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Guia da Volta à Flandres 2026

   


Hoje disputa-se o último monumento do ciclismo do ano, é dia da mítica Volta a Flandres. Será a 109ª edição da principal competição da região que vive o ciclismo com mais paixão, a Flandres. Esta prova é a preferida de muita gente que acompanha de perto ciclismo, porque realmente é única, com um ambiente especial e que resume bem o significado que tem o ciclismo para esta zona do globo.

Os seus inúmeros Hellingen's, que nós por cá traduzimos como subidas, colinas ou muros, com pavé à mistura e a quilometragem a rondar os 270 quilómetros (este ano mais curta) faz desta clássica uma das mais duras do calendário velocipédico mundial.

São seis os ciclistas que partilham o maior número de vitórias na prova, com três vitórias cada um temos: Achiel Buysse (1940, 1941 e 1943), Fiorenzo Magni (1949, 1950 e 1951), Eric Leman (1970, 1972 e 1973), Johan Museeuw (1993, 1995 e 1998), Tom Boonen (2005, 2006 e 2012), Fabian Cancellara (2010, 2013 e 2014) e Mathieu van der Poel (2020, 2022 e 2024).

Em termos de ranking de vitórias por país, o grande dominador é sem grande surpresas, a Bélgica:
1.Bélgica-69
2.Países Baixos-13
3.Itália-11
4.Suiça-4
5.França-3
6.Alemanha-2
6.Dinamarca-2
7.Reino Unido-1
7.Noruega-1 
7.Eslováquia-1     
7.Eslovénia-2

A partida e a chegada tem variado ao longo da história da prova, até ao anos 70 a largada tinha sido sempre realizada da cidade de Gent, aqui ficam a diferentes variantes utilizadas ao longo dos anos:
1913-Gent – Mariakerke
1914-Gent – Evergem
1919–1923 Gent – Gentbrugge (Arsenal)
1924–1927 Gent – Gent (pista)
1928–1941 Gent – Wetteren
1942–1944 Gent – Ghent (pista)
1945–1961 Gent – Wetteren
1962–1972 Gent – Gentbrugge
1973–1976 Gent – Meerbeke
1977–1997 Sint-Niklaas – Meerbeke
1998–2011 Brugges – Meerbeke
2012-2016 Brugges - Oudenaarde
2017-2024 Antuérpia - Oudenaarde
2024-2026 Brugges - Oudenaarde
2027-???? Antuérpia - Oudenaarde

História

Em 1913 a principal prova era a Volta à Bélgica, sendo que a Liège-Bastogne-Liège e as outras provas de um dia ainda não tinham atingido grande popularidade. A revista Sportwereld ao assistir à vitória de Odile Defraye na Volta à França de 1912, decidiu que era tempo de se criar uma grande prova na Flandres, Karel van Wijnendaele um dos fundadores da revista organizou a 1ª edição.
A Volta à Flandres desde cedo esteve fortemente ligada à identidade da Flandres, a intenção era concorrer e contrabalançar o domínio francês e da Valónia no ciclismo. Este facto, politizou a prova e fez com que uma grande parte das equipas francesas não participassem na mesma. Desta forma o pelotão não contou com os melhores corredores da época.

A primeira edição foi ganha por Paul Deman, num sprint de um grupo de cinco. No total participaram 37 corredores que iniciaram a jornada épica de 324 quilómetros, após Van Wijnendaele proferir a seguinte expressão: "Heeren, vertrekt!". Os primeiros completaram a prova em 12 horas, 3 minutos e 10 segundos.
Em 2017, Philippe Gilbert protagonizou uma das cavalgadas solitárias mais memoráveis da história da prova, ao isolar-se a mais de 50 quilómetros da meta no Oude Kwaremont e nunca mais foi apanhado. Nos anos a prova foi dominada por Mathieu van der Poel e Tadej Pogacar, que voltam a ser os grandes favoritos para este ano. 

últimos vencedores
2014 Fabian Cancellara (Swi) Trek Factory Racing
2015 Alexander Kristoff (Nor) Team Katusha
2016 Peter Sagan (Svk) Tinkoff 
2017 Philippe Gilbert (Bel) Quick-Step Floors
2018 Niki Terpstra (Hol) Quick-Step Floors
2019 Alberto Bettiol (Ita) EF  
2020 Mathieu van der Poel (Ned) Alpecin-Fenix
2021 Kasper Asgreen (Den) Deceuninck-QuickStep
2022 Mathieu van der Poel (NED) Alpecin-Deceuninck
2023 Tadej Pogacar (SLO) UAE Team Emirates
2024 Mathieu van der Poel (NED) Alpecin-Deceuninck
2025 Tadej Pogacar (SLO) UAE Team Emirates

Percurso

Antuérpia - Oudenaarde (278,2 km)




Apesar de algumas mudanças, o percurso deste ano tal como nas últimas edições tem como ponto crucial a combinação Oude Kwaremont e Paterberg.

As 16 subidas presentes no percurso deste ano:


Oude Kwaremont abre as hostilidades com 142 km percorridos. O Paterberg será transposto por duas ocasiões, a segunda será a última subida do dia, enquanto que o Oude Kwaremont será ultrapassado por três vezes. A principal seleção deverá ser na primeira passagem pela sequência Oude Kwaremont+Paterberg, a cerca de 55 km do final e repete-se bem no final da corrida, com o Paterberg a ser a última subida do dia, a 13 km da meta.


Depois da primeira passagem pelo combo Kwaremont+Paterberg aparece uma sequência de subidas importantes que continuarão a selecionar, inclui o Koppenberg, Steenbeekdries, Taaienberg e o Oude Kruisberg.



Meteorologia

A temperatura vai variar, na partida deverá rondar os 8ºC e de tarde chegará aos 14ºC.
Dia de sol e seco.
Vento moderado com períodos fortes, vai soprar de oeste na maioria do percurso, há potencial para bordures/echelons/abanicos/cortes.

Startlist

Aqui

Favoritos

Este ano há um grande favorito, por muito que van der Poel tenha um histórico impressionante Pogacar venceu os últimos embates com ele na Flandres e por essa razão temos de o colocar acima, até porque este ano no embate em São Remo ficou marcado por um KO do esloveno ao neerlandês. No entanto, nunca podemos menosprezar ciclistas do calibre de van der Poel, Pedersen ou Van Aert, num dia inspirado podem ganhar a qualquer um neste terreno.

O Favorito

Tadej Pogacar
Bateu van der Poel em 2023 e em 2025, sempre com a mesma receita, ritmo asfixiante a preparar o ataque definitivo.
Já não há muito a acrescentar sobre o esloveno, o historial fala por si.

A UAE tem uma equipa poderosa, além de Pogacar destaque para Florian Vermeersch que está a realizar uma excelente campanha de empedrado e é um sério candidato ao top-5. António Morgado é outro nome importante, o 'tuga' já tem um top-5 aqui e procura voltar aos lugares de destaque num terreno que adequa-se perfeitamente às suas características.

O rival
Mathieu van der Poel
Não começou o ano tão forte como nos últimas temporadas, em São Remo foi exposto e acabou fora do pódio. No entanto temos de recordar que a pior participação dele aqui foi um 4º lugar na estreia e nas restantes seis participações fez sempre pódio.
Este é o seu terreno, tecnicamente irrepreensível e com uma aceleração que poucos podem igualar.

Os principais outsiders

Wout Van Aert
A Visma-LAB apresenta um conjunto poderoso, com Van Aert a liderá-lo. O problema do belga são vários entre eles: Pogacar e van der Poel. Outro problema é claramente a incapacidade de terminar o trabalho, a quantidade de segundos lugares é uma coisa espantosa, entre eles muitos sprints perdidos no mano a mano.
A forma parece ser boa, conseguiu aguentar van der Poel na DDV que é um sinal excelente.
A segunda carta das abelhas é Christophe Laporte, que este ano voltou ao bom nível e outro que tem feito uma boa campanha primaveril é Per Strand Hagenes.

Remco Evenepoel
Esta é a grande surpresa da temporada, Evenepoel decidiu experimentar a Ronde. Vamos ver como se adapta às pedras flamengas, em principio devia sentir-se em casa já que vive na Flandres e costuma treinar em algumas destas estradas.
A Red Bull-Bora tem outras opções que andam muito bem neste terreno e que este ano têm andado bem, os mais destacados: Tim Van DijkeLaurance PithieGianni Vermeersch.

Mads Pedersen
Um candidato fortíssimo ao pódio, todos tentarão eliminá-lo para não o levar ao sprint. Ele está confiante na vitória como quase todos os anos (já é tradição), o problema será seguir Pogacar que em condições normais é inalcançável para o dinamarquês nestas subidas.

Os outros outsiders

Jasper Stuyven
Mudou de equipa mas continua a ser um ciclista que anima estas provas, é um daqueles que certamente vai se mexer em qualquer altura. Vive e respira Flandres e na nossa opinião é a melhor opção da Soudal-QuickStep.
Não está a realizar uma campanha de clássicas brilhante, mas também não tem estado mal.

Jonas Abrahamsen
Um daqueles motores que podem surpreender, os rivais devem ter em atenção às infiltrações nas fugas, o norueguês é um dos maiores especialistas nesse departamento.
Foi 5º na E3, onde mostrou que é um dos melhores neste terreno atualmente, principalmente se a prova for muita seletiva que será o caso.

Na sombra

Jenno Berckmoes
Um 'flandrien' que procura brilhar em casa, com 25 anos procura afirmar-se neste terreno e para isso tem feito uma temporada de clássicas bastante interessante. Completo, tem potência e também conta com uma ponta final, que não sendo extraordinária, é bastante competente.

Matteo Trentin
Uma velha raposa que conhece estes pedregulhos como a palma da sua mão, mesmo com 36 anos é candidato ao top-10.

Romain Gregoire
Primeira experiência na Ronde, temos bastante expectativa para perceber o que o francês vale neste contexto.

Magnus Sheffield
Sem Pippo Ganna a Ineos tem alguns nomes engraçados mas aquele que queremos destacar é o americano Magnus Sheffield. Há uns anos quando apareceu muito jovem, parecia destinado a grandes feitos no empedrado, mas nunca evoluiu nesse sentido, mas continuamos intrigados e ainda achamos que pode ser um dos melhores.

Alec Segaert
Um contrarrelogista que tem nesta campanha já fez coisas brilhantes.


★ Pogacar
 van der Poel
 Van Aert, Pedersen
 Evenepoel, Laporte, F. Vermeersch, Stuyven
★ Abrahamsen, Gregoire, Trentin, G. Vermeersch, Morgado, T. Van Dijke, Pithie, Berckmoes, Hagenes, Sheffield, Segaert

Aposta: Tadej Pogacar
Joker: Jenno Berckmoes

TV: Eurosport 1 (09:00, Lisboa)

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