ano que pareceu começar muito bem para o francês, mas que depois foi fraco. Este ano, o ciclista da Lotto, já ganhou uma etapa na Etoile Bessèges, um contra-relógio. A sua performance em Sagres poderá ditar o desfecho final.
Com a concorrência presente, apesar da subida do Malhão ser demasiada dura para ele, não deixa de ser um dos candidatos.
Tony Martin, o alemão já ganhou uma etapa este ano, na Valenciana e de forma impressionante. Deverá dominar em Sagres, mas o Malhão e mesmo a etapa da Foia são demasiado duras para ele.
Luis Léon Sanchez, o espanhol estava a liderar a prova no ano passado, quando no contra-relógio de Sagres caiu e teve de abandonar. Em 2016 ganhou na Foia e este ano volta ao Algarve para acabar o trabalho que deixou a meio no ano transato.

Sprinters
No ano passado, Marcel Kittel e André Greipel foram os velocistas mais credenciados que estiveram presentes, este ano, a coisa elevou-se a outro nível, tirando Kittel, Peter Sagan e Coquard, todos os grandes velocistas mundiais estarão presentes.
Alguns deles já venceram este ano, entre eles estão: André Greipel que se mostrou em Maiorca e chega ao Algarve desejoso de apagar a pobre imagem dada no ano passado. 
John Degenkolb estreou-se a ganhar com a sua nova equipa no Dubai e teve sempre na disputa do sprint, parece ter voltado ao melhor depois de um ano de 2016 muito complicado. A equipa da Trek-Segafredo que estará no Algarve é um autêntico luxo no apoio ao alemão, com um comboio destes: Edward Theuns, Koen de Kort, Gregory Rast, Jasper Stuyven, Boy Van Poppel e Mads Pedersen, as coisas para Degenkolb  podem-se tornar um pouco mais fáceis.
Outro ganhador em 2017 é Fernando Gavíria, o colombiano, voltou a dominar na Argentina e cada vez mais confirma o enorme talento. Estará no Algarve apoiado por uma equipa forte, com Richeze e Trentin como lançadores. 
Arnaud Démare também já venceu em 2017, com duas vitórias na Etoile Bessèges, no entanto foi contra uma concorrência bem mais fraca que aquela que encontrará no Algarve. De qualquer forma é mais um nome importante presente e que pode lutar pelas vitórias.
Dos que ainda não venceram, destaque para Dylan Groenewegen, o campeão holandês, foi duas vezes 2º classificado no Dubai, acabando também nesse lugar na geral. Está nitidamente em grande forma e bem perto da elite do sprint mundial.
Dos que não venceram, obviamente temos de falar de Mark Cavendish, que no Dubai não se conseguiu impor, nem esteve perto de ganhar. No Algarve não terá o seu comboio, o que é uma desvantagem.
Outro dos que ainda não molharam a sopa em 2017, é Nacer Bouhanni. O francês, foi duas vezes 2º classificado em etapas da Valenciana e com a concorrência que tem no Algarve, o mais provável é continuar a seco este ano.

Portugueses
Dos portugueses, a principal esperança para geral, está depositada em Amaro Antunes, que na Valenciana apenas foi batido por Nairo Quintana e Merhawi Kudus na duríssima subida de Mas de la Costa, ficando à frente de Wout Poels e Primoz Roglic (presente no Algarve). O Algarvio conhece estas estradas como a palma da sua mão e depois do que mostrou em Valência, um lugar entre os melhores no Algarve é perfeitamente possível. A sua equipa, a W52-FC Porto-Mestre da cor, está construída em seu torno para esta prova. O grande problema é o contra-relógio, onde terá de limitar as perdas, em 2016, perdeu 1 minuto e 49 segundos para Cancellara no mesmo percurso.

Dos que competem por equipas do World Tour, estarão presentes: 
Tiago Machado, que deverá lutar por estar entre os 10 melhores.
Nelson Oliveira, que é candidato ao pódio na etapa de Sagres.
Rúben Guerreiro, que depois da boa prestação na Austrália, deverá continuar a aprendizagem ao mais alto nível. As duas etapas de montanha até lhe são favoráveis, veremos o que pode fazer.
José Mendes, deverá liderar a Bora-Hansgrohe, o objetivo passa por estar entre os 10 primeiros no final.
Nuno Bico, esteve presente nas provas do Challenge de Maiorca e não se portou mal. O papel que terá no Algarve é uma incógnita.
Por fim, José Gonçalves, que ganhou ritmo competitivo na Austrália e no Algarve deve tentar fazer uma gracinha numa etapa. A etapa do Malhão é demasiado dura para ele, caso contrário seria um ciclista a ter conta para a geral.

Das equipas portuguesas, já destacamos Amaro Antunes e a sua equipa a W52-FC Porto-Mestre da cor que aposta todas as fichas no Algarvio, que no ano passado foi 10º.
O Sporting-Tavira, terá Jóni Brandão e Rinaldo Nocentini como cabeças de cartaz. Acreditamos que Brandão ainda não deve estar na melhor forma, mas o italiano é uma incógnita. Pelo dorsal, pensamos que Nocentini será a aposta da equipa, com Brandão a pensar exclusivamente na Volta a Portugal.
A LA Alumínios-Metalusa BlackJack, terá o regresso ao pelotão nacional de Edgar Pinto, que será o líder. As equipas portuguesas, não costumam apresentar-se bem no Algarve, até porque é a primeira prova para elas e estão sem ritmo competitivo.
A Radio Popular-Boavista, Efapel e Louletano-Hospital Loulé, apresentam como principais nomes para a geral: João Benta, Sérgio Paulinho (regressa a Portugal) e Vicente Garcia de Mateos (obteve excelentes resultados no Challenge de Maiorca, está em boa forma).
Falta falar de Ricardo Vilela que se estreia com a camisola da Manzana-Postobon e irá liderar a equipa colombiana no Algarve. Para nós é uma completa incógnita o que ele pode fazer.

***** Daniel Martin, Primoz Roglic
**** Tony Gallopin, Simon Spilak, Luis Léon Sanchez
*** Amaro Antunes, Tiago Machado, Michele Scarponi
** Vicente Garcia de Mateos, Michal Kwiatkowski
* Ruben Guerreiro, David Gaudu, Alberto Bettiol

A nossa aposta: Daniel Martin
Outsider: Amaro Antunes

Seguir em directo: Eurosport; TVI 24; @VAlgarve2017#Valgarve2017

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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