Volta à França 2018 - Antevisão 16ª Etapa

Aí estão os Pirenéus, é o principal palco para a 3ª semana da edição deste ano. Depois do dia de descanso, a etapa tem um final duro apesar de não ser em alto.

Rescaldo 15ª etapa:

Etapa sem grande interesse para a classificação geral. Como era de esperar a fuga formou-se e acabou por sair daí o vencedor da etapa.
Desde o Km 0 que se sucederam os ataques, Adam Yates e Warren Barguil foram os mais ativos, mas sem sucesso, o interesse de algumas equipas não permitiu que estes dois se colocassem em fuga. A fuga só se formou por volta do Km 40, com 29 elementos, entre eles estavam os líderes da montanha e pontos, Julian Alaphilippe e Peter Sagan respectivamente.
O primeiro a atacar no grupo foi Lilian Calmejane, que tentou ir a solo a mais de 110 quilómetros da meta, um movimento muito estranho e pouco inteligente, acabaria naturalmente por ser alcançado. 
Na subida mais dura do dia, no Pic de Nore, Rafal Majka decidiu tentar a sua sorte, o polaco conseguiu passar o topo na frente, com cerca de 25 segundos de vantagem sobre um grupo formado por Mollema e Cort, 15 segundos mais atrás estavam, Calmejane, Skujiņš, Pozzovivo, Ion Izagirre e Valgren. Majka acabaria por ser apanhado pelos dois perseguidores, que também seriam apanhados pelo terceiro grupo.
No grupo principal com os homens da geral, Daniel Martin tentou a sua sorte, acabou por ser apanhado na descida para Carcassone.
Pozzovivo ainda tentou sair do grupo, mas outros três (Cort, Ion Izagirre e Mollema acabaram por se destacar e discutiram a vitória. O dinamarquês da Astana, impôs a sua maior ponta de velocidade e venceu, o 2º foi Ion Izagirre e o 3º foi Bauke Mollema.
Na geral, nada mudou.

Combativo do dia: Rafal Majka (Pol) Bora-Hansgrohe

Classificação da 15ª etapa:
1 Magnus Cort (Den) Astana Pro Team 4:25:52    
2 Ion Izagirre (Spa) Bahrain-Merida         
3 Bauke Mollema (Ned) Trek-Segafredo 0:00:02    
4 Michael Valgren (Den) Astana Pro Team    0:00:29    
5 Toms Skujins (Lat) Trek-Segafredo 0:00:34    
6 Domenico Pozzovivo (Ita) Bahrain-Merida         
7 Lilian Calmejane (Fra) Direct Energie         
8 Rafal Majka (Pol) Bora-Hansgrohe 0:00:37    
9 Nikias Arndt (Ger) Team Sunweb 0:02:31    
10 Julien Bernard (Fra) Trek-Segafredo    

Geral individual (Top-10):
1 Geraint Thomas (GBr) Team Sky 62:49:47    
2 Chris Froome (GBr) Team Sky 0:01:39    
3 Tom Dumoulin (Ned) Team Sunweb 0:01:50    
4 Primoz Roglic (Slo) LottoNL-Jumbo 0:02:38    
5 Romain Bardet (Fra) AG2R La Mondiale 0:03:21    
6 Mikel Landa (Spa) Movistar Team 0:03:42    
7 Steven Kruijswijk (Ned) LottoNL-Jumbo    0:03:57    
8 Nairo Quintana (Col) Movistar Team 0:04:23    
9 Jakob Fuglsang (Den) Astana Pro Team 0:06:14    
10 Daniel Martin (Irl) UAE Team Emirates 0:06:54

Pontos:
1 Peter Sagan (Svk) Bora-Hansgrohe 452 pts
2 Alexander Kristoff (Nor) UAE Team Emirates 170    
3 Arnaud Demare (Fra) Groupama-FDJ 133    
4 John Degenkolb (Ger) Trek-Segafredo 128    
5 Greg Van Avermaet (Bel) BMC Racing Team 115

Montanha:
1 Julian Alaphilippe (Fra) Quick-Step Floors 92 pts
2 Warren Barguil (Fra) Fortuneo-Samsic 70    
3 Serge Pauwels (Bel) Dimension Data 66    
4 Geraint Thomas (GBr) Team Sky 30    
5 Rafal Majka (Pol) Bora-Hansgrohe 28

Juventude:
1 Pierre Latour (Fra) AG2R La Mondiale 63:07:15    
2 Guillaume Martin (Fra) Wanty-Groupe Gobert 0:02:27    
3 Egan Bernal (Col) Team Sky 0:06:16   

Etapa 16

Mapa da 16ª estapa
Perfil da 16ª etapa
Col de Portet-d'Aspet e Col de Menté
Col du Portillon
Últimos 5 quilómetros

Os primeiros 120 quilómetros não são complicados, com duas contagens de montanha de 4ª categoria. No entanto, os últimos 100 quilómetros são muito duros, com três contagens de montanha, duas de 1ª e uma de 2ª categoria. A sequência do Col de Portet-D'Aspet (2ª Cat, 1069 m, 5.4 Km a 7.1%, Km 155.5) e do Col de Menté (1ª Cat., 1349 m, 6.9 Km a 8.1%, Km 171) vai moer as pernas dos ciclistas, a descida entre as duas subidas é bastante técnica e que está na história da Volta à França por um péssimo motivo, foi nesta descida que faleceu Fabio Casartelli no Tour de 1995. No local onde o Casartelli faleceu, tem um monumento em sua homenagem.
Depois da descida, São cerca de 20 quilómetros em falso plano, fazem uma incursão por Espanha e começam a subir o Col du Portillon (1ª Cat, 1292 m, 8.3 Km a 7.1%, Km 208). Uma subida interessante, com inclinação bastante regular. O topo fica a 10 quilómetros da meta, que serão realizados em descida, os 5 quilómetros iniciais são muito técnicos, com muitos cotovelos.

Correção: Fabio Casartelli faleceu na descida do Col de Portet-D'Aspet e não na do Col de Mente.

Sprint intermédio
- Saint-Girons (395 m, Km 124).

Subidas categorizadas: 
- Côte de Fanjeaux (4ª Cat., 348 m, 2.4 Km a 4.9%, Km 25),
- Côte de Pamiers (4ª Cat., 417 m, 2.3 Km a 5.8%, Km 72),
- Col de Portet-D'Aspet (2ª Cat, 1069 m, 5.4 Km a 7.1%, Km 155.5),
- Col de Menté (1ª Cat., 1349 m, 6.9 Km a 8.1%, Km 171),
- Col du Portillon (1ª Cat, 1292 m, 8.3 Km a 7.1%, Km 208).

Cidade de partida: Carcassonne

Cidadela de Carcassonne
Carcassonne é uma cidade francesa do departamento de Aude na região do Languedoc-Roussillon.
A cidade situa-se numa região povoada desde o Neolítico, na planície do Aude, entre dois importantes eixos de circulação usados desde a Pré-história, que ligam o Oceano Atlântico ao Mediterrâneo e o Maciço Central francês aos Pirenéus. Encontra-se 90 quilómetros a sudeste de Toulouse e cerca de 70 km a oeste da costa mediterrânica. É conhecida pela sua cidadela, construída entre 890 e 910. Foi considerada Património Mundial pela UNESCO desde 1997.

Cidade de chegada:
Bagnères-de-Luchon

O pelotão do Tour de France de 2014 a passar em
Bagnères-de-Luchon
Bagnères-de-Luchon é uma localidade francesa situada no departamento de Haute-Garonne e na região Languedoc-Roussillon, Midi-Pyrénées. É apelidada de "a rainha dos Pirenéus". Não possui estância de esqui, mas através de um teleférico é possível chegar à estância localizada na cidade vizinha de St. Aventino.
Realiza-se na cidade, há 18 anos, o festival de tele-filmes Luchon. Um evento que atrai mais de 1000 profissionais credenciados, aberto ao publico em geral e que recebe milhares de pessoas para verem os sessenta filmes exibidos ao longo de 5 dias.

Condições meteorológicas

Existe a possibilidade de chuva (+/- 40%), o que pode influenciar de forma drástica a corrida, muito por culpa das descidas perigosas. Temperaturas elevadas, a rondar os 30ºC e vento vai soprar fraco de norte.

Diferenças na montanha entre os favoritos após 2ª semana

Os favoritos chegam aos Pirenéus com diferenças significativas. Fomos tentar perceber em que etapas perderam mais tempo cada um dos 11 primeiros. Aqui fica o quadro com os segundos perdidos:

Quadro com as diferenças na montanha entre os homens da geral
De todos, apenas dois ciclistas venceram etapas foram eles: Geraint Thomas, o camisola amarela, venceu a 11ª e 12ª etapas e Daniel Martin que venceu a 6ª etapa na chegada no Mûr de Bretagne.
No total, Geraint Thomas perdeu apenas 11 segundos, uma média de 1,6 segundos por etapa. Chris Froome perdeu 40 segundos na montanha, ou seja, mais 29 segundos. A maior perda foi na 11ª etapa.

Tom Dumoulin é um caso especial, grande parte do tempo perdido foi na etapa do Mûr de Bretagne, devido a um furo e a uma penalização de 20 segundos. Se ignorarmos as nuances táticas, considerarmos o mesmo tempo que Thomas nesse dia e retirarmos a penalização, o holandês na montanha podia ter apenas perdido 33 segundos até ao momento, estaria assim apenas a 40 segundos da amarela.

Primoz Roglic teve um dia menos bom, foi na 11ª etapa, onde perdeu 59 segundos. Nos restantes apenas perdeu 16 segundos.

A 11ª etapa foi a que fez mais diferenças. Geraint Thomas nesse dia consolidou bastante a camisola amarela e nos restantes tem gerido a corrida de forma exemplar, com a ajuda da sua equipa. 

Chris Froome irá atacar o colega de equipa? Tom Dumoulin é capaz de derrotar a Sky? Primoz Roglic está preparado para as 3 semanas? E a Movistar, que vai fazer?

Favoritos

⭐⭐⭐Fuga (Julian Alaphilippe, Adam Yates, Rafal Majka, Thomas de Gendt, Warren Barguil, Pierre Rolland, Lilian Calmejane, Marc Soler, Daniel Navarro, Damiano Caruso, Ion Izagirre, Domenico Pozzovivo, Mikel Nieve, Bauke Mollema, Omar Fraile)
⭐⭐ Primoz Roglic, Tom Dumoulin, Romain Bardet
⭐ Geraint Thomas, Chris Froome, Mikel Landa, Daniel Martin, Alejandro Valverde

A nossa aposta: Fuga
Apostamos na fuga. Na nossa opinião Sky irá controlar o pelotão e deve deixar sair um grupo, passará a etapa em ritmo baixo, sem grandes preocupações e a diferença para os fugitivos irá aumentar gradualmente.
Dos potenciais fugitivos, a nossa aposta recai em dois nomes: Julian Alaphilippe e Adam Yates. O francês estará na fuga, para defender a camisola da montanha e o britânico da Mitchelton-Scott procura uma vitória de etapa para salvar um péssimo Tour.

Outsider: Romain Bardet
Se a fuga não vingar, a nossa escolha recai por quem poderá arriscar na descida final. E o nome que nos vem à cabeça é o de Romain Bardet. O francês tem de arriscar e desce bem, por essa razão, pode fazer a diferença, mas para isso terá de estar no grupo de favoritos no topo do Col du Portillon


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(a partir das 10:25, hora de Portugal Continental)
 (a partir das 13:10, hora de Portugal Continental, passa para a RTP1 às 14:00)

Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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