Volta à França 2018: Primeiras impressões do percurso



Faz hoje uma semana, que a edição de 2018 da Volta à França foi apresentada e as diferenças com a edição 2017 são evidentes. Christian Prudhomme tem procurado variar nos percursos, umas vezes tem sido feliz noutras nem tanto. 
Depois de uma edição menos montanhosa, a Volta à França em 2018 terá mais montanha do que em 2017. Mas não é só na montanha que há diferenças, o próximo Tour terá pavé e um pequeno troço de sterrato. Outra novidade presente, é a 17ª etapa, que terá apenas 65 quilómetros (uma das etapas mais curtas de sempre, excluindo os contrarrelógios), é curta mas tem muita montanha.
O percurso ainda conta com um contrarrelógio coletivo de 35 quilómetros na 3ª etapa e na penúltima etapa está colocado o contrarrelógio individual de 31 quilómetros.
No total, os corredores percorrerão 3329 quilómetros.

Quais são as etapas etapas-chave?

Quadro com as etapas

1ª semana
Na primeira semana não se ganha o Tour mas pode-se perdê-lo. Existem etapas ideias para os sprinters, onde apesar de parecerem tranquilas para os homens da geral podem-se tornar num pesadelo, devido  ao vento e nervosismo presente no pelotão, que gera muitas quedas. A chegada ao Mur da Bretagne na 6ª etapa, não deve fazer muitas diferenças entre os favoritos, mas vai ser o primeiro barómetro.

3ª etapa
É a primeira etapa que marcará diferenças entre os principais candidatos à geral. O perfil é plano, onde o único factor externo que pode influenciar a prestação das equipas, são as condições meteorológicas.
Equipas como a Sky, Sunweb e BMC têm sido as mais fortes nesta disciplina nos últimos anos, os seus adversários têm de minimizar as perdas neste dia.


Perfil da 3ª etapa

9ª etapa
O pavé volta ao Tour e logo com 15 sectores e final em Roubaix. Uma grande parte dos sectores estão presentes habitualmente no Paris-Roubaix.
Da última vez que o pavé esteve presente no Tour (2015), não houveram diferenças significativas entre os homens da geral. Mas em 2014, com umas condições climatéricas muito difíceis, as diferenças foram grandes.

Dados da etapa:
21.7 Km de pavé
15 sectores de empedrado
500 m: sector de pavé mais curto
2.7 Km: sector de pavé mais longo

Perfil da 9ª etapa

Alpes
Este ano, os Alpes serão percorridos primeiro do que os Pirenéus. Depois do dia de descanso, teremos 3 dias de alta montanha nos Alpes (10ª, 11ª e 12ª etapas).
A 10ª etapa é dura, embora o final não seja em alto, a grande novidade é a inclusão de um sector de sterrato, com 2000 metros de extensão, mas ainda muito longe da meta, situado no topo do Plateau des Glières.

11ª etapa
Segunda etapa nos Alpes e a primeira em toda a prova com final em alta montanha. Num dia com quatro contagens de montanha, a chegada a La Rosière é uma subida longa, com uma percentagem constante, mas sem ter rampas com inclinações exageradas, é uma típica subida dos Alpes.
Perfil da 11ª etapa

12ª etapa
São 175 quilómetros que prometem. No menu do dia estão três das mais icónicas subidas do Tour.
O Col de la Madeleine é o primeiro a ser passado, são 25,3 quilómetros a 6,2%, segue-se o Croix de Fer, com os seus 29 quilómetros a 5,2%. Entre as duas subidas, estão os Lacets de Montvernier  (3,4 Km a 8,2%), uma das subidas mais bonitas do Tour.
A descida do Croix Fer é perigosa e para finalizar o dia em grande, nada melhor que a subida mais icónica do Tour, o Alpe D'Huez, com os seus 21 cotovelos, são 13,8 quilómetros a 8,1%.
12ª etapa

Madeleine

Lacets de Montvernier


Croix de Fer
Alpe D'Huez
Pirenéus
Os Pirenéus serão palco da última oportunidade para os trepadores brilharem. Algumas das subida mais lendárias regressam, mas a principal novidade é a 17ª etapa, uma das mais curtas da história do Tour (excluindo contrarrelógios).
A 16ª etapa é dura, principalmente os últimos 60 quilómetros, mas servirá de aquecimento para os dias seguintes, que prometem.

17ª etapa
Uma das etapas mais curiosas e originais. O Peyragudes, Col de Val Louron-Azet e o Col de Porte compactados em apenas 65 quilómetros, com mais de 3000 metros de subida acumulada, uma barbaridade.
Se a etapa for atacada desde o início, pode-se tornar muito complicada de controlar. Começa-se a subir desde do Km 0, o Peyragudes tem 14,9 de extensão a 6,7%. Segue-se uma descida louca e sobe-se Val Louron-Azet, são 7,4 quilómetros a 8,3%, para voltar a descer até ao sopé da última subida.
O melhor está guardado para o fim, o Col de Portet é uma novidade no Tour e promete deixar marcas
profundas. São 16 quilómetros a 8,7%, sendo que a parte final é em sterrato.


Col de Portet

19ª etapa
Esta é a última oportunidade para os trepadores fazerem a diferença. O final não é em alto, mas esta etapa tem no seu percurso, algumas das subidas mais lendárias da Volta à França. É um dia a relembrar os bons velhos tempos, com o Aspin, Aubisque e Tourmalet no menu.
Começa em Lourdes, o Col d’Aspin (12 Km a 6,5%) começa a ser subido por volta dos 66 quilómetros. O Tourmalet será atacado após a descida do Aspin, com os seus 17,1 quilómetros a 7,3%, pode proporcionar uma selecção efectiva no grupo dos favoritos.
Depois da longa descida, aparece uma subida inédita, o Col de Bordères (8,6 Km a 5,8%) que antecede a última subida do dia, o Aubisque, com os seus 16,6 quilómetros a 4,9%, a percentagem engana, a subida pode ser dividida em duas partes, a meio há uma zona (+/- 4 Km) de descida e plana. 
A descida do Aubisque é técnica e perigosa.


19ª etapa


Col des Bordères e Aubisque

20ª etapa
O contrarrelógio individual tem perdido protagonismo nas últimas edições, noutros tempos era descrito como a 'corrida da verdade'. Este ano, são apenas 31 quilómetros de esforço individual e o percurso está longe de ser plano.
É um perfil muito acidentado, com constante sobe e desce, que beneficiará ciclistas mais completos e não os especialistas em terreno plano.


20ª etapa

Resumo

  • 105ª edição;
  • Decorrerá de 7 de julho (sábado) até 29 do mesmo mês (domingo); 
  • 21 etapas;
  • distância total: 3 329 Km;
  • distância média por etapa: 158,5 Km;
  • 8 etapas planas;
  • 5 etapas de média montanha;
  • 6 etapas de alta montanha, 3 com final em alto (La Rosière, Alpe d’Huez e Col de Portet);
  • 1 contrarrelógio individual (20ª etapa - 31 Km);
  • 1 contrarrelógio coletivo (3ª etapa - 35 Km);
  • 2 dias de descanso;
  • 25 subidas categorizadas,
A distribuição geográfica das etapas de montanha é a seguinte:
11 nos Alpes, 10 nos Pirenéus e 4 no maciço central.

O número de subidas categorizadas em 2015, 2016 e 2017 foram respectivamente: 25, 28 e 23.

Novidades

  • Contrarrelógio individual
Esta é a segunda edição com menos quilómetros de esforço individual desde 2010. Apenas em 2015 (15 Km) teve menos quilómetros.
2010- 60 Km
2011- 42 Km
2012- 96 Km
2013- 65 Km
2014- 54 Km
2015- 14 Km
2016- 55 Km
2017- 37 Km

Se recuarmos ainda mais, é mesmo uma das edições com menos quilometragem de contrarrelógio individual da história moderna da Volta à França.

  • Contrarrelógio coletivo
A organização decidiu voltar a colocar o contrarrelógio coletivo no percurso e desta vez na 3ª etapa. As equipas rezarão nos dois primeiros dias para não perderem ninguém, que é para ter toda a gente disponível para os 35 Km de Cholet.

  • Pavé
O regresso do pavé ao Tour saúda-se. Em 2014 foi decisivo, já em 2015 pouco alterou a história da corrida. No entanto é mais um dia com potencial para mexer a corrida.

  • Sterrato/terra batida
Uma das grandes novidades, o sterrato marcará presença, com 2 quilómetros na 10ª etapa e também no final do Col de Portet na 17ª etapa.

  • 17ª etapa, uma das mais curtas da história
Esta é talvez a grande novidade. São apenas 65 Km, num dia em que os ciclistas farão mais de 3000 de acumulado, a full-gas.

  • 8 elementos por equipa
Menos um elemento significa que a corrida será ligeiramente menos controlável e também diminui as probabilidades de quedas (menos ciclistas, potencialmente menos quedas).
São 176, o número de ciclistas à partida.

  • Bonificações
Haverá bonificações de 3, 2 e 1 segundos num ponto intermédio em todas as etapas (excepto contrarrelógios).
Continuarão as bonificações de 10, 6 e 4 segundos para os 3 primeiros em cada etapa.

  • Território francês
A edição de 2018 é praticamente toda percorrida em França (32 departamentos terão o privilégio de ver os ciclistas a passar), a excepção são apenas 15 quilómetros da 16ª etapa, numa breve passagem por Espanha.

O que falta?

A edição deste ano tem um pouco de tudo. A ausência de ribinoù é o grande destaque. Não porque é habitual, mas porque tem havia rumores nos últimos anos, que finalmente uma etapa ao estilo da Tro-Bro Léon estaria no percurso do Tour. A expectativa era grande para que o ribinoù finalmente fizesse parte, porém, a organização preferiu apostar nos troços de sterrato.

Os quilómetros de contrarrelógio individual não são muitos, um pouco de mais distância não faria mal. Os contrarrelogistas clássicos são ainda mais prejudicados, já que o contrarrelógio é bastante acidentado.

Existem apenas três chegadas em alta-montanha, não são muitas, num percurso duro e com muita montanha, pedia-se mais uma chegada em alto. Percebe-se que a organização procure que a corrida seja atacada de longe, no entanto, há também o reverso da medalha. As melhores equipas na fase final têm vantagem, com mais elementos, quem tentar de longe tem fortes de possibilidades de ser apanhado e resulta que o desgaste foi inútil.

Conclusões

Em termos de percurso, é bastante mais interessante do que o das últimas duas edições, com oportunidades para diversos tipos de ciclistas, desde sprinters até trepadores, passando pelos puncheurs.
A primeira semana pode fazer bastantes estragos, com o contrarrelógio coletivo a beneficiar determinados candidatos, em relação a outros. A etapa do pavé, é uma etapa a sério, que pode marcar diferenças enormes.
As segundas e terceiras semanas, são marcadas pela alta-montanha e por etapas de transição, estas últimas ideais para os caça-etapas. Os Alpes desta vez serão o primeiro palco de alta montanha e na terceira semana, a visita aos Pirenéus promete espectáculo, porque os trepadores terão de fazer diferenças.
O contrarrelógio final pode decidir tudo.

Apostas
Obviamente é cedo para discutir favoritos, mas o percurso é perfeito para Chris Froome.


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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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