Guia da Volta a Portugal 2019


A prova mais amada pelos portugueses.está prestes a começar. Nesta quarta-feira começa a 81ª edição da Volta a Portugal na cidade de Viriato, Viseu.
A primeira edição foi à 92 anos e o vencedor foi Augusto de Carvalho, ciclista do Carcavelos, que percorreu 1965 quilómetros divididos em 18 etapas. Na altura, haviam três categorias, Forte, Fracos e Militares e alguns representavam clubes.
“Foi o ciclismo, e não o futebol, que espalhou a mística dos três grandes clubes por todo o país” Guita Júnior, jornalista desportivo
A Volta regressaria 4 anos mais tarde, com José Maria Nicolau e Alfredo Trindade a encarnarem a rivalidade entre Benfica e Sporting. Nos anos 40 seria o FC do Porto a dominar a prova e assim nascia a enorme rivalidade que até aos dias de hoje existe entre os três clubes.
Os ciclistas portugueses dominam a lista de vencedores com 57 vitórias, mas na última década o domínio tem sido espanhol. Desde 2004, das 13 edições disputadas, 10 foram conquistadas por ciclistas do país vizinho, com destaque para as 5 vitórias de David Blanco, que faz dele o recordista de vitórias.

História

últimos 10 vencedores
2009 David Blanco (ESP) Palmeiras Resort–Tavira
2010 David Blanco (ESP) Palmeiras Resort–Prio
2011 Ricardo Mestre (POR) Tavira–Prio
2012 David Blanco (ESP) Efapel–Glassdrive
2013 Alejandro Marque (ESP) OFM–Quinta da Lixa
2014 Gustavo Veloso (ESP) OFM–Quinta da Lixa
2015 Gustavo Veloso (ESP) W52–Quinta da Lixa
2016 Rui Vinhas (POR) W52–FC Porto
2017 Raúl Alarcón (ESP) W52-FC Porto
2018 Raúl Alarcón (ESP) W52-FC Porto

Edição 2018 (Top-10)

Percurso

31/7 Prólogo - Viseu › Viseu (6 Km)
1/8 Etapa 1 - Miranda do Corvo › Leiria (174.7 Km)
2/8 Etapa 2 - Marinha Grande › St.º António dos Cavaleiros (198.5 Km)
3/8 Etapa 3 - Santarém › Castelo Branco (181.8 Km)
4/8 Etapa 4 - Pampilhosa da Serra › Torre (145 Km)
5/8 Etapa 5 - Oliveira do Hospital › Guarda (158 Km)
6/8 Dia de descanso
7/8 Etapa 6 - Torre de Moncorvo › Bragança (189.2 Km)
8/8 Etapa 7 - Bragança › Serra do Larouco (156.2 Km)
9/8 Etapa 8 - Viana do Castelo › Santa Quitéria (156.6 Km)
10/8 Etapa 9 - Fafe › Senhora da Graça (133.5 Km)
11/8 Etapa 10 (CRI) - Vila Nova de Gaia › Porto (19.5 Km)
 
Total: ~ 1574 Km


Percurso duro e seletivo como já é tradição, porém já está na hora de novos percursos serem explorados, não faltam subidas boas que podem estar na Volta. 
A prova como nos últimos anos, começa com um prólogo, este ano em Viseu, onde os ciclistas mais adaptados a esforços curtos e explosivos têm a oportunidade de vestir a amarela.
A prova pode ser divida em 2 partes, separadas pelo dia de descanso, que será entre as 5ª e 6ª etapas, no dia 6 de agosto.
A 1ª parte conta com dois dias para os sprinters: a chegada a Leiria na 1ª etapa, apesar da Serra da Lousã estar no percurso, encontra-se na fase inicial da etapa e a Castelo Branco na 3ª etapa.
Ao 5º dia (4ª etapa), chega um dos momentos mais decisivos para os homens da geral, a temível chegada à Torre, que este ano irá ser feita pela vertente da Covilhã. 
As chegadas a Santo António dos Cavaleiros e Guarda, são para puncheurs, não para sprinters puros. Os homens da geral têm de estar atentos, é terreno em que se pode perder segundos preciosos.

A 2ª parte da Volta começa por terras transmontanas, com uma chegada para os velocistas, em Bragança. No dia a seguir, continuam pela região, mas com uma chegada bem diferente, no alto da Serra do Larouco, é um dia para a geral.
A 8ª etapa percorre o Minho e chegada a Felgueiras, ao monte de Santa Quitéria, ascensão curta e empinada, mais uma para os puncheurs. O penúltimo dia tem como palco principal, a mítica ascensão à Senhora da Graça. É uma etapa demolidora, com muita dureza e onde cansaço acumulado irá fazer-se sentir. 
Para o último dia está guardado um contrarrelógio individual de 20 Km, que termina bem no centro da cidade invicta.

Perfis
31/7 Prólogo - Viseu › Viseu (6 Km)

1/8 Etapa 1 - Miranda do Corvo › Leiria (174.7 Km)

2/8 Etapa 2 - Marinha Grande › St.º António dos Cavaleiros (198.5 Km)

3/8 Etapa 3 - Santarém › Castelo Branco (181.8 Km)

4/8 Etapa 4 - Pampilhosa da Serra › Torre (145 Km)

5/8 Etapa 5 - Oliveira do Hospital › Guarda (158 Km)

6/8 Dia de descanso

7/8 Etapa 6 - Torre de Moncorvo › Bragança (189.2 Km)

8/8 Etapa 7 - Bragança › Serra do Larouco (156.2 Km)

9/8 Etapa 8 - Viana do Castelo › Santa Quitéria (156.6 Km)

10/8 Etapa 9 - Fafe › Senhora da Graça (133.5 Km)

11/8 Etapa 10 (CRI) - Vila Nova de Gaia › Porto (19.5 Km)

Etapas-chave
- 4ª etapa, com a chegada à Torre;
- 7ª etapa, chegada à Serra do Larouco;
- 9ª etapa, chegada à Senhora da Graça, em termos genéricos é a etapa mais dura, com 3 contagens de 1ª e uma de 2ª categoria;
- 10ª etapa, contrarrelógio de 20 Km, longe de ser plano, com final no centro do porto, com a parte final em empedrado.

Lista de participantes 

Lista de participantes [@Firstcycling]

Favoritos

Geral Individual:

W52-FC Porto - Tem sido a grande dominadora das últimas edições, dando-se ao luxo de colocar vários corredores nos dez primeiros. Este ano não deve ser exceção, a equipa azul e branca é  a que apresenta o melhor conjunto, com uma série de ciclistas capazes de estar nos primeiros lugares, o que constitui uma vantagem táctica sobre as restantes equipas.
Portanto é natural que a equipa de Nuno Ribeiro domine a lista de favoritos, no entanto, este ano há um grande ausente, o vencedor das últimas duas edições, Raul Alarcón que está a recuperar de lesões sofridas devido a uma aparatosa queda no GP Abimota.
A equipa no papel tem três homens para a geral, são eles:
Edgar Pinto, foi 4º em 2018 e este ano teve boas apresentações na Volta à Turquia, Asturias e GP JN. Não venceu, mas foi protagonista em todas elas. É um ciclista capaz de subir com os melhores, embora em subidas longa possa sofrer mais. A etapa da Torre será definitiva para perceber se será candidato à vitória.
António Carvalho, em 2018 quebrou forte na subida às Penhas da Saúde. É um ciclista que num dia bom é praticamente imparável a subir, em condições normais já estaria no World Tour, a sua qualidade é indiscutível, falta-lhe apenas ser consistente.
João Rodrigues, foi a surpresa na edição de 2018. Capaz de se defender na montanha e de fazer contrarrelógios de bom nível, é um ciclista completo. Começou o ano muito bem, na Volta ao Algarve andou com os melhores e venceu a Alentejana.
Ricardo Mestre será o principal apoio dos líderes na montanha e não será de estranhar se ficar às portas do top-10.
Gustavo Veloso substitui Alarcón, tentará ajudar o melhor possível, deve ser a última Volta a Portugal para ele.
Daniel Mestre e Samuel Caldeira, são elementos de trabalho, mas que também podem disputar uma ou outra chegada rápida.

Efapel - Mesmo com os problemas na direção da equipa, com o despedimento de Américo Silva, parece ser a única equipa capaz de lutar com os portistas.
Joni Brandão, tem de ser considerado o grande favorito este ano, muito por culpa da excelente temporada que está a realizar. Foi no GP JN que mostrou toda a sua força, com três vitórias de etapa consecutivas e dominadoras. A subida à Torre será o dia D para ele.
Henrique Casimiro, venceu a Troféu Joaquim Agostinho, está em boa forma. Será um apoio muito importante para o Joni Brandão na montanha, é um ciclista que sobe muito bem. Mesmo sendo gregário, deverá terminar no top-10.
Sérgio Paulinho será um elemento muito importante para Brandão, principalmente no trabalho invisível que poderá fazer.
Rafael Silva e Fabrico Ferrari são os homens para chegadas mais rápidas.
Mihaylov e Bruno Silva serão gregários importantes para o líder da equipa.

Sporting-Tavira - Com a saída de Joni Brandão, a equipa ficou muito mais frágil. As contratações de Tiago Machado e José Mendes, não conseguem compensar a perda de Brandão, nenhum dos dois é candidato a ganhar a Volta.
Frederico Figueiredo - É a principal carta de Vidal Fitas, excelente trepador e capaz de ser regular, como demonstrou no ano passado, quando foi 5º.
Alejandro Marque não deve aguentar a muita montanha, o papel dele será ajudar o líder o melhor que puder.
Aleksandr Grigorev este ano tem estado bastante mais discreto, é um ciclista que se notabilizou no contrarrelógio.
David Livramento é um ciclista muito experiente que já não oferece muito à equipa, ao contrário de Alvaro Trueba que é jovem e poderá brilhar numa ou outra etapa.
Incompreensível a não chamada de César Martingil, um dos melhores sprinters portugueses.

RP - Boavista - A equipa de José Santos  parte para mais uma Volta com uma equipa interessante, mas atrás de W52-Porto e Efapel.
Resta saber quem será o líder, a nossa aposta recai em João Benta. O percurso é duro e com poucos quilómetros de contrarrelógio, que em teoria lhe agrada. No ano passado foi 6º e tem realizado uma temporada a apontar totalmente na Volta.
Daniel Silva tem passado praticamente incógnito em 2019. No entanto, já tradição que na Volta se exibe relativamente bem. É um sério candidato a Prémio Zubeldia, estará ali no top-10, mas praticamente invisível.
Luis Mendonça teve um problema que o impediu de competir quase 2 meses. Regressa na Volta e cheio de vontade, é talvez o grande candidato português nas chegadas ao sprint. 
David Rodrigues é um ciclista que sobe bem e é um daqueles que poderá ganhar alguma etapa através de uma fuga, num dos dias duros. 
Luis Gomes não tem tido a evolução que se esperava dele.
Hugo Nunes e Pablo Guerrero completam a equipa, são ciclistas de trabalho.

Aviludo-Louletano - A equipa algarvia está totalmente construída ao redor de Vicente Garcia De Mateos. Este ano, o espanhol não tem estado bem, longe da melhor forma. Mas não será surpresa se aparecer a andar bem e também a discutir as chegadas ao sprint. No ano passado foi 3º, será complicado igualar.
Não se pode dizer que é uma equipa muito forte, mas também não é fraca. Márcio Barbosa, Luis Fernandes, David de la Fuente e Oscar Hernandez são ciclistas competentes que podem dar uma apoio importante a De Mateos nas etapas de montanha.
André Evangelista é o elemento mais jovem da equipa, já participou em 2017 e este ano volta a ter a mesma função, trabalhar para De Mateos.

Vito-Feirense-Blackjack - Das seis equipa é aquela que consideramos mais frágil, ainda para mais depois de ter perdido Edgar Pinto. Não têm ninguém que possa disputar a geral.
O jovem João Barbosa é um ciclista de futuro, mas que já nesta Volta merece ser seguido de perto.
Jesus del Pino pode sacar uma etapa, através de uma fuga.
A restante equipa irá trabalhar para João Matias nas chegadas ao sprint. O barcelense é um dos melhores sprinters portugueses da atualidade.

Outros ciclistas a seguir:

Domingos Gonçalves - Regressou ao PCT e o azar voltou a bater-lhe à porta. Tem sido um ano marcado pelas quedas e problemas fisicos. Chega à Volta como uma incógnita, no ano passado conseguiu ficar no top-10, este ano achamos complicado. No entanto, é candidato a ganhar uma etapa, há chegadas que lhe assentam muito bem.

Oscar Sevilla - Vem de fazer 2º no Tour Qinghai Lake, depois de ter sido 3º na Volta à Colômbia, será que continuará a progessão em Portugal? Não acreditamos nisso, o cansaço irá notar-se e o ritmo na Volta não perdoa. Somando as duas provas, foram 26 etapas (+1 prólogo) desde 16 de junho.
Uma vitória de etapa já será muito positivo.

Brice Feillu - Um ciclista com muita história em França e habituado a grandes palcos. Não aspira a muito na Volta, a não ser uma etapa.

Bram Welten - Será o homem da Arkea-Samsic para as chegadas rápidas. A escassez de sprinters faz com que o holandês seja um candidato a disputar um par de etapas.

Marco Tizza - Ciclista capaz de andar bem no plano e também na montanha. Com ele, Celano e Ficara, a Amore&Vita apresenta um trio muito interessante, onde Tizza é aquele que nos parece em melhor forma e que dá mais garantias.

Pierpaolo Ficara - Trepador italiano que pode surpreender nas etapas de montanha. No entanto, com todo o respeito, a Volta a Portugal não é o Sibiu Cycling Tour, aqui o andamento é outro e o ciclista italiano para a geral não irá contar muito. 

Gian Friesecke - Ciclista suiço que no inicio da temporada esteve muito bem na Alentejana. Devemos vê-lo em algumas fugas.

Unai Cuadrado - Jovem ciclista da Euskadi que este ano está a ter um ano de afirmação na sua categoria, por exemplo foi 7º na Course de la Paix. Pode ser uma das boas surpresas.

Antonio Barbio - É a eterna promessa. O ano até tem sido positivo, onde conta com 1 vitória, no Memorial Bruno Neves.
Será que é este ano que irá finalmente saltar para outro nível?

⭐⭐⭐⭐⭐ Jóni Brandão
⭐⭐⭐⭐ Edgar Pinto, António Carvalho, João Rodrigues
⭐⭐⭐ Vicente Garcia De Mateos, Frederico Figueiredo
⭐⭐ Henrique Casimiro, João Benta
⭐ Daniel Silva, Ricardo Mestre

TOP-3
1. Jóni Brandão
2. Edgar Pinto
3. António Carvalho


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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

2 comentários:

  1. Boa antevisão. Irás fazer antevisões por etapa também? Seria interessante se tivesses tempo.
    Abraço

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    1. Sim, irei fazer antevisão das etapas. Não farei do prólogo de hoje.
      Obrigado :)

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