Análise - 1ª semana do Giro 2015

A beleza da prova italiana (na imagem)
O Giro d'Itália historicamente é das três grandes voltas a que apresenta sempre percursos mais variados e propícios a etapas onde o 'caos' impera. E esta primeira semana, o que não faltou, forram etapas cheias de acção, muito movimentadas e com 'guerras' tácticas.
Destaque sem dúvida para a luta entre a Astana e a Tinkoff, o controlo da corrida tem sido um dos pontos onde estas duas equipas têm se confrontado.

O ponto alto desta luta aconteceu na quarta etapa na chegada a La Spezia, quando a Tinkoff pôs em fuga Roman Kreuziger e a Astana também tinha elementos na mesma. A Tinkoff controlou o pelotão, impondo o ritmo, na altura questionou-se o porquê da Tinkoff estar a perseguir uma fuga, onde tinha um dos seus melhores ciclistas nela. A fuga chegou a ter mais de nove minutos de vantagem, com a Tinkoff a controlar num ritmo que não agradou a Astana que decidiu, ir para a frente e impôr um ritmo louco, alcançando o grupo de Kreuziger, sem que no entanto tenha conseguido chegar ao jovem Davide Formolo, que também é uma das figuras da primeira semana do Giro.
A verdade é que o poderio da Astana é evidente, com três corredores no top-5 e ao contrário da Tinkoff, tem sempre muita gente com o seu líder. Já Contador tem-se visto muitas vezes isolado, Kreuziger é o único que ainda tem aguentado mais.

A Sky e Richie Porte tem assistido serenamente a esta luta de galos, o australiano tem-se limitado a responder aos ataques de Contador e Aru. A ideia que fica é que estará a confiar no contra-relógio e a pôr as fichas nesse dia. 

Voltando à Astana, não podemos esquecer a enorme prova até ao momento de Mikel Landa, depois de se ter exibido no Giro del Trentino em grande nível, o corredor basco confirmou nesta primeira semana o bom momento, veremos se é para manter.

Ainda na Astana, Fabio Aru está a ser igual a si próprio, ciclista atacante, que parece mais focado que nunca. Apesar disso, no contra-relógio deverá ser bastante penalizado, o que justifica as várias tentativas de escapar aos seus principais adversários, sem no entanto nunca o conseguir. Outro destaque, ainda no 'mundo Astana' é Dario Cataldo, de um ciclista que na temporada passada, não passava de um gregário e não era dos melhores na Sky, para um corredor que na primeira semana do Giro parece ser capaz de lutar por um top-5 numa grande volta, a Astana parece que anda a fazer milagres.

E o que dizer de Contador? Está no lugar que habitualmente costuma estar, porém, não terá sido demasiado cedo? Para ele parece que sim, tanto que depois de conquistar a maglia rosa, admitiu que não se sentia incomodado de a perder no dia a seguir, no entanto para o dono da equipa, parece que ter a maglia rosa é uma questão de honra. Oleg Tinkov já admitiu que a equipa de ciclismo é o seu brinquedo e pelos vistos pouco lhe interessa que o seu brinquedo, os seus ciclistas, seja sacrificado só para que tenha a maglia rosa da primeira até à ultima semana.
A Tinkoff começou muito bem o Giro ao ser segunda no contra-relógio por equipas, apenas batida pela Orica-GreenEdge. A equipa Australiana, foi líder da prova até à etapa de Abetone, desde do primeiro dia, foi passando a maglia rosa de ciclista para ciclista, primeiro Simon Gerrans, depois Michael Matthews e por fim Simon Clarke.

Se negativo temos de falar sobre a lesão terrível de Danielle Colli, quando no sprint na sexta etapa, embate numa máquina fotográfica de um espectador. Uma situação deplorável, onde mais uma vez a estupidez de uma pessoa do público provoca uma queda grave, com Danielle Colli a ser o mais afectado, com lesões graves no braço esquerdo.
Outro momento bastante negativo foi a queda de Domenico Pozzovivo, felizmente não foi tão grave quanto se chegou a temer, no entanto, um dos candidatos ter de abandonar é sempre um momento bastante triste.

Nestas duas situações de destacar as imagens chocantes que a RAI nos ofereceu, era desnecessário.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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