Tom Simpson

Hoje, dia 30 de Novembro de 2014, o malogrado ciclista Britânico, Tom Simpson, faria 77 anos e por essa razão, merece ter um destaque especial no blog.

Tom Simpson, vai ser sempre mais conhecido por ter falecido na subida do Mont Ventoux no Tour de France em 1967. No entanto, a sua carreira tem muito mais histórias para contar. 
Foi o primeiro Britânico campeão do mundo e a vestir a camisola amarela no Tour de France. Além desses momentos, temos de destacar as vitórias em 3 monumentos (Milão-San Remo, Flandres Lombardia), que o catapultou para o estrelato.

Os primeiros anos no ciclismo

Os primeiros anos de Simpson
A família muda-se de Haswell, County Durham para Harworth, Nottinghamshire em 1950, que lhe mudaria a vida. Tudo começa com a entrada do irmão Harry na Harworth and District Cycling Club e Tom segue-lhe as pisadas.
Começa mal, nas provas regularmente não consegue seguir os melhores, no entanto, as coisas vão melhorando, até que começa a vencer contra-relógios. O seu sucesso, chama a atenção do Rotherham’s Scala Wheelers, para onde se muda.
A sua mudança, também acontece na especialidade, passa a fazer pista e torna-se um grande especialista em perseguição. Onde consegue, representar a Grã-Bretanha nos jogos Olímpicos, nos mundiais para amadores e nos jogos Commonwealth e com bons resultados.
Em 1959, participa pela 1ª vez como profissional no Tour de l'Ouest, onde vence 2 etapas, acabando a prova na 14º da Geral. É seleccionado para os mundiais de estrada, onde consegue um excelente 4º lugar na prova de fundo, vencida pelo Francês, André Darrigade.
Na parte final desse ano, muda-se para a Rapha-Gitane-Dunlop, onde participa nas clássicas de final de temporada.

Os melhores anos de Simpson

1960, marca a estreia no Tour de France, a primeira grande prova que participa é a Milão-San Remo, no entanto é no Paris-Roubaix, Liége-Bastogne-Liége e Fléche-Wallone, onde faz 9º, 11º e 7º,  que alcance resultados importantes.
No Tour, consegue boas actuações, nomeadamente com o 3º posto na 3ª etapa, acabando a prova no 29º lugar da geral. Um lugar honroso, para um ciclista que participava pela 1ª vez numa Grande Volta.
O final de temporada, foi bastante complicado, fraquejou nas clássicas de final de temporada.
1961, foi o ano, onde Simpson conquistou a 1ª grande vitória da carreira, o Tour de Flandres, batendo Nino Defilippis, num sprint apertado.
No Paris-Nice, consegue um excelente 5º lugar da geral e consegue um 9º lugar na prova de fundo dos mundiais de estrada.
1962, foi um ano sem grandes vitórias, porém, contínua a obter resultados interessantes, faz 2º no Paris-Nice, 5º no Tour de Flandres, 6º na Ghent-Welvegem e consegue um brilhante 6º lugar no Tour de France, sendo que durante as etapa 12 e 13, envergou a camisola amarela, um dado histórico, já que se tratou do 1º Britânico a fazê-lo.

Tom Simpson
Tom Simpson o 1º Britânico a vestir de amarelo no Tour
Para a temporada de 1963, acontece a mudança de equipa, para a Peugeot-BP-Englebert. A grande vitória da época, aconteceu numa das mais longas clássicas do calendário, Bourdeaux-Paris, uma prova com uns impressionantes, 557 Kms. Foi um ano, sem muitas vitórias, mas muito consistente:
Gent–Wevelgem, 2º Paris–Bruxelas, 2º Paris–Tours, 3º Tour de Flanders, 8º Paris–Roubaix, 10º Flèche Wallonne e 10º Giro di Lombardia.
Neste mesmo ano, Simpson, abdica da participação no Tour para se concentrar nos campeonatos do mundo, sem grande sucesso na prova.
1964, foi marcado pela conquista do 2º monumento da carreira, Milão-San Remo, num ano que se destacam também o 2º lugar na Kuurne-Bruxelas-Kuurne, 10º no Paris-Roubaix, 4º na prova de fundo dos mundiais de estrada e 14º da geral no Tour de France.

1965, o ano dourado

Começa o ano com azar, ao lesionar-se a praticar ski, parte a perna e entorse o tornozelo. Começa a época mais tarde, com um 5º posto na clássica, Harelbeke–Antwerp–Harelbeke
A temporada é marcada pela vitória no campeonato do mundo (prova de fundo) e pela conquista do 3º monumento da carreira, Giro di Lombardia. Mas o ano de Simpson não se resume apenas a estes resultados, acrescentando outros resultados importantes: 1º nos 6 Dias de Bruxelas, 2º nos 6 dias de Ghent, 3º no GP du Midi Libre, 3º na Flèche Wallonne, 3º no Bordeaux–Paris, 6º no Paris–Roubaix e 10º na Liège–Bastogne–Liège.
A participação no Tour, foi muito azarada, com vários problemas, nomeadamente uma infecção na mão depois de uma queda e do desenvolvimento de uma bronquite, sendo obrigado a abandonar a prova. Foi o momento mais baixo, numa temporada brilhante.

Os últimos dois anos

1966, foi um ano bastante fraco para Tom Simpson. Tal como no ano anterior, começa com uma lesão ao praticar ski, desta vez parte a tíbia. Com este problema, a preparação para a temporada fica atrasada e bastante afectada.
O seu grande objectivo, é o Tour, onde é considerado um dos favoritos. Durante a prova, consegue acabar 2 etapas na 2ª posição, na etapa 12 e 13. Porém na 16ª etapa, na descida do Galibier, Simpson cai, atingido por uma mota da imprensa, que lhe deixa o braço bastante mal tratado, tendo de abandonar na etapa seguinte. Depois do abandono, afirmou, que a época estava completamente arruinada.

O objectivo de Simpson para 1967, era o Tour, para isso, concentrou-se nas provas por etapas, pondo de lado as clássicas.
Começou o ano, com a vitória da geral do Paris-Nice, um sucesso muito importante. Participaria pela 1ª vez na Vuelta, onde venceria 2 etapas, a 5ª e a 16ª, no entanto, acaba a prova no 33º lugar da geral.

A morte no Mont Ventoux


Memorial a Tom Simpson no Mont Ventoux
O Tour de France de 1967, tinha uma variável importante a ser considerada. Anquetil estaria ausente da prova, o que deixava a corrida, bastante aberta.
Simpson era considerado um dos favoritos a vencer a prova. Começou a mesma relativamente bem, antes da subida do Galibier, encontrava-se em 6º, nesse dia desceria 1 posto, já que se tinha sentido mal.
Antes da 13ª etapa, Gaston Plaud, director desportivo da Peugeot, dado os problemas de Simpson, aconselhou-o a abandonar a prova, no entanto o Britânico ignorou.
A etapa ligava Marselha a Carpentras, com a subida ao Mont Ventoux pelo meio, eram 211,5 Kms no total.
Na fase inicial da subida ao 'gigante da Provence', Simpson é visto a ingerir comprimidos com Brandy! O pelotão vai quebrando e Simpson manteve-se no grupo da frente, mas aos poucos vai perdendo o comboio, passando para um 2º grupo, porém, não aguenta o ritmo do grupo e começa a ficar mais atrasado, a cerca de 1 Km do final da subida, Simpson está aos zig-zags pela estrada, até que cai na estrada. Ainda tentam reanimá-lo, é transportado para o Hospital onde acaba por ser dado como morto. Dois frascos vazios e 1 com meia dose de anfetaminas foram encontrados no seu bolso detrás.

A carreira de Tom Simpson, irá ser sempre marcada por este episódio trágico do ciclismo mundial, que é sempre lembrado a cada subida ao Mont Ventoux, que se faz no Tour. No local onde colapsou Tom Simpson, encontra-se um memorial em sua honra, onde, vários objectos colocados por ciclistas profissionais, amadores e adeptos da modalidade, homenageiam o corredor Britânico. Uma bela homenagem um grande ciclista, que marcou a sua época à sua maneira.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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