Guia Volta à França 2019 - Percurso


A maior e mais prestigiante prova de ciclismo e um dos maiores eventos desportivos começa no próximo dia 6 de julho, sábado. A partida será dada na capital belga, Bruxelas, 22 dias depois chegará a Paris, na tradicional e emblemática chegada aos Campos Elísios.
No total os corredores farão 3480 quilómetros, divididos por 21 etapas. 

Resumo da edição deste ano:
  • Disputa-se de 6 a 28 de julho. 
  • 3480 Km ao longo de 21 etapas. 
  • 165,7 Km é a média de cada etapa. 
  • 2 contra-relógios (1 individual + 1 coletivo), 8 etapas completamente planas, 4 etapas de média montanha ou transição, 7 etapas de alta montanha com 5 finais em alto (La Planche de Belles Filles, Tourmalet, Prat d'Albis, Montée de Tignes e Val Thorens): 
1-10
11-15
16-21
  • No total contará com 55 Km de contrarrelógios, divididos por:  28 Km coletivo e 27 Km individual.
  • 2 dias de descanso (16 e 22 de julho).

 O percurso



Em traços gerais:
- Etapa inaugural em Bruxelas
- Contrarrelógio coletivo em Bruxelas
- Norte de França 
- Vosgues 
- Maciço Central 
- Pirenéus (inclui contrarrelógio individual em Pau)
- Riviera Francesa 
- Alpes
- Paris


O Oeste de França foi ignorado nesta edição. Em relação à sequência, a colocação do contrarrelógio coletivo no segundo dia de prova é surpreendente e desajustada, era preferível colocá-lo no primeiro dia. A prova abre com uma etapa difícil de explicar, com a visita ao Kapelmuur ainda antes dos 50 Km de prova e a mais de 100 da meta, o Bosberg está colocado a seguir. Estas duas dificuldades basicamente não servem para nada, estão ali só para se dizer que a edição de 2019 passou por lá e passou por muros flamengos.

O norte de França serve de transição da Bélgica para os Vosges, onde está colocada a primeira etapa de montanha com final na La Planche de Belles Filles, na 6ª etapa. Antes disso as 3ª e 5ª etapas podem trazer movimentações nos últimos 25 Km, no entanto, não se esperam diferenças entre os candidatos à geral, isto sem contar com os azares que são habituais na primeira semana.
A etapa que termina em Chalon-sur-Saône além de ser a mais longa da prova com os seus 230 Km, serve para ligar os Vosges ao Maciço Central, onde não há nenhuma etapa de montanha, mas no cardápio estão etapas com constante sobe e desce, perfeitas para que as fugas cheguem e antes do primeiro dia de descanso temos mais um dia para velocistas.

A segunda parte este ano é mais curta, com apenas 5 etapas. A primeira (11ª etapa) é plana, mas o terreno muda na 12ª etapa, com chegada a Bagnères-de-Bigorre, que não sendo em alto conta com o Col de Peyresourde e Hourquette d'Ancizan. Segue-se o contrarrelógio individual de 27,2 Km que fará diferenças. O regresso do Tourmalet com o final da 14ª etapa, dia com pouca quilometragem mas muito duro. A 15ª etapa fecha a ronda pelos Pirinéus, com a chegada a Prat d'Albis em mais um dia com muita montanha. 

Segundo dia de descanso.

Tal como a seguir ao primeiro dia de descanso, temos a nova etapa para velocistas seguido da já tradicional chegada a Gap, num dia de transição, perfeita para uma fuga. Chegam os Alpes e teremos três etapas de alta montanha, com chegadas a Valloire (no menu do dia estão o Izoard e o Galibier), Tignes e no 'monstro' Val Thorens,
Etapa final em Paris, para comemoração.

Montanha

A montanha desta edição tem um factor que difere das últimas edições, a altitude. Nos últimos 10 anos, é a edição com mais ascensões acima dos 2000 metros de altitude:

Edição 2018, montanhas acima dos 2000 metros: 
Vars (2 109 m), Tignes (2 113 m), Tourmalet (2 115 m), Izoard (2 360 m), Val Thorens (2 365 m),  Galibier (2 642 m) e Iseran (2 770 m).

Em relação a acumulado, não há nenhuma etapa que passa os 5000 metros. Das 7 etapas de montanha, aquela que tem maior acumulado é a 18ª, que inclui Vars, Izoard e Galibier, com um final em descida em Valloire.


11 de julho - Etapa 6 - Mulhouse › La Planche des Belles Filles (157 Km)
A primeira semana tem um dos dias mais interessantes de toda a prova, nos Vosgues. No menu está o Ballon d'Alsace, Chevrères e termina numa nova vertente da La Planche de Belles Filles, com uma rampa a 25%.

18 de julho - Etapa 12 - Toulouse › Bagnères-de-Bigorre (202 Km)
 
Na segunda semana, o principal palco serão os Pirenéus. A 12ª etapa etapa é a primeira etapa na cordilheira que separa a peninsula Ibérica do resto da Europa. 
É uma das etapas mais mal desenhadas desta edição, uma abominação. Duas subidas duras (Peyresourde e Hourquete d'Ancizan) depois de mais de 100 quilómetros planos, o topo da última fica a 30 Km da meta.

20 de julho - Etapa 14 - Tarbes › Tourmalet (117 Km)
Depois do contrarrelógio de Pau, temos a chegada ao lendário Tourmalet. Uma etapa que ainda tem no menu o Col du Soulor a meio da mesma. Saúda-se o regresso da chegada ao Tourmalet, porém a etapa é demasiado curta e não é muito dura, a subida acumulada não passa os 3000 metros.

21 de julho - 7 Etapa 15 - Limoux › Foix (185 Km)
Para fechar a segunda semana, aparece aquela que é a etapa mais interessante nos Pirenéus. Chegada a Prat d'Albis, com quatro subidas durinhas, acumulado a rondar os 4000 metros e 185 Km de extensão.

25 de julho - Etapa 18 - Embrun › Valloire (208 Km)
 
Em comparação com os Pirenéus, o bloco de etapas no Alpes tem mais potencial. A 18ª etapa abre as hostilidades nas montanhas alpinas e é uma das mais bem desenhadas desta edição.
Apesar de não terminar em alto, o dia fica marcado por três contagens de montanha duras e acima dos 2000 metros de altitude, a última é o Galibier, que tem o topo a menos de 20 Km da meta, que são feitos em descida até Valloire.

26 de julho - Etapa 19 - Saint-Jean-de-Maurienne › Tignes (123 Km)
A 19ª etapa é mais uma curta, são apenas 125 Km de extensão. Conta com três contagens de montanha e um final em Tignes. Das etapas nos Alpes é aquela que menos entusiasmo me causa.

27 de julho - Etapa 20 - Albertville › Val Thorens (131 Km)
A última de montanha do Tour 2019, mais uma vez peca por ser demasiado curta. Tal como o dia anterior, no menu estão três contagens, mas a grande diferença está na última subida final. O Val Thorens é um monstro que esteve esquecido pela ASO cerca de 20 anos. São mais de 33 Km a 5,5% de inclinação média.

Contrarrelógios

Há dois contrarrelógios, um coletivo e o outro é individual. O primeiro está colocado na 2ª etapa, é difícil de explicar o porquê deste posicionamento. É um crono curto para os parâmetros, com apenas 27,6 Km.

7 de julho - Etapa 2 (CRE) - Brussels › Brussels (28 Km)
19 de julho - Etapa 13 (CRI) - Pau › Pau (27 Km)
O contrarrelógio individual está colocado a meio da segunda semana, depois da primeira etapa nos Pirinéus. Também é demasiado curto, são apenas 27 Km, para os parâmetros de uma grande volta é manifestamente pouco. O perfil está longe de ser plano, o que ajuda os levezinhos a limitar perdas.

Nos últimos 30 anos, apenas a edição de 2015 teve menos quilómetros de contrarrelógio individual, com apenas 14 Km.

Avaliação final

Pontos Negativos
- A primeira etapa é um completo desastre, a Flandres não é aproveitada;
- A colocação do contrarrelógio coletivo na segunda etapa na Bélgica;
- O contrarrelógio individual é demasiado curto. Não precisava ser um crono de 50 Km, 35 a 40 Km já era suficiente;
- A sequência de etapas nos Pirenéus é uma desilusão, com um contrarrelógio pelo meio;
- Etapas de montanha demasiado curtas (3 não passam os 135 Km de extensão):

- Não há uma etapa que passa os 5000 metros de subida acumulada, vai contra aquilo que a ASO anda a propagar, que este Tour é um dos mais duros de sempre;
- Não há uma etapa com mais do que 3 contagens de 1 categoria e HC;
- A etapa que termina em Bagnères-de-Bigorre é uma das etapas mais mal desenhadas que me lembro numa Grande Volta. A que termina em Tignes também desilude.

Pontos Positivos
+ Diminuição de etapas para sprinters e a colocação delas é mais dispersa ao longo da prova;
+ Uma primeira semana mais variada em relação a outras, apesar dos dois primeiros dias serem uma abominação e não haver pavé. Etapas de Épernay, Colmar e do Maciço Central não são planas;
+ O regresso de uma chegada ao Tourmalet;
+ 7 contagens acima dos 2000 metros de altitude;
+ A nova vertente de La Planche de Belles Filles. Além disso a etapa em si, está bem desenhada com o Ballon d'Alsace e Chevrières a antecederem a subida final;
+ A etapa que termina em Prat d'Albis, a melhor;
+ A etapa do Galibier. Apesar de não terminar em alto, está bem desenhada;
+ O último palco de montanha é um monstro, o Val Thorens.


NOTA: Todas etapas terão uma antevisão e rescaldo da anterior.



Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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