Relatório 2018 - Katusha-Alpecin


País - Suiça
UCI WT  Ranking -17º

A temporada da Katusha-Alpecin pode ser resumida numa palavra: miserável. A equipa suiça (mas que na sua génese continua  a ser russa) tem o segundo orçamento mais elevado do ciclismo mundial, apenas atrás da Sky e o melhor que conseguiu em 2018 foram 5 vitórias.
Os responsáveis da equipa têm de refletir e encontrar as causas deste desastre. Os resultados foram embaraçosos, as contratações milionárias não renderam e pior que isso, a equipa não deu qualquer sinal que poderá recuperar em 2019.

Principal Figura - Nathan Haas

Numa equipa em que Marcel Kittel e Ilnur Zakarin são as principais 'estrelas', diz muito quando o melhor ciclista do ano tenha sido Nathan Haas.
Foi o ciclista melhor colocado no ranking e foi um dos responsáveis por dar uma vitória à equipa. Realizou uma temporada muito consistente, com diversos top-10 (16) e alguns pódios (5), além da já referida vitória de etapa no Tour of Oman.

Desilusão - Marcel Kittel

A temporada de Kittel ficou marcada por três acontecimentos: as duas vitórias de etapa no Tirreno-Adriático, a falta de capacidade para lutar com os principais rivais praticamente a época inteira e os spots publicitários à Alpecin, onde mostrou que nos penteados, ao contrário do que se passa na estrada, está em grande forma. 
Foi uma das grandes transferências do ano, deixou a melhor equipa do mundo a trabalhar para os sprinters pelo dinheiro da Alpecin e o resultado está à vista de todos.

Principais resultados - 2 vitórias de etapa no Tirreno-Adriático, 9º lugar de Zakarin no Tour

As duas vitórias de Kittel no Tirreno-Adriático foram as únicas no World Tour e por isso, as mais importantes em 2018. A escassez de resultados foi tão profunda, que o 9º lugar de Zakarin no Tour consegue ser um dos melhores resultados da equipa.
 
Outros resultados relevantes - Vitória de etapa no Tour of Oman, 7º lugar de Politt no Paris-Roubaix

A vitória de etapa de Nathan Haas em inicio de época no Tour of Oman foi importante para equipa, numa prova que o australiano esteve sempre a rondar os lugares da frente.
Nils Politt foi a grande revelação, falaremos dele mais tarde, o 7º lugar no Paris-Roubaix foi uma das poucas boas surpresas da Katusha-Alpecin em 2018.

Melhor momento - Não houve

O ano foi tão mau que não há um momento que se destaque.

Pior momento - Queda e abandono de Tony Martin no Tour

A passagem de Tony Martin pela Katusha-Alpecin foi marcada pela falta de rendimento, por exemplo, nos 2 anos, o alemão não ganhou um único contarrrelógio individual a não ser nos campeonatos alemães. Mas a sorte também não quis nada com ele.
Uma das quedas mais graves aconteceu na 8ª etapa do Tour deste ano, quando a 17 Km do final Martin esteve envolvido numa queda coletiva no pelotão e o resultado foi uma fratura numa vértebra.

Revelação - Nils Politt

Foi um dos poucos a ter uma boa temporada na equipa. O alemão mostrou potencial nas clássicas, com o já referido 7º lugar na rainha da clássicas e esteve muito ativo nas provas por etapas, onde se colocou diversas vezes em fugas.
Em 2019, é um dos ciclistas a seguir com curiosidade no pavé.

Avaliação

Números
De 2012 a 2016, a Katusha era uma das equipas mais fortes do pelotão internacional, com destaque especial para 2015, onde a equipa alcançou 40 vitórias, 15 delas do WT e terminaram o ano em 2º do ranking, lugar que também conseguiram em 2012.

Em 2016 já houve uma quebra, mas não parecia preocupante, terminaram o ano em 6º. No entanto em 2017 a equipa caiu a pique, só obteve 17 vitórias e foi 11ª no ranking.
A equipa para 2018 apostou forte, foram buscar o melhor sprinter de 2017, Marcel Kittel, a esperança estava renovada, mas em vez da situação melhorar, piorou. Com apenas 5 vitórias e a queda para o penúltimo lugar, as coisas têm de mudar e muito, até porque a Katusha-Alpecin em 2018 tinha um dos maiores orçamentos do pelotão.
O gráfico anterior mostra os pódios de 2012 a 2018 e confirmam a queda abrupta da equipa em 2 anos. A mais drástica aconteceu entre 2017 e este ano, de 55 para 26 pódios, ou seja, um tombo de 52%, mais de metade.

Em relação à distribuição de pontos, ninguém se destacou particularmente.

Nathan Haas foi o que mais contribuiu, com mais de 18% dos pontos, seguido por Zakarin, apesar de uma temporada mais apagada, ainda contribuiu com quase 17%. 
No meio de tanta mediocridade e tendo em conta isso, nota positiva para José Gonçalves, com alguns resultados interessantes e acabou por contribuir com 7% dos pontos da equipa. Por outro lado, teremos de voltar a falar de Marcel Kittel, nota muito negativa para o alemão, que nem conseguiu ter 7% dos pontos da equipa.

Positivo
  • Nathan Haas, José Gonçalves e Nils Politt;
Negativo
  • Ilnur Zakarin e Marcel Kittel;
  • Mais um ano para esquecer de Tony Martin;
  • Nem na Suiça, onde costumam ter bons resultados, a equipa se safou;
  • Muito dinheiro, poucos resultados.
Futuro

Começamos com as perdas, a principal é Tony Martin. O alemão abandona a equipa e procura a felicidade que lhe faltou nestes dois anos. Era um dos ciclistas mais bem pagos do plantel.
Outra saída é a de Tiago Machado, que nas últimas 2 temporadas tornou-se irrelevante e desta forma volta a Portugal. Outro que regressa ao país natal é Jhonathan Restrepo, que prometeu muito mas estagnou e em 2019 correrá pela Manzana-Postobon.
Das outras saídas, destaque para a de Baptiste Planckaert, um homem do pavé, que fragiliza ainda mais o bloco das clássicas.

A equipa helvética-russa, é uma das poucas que irá reduzir o plantel, de 26 ciclistas para 24. Em relação a entradas, Debusschere é uma contratação interessante para as clássicas e para alguns finais de etapa, a sua ponta final pode ser uma ajuda também no comboio de Kittel.
Enrico Battaglin e Ruben Guerreiro são ciclistas de características similares, para finais em subida curta e explosiva.  Daniel Navarro, ex-gregário de Contador, será um homem para ajudar Zakarin na montanha.
Strakhov e Tanfield são ciclistas jovens que vão-se estrear no World Tour.

A equipa no papel é bastante idêntica à de 2018. As expectativas são baixas para 2019, apesar de continuarem a ter um dos orçamentos mais altos do World Tour.
Se Marcel Kittel retomar o caminho das vitórias, a equipa dará um salto importante. Será também interessante perceber em que é que Ilnur Zakarin vai apostar. Giro ou Tour?

Entradas:
Daniel Navarro (Cofidis, Credit Solutions, 2020)
Harry Tanfield (Canyon, 2020)
Jens Debusschere (Lotto Soudal, 2020)
Enrico Battaglin (LottoNL-Jumbo, 2020)
Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo, 2019)
Dmitry Strakhov (Lokosphinkx)

Saídas: 
Marco Mathis (Cofidis, Credit Solutions)
Baptiste Planckaert (WB Aqua Protect Veranclassic, 2020)
Maurits Lammertink (Crelan-Charles, 2019)
Tony Martin (Team LottoNL-Jumbo, 2020)
Tiago Machado (Sporting/Tavira)
Jhonathan Restrepo (Manzana-Postobon)
Maxim Belkov (?)
Robert Kiserlovski (retirou-se)

Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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