Subidas míticas - Passo del Mortirolo

Mortirolo, é uma das palavras mais temidas para qualquer ciclista e porquê? Porque é uma das subidas mais brutais do ciclismo.

Uma placa a indicar o Passo Del Mortirolo (na imagem)
Poucas subidas conseguem gerar nas pessoas um sentimento tão misto quanto esta, por um lado é um desafio, um sentimento que algo de notável será alcançado, não é qualquer um que o conquista e quem o consegue, tem de se sentir especial. Mas por outro, à partida todos sabem que vão ser Kms de suplício e de uma dureza extrema, será uma descida ou melhor, uma subida ao inferno.
É por estas e por outras, que esta subida é tão especial, uma das mais duras que se pode encontrar, frequentemente classificada por uma parte do pelotão internacional, como, 'a subida mais dura'. 

Existem dois percursos que são os mais utilizados e conhecidos. O mais habitual e antigo, é o que começa na vila de Mazzo d’Valtellina e o mais recente (estreada em competição no Giro de 2012) é o que começa em Tovo di Sant’Agata. A dureza destas duas ascensões é muito similar.
Existem mais percursos possíveis, mas que são menos utilizados, nomeadamente desde Grosio (14,8Kms@8,3%), Edolo (17,2Kms@6,7%), a mais recente desde Edolo pela 'recta Contador' (14,7Kms@7,3%), a versão BTT por Vezza d'Oglio (9,5Kms@11,4%) e por Grossotto (12Kms@10,4%).

No entanto, iremos nos focar nas 2 ascensões mais habituais.

Por Mazzo d’Valtellina 

É também conhecida por 'subida de Pantani', o mítico ciclista Italiano venceu em 1994 uma etapa do Giro que terminou no Mortirolo, por esta vertente. Desde da morte de Pantani que cada vez que se sobe esta montanha, o corredor que passar na frente da mesma é-lhe atribuído um prémio especial, Cima Pantani. Em 2006, no oitavo Km da subida foi erigido um monumento a homenagear, Marco Pantani.

Memorial de Marco Pantani no Mortirolo
É a mais conhecida e tradicional subida ao temido Mortirolo. 
Das onze vezes que se subiu ao Mortirolo no Giro, dez foram realizadas por esta vertente, apenas a última em 2012, foi realizada por Tovo di Sant’Agata. A primeira vez que se utilizou esta subida foi em 1990, etapa vencida pelo Venezuelano, Leonardo Sierra.
A sua extrema dureza transparece nos números, são 12 kms, 10,5% de inclinação média, 18% de inclinação máxima e 1300 metros de acumulado.
O primeiro Km é o mais suave da subida, apartir daí, a inclinação dispara, sensivelmente entre o primeiro Km e os 3,5 Kms, a média é de 9,7%.
Mas o pior encontra-se  nos Kms seguintes, até aos 9,7 Kms, sempre acima dos 10%, a média desta secção são uns incríveis 12,2%. Destaque para a secção no inicio do quarto Km, quando se atinge a inclinação máxima, 18%.
Desde dos 9,7 Kms até ao final, a média baixa um pouco, mas contínua bem alta, 9,2%.
É uma subida que se destaca pela dureza constante, que dá pouco descanso, tirando o primeiro Km.

Perfil da subida Por Mazzo d’Valtellina
Características:
Distância: 12,4  Kms
Subida acumulada: 1300 m
Inclinação média: 10,5%
Inclinação máxima: 18%
Altitude no topo: 1718 m

Por Tovo di Sant’Agata

Estreada no Giro de 2012, etapa vencida pelo Suiço, Oliver Zaugg. Esta subida é tão brutal quanto a 'versão Pantani'.
Os números dizem tudo, 11,4 kms, 10,5% de inclinação média, 22% de inclinação máxima e 1203 metros de acumulado.
A subida começa em Tovo di Sant’Agata, passa pelo cemitério da vila e depois são 38 'cotovelos' até lá cima. O primeiro km já é acima dos 7%, sendo que apartir daqui, a coisa empina mais. O segundo Km é entre os 13 e 14%. Entre o primeiro e os 6,5 Kms, a média é de 12,5%.
Dos 6,5 aos 8,5 Kms, desce para os 9,2, depois aparece uma zona de descanso, 1 Km de descida para preparar a pior secção da subida, que vem logo de seguida, 22% e a média nesses 500 metros, são uns impressionantes 19%. A subida termina acima dos 10%.
Perfil da subida Por Mazzo d’Valtellina
Características:
Distância: 11,4  Kms
Subida acumulada: 1203 m
Inclinação média: 10,5%
Inclinação máxima: 22%
Altitude no topo: 1718 m

Seja qual for a vertente por onde se sobe o Passo del Mortirolo (também conhecido por Passo della Foppa), tem de se estar preparado para sofrer, esta subida é bela mas muito dura, infelizmente, dado a dureza da mesma, a beleza da paisagem quase que não se consegue apreciar, quando se está em cima da bicicleta.


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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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