Volta à França 2018 - Antevisão 9ª Etapa

Antes do primeiro dia de descanso chega uma das etapas mais esperadas deste ano. Termina em Roubaix, num dia em que o paralelo é rei e senhor.

Rescaldo 8ª etapa:

Mais um dia sem grande interesse a não serem os últimos quilómetros. Os fugitivos do dia foram, Fabien Grellier (Direct Energie) e Marco Minnaard (Wanty-Groupe Gobert). A vantagem chegou a cifrar-se nos 6 minutos, o pelotão mais uma vez rodou mais lento que o previsto.
O grande derrotado do dia foi Daniel Martin, perdeu 1 minuto e 16 segundos para o vencedor, porque ficou envolvido numa queda, onde também esteve Julian Alaphilippe. Fuglsang, Mollema e Latour também ficaram retidos na queda, mas rapidamente recuperaram até ao pelotão.
O sprint final foi marcado pela polémica que levou à desclassificação da etapa de Fernando Gaviria e André Greipel. O alemão fechou um pouco a porta do colombiano que respondeu com uma cabeçada.
Enquanto isso os dois eram ultrapassados por Groenewegen, que vencia a sua segunda etapa consecutiva.

Combativo do dia: Fabien Grellier (Direct-Energie)

Classificação da 8ª etapa:
1 Dylan Groenewegen (Ned) LottoNL-Jumbo 4:23:36              
2 Peter Sagan (Svk) Bora-Hansgrohe         
3 John Degenkolb (Ger) Trek-Segafredo         
4 Alexander Kristoff (Nor) UAE Team Emirates         
5 Arnaud Demare (Fra) Groupama-FDJ         
6 Thomas Boudat (Fra) Direct Energie         
7 Nikias Arndt (Ger) Team Sunweb         
8 Mark Cavendish (GBr) Dimension Data
9 Yves Lampaert (Bel) Quick-Step Floors
10 Andrea Pasqualon (Ita) Wanty-Groupe Gobert

Geral individual (Top-10):
1 Greg Van Avermaet (Bel) BMC Racing Team 32:43:00    
2 Geraint Thomas (GBr) Team Sky 0:00:07    
3 Tejay van Garderen (USA) BMC Racing Team 0:00:09    
4 Philippe Gilbert (Bel) Quick-Step Floors    0:00:16    
5 Bob Jungels (Lux) Quick-Step Floors 0:00:22    
6 Rigoberto Uran (Col) EF Education First-Drapac p/b Cannondale 0:00:49    
7 Alejandro Valverde (Spa) Movistar Team 0:00:55    
8 Rafal Majka (Pol) Bora-Hansgrohe 0:00:56    
9 Jakob Fuglsang (Den) Astana Pro Team 0:00:57    
10 Richie Porte (Aus) BMC Racing Team

Diferenças entre os líderes:
2. Geraint Thomas (Team Sky)
5. Bob Jungels (Quick-Step Floors) a 15″
6. Rigoberto Urán (EF-Drapac) a 42″
7. Alejandro Valverde (Movistar Team) a 48″
8. Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) a 49″
9. Jakob Fuglsang (Astana) a 50″
10. Richie Porte (BMC) a 50″
11. Mikel Landa (Movistar Team) a 52″
12. Chris Froome (Team Sky) a 59″
13. Adam Yates (Mitchelton-Scott) a 59″
15. Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) a 1’05”
16. Primoz Roglic (LottoNL-Jumbo) a 1’14”
17. Bauke Mollema (Trek-Segafredo) a 1’15”
19. Tom Dumoulin (Team Sunweb) a 1’20”
20. Steven Kruijswijk (LottoNL-Jumbo) a 1’23”
22. Romain Bardet (AG2R La Mondiale) a 1’42”
24. Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) a 1’59”
26. Nairo Quintana (Movistar Team) a 2’07”
31. Dan Martin (UAE Team Emirates) a 2’40”

Etapa 9






É um dos dias mais temidos pelos homens da geral, com 22 quilómetros de pavé divididos por 15 sectores. Destes sectores, 9 deles estiveram na edição deste ano do Paris-Roubaix.
O pavé aparece aos 47,5 quilómetros de corrida e a sucessão de sectores vão até a 8 quilómetros da linha de chegada, que se situa na Avenida Maxence Van der Meersch, perto do lendário velódromo de Roubaix.
A etapa tem apenas 156,5 quilómetros, não é demasiado longa, começa em Arras e os primeiros 40 quilómetros são percorridos para Este para depois a corrida ir em direção a Norte, onde aparece o primeiro sector de empedrado.
Dois dos sectores mais dificeis do Paris-Roubaix não estão presente, a floresta de Arenberg e o Carrefour de l'Arbre. Os sectores mais complicados são os números: 2, 8, 9, 11 e 15. 
O sector 8, o Mons-en-Pévèle é o único com 5 estrelas de dificuldade.

A organização do Tour, não atribuiu estrelas aos sectores como faz no Paris-Roubaix, no entanto, decidimos classificar os sectores seguindo os critérios da rainha das clássicas:
15. Escaudoeuvres à Thun (⭐⭐⭐⭐, 1900 m, Km 49.1),
14. Eswars à Paillencourt (⭐⭐, 1700 m, Km 54.8),
13. Auberchicourt à Écaillon (⭐⭐⭐, 900 m, Km 69.5),
12. Warlaing à Brillon (⭐⭐⭐, 2200 m, Km 88.4),
11. Tilloy à Sars-et-Rosières (⭐⭐⭐⭐, 2400 m, Km 91.7),
10. Beuvry à Orchies (⭐⭐⭐, 1300 m, Km 97.0),
 9. Auchy à Bersée (⭐⭐⭐⭐, 2700 m, Km 106.9),
 8. Mons-en-Pévèle (⭐⭐⭐⭐⭐, 1000 m, Km 110.7),
7. Mérignies à Avelin (⭐⭐, 700 m, Km 116.7), 
6. Pont-Thibault à Ennevelin (⭐⭐⭐, 1200 m, Km 120.8),
5. Templeuve (⭐⭐, 600 m, Km 126.1), 
4. Cysoing à Bourghelles (⭐⭐⭐, 1500 m, Km 133.4),
 3. Bourghelles à Wannehain (⭐⭐⭐, 1400 m, Km 135.5),
2. Camphin-en-Pévèle (⭐⭐⭐⭐, 1800 m, Km 140.7),
1. Willems à Hem (⭐⭐⭐, 2000 m, Km 149.3.

Sprints intermédios:  
- Wasnes-Au-Bac (35 m, Km 59)

Bónus
Este ano a organização decidiu colocar nas primeiras 9 etapas um sprint especial relativamente perto da meta, com bónus de 3, 2 e 1 segundos para o 1º, 2º e 3º a passarem nele. Está assinalado no perfil desta forma:

- Wannehain (50 m, Km 138.5)

Sectores de pavé

Cidade de partida: Arras


Arras é uma cidade e capital do departamento de Pas-de-Calais e é, também, Sé episcopal.
Era conhecida como Nemêtaco durante o período romano.
O centro histórico de Arras é UNESCO património mundial. É uma cidade originária da época do Ferro, hoje em dia é conhecida por albergar um famoso festival de música rock, que se realiza na praça central.
O pelotão já partiu desta cidade três vezes, uma delas foi na edição do ano passado, este ano repete a dose.

Cidade de chegada: Roubaix


Roubaix é uma cidade francesa, localizada no departamento do Norte, na região dos Altos da França.
A cidade é conhecida, no mundo do ciclismo, pela clássica Paris-Roubaix (considerada a rainha das
Clássicas, que completou este ano 116 edições).
Para além do ciclismo, a cidade tem muitos outros pontos de interesse como a Igreja de São Martinho (datada do século XV), a Igreja de São José (século XIX), o La Piscine (museu da arte e da indústria) e o La Manufacture (museu sobre a indústria têxtil de Roubaix).
Se visitarem Roubaix não deixem de experimentar algumas iguarias típicas. Por exemplo, os mexilhões com batatas fritas, podem também experimentar a fricadelle (salsichas), pavé de Roubaix (queijo típico) ou o gateau du ch’ti (um bolo salgado com queijo e carne de peru).

Condições meteorológicas

Mais um dia solarengo, o que torna a etapa menos caótica. As temperaturas rondarão os 28ºC e o vento irá soprar fraco de Nordeste (NE +/- 10 Km/h), o que significa que na maioria do percurso o vento será frontal.

Favoritos

É um dia muito perigoso para os homens da geral. Vamos dividi-los em três níveis.

- Os principais beneficiados:
Vincenzo Nibali, Geraint Thomas, Tom Dumoulin, Bob Jungels e Jakob Fuglsang são os homens da geral que melhor se adaptam. 
Thomas é um ciclista que também faz clássicas, é um dia ideal para ele. 
Nibali, Dumoulin e Fuglsang, já demonstraram por diversas vezes que este terreno não lhes é mau, antes pelo contrário, inclusive no Tour. 
Jungels, é um vencedor do Paris-Roubais Espoirs, não necessita de muitas apresentações.

- Nível intermédio
Alejandro Valverde, Chris Froome, Rigoberto Uran, Primoz Roglic e Bauke Mollema, Romain Bardet são ciclistas que já andaram no pavé, não sendo especialistas, podem-se defender relativamente bem. 
Romain Bardet em 2015 safou-se relativamente, este ano esteve na DDV tendo em vista esta etapa. O francês é um ciclista capaz de surpreender, como aconteceu na Strade Bianche. Oliver Naesen se tiver liberdade é candidato a ganhar, mas a principal missão deve ser proteger Bardet.
Alejandro Valverde anda bem em praticamente todos os terrenos.
Rigoberto Uran é um ciclista relativamente completo, em 2015 esteve bem na etapa do pavé. Este ano não experimentou uma clássica para testar as pernas neste piso. Tem Sep Vanmarcke e Taylor Phinney para o proteger.
Bauke Mollema já teve algumas experiências no pavé. Está longe de ser um especialista, mas também não é dos piores. Tem Stuyven e Degenkolb para o ajudar.
Chris Froome, em 2014 nem entrou nos sectores de pavé, abandonou. Em 2015 aguentou-se bastante bem, tendo inclusive atacado num dos setores.

- Os mais vulneráveis
Mikel Landa, Nairo Quintana, Daniel Martin, Richie Porte, Rafal Majka, Adam Yates, Ilnur Zakarin e Steven Kruijswijk inserem-se nesta categoria.
O duo da Movistar está na lista devido ao peso pluma. Mikel Landa nunca tinha andado em pavé até este ano, onde experimentou numa clássica. Nairo Quintana em 2015 acabou por se safar bem, não perdeu tempo, mas o colombiano continua a ser um dos mais vulneráveis neste terreno.
Richie Porte é um dos ciclistas com menos técnica e habilidade em cima de uma bicicleta do pelotão. Terá uma equipa muito forte para o apoiar, embora acreditamos que Greg Van Avermaet queira ganhar a etapa também. É um dia complicado e perigoso para o australiano.
Rafal Majka além de ser levezinho, é também um ciclista que tem uma relação muito próxima com o alcatrão. 
Adam Yates é um dos que tem uma equipa forte para o ajudar, mas que praticamente nunca correu em pavé e é mais um em que o peso não ajuda.
Ilnur Zakarin rivaliza com Richie Porte para a categoria de "pior técnica em cima de uma bicicleta". O historial de quedas é longo e algumas delas em momentos marcantes.
Steven Kruijswijk também tem pouco historial no paralelo e é um ciclista com uma técnica medíocre. É também ele, um forte candidato a perder tempo nesta etapa.
Primoz Roglic é um ciclista que é uma incógnita neste piso. Capaz de gerar potência, mas é dos que está constantemente no chão, tem de melhor a sua técnica.

⭐⭐⭐ Peter Sagan, Greg Van Avermaet
⭐⭐ Niki Terpstra, Philippe Gilbert, Sep Vanmarcke
⭐ Yves Lampaert, Jasper Stuyven, John Degenkolb, Jens Keukeleire, Arnaud Demare, Edvald Boasson Hagen, Oliver Naesen

A nossa aposta: Peter Sagan
O vencedor do Paris-Roubaix seria sempre um forte candidato a vencer numa etapa como esta. O campeão do mundo tem realizado um Tour impressionante, tirando o contrarrelógio coletivo e a chegada no Mûr-de-Bretagne, fez sempre pódio.
Não acreditamos que seja obrigado a proteger Majka, terá a liberdade da equipa para vencer a etapa.

Outsider: Philippe Gilbert
Tem mostrado nesta primeira semana a vontade de vencer uma etapa. Está na equipa mais forte para este dia, têm diversas opções.
A sua ponta final não pode ser desprezada, caso esteja no grupo restrito que dispute a vitória, é um dos favoritos.

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(a partir das 11:30, hora de Portugal Continental)
 (a partir das 13:10, hora de Portugal Continental)



Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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