Qual o futuro de Rui Costa?

"O Rui Costa queria tentar atacar a geral da Volta a França e mudou a sua preparação, concentrando-se mais na montanha, mas sem resultados práticos. Ele tem de voltar é a discutir as corridas de um dia, clássicas ou provas de uma semana"

Quem afirmou isto foi Giuseppe Saronni, Director da equipa de Rui Costa, em entrevista à La Gazzetta dello Sport publicada no dia 9 de dezembro.
Com 29 anos, o poveiro chegou a uma fase da sua carreira que tem definitivamente de decidir qual o rumo que quer dar à sua carreira. As palavras de Saronni são duras e uma forma de pressionar o Português a abandonar a ideia de lutar pelo o tão desejado top-10 no Tour.

Rui Costa com a camisola de campeão do mundo (Fonte: MERIDA Europe GmbH / Daniel Geige)
A carreira do ciclista português, é eminentemente marcada pelas vitórias de etapas no Tour, por boas actuações nas clássicas, pelas vitórias à geral na Volta à Suiça, pelo o bom Paris-Nice e Dauphiné deste ano, pelo pódio na Lombardia em 2014 e claro pelo campeonato do mundo de Florença em 2013. Nunca conseguiu fazer um bom lugar na geral no Tour, umas vezes porque estava a trabalhar para outros e nos dois últimos anos, aconteceram o azar das doenças. Porém, realisticamente até ao dia de hoje, nunca mostrou ser um ciclista fiável para o top-10 do Tour, essa é a realidade.
O ciclista natural da Póvoa de Varzim, curiosamente nunca se interessou pelas outras duas grandes voltas, ou seja, até ao dia de hoje, não se sabe mesmo o que pode valer numa grande volta sem azares e problemas. 

O calendário dos primeiros meses de Rui Costa em 2016 é idêntico ao de 2015. Começa no Tour de Oman, em 2015 foi sexto na etapa raínha, no dia em que o seu colega Rafael Valls venceu. Depois irá estar presente no Paris-Nice, em 2015 foi 4º da geral, seguindo-se as clássicas das Ardenas, em 2015 foi 4º na Liège-Bastogne-Liège e Amstel Gold.

Depois há a dúvida se estará no Dauphiné ou na Volta à Suiça, em ambos os casos, será para preparar o Tour, que apesar das palavras de Giuseppe Saronni continuará a ser o maior objectivo. Outro objectivo serão os Jogos Olímpicos, que decorrerão no Rio de Janeiro e que se realizam uns dias depois do final do Tour.

Mas a grande questão é: Será que este ano, conseguirá finalmente tirar todas as dúvidas e mostrar se é um corredor para grandes voltas, ou deve seguir o conselho de Giuseppe Saronni? Em julho teremos a resposta.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

2 comentários:

  1. Concordo com o director desportivo !! É um ciclista bom para 3 semanas porque recupera bem de um dia pro outro mas nunca para as discutir. Se formos ver os podios das grandes 3 clássicas Amstel , Fleche e Liege só valverde ganhou uma grande volta. Joaquín Rodriguez por exemplo nunca ganhou. Isto só para dizer que os ciclistas deste tipo não reúnem as qualidades todas para vencer uma grande volta.
    Ps. andy ganhou uma Liege é verdade.

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  2. Eu também concordo com Saronni e parece-me que o Rui Costa deveria apostar mais nas corridas de um dia, clássicas ou provas de uma semana, para as quais parece mais talhado, do que no Tour. Já Gil Moreira escrevia na sua História do Ciclismo Português, referindo-se à Volta a Portugal de 1941 e a João Lourenço (vencendo 10 das 24 etapas), que "assim fica provado, que um sprinter dificilmente vencerá uma Volta a Portugal". Contudo, o corpo é dele e mais ninguém do que ele conhece melhor a reacção do seu corpo às diversas provas. Estaremos sempre com ele e a desejar-lhe a melhor sorte do mundo, qualquer que seja a sua opção. Boa Sorte e Feliz Ano Novo de 2016!

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