Guia Volta à França 2019 - Equipas e favoritos


Chegou aquela que é a maior prova do ciclismo mundial e um dos eventos desportivos mais importantes.
Os melhores dos melhores irão percorrer as estradas de França (e não só) durante 3 semanas, à procura de conquistar o Santo Graal da modalidade. A edição deste ano é uma das mais abertas da última década.

Equipas


Equipa mais Homogénea: Ineos
Apesar de não contar com Froome, a equipa britânica apresenta um alinhamento de sonho e com dois líderes declarados: Thomas e Bernal. Tem gente para trabalhar na montanha, mas que também é capaz de andar bem no plano, Poels, Castroviejo, Kwiatkowski e Moscon enquadram-se neste perfil. Rowe e Van Baarle farão o trabalho nas primeiras metade das etapas.

Melhor equipa para a montanha: Ineos
Se formos por nomes, a Movistar tem mais gente para a montanha. Mas em termos de coesão, a Ineos é superior a qualquer uma. Kwaitkowski tem sido um gregário de luxo, seja no plano como a subir e Poels está em grande forma, como mostrou no Dauphiné.
Castroviejo é uma máquina de watts, muito útil a partir do meio das etapas de alta-montanha, capaz de liderar o pelotão durante muitos quilómetros, sempre num ritmo forte.

A desilusão: Sunweb
Ficaram sem o líder, Kelderman que em condições seria o líder nesta situação, mas o holandês realizou uma primeira parte do ano com poucos competição devido a lesão.
Michale Matthews também já declarou que não conta lutar pela camisola verde.

Quem será a equipa surpresa: EF Education First
Equipa muito interessante, com Uran, Woods e Tejay Van Garderen como cabeças de cartaz. O colombiano deverá ser o líder, mas qualquer outro dos dois poderá fazer a sua corrida caso esteja bem.
Kangert, Bettiol, Clarke, Scully e Langeveld compõe o resto da equipa, num bloco muito versátil.

Melhor comboio para o sprint: Deceuninck-QuickStep
Cinco comboios de sprint destacam-se:
DQT: Asgreen, Morkov, Richeze e Viviani
TJV: Jansen, Van Aert, Teunissen e Groenewegen
LTS: Keukeleire, Kluge, De Buyst e Ewan
BOH: Burghardt, Oss, Postlberger e Sagan
UAD: Bysrrom, Laengen, Philipsen e Kristoff

O da Deceuninck-QuickStep é o melhor, com os dois melhores lançadores da actualidade: Morkov e Richeze. Será que Viviani estará à altura da ocasião?

Favoritos

⭐⭐⭐⭐⭐
Egan Bernal
Com a ausência de Froome, com o pouco que mostrou este ano Geraint Thomas e com a temporada que Bernal está a fazer, a equipa britânica decidiu que o jovem colombiano terá liberdade no Tour.
Venceu o Paris-Nice e mais recentemente esteve intratável na Volta à Suiça, onde também mostrou que além de estar a subir como poucos, também se defende muito bem no contrarrelógio.

⭐⭐⭐⭐
Geraint Thomas
Vencedor em titulo, que procura defender a coroa. Tem tido um ano bastante cinzento, só mostrou alguma coisa Romandia. Na Volta à Suiça uma queda obrigou-o a abandonar.
É uma incógnita, no entanto, por levar o dorsal número 1 e por estar na melhor equipa, merece 4 estrelas.

Jakob Fuglsang
O dinamarquês não tem um grande histórico em 3 semanas. Porém, o Fuglsang de 2019 é um ciclista completamente diferente, com 34 anos está no melhor momento da carreira.
Depois de ter impressionado na primavera, principalmente nas Ardenas, venceu o Dauphiné de forma convincente. Esta é a grande e provavelmente a última oportunidade para ele tentar um grande resultado no Tour.

⭐⭐⭐
Thibaut Pinot
Preparou-se metódicamente para o Tour deste ano. Depois de algumas temporadas em que o Tour não foi o principal objetivo, 2019 marca o regresso do sonho de Pinot.
Acabou o ano de 2018 em grande, mas começou este ano com o alvo bem identificado, não correu muito, mas quando o fez, mostrou boas indicações.

Nairo Quintana
O colombiano desde o Giro de 2017 que perdeu por completo a consistência em provas de 3 semanas. O ambiente dentro da equipa também não ajuda, com Landa a reclamar a liderança e Valverde sempre na sombra, as coisas não estão fáceis. Nas escolhas, a Movistar não leva Anacona, um dos gregários mais fieis de Quintana.
No entanto, a seu favor, tem o facto da edição deste ano ter mais subidas acima dos 2000 metros de altitude e menos quilómetros de contrarrelógio individual em relação ao normal.

Steven Kruijswijk 
O holandês também todas as baterias para o Tour este ano. É um ciclista que se defende bem no contrarrelógio e sobe bem, principalmente nas fases mais adiantadas das Grandes Voltas.
É também um ciclista ofenisvo, capaz de atacar longe, como o fez no ano passado na etapa do Alpe d'Huez.
Este ano não tem estado nem bem nem mal, no Dauphiné foi obrigado a abandonar, quando estava bem dentro do top-10.

⭐⭐
Adam Yates
Começou o ano em boa forma, mas faltou-lhe sempre qualquer coisinha para materializar o bo momento numa vitória. Foi 2º no Tirreno-Adriático e Catalunha a poucos segundos de Roglic e Miguel Angel Lopez.
O problema poderá estar nas etapas com montanhas acima dos 2000 metros e a também na consistência ao longo de 3 semanas. Já foi 4º no Tour em 2016, nas outras duas edições onde esteve presente, o melhor que fez foi um 29º lugar.
Tem uma equipa forte para o apoiar, com destaque para o irmão.

Romain Bardet
Das seis participações apenas em uma ficou de fora do top-10 da geral, quando se estreou em 2013. Em 2016 foi 2º, 2017 foi 3º e em 2018 foi apenas 6º.
Tem realizado um ano bastante modesto e no desafio do Mount Ventoux foi batido por Jesus Herrada. Os sinais não são positivos, mas o francês pode estar a guardar o melhor para este Tour.

Rigoberto Uran
Foi 2º em 2017, o melhor que fez na Grand Boucle. Em 2018 teve azar e foi obrigado a abandonar.
Devido a problemas físicos, chega ao Tour com poucos quilómetros nas pernas, se por um lado bom porque chega fresquinho, por outro é prejudicial pela falta de ritmo.
Na Route d'Occitanie mostrou um nível aceitável.

Mikel Landa
Vem de fazer o Giro, onde ficou bem perto do pódio. O basco tal como Quintana sofre do mesmo problema, está numa equipa dividida.
O problema será o cansaço acumulado do corsa rosa, porém, continua a ser um factor a ter em conta, principalmente quando o terreno empinar.


Richie Porte
Ano muito complicado para o australiano, que viu a preparação afectada por doença. No Dauphiné mostrou estar longe da melhor forma e é preocupante.
Conta com Mollema e Ciccone, ciclistas que estiveram muito bem no Giro e que estão aqui para apoiar o australiano.
O primeiro objetivo de Porte será manter-se em cima da bicicleta.

Daniel Martin
Longe vão os tempos que Dan Martin não era um ciclista fiável em 3 semanas. Hoje em dia, o irlandês é um corredor diferente, menos explosivo, mas mais adaptado à endurance de uma Grande Volta. Este ano brilhou no País Basco, onde foi 2º e na preparação para o Tour, foi 8º no Dauphiné.
A UAE conta também com Fabio Aru, mas o líder é Martin.

Enric Mas
Foi 2º na Vuelta e a expectativa para esta temporada era enorme. Mas o ano do maiorquino tem sido muito modesta e na Suiça não esteve muito melhor, por isso, apenas leva uma estrela.
Não tem uma grande equipa para o apoiar na montanha.

Emmanuel Buchmann
Temporadona do alemão da Bora-Hansgrohe, assim como de quase toda a equipa. É um ciclista muito ofensivo e pode animar a prova, resta saber se este ano aguenta 3 semanas a alto nível.
Será que é este ano que irá se afirmar no Tour? 

Outros ciclistas a seguir

Julian Alaphilippe
Vencedor da classificação da montanha e de duas etapas na edição passada. O objetivo passa por repetir a façanha e certamente será um dos ciclistas mais ativos durante a prova.

Alejandro Valverde
A sua magreza impressionou na Route d'Occitanie. Segundo o próprio nunca chegou a uma prova com um peso tão baixo.
O campeão espanhol já afirmou que irá trabalhar para Quintana e Landa, mas toda a gente sabe que terá carta branca para fazer a corrida que desejar.

Thomas De Gendt
O rei das fugas. Espera-se um De Gendt mais ativo do que aquele que esteve no Giro.

Vincenzo Nibali
A equipa diz que ele vai para a geral, o tubarão já disse que primeiro irá ver como está e não se sente muito confiante. É provável que lute apenas por vitórias de etapa e pela camisola da montanha  

Warren Barguil
Realizou um Tour extraordinário em 2017. Mas desde que se mudou para a Arkea-Samsic a vida não tem sido muito feliz, o momento mais alto aconteceu no último fim de semana, onde se tornou campeão francês.

David Gaudu
Um dos maiores talentos franceses. Esteve fantástico na Romandia, onde mostrou laivos daquilo que poderá ser no futuro.
Será uma ajuda preciosa para Pinot, mas se tiver liberdade, é menino para sacar uma etapa. 

Giulio Ciccone
Realizou um Giro extraordinário, com uma vitória de etapa e a camisola da montanha. Está no Tour com o principal objetivo de ajudar Richie Porte, no entanto, é natural que tenha liberdade numa ou em outra etapa.

Tejay Van Garderen
Parece ter regressado ao melhor na sua nova equipa. No Dauphiné esteve muito forte, a grande questão é se aguenta três semanas a alto nível.
Outra dúvida é se irá fazer a sua corrida, ou vai trabalhar para Uran. De recordar que o colombiano abdicou de lutar pela geral na Califórnia para ajudar Van Garderen, aqui o favor poderá ser retribuído.

Simon Yates
Entrou no Giro com um discurso agressivo e que roçou a bazófia, o resultado não foi nada positivo, basicamente andou a arrastar-se por Itália durante 21 dias.
Deverá trabalhar para o irmão, mas certamente não está no Tour apenas para isso e não será de todo anormal que tente ganhar etapas.

Sprinters

⭐⭐⭐
Dylan Groenewegen
É o melhor velocista da atualidade, em potência pura poucos lhe faz sombra. Tem um bom bloco de lançadores e por isso, o holandês o é o homem a bater nas chegadas em pelotão compacto.

⭐⭐ 
Peter Sagan
Tem sido uma temporada cheia de desilusões. O eslovaco chega ao Tour motivado para dar a volta no pior ano para ele desde há muito tempo. Na Suiça deu sinais de recuperação.
Ganhar a verde é o principal objetivo, sempre com as vitorias de etapa na mira também.

Caleb Ewan
O pocket rocket australiano entra no Tour com confiança. Realizou um Giro de bom nível, parece que a mudança de equipa deu-lhe nova vida.
É um sprinter que também pode disputar as etapas um pouco mais seletivas, onde homens como Groenewegen e Viviani não passam.

Elia Viviani
O italiano não tem realizado um ano tão fulgurante como o de 2018, pode-se dizer mesmo que tem sido uma das desilusões no ano. No Giro ficou a seco e chega ao Tour com o objetivo de vencer etapas.
Não tem desculpa, dispõe do melhor comboio de lançamento.

Alexander Kristoff, Michael Matthews, Sonny Colbrelli

Portugueses

Serão três os lusitanos em prova, com objetivos diferentes.

Rui Costa
Esteve completamente fora forma na Volta à Suiça, onde costuma carburar. Os sinais não foram nada bons, o objetivo passa por ganhar uma etapa, mas pela amostra recente, o poveiro tem uma tarefa complicada pela frente.

Nélson Oliveira
É um dos melhores contrarrelogistas da atualidade e vai ser muito útil no contrarrelógio coletivo. É também um elemento que estará a proteger os líderes nas etapas planas.

José Gonçalves 
Apesar da Katusha-Alpecin levar Zakarin, não há um líder declarado e o barcelense não terá de trabalhar, ficando com liberdade para entrar em fugas.

As nossas apostas

Vencedor:
CR: Bernal
BD: Bernal

Restante pódio (sem ordem)
CR: Kruijswijk, Quintana
BD: Fuglsang, Pinot

Restante Top-10 (sem ordem)
CR: Pinot, Fuglsang, Thomas, A. Yates, Uran, Bardet, Mas
BD: Thomas, Quintana, Kruijswijk, A. Yates, Uran, Bardet, Landa

Camisola verde
CR: P. Sagan
BD: P. Sagan

Classificação da montanha

CR: Alaphilippe
BD: Alaphilippe

Classificação da juventude
CR: Bernal
BD: Bernal

Classificação por equipas
CR: Movistar
BD: Movistar 
(Unzué gosta!)


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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