Relatório 2018 - Trek-Segafredo



País - Estados Unidos
UCI WT  Ranking - 13º

A equipa americana teve um ano complicado, mas não é nada que seja surpreendente. O bloco das clássicas esteve relativamente bem, já o bloco das provas por etapas teve um ano muito difícil, sem um líder fiável para a classificação geral.

Principal Figura - Jasper Stuyven

Foi um dos ciclistas mais consistentes nas clássicas: 4º na Omloop, 10º na Milão-São Remo, 6º na E3 Harelbeke, 10º na Dwar Door Vlaanderen, 7º na Volta à Flandres e 5º no Paris-Roubaix. Além disso, venceu uma etapa do BinckBank Tour e o GP Wallonie.
É sem sombra de dúvidas um dos melhores classicómanos da atualidade e nos próximos anos continuará a lutar pelos primeiros lugares neste tipo de provas.

Desilusão - Gianluca Brambilla

Chegou da Quick-Step Floors com ambição de liderar a equipa em algumas provas, começou o ano bem, foi 4º na Troféu Serra Tranmuntana, prova que faz parte do Challenge Maiorca. O melhor que conseguiu no restante do ano foram dois 5º lugares, numa etapa do Giro e no Memorial Marco Pantani
Muito pouco para um ciclista que tem resultados importantes na sua carreira.

Principais resultados - 9ª etapa do Tour

A 9ª etapa do Tour foi uma das melhores etapas da edição deste ano, como se esperava de um percurso inspirado na rainha das clássicas, Paris-Roubaix. Teve de tudo e no final ganhou aquele que em 2016 teve um atropelamento brutal na pré-temporada e desde deixou de ser o Degenkolb que ganhou monumentos e etapas das grandes voltas.
O alemão não conteve a emoção no final e chorou de alegria por finalmente mostrar que ainda está vivo para o ciclismo.



Outros resultados relevantes - Volta à Flandres

A aposta natural da equipa para a Volta à Flandres era Jasper Stuyven, que acabou por terminar em 7º. Mas a surpresa do dia foi Mads Perdersen que se colocou em fuga e acabou por sobreviver a toda a gente, menos Niki Terpstra que o apanhou e deixou-o para trás, mesmo assim o jovem dinamarquês de apenas 22 anos terminou só a 12 segundos do holandês.
Foi uma exibição portentosa de um ciclista que tem tudo para ser um dos grandes classicómanos.

Melhor momento - Degenkolb conquista pavé no Tour

Não há muito por onde escolher, mas a vitória de Degenkolb no pavé do Tour é não só o melhor momento da equipa, como também é um dos momentos do ano de ciclismo.

Pior momento - Nenhum

Apesar de não ter sido uma boa temporada para a equipa, não há um momento que tenha sido tão mau, que mereça o destaque.

Revelação - Mads Pederson

Repete, no ano passado também tinha sido a revelação da equipa. Se em 2017, Pedersen fazia a primeira temporada no WT e mostrou ser um grande talento, em 2018 o dinamarquês deu um salto qualitativo surpreendente.
O que fez na Volta à Flandres está ao alcance de poucos, com tantos quilómetros em fuga e apenas termina a 12 segundos de um Niki Terpstra que naquele momento da temporada estava a voar. mas não brilhou apenas aí, foi 5º na Dwars Door Vlaanderen, venceu uma etapa no Herald Sun Tour e Volta à Dinamarca e conquistou o Tour d'Eurometropole.
Apesar de ter ganho uma etapa na Volta à Dinamarca, acabou por não conseguir repetir a vitória na geral de 2017.

Avaliação
 
Números
Desde 2012 que o número total de vitórias tem variado entre as 15 e 24, em 2018 foram 20. Este ano foram menos 2 vitórias WT em relação a 2017.
A queda no ranking foi muito brusca sem que os números de vitórias tenham caído muito.
O número de pódios também não difere do anterior, 64. É um número normal para o histórico da equipa. A queda no ranking teve mais a ver com a subida de nível das outras equipas do que o rendimento da equipa americana, que basicamente foi o mesmo de 2017.
Em relação à distribuição de pontos na equipa, Jasper Stuyven é claramente o ciclista que mais contribuiu com 27%.

Bauke Mollema segue-se com 16,/%, John Degenkolb com 10,7% e Mads Pedersen com 9,6%. Destaque para os 8,2% de Rúben Guerreiro, acaba por ser uma contribuição dentro do esperado.
Tirando Stuyven, a distribuição é dispersa em comparação com outras equipas.

Positivo
  • O bloco das clássicas, não ganhou mas o futuro é risonho;
  • Mads Pedersen;
  • Jasper Stuyven;
  • A vitória de Degenkolb.
    Negativo
    • Falta de um líder para as provas por etapas;
    • Gianluca Brambilla;
    • Giacomo Nizzolo.
      Futuro

      São 6 as caras novas e todas elas podem ter impacto imediato. A grande contratação é a de Richie Porte, que dará à equipa capacidade para ganhar provas por etapas. Giulio Ciccone é outro nome forte para as provas por etapas, um jovem trepador de enorme qualidade.
      Alex Kirsch e Edward Theuns são grandes contratações para o já forte bloco das clássica, Theuns regressa a casa. William Clarke é um gregário experiente, que sabe como proteger os seus líderes no pelotão. A equipa poderia ser ainda mais forte caso Ivan Ramiro Sosa tivesse respeitado o acordo que tinha com a equipa.

      Em relação a saídas, Nizzolo sai depois de mais um ano desastroso. Rúben Guerreiro junta-se à armada portuguesa da Katusha, é uma perda importante para a Trek-Segafredo. Mathias Brändle não renovou e ruma à Israel Cycling Academy, também realizou um ano muito modesto. As restantes saídas são de ciclistas pouco importantes, uns retiraram-se, outros arranjaram equipa e outros ainda não sabem onde vão correr.

      Concluindo, em termos teóricos, a equipa parece bem mais forte. O blocodas clássicas recebe dois valores de grande qualidade e Richie Porte e Giulio Ciccone são aquisições de grande nível para a montanha, com o australiano a ser para o presente e o italiano é já a pensar também no futuro.

      Entradas:
      Matteo Moschetti (Polartec-Kometa, 2020)
      Richie Porte (BMC Racing Team, 2020)
      William Clarke (EF Education First, 2020)
      Alex Kirsch (WB Aqua Protect Veranclassic, 2020)
      Giulio Ciccone (Bardiani CSF, 2020)
      Edward Theuns (Team Sunweb, 2019)

      Saídas:
      Gregory Rast (retirou-se)
      Matthias Brändle (Israel Cycling Academy)
      Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin)
      Giacomo Nizzolo (Dimension Data)
      Boy van Poppel (Crelan-Charles)
      Tsgabu Grmay (Mitchelton-Scott)
      Eugenio Alafaci (?)
      Gregory Daniel (?)
      Laurent Didier (retirou-se)



      Bruno Dias

      Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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