Relatório 2018 - Dimension Data


País - África do Sul
UCI WT  Ranking -18º

Como já é tradição, com o final do ano a chegar, é altura para analisar a temporada de ciclismo, nomeadamente o desempenho das equipas World Tour. Começamos pela equipa que ficou pior classificada no ranking WT, que mais uma vez foi a Dimension-Data.
A equipa sul-africana fez uma temporada muito fraca e comparando com 2017, pode-se mesmo dizer que o ano de 2018 foi desastroso. Terminaram o ano com apenas 7 vitórias contra as 25 no ano transato.

Principal Figura - Ben King

Venceu duas etapas na Vuelta, estreou-se a ganhar em grandes voltas. Perante a escassez de vitórias da equipa e a importância destas vitórias, não existem muitas dúvidas, a principal figura da equipa em 2018 foi o americano Ben King.

Desilusão - Louis Mentjes

Regressou a casa depois de uma passagem pela UAE. As expectativas eram grandes, mas o sul-africano desiludiu por completo. O melhor resultado foi o 17º lugar no Tirreno-Adriático e nas grandes voltas, não terminou o Giro e na Vuelta ficou no 58º lugar.
A sua forma de correr já não é especialmente bonita e se aliarmos isso a fracos resultados, então a equipa tem aqui um sério problema para resolver.

Principais conquistas - 4ª e 9ª etapas da Vuelta

Foram os grandes momentos da equipa em 2019, protagonizados pelo mesmo ciclista. Ben King foi uma das figuras da Vuelta, não só pelas vitórias de etapas, mas também pela forma como o fez em dois dias duros.

Outros resultados relevantes - Vitórias de etapas na Volta à Noruega, Tour dos Alps e Dubai Tour

A escassez de resultados da equipa fazem com que 3 vitórias de etapas em 3 provas HC, sejam resultados relevantes. 
Mark Cavendish obteve a única vitória da temporada no Dubai Tour. Ben O'Connor realizou um excelente Tour dos Alps e culminou a boa semana com uma vitória de etapa. Enquanto que Edvald Boasson Hagen venceu uma etapa em casa, na Volta à Noruega.

Melhor momento - 4ª etapa da Vuelta

Ben King conseguiu entrar na fuga do dia e aproveitou o ritmo calmo e moderado do pelotão. A chegada a Puerto de Alfacar, era exigente, o americano e o Nikita Stalnov (Astana) foram os mais fortes do grupo de fugitivos e no sprint final, o ciclista da Dimension Data foi o mais rápido.
Foi a vitória mais importante do ano, com um significado muito importante para a equipa.

Pior momento - Queda de Cavendish na Milão-São Remo

Cavendish até começou o ano a ganhar uma etapa no Dubai Tour, o problema foi depois. Queda na zona neutra da 1ª etapa do Abu Dhabi resultou uma concussão e consequente abandono. Regressou no Tirreno-Adriático e nova queda na etapa de abertura, um contarrelógio coletivo, resultou numa fratura de uma costela, danos faciais e outros ferimentos.
Apesar de tudo, conseguiu estar à partida da Milão-Sao Remo. A 10 Km do final ainda estava no grupo principal, quando à saída de uma rotunda bateu de forma violenta num dos mecos sinalizadores, voou literalmente até cair de costas no asfalto. Mais uma costela fraturada e mais um ano perdido para o inglês.

Revelação - Ben O'Connor

O jovem australiano entrou em 2018 sem grandes ambições, seria um ano de aprendizagem. No entanto, O'Connor deu excelentes sinais para o futuro.
Brilhou intensamente no Tour dos Alps, foi 7º e venceu uma etapa, numa prova com um grande cartel este ano. No Giro, pensava-se que iria trabalhar para Mentjes, mas nada disso, foi sempre o melhor da equipa, a duas etapas do fim estava no 12º lugar a apenas 40 segundos do Top-10, infelizmente foi obrigado a desistir devido a queda, partiu a clavícula.

Avaliação

Positivo
  • Ben O'Connor;
  • A Vuelta de Ben King.
Negativo
  • Apenas 7 vitórias;
  • Mais uma temporada para esquecer do principal ciclista da equipa, Mark Cavendish;
  • Regresso infeliz de Louis Mentjes.
Veredicto
Foi um ano muito mau para a equipa sul-africana. Tem 2012 como o ano de referência, este foi o ano com menos vitórias desde esse ano, só 2014 se aproxima, com apenas 10 vitórias.
A redução de 2017 para 2018 foi drástica, de 25 para 7, isto representa uma quebra de 72%. Em relação a vitórias no escalão mal alto, a diferença não é grande, 3 vitórias em 2017, menos uma em 2018.

Nr de vitórias de 2012 a 2018

Naturalmente, houve também um decréscimo de pontos conquistados pela equipa. Em 2017, conseguiram 2575, enquanto que em 2018, nem aos 2000 chegaram, 1953.
Dos que mais contribuíram, destacam-se dois: Edvald Boasson Hagen e Tom-Jelte Slagter, que no total contribuíram com 959 pontos, ou seja, 49,1%. Se adicionarmos Ben King, os três arrecadaram 62,3%.

Os supostos líderes da equipa, Louis Mentjes e Mark Cavendish, têm números residuais, o sul-africano apenas obteve 2,6% e o inglês nem sequer está listado.

Futuro

A equipa para 2019 tem reforços de peso e o investimento tem claramente como objetivo subir o nível da equipa e deixar a cauda do ranking UCI.
A grande aquisição é sem dúvida nenhuma, Michael Valgren, um ciclista capaz de ganhar no pavé e também em clássicas 'tipo Ardenas', que em 2018 foi uma das principais figuras da primavera, com vitórias na Omloop e na Amstel Gold Race. Roman Krueziger é outro que esteve em destaque na primavera, neste caso nas Ardenas, é uma carta a ser jogada nesse terreno, assim como Enrico Gasparotto.
Giacomo Nizzolo é mais um sprinter, o italiano espera recuperar a melhor forma de outros tempos. Por fim destaque para Gino Mader, um dos mais talentosos ciclistas da categoria sub-23.

Em relação às saídas, Serge Pauwels, era um dos principais ciclistas da equipa nas grandes voltas, é um dos clientes mais frequentes das fugas. Merhawi Kudus, começou bem o ano, mas foi perdendo gás, ruma à Astana. 
Morton e Berhane não são perdas importantes. Igor Anton arrumou a bicicleta.

No papel a equipa está mais forte, com a aquisição de Valgren a ser um enorme upgrade. Kreuziger e Gasparotto também são ciclistas de grande qualidade. O bloco das clássicas é bastante interessante, além dos 3 novos membros, há Edvald Boasson Hagen. Para as provas por etapas, Ben O'Connor irá continuar a sua evolução e Louis Mentjes pior que este ano não fará.
Das saídas, a mais importante é a de Pauwels.

Entradas:
Michael Valgren (Astana, 2021)
Danilo Wyss (BMC, 2021)
Roman Kreuziger (Mitchelton-SCOTT, 2021)
Stefan de Bod (Team Dimension Data for Qhubeka, 2020)
Rasmus Tiller (Joker-Icopal, 2020)
Lars Ytting Bak (Lotto Soudal, 2019)
Enrico Gasparotto (Bahrain-Merida, 2019)
Giacomo Nizzolo (Trek-Segafredo, 2019)
Gino Mäder (sub-23, 2020)

Saídas: 
Serge Pauwels (BMC)
Igor Anton (fim de carreira)
Merhawi Kudus (Astana Pro Team)
Lachlan Morton (EF Education First - Drapac)
Natnael Berhane (Cofidis, Credit Solutions)



Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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