Análise - 2ª semana do Giro 2015

Mikel Landa, Alberto Contador e Fabio Aru (na imagem)
A segunda semana ficou marcada pelo o adeus de Richie Porte ao Giro, pelo o afundar na classificação de Rigoberto Uran, pelo contra-relógio de Alberto Contador, pelas quedas, pela polémica do furo de Porte e pela vitória de Mikel Landa em Madonna de Campiglio.

A segunda semana começava com uma etapa completamente plana, ideal para uma chegada ao sprint, no entanto, a etapa foi ganha através de uma fuga. Mas a notícia do dia, foi o azar de Richie Porte e aqui começaria o calvário do australiano, quando fura ainda antes dos três quilómetros finais e troca de roda com o seu amigo Simon Clarke, o problema é que trocou de roda com um corredor que não é companheiro de equipa. Porte perde na estrada cerca de 1 minuto e é penalizado em 2 minutos pela troca irregular da roda.

No dia seguinte, na 11ª etapa, nova fuga tem sucesso, desta vez é a nova coqueluche do ciclismo russo, Ilnur Zakarin que vence a etapa, com um renascido Carlos Betancur a ser segundo. O azarado do dia foi Rigoberto Uran, que caiu, mas conseguiu voltar ao pelotão, não perdendo tempo nenhum. 
Outro dos momentos do dia foi o ataque de Alberto Contador, no qual Fabio Aru teve dificuldadesem seguir, o espanhol admitiu depois na zona das entrevistas que sentiu que os seus adversários não estariam tão bem, por isso decidiu testá-los.

A 12ª etapa, fica marcada com a demonstração do bom momento de forma de Contador, apenas batido por Philippe Gilbert, numa chegada ao estilo do belga. O espanhol foi o melhor dos favoritos e aproveitou o desfalecimento de Fabio Aru, que perdeu alguns segundos, chegando à meta completamente de rastos. Por esta altura Richie Porte e Rigoberto Uran ainda se mantinham nos primeiros postos.

Porém na 13ª etapa, acontece o imprevisto, a 3200 metros da meta, dá-se uma queda no pelotão, envolvidos nela estão nada mais nada menos que o maglia rosa e Richie Porte. Contador consegue continuar na bicicleta de Matteo Tossato, sem que no entanto consiga conservar a camisola de líder, ficando a 19 segundos de Aru, que chegou com os primeiros. Quanto a Porte ficou mais afectado, queixando-se da anca e joelho, sendo obrigado a ir até ao fim na bicicleta de Vasil Kiryienka, que não estava adaptada às suas medidas. 
Rigoberto Uran também evitou a queda e foi um dos beneficiados, recuperando tempo precioso e vinha aí um contra-relógio, especialidade que agrada ao Colombiano. Numa das etapas mais monótonas, que até foi decidida ao sprint, aconteceu um dos momentos marcantes da prova até aquele momento.

A 14ª etapa era uma das mais importantes da prova, um contra-relógio longuíssimo, que ainda por cima foi corrido com umas condições atmosféricas terríveis. A desilusão foram Richie Porte e Rigoberto Uran, com tempos absolutamente fracos. Fabio Aru tentou defender-se o melhor possível, no entanto, Alberto Contador voou para a maglia rosa. O espanhol esteve impressionante, apenas batido por Vasil Kiryienka e Luis Léon Sanchez, sendo que o vento mudou direcção durante a prova, caso as condições fossem iguais para todas, não era de estranhar que Contadoir tivesse realizado o melhor tempo, porque apenas perdeu o contra-relógio por 14 segundos.

A etapa seguinte, a 15ª, acabava numa das montanhas que marca a história do Giro. Foi em Madonna di Campiglio que Marco Pantani em 1999, venceu a etapa e no fim da mesma foi enviado para casa por ter o hematócrito demasiado elevado.
A etapa foi controlada numa primeira fase pela Tinkoff-Saxo, até que na penúltima montanha, a Astana toma conta do pelotão e imprime um ritmo fortíssimo, com destaque para o trabalho de Paolo Tiralongo, que durou até meio da última subida. A estratégia da Astana foi impôr ritmo e isolar Alberto Contador, no entanto o espanhol nunca esteve em grandes dificuldades para seguir o ritmo da equipa Cazaque.
Já nos últimos 3 quilómetros começaram os ataques, com Mikel Landa a atacar e Contador a contra-atacar e é aqui que surge o facto mais importante do dia, as dificuldades de Fabio Aru em seguir os dois é evidente, o italiano ainda esboça um ataque, mas sem qualquer efeito. Trofimov que tinha ficado para trás aquando do ataque de Landa, recupera e ataca, mas não tem êxito. Landa ataca novamente, desta vez Contador decide apenas se preocupar com Aru. Landa vence a etapa, Trofimov é segundo e Contador bate Aru e ainda ganha 1 segundo ao jovem italiano.
A última semana ainda terá muita montanha, será que Contador ainda quer vencer uma etapa? Ou apenas se vai limitar a controlar, já a pensar no Tour? 
Será que a Astana irá conseguir colocar em dificuldades o maglia rosa?
E na Astana,  Mikel Landa merece ter liberdade?
Será que estratégia da Astana não estará a pôr em dificuldades o seu próprio líder?
E agora, a motorhome será herdada por Leopold Konig?
Amador, conseguirá ir ao pódio?
Uran, fará top-10?
Steven Kruijswijk ganhará uma etapa?
Carlos Betancur, continuará a melhorar?

Venha a 3ª semana.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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