Andy Schleck

O ano é de 2004, a Fléche de Sud no Luxemburgo, acabava de ser disputada e o vencedor era um 'amador' de 18 anos, que corria na VC Roubaix, equipa de Cyrille Guimard, o mesmo Director Desportivo que dirigiu corredores, como: Bernard Hinault, Greg Lemond, Laurent Fignon e Lucien Van Impe. Guimard nesse mesmo ano já o tinha comparado a Fignon. O nome do ´miúdo' não era desconhecido no mundo ciclístico, já que o seu pai, Johny Schleck, tinha sido 'aguadeiro' de Luís Ocaña no Tour, que o mesmo venceu em 1973. 

Estamos a falar de Andy Schleck, que depois desta prova, entraria no radar de outro nome ilustre e que era o Director Desportivo da CSC na altura, Bjarne Riis, que ficou impressionado com o jovem prodígio.
Andy Schleck
A partir daí, a vida de Andy Schleck nunca mais seria a mesma, em 2005 é contratado pela CSC de Riis, assinando o seu primeiro contrato profissional, estreando-se no Pro-Tour na Volta à Catalunha, tinha então 19 anos.

Em 2006, o seu irmão mais velho, Frank Schleck vence a mítica etapa do Alpe D'Huez e Andy começa a ter alguns resultados interessantes, nomeadamente no Sachsen Tour.

A confirmação

2007 é o ano da confirmação de estávamos perante um predestinado. Com 21 anos, Andy Schleck, faz a sua primeira Grande Volta da carreira, o Giro e sai de Itália como o melhor jovem e com o 2º posto da Geral no bolso, apenas derrotado por um Danilo Di Luca, numa vitória envolta em polémica, já que posteriormente foi-lhe detectado níveis hormonais baixos. Nesse mesmo ano consegue o 4º posto no monumento do Giro da Lombardia.

Andy Schleck no pódio do Giro 2007
2008 começou com um 4º posto no monumento preferido dele, a Liége-Bastogne-Liége. Na sua primeira participação no Tour de France, consegue um excelente 12º posto, ganhando a camisola branca da juventude e ajudando Carlos Sastre e a CSC a vencer individualmente e colectivamente a prova.

Tour e a épica batalha, Andy Schleck vs Contador

Em 2009, Andy Schleck começa por vencer a Liége-Bastogne-Liége, uma das vitórias mais importantes da sua carreira, uns dias antes tinha sido 2º na Fléche Wallone.
Mas é na maior prova ciclística do mundo, o Tour, que o Luxemburguês quer estar entre os melhores e consegue, ao ficar em 2º, apenas atrás do Espanhol, Alberto Contador. A batalha entre estes dois é um dos clássicos da era moderna do ciclismo.

Contador vs Andy Schleck
2010 é o ano em que ele consegue equilibrar a batalha com Contador, a diferença final no Tour, fica-se pelos 39 segundos, sendo que este Tour fica envolto na polémica do chaingate, quando a corrente saiu na bicicleta de Andy Schleck e Alberto Contador decidiu não esperar pelo seu rival, sendo que o tempo que o espanhol ganhou nessa etapa foram curiosamente, 39 segundos! O resto da história deste Tour já se sabe, Contador celebra nos Campos Elisíos, mas a vitória é-lhe retirada por causa dos famosos bifes e é atribuída a vitória a Andy Schleck.

2011, esperava-se novamente a batalha A. Schleck vs Contador, no entanto, o Espanhol decidiu fazer o Giro nesse ano, chegando ao Tour fora de forma. 
A batalha foi então com o Australiano Cadel Evans e decidiu-se no último contra-relógio. Pelo caminho fica a épica etapa do Galibier, uma das melhores dos últimos anos e na minha opinião o dia em que Andy Schleck premiou todos os amantes da modalidade com o seu melhor dia. Atacou a 60 kms da meta, vencendo a etapa isolado.

As lesões e o fim

2012, Andy e Frank Schleck mudam de equipa para a Leopard Trek. Na 4ª etapa do Critérium Dauphiné, um contra-relógio individual, Andy Schleck sofre uma queda e fratura o Sacro e o joelho também é afectado. Devido às lesões, não pode participar no Tour.
2013, ao que tudo indicava, seria o ano do regresso em força, no entanto, os resultados eram muito fracos, o Luxemburguês estava bem longe do que já tinha sido. A motivação, a fragilidade mental e as lesões pareciam não o querer largar. Foi uma época completamente perdida, no entanto o seu melhor resultado do ano, surgiu no Tour, ficando no 20º posto.
Como no ano anterior, começa 2014, sem grandes resultados. Apesar de tudo, inicia o Tour de France, até que na 3ª etapa, acontece uma queda onde ele está envolvido, resultado: fratura dos ligamentos cruzados.

Com o contrato a terminar, a Trek já tinha anunciado que não renovaria. Andy Schleck anuncia uma conferência de imprensa para o dia 09 de Outubro. Os rumores do seu abandono já se intensificavam e o Luxemburguês hoje confirmou-os. As suas palavras foram proferidas de uma forma emocionada:
“Estou obviamente desapontado por terminar a carreira assim. Gostaria de ter continuado a lutar, mas o joelho não mo permite. Embora os ligamentos tenham sarado, o dano na cartilagem é outra história. Tenho trabalhado na reabilitação do joelho, mas cheguei à dura conclusão que havendo o risco de uma lesão permanente esta é a melhor decisão.”


mas a afirmação mais forte foi a seguinte:

“O Joelho tomou a decisão por mim”


Hoje e com apenas 29 anos, Andy Schleck despediu-se desta forma da sua carreira de ciclista Profissional. 







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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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