A história de um dia épico de ciclismo

Dia 12 de junho de 2015, corre-se a sexta etapa do Critérium du Dauphiné, faltava menos de um quilómetro para a meta e as câmaras da televisão focam o vencedor do Tour de 2014, que parecia decidido em direcção à vitória de etapa. Vincenzo Nibali olha para trás, as câmaras continuam insistentemente a focar o italiano, até que a mota abranda e deixa o italiano distanciar-se e de repente...aparece Rui Costa, que estava prestes a apanhar Nibali, desta vez 'o tubarão' ía ser a presa.
Nibali, ainda tenta, mas o destino da etapa já estava traçado, Rui Costa iria destroçar o italiano e assim o fez, passou directo e bastou uma pequena aceleração para deixar o italiano de cabeça baixa e abaná-la em sinal de completa frustração.
Quando passa a linha de meta, o poveiro aponta para as listas na manga do braço esquerdo que simbolizam que já foi campeão do mundo, como que a dizer, que o ex-campeão do mundo estava ali, para relembrar aos mais esquecidos.

Rui Costa a apontar para as listas de ex-campeão mundial (na imagem)
Mas para que mais este momento de glória de Rui Costa se concretizasse, o filme tem de ser rebobinado para trás. Vincenzo Nibali tentou várias vezes mexer com a corrida, até que na descida de Grimonde consegue sair e com ele leva, Alejandro Valverde, Rui Costa, Tony Gallopin e Tony Martin. Um grupo de sonho, que foi ganhando tempo ao grupo do camisola amarela, BMC, Sky, Katusha e Ag2R não se entendiam lá trás e a fuga estaciona nos 3 minutos/3 minutos e meio.
Os cinco continuaram, até que Martin deu o berro e fica para trás, ficam os outros quatro, a etapa seria decidida entre eles, a diferença era muito grande.
Em causa também estaria a camisola da liderança. Antes da subida final, de apenas 2,2 quilómetros, Tony Gallopin tenta sair, o francês sabia que chegando com os outros três à subida, poucas hipóteses teria.
Começa-se a subir e Nibali ataca, deixa apeado Valverde, o Rui reage um pouco tarde, mas vai ao seu ritmo. Nibali apanha Gallopin, deixa-o para trás e apartir daqui a realização francesa limita-se a dar a cara de Nibali e o que acontece no grupo de Van Garderen e Froome.
Até que acontece o que foi descrito no primeiro parágrafo. Preferi começar pelo fim, porque do dia de hoje o que fica é a ENORME vitória do Rui no Dauphiné e é essa que deve ser destacada, que agora se encontra na segunda posição da geral, a 29 segundos de Nibali.

No entanto, também gostava de destacar a fraca transmissão televisiva da prova, apenas dando os últimos quilómetros, perdendo-se um dos melhores espectáculos do ano de ciclismo até agora. Tal como Daniel Martin escreveu na sua conta de twitter:

Dan Martin ‏@DanMartin86 38 min Há 38 minutos 
That was maybe the hardest, definitely the most aggressive race I've ever ridden. Epic racing and none of it in front of cameras. Typical

Mais um dia épico de ciclismo.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

1 comentário:

  1. Sem dúvida alguma, um dia épico para o ciclismo português. Rui Costa demonstrou toda a sua classe ao passar com altivez e superioridade por Nibali e vencê-lo. Rui Costa É um ciclista do nível de um Nibali, Froome ou Contador, quer gostem disso ou não, os nossos cépticos pedantes (muitos ou poucos?) portugueses. Muitos portugueses (talvez por complexos de inferioridade) têm a tendência de menosprezar e diminuir as proezas e o valor de muitos dos nossos GRANDES atletas ou profissionais. Somos um país com muita gente mesquinha e invejosa, infelizmente, que ao invés, se deveria sentir orgulhosa com os nossos MAIORES! Continua a mostrar-nos toda a tua classe... Rui Costa, quanto mais não seja, para gáudio de quem te admira e preza, seja português ou estrangeiro. Boa Sorte para o Tour!

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