Análise da Sky em 2014



A grande aposta da Sky para 2014, era levar Froome à vitória final no Tour de France, a temporada foi toda a pensar nesse objectivo. 
O problema Wiggins vs Froome, parecia já ultrapassado, no entanto, no inicio de Junho, o lançamento do livro de Froome, The Climb, onde conta alguns dos pormenores da sua relação com Wiggins dentro da equipa e dos problemas do Tour de 2012, relançou a polémica. 
Apesar disso, a polémica foi-se esfumando, Wiggins parece definitivamente focado noutros objectivos, como por exemplo o Paris-Roubaix, record da hora e pista.

A época não foi propriamente brilhante, longe disso, além do falhanço do objectivo de vencer o Tour, mais uma vez, a equipa falhou nas clássicas. Com um total de 27 vitórias no ano e o 9º lugar na classificação final da UCI, demonstram a temporada pobre, para uma equipa como a Sky, que a equipa Britânica realizou.
A principal novidade na constituição da equipa, foi a inclusão de Mikel Nieve, mais um homem para ajudar Froome na alta montanha. O Basco até realizou uma época bem interessante.

A temporada começou no Tour Down Under, na Austrália e foi o homem da casa a dar uma vitória de etapa, Richie Porte vence a 5ª etapa e termina na 4ª posição da classificação geral, dando seguimento à excelente época tinha realizado em 2013.
No Omã, Froome dominou a prova, vence 1 etapa e a classificação geral, começando o ano com toda a força. No entanto, em Março, abandonaria no Tirreno-Adriático com problemas nas costas, numa prova, onde o seu grande rival, Alberto Contador deu uma demonstração de força, dando a entender que estava de volta à sua melhor forma.

No inicio de Março, na Omloop Het Nieuwsblad Elite, Ian Stannard vence a prova. Março também é o mês, que a Sky domina como quer e lhe apetece a Settimana Internazionale Coppi e Bartali. Ben Swift vence a 1ª etapa, a Sky domina no contra-relógio colectivo, Peter Kennaugh vence a 2ª etapa e a geral e por fim, Dario Cataldo vence o contra-relógio individual.

O mês de Abril não correu de feição à equipa Britânica, as únicas boas notícias, são o 10º lugar de Wiggins no Paris-Roubaix, demonstrando que no futuro poderá andar na luta pelos lugares da frente e a vitória da 5ª etapa da Vuelta ciclista al País Vasco. A competição Basca deixou muitas dúvidas na equipa, o melhor classificado da equipa foi Mikel Nieve no...24º lugar.

O mês de Maio, foi sem dúvida o melhor mês para a equipa Britânica. Começa bem para a Sky, Chris Froome dá sinais de recuperação da lesão nas costas, ao vencer sem grandes dificuldades o Tour da Romandie, onde vence ainda uma etapa, o contra-relógio individual, batendo Tony Martin.

Chris Froome em acção na Romandie
A presença no Giro, foi o pior do mês de Maio, a aposta em Richie Porte acabou por ser um fiasco, por decisão do próprio, não vai à prova Italiana, a justificação dada foi a falta de preparação. A equipa praticamente passa ao lado do primeiro Grand Tour do ano, o que não deixa de ser um falhanço rotundo, para uma equipa como a Sky.
No entanto, no Tour da Califórnia, Wiggins, vence a prova, apoiando-se na vitória de etapa no contra-relógio e limitando-se a defender a liderança na montanha.
O final do mês de Maio e inicio de Junho, é marcado pela vitória na geral de Geraint Thomas na Bayern Rundfahrt, onde vence a etapa de contra-relógio.

O mês de Junho para a equipa da Sky, é sobretudo marcado pelo duelo na montanha, Froome vs Contador. Sem dúvida um dos grandes momentos do ano no ciclismo internacional.
O duelo tão esperado por todos deu-se na preparação para o Tour, no Critérium du Dauphiné. Na 1ª etapa, um contra-relógio curto, Froome superiorizou-se a Contador por poucos segundos, ganhando a primeira batalha. A 2ª etapa, presenteava-nos com uma chegada em alto e não poderia ter sido melhor. Um verdadeiro espectáculo do outro mundo, com Froome a lançar vários ataques impressionantes, montanha acima, esta etapa perdurá na memória de qualquer adepto da modalidade, um dos grandes momentos do ciclismo das últimas décadas. Contador respondeu sempre e bem, não largando a roda do 'Queniano'. Froome acabaria por vencer no sprint o Espanhol, numa performance espantosa do 'Queniano'.

Froome vs Contador - O duelo entre dois gigantes da modalidade
Na 6ª etapa, acontece a queda de Froome e na 7ª, quando parecia que a história da 2ª etapa se repetiria, Contador expõe as dificuldades de Froome e Sky, desferindo um ataque avassalador. Porte impõe o ritmo no grupo dos favoritos, no entanto, é incapaz de reduzir a desvantagem e Froome a 1 Km tenta ir buscar o Espanhol, falha rotundamente, tendo sido inclusive ultrapassado nos últimos metros por Talansky e Hejesdal. A liderança da corrida mudava de dono e na 8ª etapa, Froome é incapaz de acompanhar Contador, que confiou em demasia nas capacidades do 'Queniano' e da Sky. O Espanhol perdeu imenso tempo na parte inicial da etapa para Talansky, que estava em fuga, tendo perdido o Dauphiné por essa razão. Enquanto Froome e a Sky, tinham um falhanço garrafal, que fazia duvidar e muito do que poderiam fazer no Tour
Apesar do falhanço nas últimas 2 etapas, Mikel Nieve amenizou as coisas, ao vencer a 8ª e última etapa.

Junho é mês de campeonatos nacionais, 3 atletas da equipa sagraram-se campeões nacionais. Na Grã-Bretanha, no contra-relógio foi Bradley Wiggins o mais forte e na prova de fundo, foi Peter Kennaugh. Na Bielorússia, Kanstantsin Siutsou, venceu o contra-relógio.

O mês de Julho, é dominado pelo Tour, depois de 2013, as expectativas para a Sky, eram altas. O objectivo era unicamente um, levar Chris Froome a vencer a prova pela segunda vez consecutiva. No entanto a prova, foi um desastre completo para a equipa Britânica. Froome caiu na 4ª etapa e na seguinte, a famosa etapa do pavé, Froome cai 2 vezes, fracturando o pulso e a mão direita.
Com o abandono de Froome, as equipa aposta tudo em Richie Porte, no entanto o Australiano, não consegue seguir os melhores na alta montanha, acabando mesmo por ser o 3º melhor classificado da equipa, ficando pelo o 23º lugar da geral. Nieve foi o melhor, na 18º, a mais de 46 minutos do vencedor e Geraint Thomas foi 22º.

Depois do desastroso Tour, Froome ainda com a prova Francesa a decorrer, definiu a Vuelta como o próximo objectivo.
Até ao inicio da Vuelta a equipa, ainda teve alguns resultados, nomeadamente as vitórias de Kennaugh na geral do Tour of Austria, arrecadando também a 1ª etapa. Geraint Thomas vence a prova de fundo dos Commonwealth games e Bradley Wiggins vence o contra-relógio inicial do Tour of Britain.

Chega a Vuelta, a Sky e Froome, tentavam salvar a temporada em Espanha. No entanto, a qualidade do pelotão presente na prova era extraordinária, entre eles: Quintana, Contador, Purito, Valverde e Aru.
Froome foi subindo de forma ao longo da prova e nas etapas decisivas da última semana, nomeadamente em Lagos de Somiedo e Puerto Ancares,  esteve perto do seu melhor, no entanto, Alberto Contador nas duas etapas, roubou-lhe a vitória nas mesmas e a conquista da Vuelta. De qualquer forma, a prestação de Froome em Espanha foi positiva, acabando em 2º, atrás de um Contador, que apesar de também vir de uma lesão do Tour, esteve praticamente invencível.

A época da Sky acabou em bom nível nos mundiais, no contra-relógio por equipas, a equipa ficou a 2 segundos do pódio, num honroso, 4º lugar. Mas o grande momento, foi a vitória de Bradley Wiggins no contra-relógio individual, batendo o Alemão Tony Martin.

Bradley Wiggins campeão do mundo de CRI
A Sky, acabou o ano, na 9ª posição do ranking UCI, piorando em 2 lugares o que tinha realizado em 2013. Não foi propriamente um ano brilhante para a equipa de Dave Brailsford, em 2015, com toda a certeza quererão corrigir as coisas. Esperemos para ver o que irão fazer, com uma equipa com alguns reforços de peso.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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