Relatório 2018 - Lotto Soudal


País - Bélgica
UCI WT  Ranking -15º

A Lotto-Soudal é uma das equipas mais velhas e icónicas do ciclismo mundial, mas também é das que tem um dos orçamentos mais baixos do World Tour. O ano de 2018 não foi muito diferente dos anteriores e o ranking final assim o reflete. 
Tim Wellens e Tiesj Benott assumem-se cada vez como a força motriz da equipa belga, em sentido oposto esteve André Greipel, que despediu-se da equipa com uma temporada apagada.

Principal Figura - Tim Wellens

Começou o ano em grande, venceu uma das provas do Challenge Maiorca e a Volta à Andaluzia. Fez também um excelente Paris-Nice, foi 5º.
A boa forma continuou na primvaera, venceu a Brabantse Pijl, foi 6º na Amstel Gold Race e 7º na Flèche Wallone. Entrou no Giro com o objetivo de vencer etapas e conseguiu-o na 4ª etapa, acabaria por abandonar a prova devido a doença.
Regressou na Suiça, mas seria no Tour de Wallonie que regressaria às vitórias, ao vencer a geral e uma etapa. Foi 3º no Binckbank Tour e Bretagne Classic e terminaria o ano com um 5º lugar no último monumento do ano.
Realizou um ano consistente, com algumas vitórias e a forma como corre é sempre espetacular.

Desilusão - André Greipel

Se olharmos para os números, a temporada do alemão não foi má. Conseguiu 9 vitórias em 2018, no entanto, apenas as duas primeiras conquistadas no Tour Down Under são de nível WT, as restantes foram em provas de um nível inferior.
Não venceu nenhuma etapa no Tour, onde mostrou estar a uns furos mais a baixo da concorrência. A idade não perdoa, em 2019 irá deixar o WT e correrá na equipa francesa Fortuneo-Samsic, Caleb Ewan será o seu substituto.

Principais conquistas - Strade Bianche

A Strade Bianche foi provavelmente a melhor prova do ano. As condições atmosféricas atrozes contribuíram para que a edição deste ano tenha sido verdadeiramente épica.
Romain Bardet e o campeão do mundo de ciclocross,Wout Van Aert, estiveram sempre muito ativos e foi preciso um Benoot num dia inspirado para os ir buscar. A forma como o fez, torna a vitória ainda mais impressionante, quando os apanhou, o ciclista da Lotto-Soudal, num dos últimos setores de sterrato deixou Bardet e Van Aert para trás e pedalou em solitário até Siena onde obteve a vitória mais importante da sua carreira até ao dia de hoje.

Outros resultados relevantes - 4ª etapa do Giro, 18ª etapa da Vuelta

Optamos por escolher a Strade Bianche como principal conquista e não as duas vitórias de etapa em grandes voltas, pela forma como a clássica italiana foi conquistada.
Tim Wellens ganhou a 4ª etapa do Giro numa chegada ao seu estilo, numa subida explosiva ideal para um puncheur. Enquanto que Jelle Wallays ganhou a 18ª da Vuelta a partir de uma fuga, no sprint bateu Sven Erik Bystrom (UAE-Emirates).

Melhor momento - Strade Bianche

Foi uma vitória épica, um dia memorável de ciclismo e para a equipa belga.

Pior momento - Queda de Benoot no Tour

A 4ª etapa do Tour foi de azar para Benoot, quando a cerca de 5 Km do final tombou, quando se encontrava bem posicionado.
O ciclista belga terminou a etapa com a cara ensanguentada (a imagem fala por si) e decidiu abandonar a corrida.

Tiesj Benoot no final da 4ª etapa do Tour (©Bettini Photo)





Revelação - Bjorg Lambrecht

Vice-campeão mundial de sub-23, Lambrecht realizou um ano interessante. Além dos mundiais destaque para uma vitória de etapa e o 2º lugar na geral no Tour dos Fjords.
Também se estreou nas grandes voltas, na Vuelta, acabou por abandonar, mas antes disso deu nas vistas na etapa que terminou em La Camperona, onde foi 4º.
É para continuar a acompanhar a evolução deste ciclista.

Avaliação

Números

Os números não são muito diferentes dos anos anteriores. A equipa obteve o mesmo números total de vitórias que em 2017, mas menos 3 vitórias WT.
Em 2017 acabaram o anos em 13º, em 2016 tinham ficado em 14º. Tirando em 2015, onde foram 9º no ranking, o habitual é ficarem acima do 10º lugar.
Em relação ao número de pódios, foram menos 16 em comparação a 2017, mas por exemplo mais 3 do que em 2016. Não foi um bom ano, mas também não foi desastroso até porque estamos a falar de uma equipas com o orçamento mais baixo do WT.
Em relação à distribuição dos pontos na equipa, Wellens e Benoot acumularam 54,8% dos pontos conquistados pela equipa. Há dois anos a equipa dependia muito de Greipel, agora depende destes dois.

Jelle Vanendert é o terceiro, com 9,5% dos pontos e André Greipel apesar das 9 vitórias só arrecadou 6,3%.

Positivo 
  • Tim Wellens e Tiesj Benoot;
  • São uma equipa ativa, que gosta de mexer na corrida.
Negativo
  • Temporada de clássicas do pavé;
  • André Greipel;
  • Demasiada dependência de Benoot e Wellens;
  • Continuam a não ter ninguém para a geral das grandes voltas.
Futuro

Sai André Greipel entra Caleb Ewan, a equipa ganha um sprinter jovem. Com o australiano também vem Roger Kluge, que deve ser um dos lançadores de sprint. Adam Blythe é outra cara nova, também ele um sprinter.
As restantes aquisições ou são de jovens (Dewulf, Thijssen e Iversen) ou ciclistas que já têm alguma experiência em níveis inferiores mas que se estreiam no WT.

Além de Greipel, a equipa perde outro finalizador, Moreno Hofland. A equipa para o pavé também fica sem Jens Debusschere, que nestes últimos 2 anos esteve um pouco apagado. As restantes saídas não são de peso.

O sucesso das mudanças deste ano vai depender da troca Greipel-Ewan. Se o australiano tiver um desempenho melhor que o veterano alemão teve em 2018, então será um mercado ganho pela Lotto-Soudal. Pela lógica a equipa fica a ganhar com Ewan, pela sua juventude e potencial.

Entradas: 
Caleb Ewan (Mitchelton-Scott, 2020)
Roger Kluge (Mitchelton-Scott, 2019)
Stan Dewulf (2020)
Rasmus Byriel Iversen (General Store Bottoli, 2020)
Carl Fredrik Hagen (Joker Icopal, 2020)
Brian van Goethem (Roompot-Nederlandse Loterij, 2020)
Adam Blythe (Aqua Blue Sport, 2019)
Gerben Thijssen (2020)

Saídas: 
André Greipel (Fortuneo-Samsic)
Marcel Sieberg (Bahrain Merida)
Moreno Hofland (EF-Education First-Drapac)
Jens Debusschere (Katusha-Alpecin)
Lars Ytting Bak (Dimension Data)
James Shaw (?)


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

Sem comentários:

Enviar um comentário