Análise final ao Giro d'Italia 2016

A edição deste ano do Giro, foi das mais imprevisíveis e loucas das Grandes Voltas dos últimos anos. Teve um pouco de tudo desde, drama, reviravoltas surpreendentes, doenças, desculpas esfarrapadas, russos a voaram na cronoescalada, líder do Giro a espetar-se contra uma parede de neve, sprinters a abandonarem por causa do Tour, um italiano a renascer na 19ª etapa, um russo a cair 546 vezes (!) durante a prova, uma lenda helvética que ainda nem tinha começado a prova e já estava doente e muito mais.
Uma palavra para 99ª edição do Giro d'Italia? Fascinante!

Vincenzo Nibali no pódio com o trófeu do Giro

Pela positiva destaco:
Vincenzo Nibali- Antes da 19ª etapa, parecia destinado a apenas lutar pelo pódio e mesmo isso estava complicado, ele e a equipa admitiram, que apenas já lutavam pelo pódio, a vitória estava praticamente entregue a Kruijswijk. Mas a queda do holandês abriu a possibilidade de lutar pela vitória da geral. O espírito combativo de Nibali veio ao de cima e venceu a prova, com alguma sorte, mas também com muito mérito. Não achamos que tenha sido o mais forte...mas esta como noutras, foi o espírito de combate do tubarão que prevaleceu.

Esteban Chaves- Foi juntamente com Kruijswiijk o mais forte na montanha até à 19ª etapa. Nas últimas duas etapas fraquejou, assim como tinha acontecido na Vuelta do ano passado. Ficam os excelentes sinais que deixou para o futuro, a Orica tem aqui um homem para os GT's. Saiu de Itália com o 2º lugar da geral, primeiro pódio da carreira numa Grande Volta.

Steven Kruijswijk- O que dizer, até à 19ª etapa estava a realizar uma prova perfeita, até que um erro, acabou com a possibilidade quase certa de vitória no Giro. O holandês na nossa opinião foi o mais forte, mas numa Grande Volta nem sempre o mais forte ganha e bastou um deslize. Os campeões também se vêm nestes momentos, Kruijswijk falhou claramente naquele momento e nunca mais se recompôs. De qualquer forma, foi uma das figuras pela positiva.

Bob Jungels-Foi a grande revelação do Giro. Chegou à maglia rosa e rapidamente a largou, depois foi tentar sobreviver nas montanhas e conseguiu. Melhor jovem e um top-10 que ninguém esperava. Chapeau.

Darwin Atapuma-Mais uma das surpresas, aproveitou as fugas para subir na geral e acabou no top-10. Foi a única coisa de boa que a BMC nos mostrou neste Giro, o resto foi zero, sai de Itália com um resultado que poucos esperavam dele.

Marcel Kittel e André Greipel-Enquanto Kittel disputou sprinters, dominou, venceu duas etapas em duas oportunidades. Depois quando Kittel deixou de poder disputá-los, passou o domínio para  outro alemão, Greipel. A diferença destes dois para o resto não foi pouca, até parecia que estavam a defrontar amadores.

Diego Ulissi-Mais duas etapas no bolso e exibições em etapas ao seu estilo de encher o olho. Este italiano é um caso sério, quando as chegadas não são de alta-montanha mas que têm algumas dificuldades. Será que algum dia irá evoluir para um corredor que poderá lutar por bons lugares na Geral?

Primoz Roglic-Só não venceu o prólogo por décimas, mas na 9ª etapa não deu hipóteses à concorrência numa exibição impressionante. O ex-saltador de esqui, mostrou que no futuro é um nome a reter para o contrarrelógio.

Pela negativa:
Rigoberto Uran-3 crontrarrelógios horripilantes e exibições na montanha pálidas. Lá conseguiu ficar no top-10, mas para quem queria disputar a vitória, foi muito muito pouco. Ninguém diria que já foi 2 vezes 2º classificado do Giro e que em 2014 destruiu a concorrência no contrarrelógio plano.

Rafal Majka-Não conseguiu lutar pela vitória na geral, nem sequer pelo pódio. Esteve longe dos 4 melhores neste Giro, o polaco não impressionou, antes pelo contrário. Oleg Tinkov não deve ter gostado muito, embora agora pouco importa, já que a equipa para o ano não estará na estrada.

Mikel Landa-Grande contrarrelógio individual na 9ª, limitou as perdas e depois...dia de descanso com direito a churrasco e...problemas intestinais! Resultado? Abandono! 
Era um dos grandes favoritos antes da prova, depois da 9ª etapa era mesmo o favorito número 1 nas casas de apostas! 

Ilnur Zakarin-O russo no contrarrelógio da 9ª etapa parecia bem encaminhado para a maglia rosa, até que cai, não satisfeito, na última curva, volta a cair. Na 19ª etapa, o russo estava a lutar pelo pódio e mais uma vez, adivinhem lá...cai. Ou é de nós, ou Zakarin tem de melhorar e muito a técnica em cima da bicicleta. Cair uma ou outra vez é normal, cair tantas vezes não é.

Alejandro Valverde-Só o pomos nos pontos negativas, pela completa falta de ambição demonstrada. Depois da vitória de etapa, questionado por Juan António Flecha e Ashley House sobre as hipóteses de vencer o Giro, o espanhol, disse que os objectivos eram ganhar uma etapa, que já estava feito e ficar no pódio, coisa bem encaminhada porque naquele dia, ele ascendeu ao 3º lugar. Simplesmente não pensou em sequer tentar ganhar o Giro, demonstrou uma falta de ambição atroz.

sprinters italianos-Que desastre, principalmente, Modolo e Nizzolo, que saem com ZERO vitórias de etapa. Na última etapa, Nizzolo foi desclassificado por tapar Modolo, já não bastava a pobreza que foram os dois ao longo do Giro, nem cócegas conseguiram fazer a Kittel e Greipel. 
Apesar de tudo, Nizzolo salva um pouco a pele, venceu a classificação por pontos.

Fabian Cancellara-O suiço ainda nem sequer tinha entrado em prova e via o seu sonho morrer, problemas gástricos afectaram o seu prólogo e depois nunca mias fez nada de relevante, abandonou depois do crono da 9ª etapa. 

Tom Dumoulin-Ganhou o prólogo, avisou que não estava para lutar pela geral e depois confirmou na estrada isso mesmo. Acabou por abandonar, porque segundo a equipa dele, estava com feridas no períneo, zona onde o corpo toca no selim! Não foi um Giro totalmente negativo, mas depois da Vuelta do ano passado, sabe sempre a pouco, esperávamos mais de Dumoulin.

Melhor etapa - 20ª etapa
Melhor equipa - Astana
Melhor trepador - Steven Kruijswijk
Melhor sprinter - Marcel Kittel
Melhor gregário - Michele Scarponi
Desilusão - Mikel Landa
Revelação - Bob Jungels
Combativo - Vincenzo Nibali
Melhor momento - Não queremos particularizar um determinado momento, vamos destacar toda a prova. A incerteza e as constantes reviravoltas, tornaram este Giro, um dos mais fascinantes e imprevisiveis de sempre.
Pior momento -  A queda de Steven Kruijswijk

Momento decisivo - A queda de Steven Kruijswijk, foi o momento de viragem da prova, até aí completamente controlada pelo holandês da LottoNL-Jumbo.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

2 comentários:

  1. Animal a análise Bruno!
    O mais triste foi a queda de Kruijswijk, infelizmente. No fim a técnica e experiência de Nibali prevaleceram.

    Abração,
    Luan.

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    1. Obrigado Luan.

      Sem dúvida a queda do Kruijswijk foi o momento mais marcante da prova. De qualquer maneira, o Tubarão de Messina merecem a vitória.

      Abraço :)

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